Vamos Enfeitar a Cruz?

Vamos enfeitar a cruz? Vamos aparar suas arestas, arredondar suas quinas e polir suas farpas! Façamos da mensagem da cruz uma história linda de ser contada sem nenhum compromisso com o seu significado. Uma cruz que não convide à morte do eu, que não esmague o ego e que seja complacente com aqueles que gostam das glórias humanas!

Vamos centralizar músicos e cantores de tal maneira que a igreja já não saiba adorar sem eles. Cantar e cantar em nossos cultos para que as pessoas tenham uma sensação momentânea de alegria, algo que lhes toque a alma, mas não lhes regenere o espírito. E, não estou contra a vida de adoração da igreja. Essa ideia nada inocente alçou cantores ególatras acima dos profetas e dos pregadores da palavra de Deus. Esses dominaram o culto, tornando-se protagonistas, deformando o modelo bíblico de adoração congregacional, onde todos devem ser adoradores, sem exceção, afinados ou não!

Enfeitemos a cruz com pregadores descolados e modernos que não falam de pecado nem bradam por arrependimento. Pregadores que bajulam pecadores com mensagens de autoajuda para elevar a autoestima. Vamos parar de fazer culto para glória de Deus e façamos cultos para agradar e entreter jovens, crianças e adolescentes. Cultos voltados para satisfazer as necessidades humanas e não para revelar a glória e santidade de Deus. E, antes que me condenem, acho que muitos confundem boa intenção com a expressão da vontade de Deus. Caim, que o diga! Quanta boa intenção! Vamos encher nossas reuniões das ideias dos coaches e deixar os profetas de lado. 

Enfeitemos a Cruz convencendo os pais e mães cristãos de que é responsabilidade da igreja salvar seus filhos, que seu único trabalho é obrigá-los a ir a reuniões. Que seus filhos precisam de mais programações religiosas, mais entretenimento e não de uma profunda experiência com Deus, e ele cobrará certamente a omissão e transferência de responsabilidade de muitos que assim agiram.

Vamos enfeitar a cruz tratando como cristãos atores que nunca nasceram de novo, cantores que roubam a glória de Deus, bandas gospel com roupas esquisitas, moldando uma geração de jovens, levando-os a se apaixonarem por um estilo de vida vazio e não pela pessoa de Jesus. Esses, inovaram na liturgia, mas extinguiram o Espírito com encontros cada vez mais atraentes e músicas bem elaboradas. Os cultos estão mais festivos, com reuniões no escuro, canhões de luz e cortinas de fumaça numa medíocre imitação da presença de Deus! Porém, ninguém clama como Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Is 6:1-5.” Não passa de uma falsificação da presença de Deus! Saem dessas reuniões mais eufóricos e não compungidos.

Vamos enfeitar a cruz? Adorná-la com o verniz da autoestima do homem. Nada dessa mensagem de morte, renúncia, pecado, expiação, não! O homem moderno está carente, precisando de mais consolo, mais afago em seu ego.

A cruz de Cristo é definitiva demais, não dá escolhas ao homem caído, não negocia com o pecador, mas o conduz direto para a morte. 

Vamos enfeitar a cruz exagerando a graça a ponto das pessoas acreditarem que o amor de Deus é incondicional, não necessitando de mudança de vida, nem de aborrecer a si mesmo como disse jesus.( Lc 14:26). Afinal, Deus é amor e quer a felicidade do homem! 

Mas, deixando as ironias de lado, precisamos refletir para onde esse evangelho centralizado nas necessidades humanas e não na vontade de Deus irá nos conduzir. Não tenho dúvidas que essa distorção da obra da cruz resultará num cristianismo sem poder e totalmente incapaz de produzir vida. Quando o apóstolo Paulo disse que a palavra da cruz é loucura para os que perecem, está implícito nessa afirmação que a verdadeira pregação da cruz trará confronto, incômodo e desconforto ao homem que vive segundo seu próprio coração. 1Co 1:18.

Podemos enfeitar a Cruz das mais belas cores, adorná-la com as mais engenhosas filosofias para tentar agradar os homens e, no final, sermos julgados por Deus por cedermos à tentação de apresentar um evangelho mais palatável, mais “inclusivo” usando o substantivo em alta no momento. Não escaparemos ao mesmo julgamento do apóstolo feito a alguns irmãos na carta aos gálatas que tentavam agradar os homens para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

Gálatas 6: 12. Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

O poder do Cristianismo se encontra em seu repúdio ao comportamento dos homens decaídos e não em sua aceitação do mesmo. A verdade da cruz se revela em suas contradições. O testemunho da igreja é mais eficaz quando declara em lugar de explicar, pois o evangelho é dirigido à fé, não à razão.

A. W. Tozer. Esse cristão incrível!

Ser sal

Mateus 5:13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.

Tornam-se inúteis para Deus os que ignoram a responsabilidade de testemunhar mediante uma vida exemplar e coerente diante de um mundo pervertido. Todo aquele que se diz cristão mas vive irresponsavelmente sem compromisso de vida com a verdade do evangelho se tornará motivo de escárnio e vergonha para Deus e diante dos homens.


Quando perdemos o impacto da vida regenerada e passamos a viver como cidadãos desse mundo caído, adotando seus valores, modo de pensar e estilo de vida então, o sal perdeu o seu valor. O fim será o escárnio e a vergonha. O mundo olha para esses e os identifica como hipócritas, que têm um discurso, porém a vida segue na direção oposta ao evangelho da renúncia, sacrifício e santificação.


Os fariseus eram influentes nos dias de Cristo, religiosos e muito zelosos, não passavam despercebidos onde estavam inseridos. Suas vestes diferentes, o olhar altivo de cima pra baixo, sempre com um microscópio nas mãos para investigar os outros nos mínimos detalhes. Eles, porém, sucumbiram á tentação que acomete a muitos que não conhecem a verdadeira transformação. Agarraram-se a letra dos mandamentos vendo neles um motivo de destaque pessoal e reconhecimento diante dos homens.  A preocupação com a performance era tão grande que jesus faz um de seus discursos mais duros em Mateus para denunciar quão reprovável é uma vida de aparências. Suas práticas religiosas eram para alimentar o ego.

Mateus 23:5a Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens;…

Jesus denuncia motivações erradas no coração. Práticas exteriores para serem vistos pelos homens.

Alerta que, quando não há a essência de uma vida regenerada pelo poder de Deus os homens se afastam das veredas do arrependimento e rendição a Cristo.

Mateus 23:13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.

Um duro discurso! Corremos o risco de não entrar no reino de Deus e também, impedirmos outros de serem salvos. Somos instrumentos de salvação para quem anda perto de nós? A esposa(o), os filhos, colegas de trabalho, da escola etc? Viram como alguns comportamentos religiosos podem nos tornar mais orgulhosos que amorosos? Como podemos olhar os outros de cima para baixo só porque conhecemos a verdade?
Esse é o sal que não salga e a luz que ofusca a verdade. Tais comportamentos nos mostram que podemos amar tanto a doutrina a ponto de nos tornamos insensíveis como aqueles fariseus com pedras nas mãos para matar a mulher adúltera, cheios de prazer por aplicar a lei naquela “miserável pecadora”. (João 8:3-5). Não havia empatia, misericórdia, muito menos desejo de demonstrar um Deus amoroso através do perdão.

Ser sal da terra é pregar o evangelho num mundo caído, sem sabor, sem vida. É amar, rogar e chorar para que Cristo torne-se conhecido através de um testemunho coerente entre o discurso e a prática. É mais que apenas denunciar ou deleitar-se num farisaísmo que só infla o ego mas não produz vida. É viver Cristo, ser Cristo na prática de vida.

Ser sal é ser firme com os hipócritas, mas dócil com os fracos. É ser pão para o faminto e água para o sedento. É ser sensível para temperar na medida certa um mundo destroçado pelo pecado e decepcionado com a religião de aparências. A religião nunca faltou em nenhuma cultura, mas, a vida de Cristo operando na terra foi uma dádiva de Deus manifestada através de um povo regenerado pela obra do Espírito santo. Essa vida é sobrenatural, impactante e não passa despercebida. É o Cristo vivendo sua vida em nós! Encerro com uma frase do frade católico Francisco de Assis nascido na Itália no ano de 1.181.

Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas leiam”. (São Francisco de Assis)

Um Esforço Sublime

Efésios 4:3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;

As divisões e facções originam-se em nossos corações, pois Jesus disse que é do coração que procedem os maus desígnios, Mc 7:21-23. Assim sendo, não há demandas que eu tenha com meus irmãos que também não exponha as mazelas e maldades do meu próprio coração, trazendo à luz minha sensibilidade exagerada, impaciência, falta de perdão e tantos outros sentimentos perniciosos que destoam dos sentimentos do nosso mestre. Nossa estrutura interior se revela muito mais quando somos feridos, pois, de alguma forma reagimos, e nem sempre nossas reações expressam as atitudes de Cristo. Seja ficando magoados demais, ou pela crítica exagerada feitas muitas vezes a pessoa errada, ou pela indiferença e anulação daquele que consideramos o ofensor, cada situação revela o quanto nós precisamos de transformação.

O fato de considerarmos quem nos feriu como um judas, não nos torna mais virtuosos, ao contrário, nossas atitudes podem ser bem diferentes da que Jesus teve com o traidor, afinal, quando Cristo disse que seria traído por alguém do grupo, ninguém sabia, pois ele nunca havia falado do assunto com os seus discípulos, Lc 22:20-23. O apóstolo exorta-nos sobre a necessidade do esforço para preservar a unidade do Espírito, e essa é uma responsabilidade individual dada a cada filho de Deus. Na cruz, Cristo nos uniu, porém, no dia a dia, temos que lutar contra o espírito faccioso e nos esforçar para preservar essa unidade, reconhecendo que temos grande capacidade de dividir se não entendermos a obra que ele fez ali.

Esforçar-se na preservação da unidade é perdoar, tendo cuidado com as reações exageradas, evitar críticas e exposição do problema para não contaminar outros, exceto para aqueles que podem ajudar. É reconhecer que nossos sentimentos às vezes são piores do que a ofensa que nos causaram e buscar arrependimento. Enfim, o esforço na preservação da unidade depende primeiro de mim, e sempre que nos vermos magoados e ressentidos, devemos com humildade pedir ao Senhor que sonde nosso coração, e nos mostre se nossa atitude não está prejudicando a unidade do corpo de Cristo.

Força e Cântico


Salmos 118:14 O Senhor é a minha força e o meu cântico, porque ele me salvou.

Força e cântico andam juntos na vida dos que temem ao Senhor. O Senhor é quem provê para nós a força necessária nos momentos de fraqueza em que o inimigo tenta nos abater. É a sua providência que nos guarda dos ataques da carne que seduz e da mente quando duvidamos de sua presença em nossas vidas. O salmista repete que o Senhor é a nossa força diante dos inimigos diários que se levantam, mas acrescenta que ele também é o nosso cântico porque ele nos salvou, aleluias! Jamais devemos esquecer a sua grande salvação que nos foi dada gratuitamente em Cristo Jesus. Estávamos perdidos, sem esperança e a mercê do inimigo, porém ele nos salvou, veio até nós por nos amar tanto. O Senhor é a nossa força e o nosso cântico. Força para seguir até o fim, cântico para que o louvor sempre esteja em nossos lábios, nos levando a adoração em meio aos embates diários que temos que enfrentar. Bendito seja para sempre o nosso Deus!

Colossenses 4:2 Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.

O Amor em nossos corações


1 Coríntios 13:3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é a força motriz que impulsiona o coração do filho de Deus, levando-o a viver não para si. Paulo disse que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5:5) e o apóstolo João nos lembra que, quem não ama a seu próximo, não conhece a Deus, pois Deus é amor. (1Jo 4:8). O amor apresentado na palavra de Deus não tem nada a ver com sentimentos e sim com doação, serviço, entrega e sacrifício. Vemos num dos textos mais amados pelos cristãos a essência desse amor. Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu filho.. João 3:16. O mundo prega um amor apenas sentimental que depende da reciprocidade do outro para poder existir e, quando isso não acontece, o amor acaba. O amor de Deus não é assim, ele se entrega e está pronto a dar e sacrificar-se. Não há zona de conforto para o amor, pois o seu prazer não está em receber e sim, em si doar.
Talvez, o melhor termômetro para medir se esse amor é operante em nós é avaliarmos de que forma temos vivido. Se em torno de nós mesmos, ou buscando servir e nos doar em prol dos outros. Já ouvi dizer que o oposto do amor não é o ódio e sim a indiferença. Não nos preocuparmos nem nos envolvermos com os outros. Perder a empatia de sentir as dificuldades alheias ou mesmo partilhar pequenas coisas. Não servir nem dividir, por termos outras prioridades e ocupações, estando sempre justificando nossa indiferença, seja pela falta de tempo ou cansaço, ou outras prioridades. Podemos conquistar grandes coisas para nossa vida pessoal e até mesmo fazer grandes sacrifícios que serão reconhecidos pelos homens, porém o apóstolo nos diz que, se não for por amor, de nada nos aproveitará.
Quero encerrar trazendo o que Jesus disse sobre o amor, e que serve para medirmos se amamos como ele ama.
João 15:13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.
Se nossas vidas, são vividas em torno de nós mesmos, então já não andamos segundo o amor do nosso Deus. Temos que parar, rever e nos arrepender de uma vida egoísta, voltada somente aos nossos projetos.

O Maior Tesouro


Lucas 12:34 Por isso, onde estiverem os vossos bens mais preciosos, certamente aí também estará o vosso coração. (King James).

Os homens se apegam miseravelmente a bens e riquezas que jamais poderão guardar. Eles se lançam numa luta desenfreada para conseguir segurança naquilo que suas mãos podem conquistar, e sem perceber o tempo passar, negligenciam o que o Senhor alertou ser o mais importante. “Lucas 12:33 Vendei os vossos bens e ajudai os que não têm recursos; fazei para vós outros bolsos que não se gastem com o passar do tempo, tesouro acumulado nos céus que jamais se acaba, onde ladrão algum se aproxima, e nenhuma traça o poderá corroer.”(KJA)
Longe de ser um incentivo à pobreza, o que Jesus está nos propondo é um novo modo de vida, de homens e mulheres que descobriram a verdadeira riqueza e já não vivem para si, por encontrarem a pérola de grande valor, MT 13:45-46. O espírito desse mundo enreda o homem numa teia de egoísmo suicida, na busca desenfreada da felicidade sem Deus, na idolatria da diversão, do descanso exagerado, da realização emocional e da ilusão de que quanto mais conseguir, mais paz e alegria terá. Que vida miserável!
Onde estiverem os nossos bens mais preciosos, certamente aí estará o nosso coração, Lc 12:34. Não é o que digo que mostra quem sou e sim como vivo. São as coisas que consideramos mais preciosas que determinam nosso modo de viver. O jovem rico não conseguiu seguir a Jesus, embora fosse um homem muito religioso, pois suas ambições o enganavam. Lc 18:18-25. Jesus disse que essas pessoas teriam dificuldades de entrar no reino dos céus. Declarar-se religioso não nos dá um passaporte para o céu, é preciso ser transformado de dentro para fora.
Façamos uma análise de como temos vivido, como usamos o tempo, onde gastamos energia, quais são nossas prioridades. Como ganhamos e onde gastamos nosso dinheiro, se nos comprometemos ou não com o reino de Deus. Ao tentarmos responder a estas perguntas com honestidade, poderemos descobrir quais são os nossos bens mais preciosos, onde colocamos o nosso coração.
Que o ensino de Jesus corrija nossos rumos, trazendo arrependimento e uma verdadeira mudança interior. Que tenhamos clareza do estilo de vida que ele nos propôs e vivamos não para nós mesmos, mas para o seu reino, ricos do seu Espírito, dos seus valores, servindo e amando como ele amou, cheios de esperança na eternidade. Esse é o modo de viver proposto por Jesus.

Jesus em minha casa

Lucas 10:38 Indo eles de caminho, entrou Jesus num povoado. E certa mulher, chamada Marta, hospedou-o na sua casa.

Jesus pode chegar numa casa e nem todos notarem o valor da sua presença. Muitos estão ocupados demais, tensos demais, trabalhando demais. Às vezes, o mestre chega a nossa casa e não notamos, pois estamos afadigados com preocupações que não nos acrescentarão muito, e nem percebemos quando ele se senta bem à nossa frente. Diferente de nós, ele não tem pressa, não vive correndo nem atormentado por futilidades. Ele quer estar conosco para nos enriquecer e nos ensinar o que de fato tem valor. O mestre chega sem alarde e nem notamos a sua presença. Por sermos tão inquietos, não conseguimos parar por alguns instantes para ouvir a sua voz e sermos tocados no mais profundo do nosso coração.

O contraste entre essas duas personagens pode ser percebido nos detalhes. O texto deixa implícito dois comportamentos distintos. Maria tinha o hábito de parar para ouvir Jesus, enquanto Marta estava sempre ocupada, distraída com coisas que não eram as mais importantes. É mais fácil distinguir o quanto de Marta há em nós ao constatarmos, pelo que nos desgastamos e em que ocupamos grande parte do nosso tempo. Sempre colocamos o coração naquilo que mais nos seduz, e não raro, o coração segue numa direção e as palavras em outra. Confessamos com os lábios nosso compromisso com ele e agimos como se não fossemos tão comprometidos assim. Dedicamos muito tempo às nossas coisas e damos as migalhas que sobram ao relacionamento com Deus.

Perceber o valor de Cristo em nossa casa faz toda a diferença para as nossas vidas. Podemos ser como marta, que não entendia o valor de estar aos pés de Jesus, ou como Maria, que não perdia a oportunidade de absorver a  sabedoria em seu falar. Jesus adentra em todas as casas, sem exceção, entretanto muitos não valorizam a sua santa presença.

Oh, meu mestre, ensina-me a escolher a melhor parte! Aquieta meu coração e me faz cair aos teus pés. Tira de mim o espírito de Marta e me faz ser como Maria que não conseguia desviar o olhar do teu terno olhar.

Lucas 10:39 Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.

O Corpo de Cristo

Romanos 12:5 assim também nós, conquanto muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros,

Ninguém pode entender o corpo de Cristo sem a revelação do Espírito santo. A profundidade de nossa união com Cristo e dependência uns dos outros está expressa com muita propriedade nas palavras do apóstolo, que tenta descortinar a nós, através do exemplo do corpo humano, o que somos como igreja de Cristo neste mundo. Somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros. O texto nos fala de unidade, relacionamento, do sincronismo e dependência que deve haver entre nós como igreja, assim como no corpo humano, os membros dependem entre si.

Isso é algo fascinante, se pensarmos que, qualquer distúrbio em nosso corpo nos traz grande desconforto, e dependendo do que estejamos sentindo, impede nossa mobilidade, trazendo limitações e dores agonizantes. Pode ser uma dor de cabeça, ou um osso que se quebrou, ou um dedo ferido, um problema na visão ou na audição, ou mesmo uma unha machucada. Seja qual for o problema, já causa em nosso corpo um desequilíbrio que nos impede de vivermos normalmente nossa vida cotidiana. Muito pior, quando um membro do corpo perde a sua função. Por exemplo: é difícil viver sem um olho, uma perna ou um braço. Até mesmo um pequeno dedo se for removido fará muita falta a todo o nosso corpo.

Caso tenhamos qualquer problema com um membro do corpo, logo tomamos medicamentos, buscamos os médicos ou recorremos a exercícios físicos para tentar restabelecer a saúde e a mobilidade. Em casos extremos, tentamos resolver o problema com membros artificiais como próteses que imitam os membros perdidos, tamanha a importância que um membro do corpo humano tem para nós.

Dito isto, você já parou para pensar, de que forma tem vivido como igreja, que é o corpo de Cristo nessa terra? Você entende que, como membro do corpo de Cristo, o seu papel não é menos importante que o de qualquer outro membro e que, no corpo, não existem membros dispensáveis? Você pode abrir mão de seu dedo mínimo, ou de um olho, ou mesmo de uma unha de sua mão? No que diz respeito ao corpo de Cristo, da mesma forma fica claro que todos os membros são importantes e exercem uma função indispensável para o seu bom funcionamento. O apóstolo ilustra essa realidade de forma bem prática dizendo: “Não podem os olhos dizer à mão: não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: não preciso de vós. 1 Cor 12:21”. Ele está afirmando o valor e importância de cada membro do corpo. O menor dedo do pé coopera para o equilíbrio do corpo e sem o polegar nossa capacidade de segurar estará seriamente comprometida. 

Quando um membro do corpo de Cristo deixa de cooperar ou dar sua participação, ou de se envolver por achar que ele não tem relevância, todo o corpo perde. Sejam os olhos ou sejam os pés, cada um tem papel importante no corpo humano, assim também, cada membro do corpo de Cristo é indispensável para o seu bom funcionamento. Você não precisa ser a boca para ter relevância no corpo. Você só precisa entender que é um membro importante do corpo de Cristo e que sua cooperação é indispensável para o bom funcionamento do mesmo.

Na verdade, só percebemos o valor dos joelhos quando não conseguimos agachar, ou o valor das mãos, quando não conseguimos segurar. O fato é que, Deus nos colocou no corpo de Cristo para cooperarmos com o seu reino, dando a cada um de nós uma função importante, por isso não se isole para não perder sua função. Um membro do corpo não pode rebelar-se contra o próprio corpo, pois aí teremos um câncer que é uma grave doença, e mesmo que não seja uma rebeldia do membro do corpo, pode ser uma atitude desleixada, passiva, totalmente descomprometida, o que revela que algo está errado com esse membro. Devemos então repensar nossa compreensão do corpo de Cristo e avaliar como temos cooperado com ele, dando nossa participação, nos envolvendo.

Um ponto importante citado no texto que usei como base é a expressão, “e membros uns dos outros”. Quer eu compreenda ou não, nossas vidas estão ligadas de forma mística pela obra de Cristo na cruz. Esse é um fato que não pode ser ignorado. “1 Coríntios 12:13, Pois em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.” Um membro que se recusa a participar do bom funcionamento do corpo está com um grave problema. Todos nós fomos batizados em um corpo, o corpo de Cristo, para cooperarmos em harmonia com todos os membros. Somos membros uns dos outros, estamos ligados e unidos pela obra de Cristo e temos papel relevante em sua igreja. Não sejamos ignorantes nem negligentes no entendimento dessa verdade.

Encerro citando as palavras de Paulo que tão bem nos exorta sobre o resultado de vivermos como corpo de Cristo.

1 Coríntios 12:25 para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros. 26 De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam. 27 Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo.

Você tem cooperado com o corpo de Cristo dando a sua contribuição para o bom funcionamento do mesmo?

A Melhor Escolha

Salmos 63:6 Quando me lembrar de ti na minha cama, e meditar em ti nas vigílias da noite

O que tem ocupado nossos corações nesses dias turbulentos e agitados? Como iniciamos nossa semana? Temos tantas coisas a nos preocupar. Família, trabalho, projetos não concluídos, necessidades emocionais que insistem em nos abater e então ficamos sobrecarregados. Esse estado de coisas leva muitos de nós a ficarmos exauridos física e emocionalmente, afetando diretamente nossa relação com Deus. É o excesso de preocupação, que gera ansiedade, mentes aceleradas e estagnação espiritual. O salmista acordava pelas madrugadas, lembrava-se de Deus e nele meditava nas vigílias da noite. O hábito de meditar, adorar e contemplar ao Senhor traz saneamento aos corações ansiosos e quebra as cadeias dos pensamentos obsessivos que não nos levam a lugar nenhum, apenas nos paralisam. Jesus disse a Marta que viver agitada e inquieta é uma escolha e não uma circunstância, Lc 10:40-42. Minha escolha, posso mudar, as circunstâncias, às vezes, não. Quando uso como desculpa a falta de tempo e o excesso de coisas a fazer para justificar minha negligência no meu relacionamento com Deus e com os irmãos, algo está errado em meu coração e o resultado será uma fé desnutrida e uma vida espiritual medíocre. Sejamos então diligentes, dedicados em conhecer ao Senhor, nos exercitando nesse caminho de contemplação e adoração, conduzindo nosso coração a conhecer e experimentar o prazer da amizade e intimidade diária com ele através da oração, meditação e adoração. Só assim encontraremos o verdadeiro prazer e descanso para o coração.

Lucas 10:41 E respondendo Jesus, disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e preocupada com muitas coisas, mas uma só é necessária; 42 E Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

A língua, pequena brasa Destruidora!

Tiago 3:5 Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.

Em 1666, ocorreu o histórico incêndio de Londres. Em quatro dias, as chamas destruíram 1.8km2 da cidade, 13.200 casas, deixando uma média de 100 mil desabrigados. E como tudo começou? Com uma pequena brasa do forno de uma padaria que achavam ter apagado totalmente à noite. Acidentalmente, a brasa alcançou uma porção de feno, causando um dos piores incêndios daquela época. Uma pequena brasa foi responsável por tamanha destruição. É exatamente o que Tiago nos chama a atenção, usando o exemplo do fogo para ilustrar o poder devastador do mau uso da língua.

“A língua é um pequeno membro e gloria-se de grandes coisas.”

“Há quem esteja tão doente por dentro que tem a terrível capacidade de tomar mel e cuspir fel.” AUGUSTO BRANCO

É fato que, quando se trata de nos avaliarmos, sempre somos mais condescendentes conosco que quando avaliamos os outros. É por esse motivo que, por trás de críticas aparentemente honestas pode haver um senso de superioridade, ou o julgamento sutil de achar-se melhor por não cometer os mesmos erros nem ter as mesmas deformações que julgamos no outro. 

Podem ser pequenas observações destacando uma falha na pessoa ou em sua família. Às vezes, brincadeiras que desconstrói a imagem, minimizando virtudes e ampliando os erros, ou mesmo a exposição de pecados que a pessoa cometeu, e isso diz mais de nós mesmos que da vítima de tais comentários. A língua se gloria de grandes coisas, revelando assim as deficiências do nosso caráter, porém, devido ao orgulho, ficamos insensíveis para esses comportamentos danosos e não reconhecemos muitos dos males que causamos com nossas palavras. 

Tiago chega a dizer que a língua inflama o curso da natureza e é inflamada pelo inferno, vs 6, tamanho é o poder destrutivo desse pequeno membro. Suas colocações são tão fortes que assustam, pois o que ele disse é que a língua está cheia de maldade e pode transformar a nossa vida numa chama ardente de destruição, conforme se traduz esse versículo na bíblia viva. Muitas vezes me arrependi das falas e colocações que fiz e até me envergonhei de algumas. Ao perceber que minhas palavras feriram, magoaram e até distorceram a imagem de irmãos negativamente, me conduzindo a um doloroso processo de aprendizado, onde percebi que essa é uma deficiência de caráter que podemos dar o nome que for, mas é pecaminosa e danosa aos relacionamentos. Jesus disse que o que sai da boca é o que contamina o homem, por ser do coração que procedem os maus desígnios. Mt 15:18

Esse assunto do uso da língua é tão caro a Tiago que ele chega a dizer para os faladores irresponsáveis que, aqueles que perderam a sensibilidade e não poupam ninguém em suas falas, a sua religiosidade é enganosa e hipócrita. Pessoas que já não temem as consequências de suas palavras, expondo, criticando e opinando, vão deixando um rastro de destruição por onde passam pelo mau uso da língua. Eles são a minoria, porém estragam a muitos.

“Se alguém diz que é cristão e não controla a sua língua ferina, está apenas enganando-se a si mesmo, e a sua religião não vale muita coisa.” Tg 1:26 bíblia viva. 

O apóstolo não lida com isso como se fosse algo sem importância na igreja.

Insiste em dizer que o hábito de ocupar-se da vida alheia é uma deficiência de caráter, às vezes verbalizada em comentários e avaliações feitas com uma roupagem de espiritualidade, porém, muito prejudicial para a vítima e para quem empresta os ouvidos. Muitas pessoas foram contaminadas e destruídas ao receberem informações que só produziram inquietação ao ambiente da igreja, gerando desconfianças e abalando a fé. 

O fato é, que há uma legião de pessoas que poderiam estar caminhando bem se não tivessem sido atingidas por palavras, comentários e informações que só serviram para as destruírem e nada mais. Diante de tudo isso, é importante, antes de avaliarmos os outros, fazermos a nossa autocrítica pedindo ao Espírito de Deus que sonde o nosso coração e ilumine nosso entendimento para vermos onde temos errado nessa área, por mais que seja difícil. Se o Espírito Santo nos convence de que nossas palavras feriram, machucaram ou causaram danos a terceiros, devemos fazer o caminho de volta, nos arrependendo e pedindo perdão. Isso trará cura, primeiro para o meu coração e, ao mesmo tempo, restauração nos relacionamentos. Se fui vítima de comentários mentirosos ou distorcidos, o melhor caminho ainda é perdoar para que a amargura não destrua nossa fé. E, se nos depararmos com pessoas que usam a língua como arma, devemos confrontá-las com amor para que se arrependam e entendam os danos que tal prática produz. 

Provérbios 6:16 Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina: 17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18 coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, 19 testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.