Será que Deus cuida de mim?

Salmos 139:11-12. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;

Às vezes temos de enfrentar noites escuras que nos levam ao desespero, a angústias e a sofrimentos emocionais. Noites que parecem não ter fim. Situações que nos preocupam e afligem o coração, nos fazendo sentir envoltos em trevas, e sem esperança de resolução. São preocupações com a família, dificuldades com um filho, uma enfermidade, problemas financeiros e até mesmo preocupações com o futuro, circunstâncias que nos trazem a sensação de que estamos encurralados e que não há uma resposta adequada.

Em momentos como esses, alguns são tomados de uma profunda tristeza, outros perdem a fé e já não conseguem mais perseverar em oração. Uns se revoltam contra Deus ou ficam indiferentes, dando lugar a crises de ansiedade, depressão, irritabilidade e até doenças que não encontram causas físicas. É um cansaço excessivo, constantes dores de cabeça ou dores no corpo que não passam. Alguns são acometidos de uma tristeza persistente ou de um desânimo que rouba as forças para prosseguir. Sem contar os quadros cada vez mais crescentes de vícios em pornografia e no excesso de entretenimento que sutilmente escondem as necessidades mais profundas do coração. São horas e horas gastas nas redes sociais vendo inutilidades, sem perceberem que isso pode ser um sinal claro de que algo está errado, e que, esses atalhos não irão aliviar as angústias que os assolam.

O salmista, meditando sobre a onisciência e a onipresença de Deus, descobre que o Senhor é mais pessoal, íntimo e mais próximo do que ele poderia imaginar. O que, para ele, eram densas trevas, para o Senhor, tudo estava em plena luz. E por mais escuras que forem as trevas, para Deus a noite brilha como o dia, vs 12. O fato é que ele vê todos os nossos problemas, conhece todas as nossas angústias, sabe dos nossos questionamentos e indagações. Ele conhece as queixas, as dúvidas e as reclamações. Conhece nosso desespero, nossos medos e tudo que para nós, são como trevas que nos envolvem, para Deus, a noite brilha como o dia. “as trevas e a luz são para ti a mesma coisa;” vs 12.

Parece que o problema que enfrentamos ao lidar com nossas aflições, reside em como entendemos o agir de Deus em nossa vida. Cremos em sua soberania quando ele nos responde, mas duvidamos quando sua resposta é o silêncio ou mesmo um sonoro, não. O salmista compreende haver um agir soberano de Deus em nossa história, mesmo que não compreendamos ou não estejamos vendo o que, e como, ele está agindo. E, embora algumas coisas permaneçam do mesmo jeito, nos incomodando, tudo está exatamente dentro de seu controle, inclusive os sofrimentos que não conseguimos explicar. Às vezes, ele nos mostra o começo e guarda o fim para si, para crescermos em fé e confiança.

Então, ele passa a entender a onisciência de Deus sobre os seus pensamentos mais secretos. “De longe conheces os meus pensamentos,” vs 2.

Percebe a onipresença de Deus em toda a sua história, tudo sempre esteve debaixo do seu olhar. “Observas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos.” Vs 3.

Ele está atento às súplicas, verbalizadas ou não, ele conhece todas elas. “A palavra ainda nem chegou à minha língua, e tu, Senhor, já a conheces toda. Vs 4.

Descobre que o Senhor é um esconderijo que o oculta dos ataques do inimigo, e que, não há nada em sua vida que fuja ao seu controle soberano. “Tu me cercas por trás e por diante e sobre mim pões a mão.” Vs 5.

É natural, em certa medida, que o desespero, o medo e a dúvida caiam sobre nós diante de situações que fogem ao nosso controle. Sejam situações que nos envolvem ou envolvem pessoas que amamos. Entretanto, jamais devemos esquecer de sua soberania e cuidado sobre nossas vidas. Jesus expressa esse cuidado de Deus a nós, quando disse: “Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes.” Mt 6:8. Não é reconfortante para nós, seus filhos, entendermos que ele sabe de todas as coisas? Que o nosso presente e futuro estão debaixo do seu amor e cuidado, embora ele não nos revele todo o seu projeto?

Ao compreender a dimensão da onisciência e onipresença de Deus em sua vida, o salmista brada maravilhado: “Tal conhecimento é maravilhoso demais para mim: é sobremodo elevado, não o posso atingir!” Sl 139:6.

Talvez, uma das questões que mais nos causam desconforto, seja a percepção que temos, de que nossas orações não são respondidas satisfatoriamente, e é disto que se ocupa o salmista. O Senhor tem o controle de tudo, vê tudo e governa sobre tudo. Ele trabalha para aqueles que nele esperam, Is 64:4.

Ao chegarmos até aqui, não podemos deixar de admitir a nossa miopia espiritual e, ao mesmo tempo, reconhecer que precisamos conhecê-lo mais profundamente. Cabe a cada um de nós, com humildade, pedir a ele que abra os nossos olhos para vermos além daquilo que está diante de nós e assim descansarmos em sua perfeita obra em nossas vidas.

Nenhum de nós entenderá melhor o agir de Deus, se focarmos apenas na necessidade que temos de respostas aos nossos problemas. Moisés, no deserto, sentiu que precisava muito mais que respostas. Precisava conhecer a Deus e experimentá-lo. Então ele diz: “Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é teu povo.” Êx 33:13. As respostas às nossas orações são importantes, mas nada substitui a experiência de andar com Deus e conhecê-lo cada vez mais. Que, como o apóstolo Paulo, oremos admirados:

“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” Rm 11:33-36.

A Riqueza da Palavra de Deus

Mateus 4:9-11. “E propôs a Jesus: “Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares. Ordenou-lhe então Jesus: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: ‘Ao SENHOR, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás’”. Assim, o Diabo o deixou; e eis que vieram anjos, e o serviram.

Em Mateus 4:9-11, encontramos um dos momentos mais significativos do ministério de Jesus na terra, onde Ele vence os ataques de Satanás utilizando a palavra de Deus. Quando Satanás propõe: “Tudo isso te darei se, prostrado, me adorares”, Jesus responde: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: “Ao SENHOR, teu Deus, adorarás e só a Ele servirás”. Essa vitória é alcançada através da força e autoridade da Palavra de Deus.

O cristão que negligencia seu relacionamento diário com a Palavra, está abrindo mão de um recurso indispensável para sua jornada aqui na terra. A Bíblia é essencial para a vida cristã e nos oferece inúmeros benefícios:

  • Ela é Lâmpada para os pés: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos” (Salmos 119:105). A Palavra de Deus ilumina nosso caminho e nos guia na direção correta.
  • É a Espada do Espírito: “Tomai também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Efésios 6:17). Ela é a nossa arma espiritual para combater as forças do mal. É uma arma de defesa, mas também de ataque e deve ser pregada com fé e autoridade.
  • Escudo e Proteção: “O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; é um escudo para todos os que nele se refugiam” (Salmos 18:30). A Palavra nos protege e nos fortalece em tempos de adversidade, guardando nossos corações e mentes dos ataques que nos assediam.
  • Refrigera a Alma: “A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma” (Salmos 19:7a). Ela renova e conforta nossas almas cansadas. Quando estamos exaustos e nos debruçamos em sua palavra encontramos o refrigério e renovo para prosseguir.
  • Sabedoria: “O testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.” Sl 119:7b. A Palavra nos dá sabedoria para nos conduzirmos em todas as áreas da vida. Seja na igreja ou nesse mundo, os que nela meditam se tornam sábios.                                      
  • Guarda de Pecar: “Guardei no coração a tua palavra, para não pecar contra ti” (Salmos 119:11). Ela nos ajuda a viver uma vida de santidade, afastando-nos do pecado, trazendo ao nosso coração os preceitos do Senhor para vivermos em santidade nesse mundo.
  • Fortalece na Tristeza: “A minha alma se consome de tristeza; fortalece-me segundo a tua palavra” (Salmos 119:28). Em momentos de tristeza e desânimo, a Palavra nos dá força e consolo.
  • Consolo: “O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica. (Sl 119:50). Ela oferece consolo e conforto em tempos de necessidade, angústias e tristezas.
  • Direção e Respostas: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, 17 a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” A Palavra nos dá direção e respostas para todas as áreas de nossa vida, nos capacitando e nos conduzindo em qualquer situação.
  • Ela é Mais Preciosa que o Ouro: “Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino.” (Salmos 19:10a). A Palavra é inestimável e mais valiosa que qualquer riqueza terrena.

O apóstolo Paulo reforça a importância da Palavra em 2 Timóteo 3:16-17, afirmando que “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.” É através da Palavra que somos capacitados a viver conforme a vontade de Deus.

Portanto, que nosso amor e respeito pela Palavra de Deus cresçam a cada dia, e que ela se torne nosso alimento diário. Como o salmista expressa no Salmo 119:97: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.”

Que a Palavra de Deus seja a base sólida sobre a qual edificamos nossas vidas, nossas famílias, guiando-nos, fortalecendo-nos e equipando-nos para toda boa obra.

Uma Cruz Para Mim.

Gálatas 2:20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

A cruz exige a morte do transgressor para que ele experimente a verdadeira vida. Jesus, falando do sofrimento que lhe aguardava, disse: “Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só, porém, se morrer, dá muito fruto.” Jo 12:24. A cruz que Cristo tomou era totalmente minha.

Ela foi retirada de mim pelo próprio Deus e colocada sobre Jesus, para que ele comprasse a minha salvação. Na cruz que era minha, o pai entregou seu filho em meu lugar, para que eu pudesse ter vida eterna, o justo pelo injusto, o santo pelo pecador.

Esta foi a negociação mais injusta que já aconteceu, onde apenas um lado lucrou. E adivinhem qual lado?

Quando ele foi para a cruz na qual eu seria condenado, eu fui absolvido da culpa e declarado sem culpa, justo, justificado, totalmente em paz com Deus, conforme Rm 3:24. “sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.”

Eu, que era seu inimigo, inexplicavelmente pela cruz, fui reconciliado e me tornei amigo amado, um filho e membro da família de Deus, Ef 1:19. Ele foi abandonado na cruz que era minha devido aos meus pecados, e eu fui recebido na casa do pai. Enquanto ele sangrava na cruz que foi feita para mim, eu estava sendo lavado e purificado para viver como membro da sua família eterna.

Enquanto ele era escarnecido, cuspido e desprezado na minha cruz, eu estava sendo abraçado e amado como filho. Quando ele foi levantado na cruz que era para mim, as trevas caíram sobre a terra e seus alicerces foram abalados, enquanto a luz da salvação e do perdão caía sobre mim, Lc 27:45,50-51.

No momento da sua crucificação, alguém estupidamente gritou: “se és rei, desça da cruz!” Mt 27:42. Ele não entendia que aquela cruz não era de Jesus, era minha, e que ele voluntariamente a tomou, e por amor a mim, não desceu, sangrou até o fim, aplacando a ira do pai que foi derramada sobre ele, na minha cruz. 1Jo 4:10.

Eu não sabia que estava morto em meus delitos e pecados e, na cruz que era minha, ele me deu vida, Ef 2:1. Eu me achava livre, mas era escravo, e na cruz ele comprou a minha liberdade pela obra da redenção. Hb 9:12

Havia um certificado de dívida contra mim diante de Deus, totalmente impagável, e ele levou consigo para a cruz, quitando totalmente as minhas dívidas com o seu próprio sangue. Cl 2:14. Enquanto o mundo não entende o evento histórico da cruz, eu o amo de todo o meu coração.

A palavra da cruz é loucura para o mundo, mas para mim ela revela o poder de Deus. 1 Co 1:18. O poder de um Deus que se fez homem e que, por amor, tomou a minha cruz, sendo ele o próprio Deus, para me perdoar e salvar. Bendito seja aquele que me substituiu na cruz. A ele a glória para todo o sempre. Amém!

O Deus Justo e Amoroso.

Considere, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para com você, a bondade de Deus, desde que você permaneça nessa bondade. Do contrário, também você será cortado.” Rm 11:22 (NAA).

Talvez, uma das questões mais difíceis para os cristãos compreenderem seja o equilíbrio entre o amor e a justiça de Deus. Essa dualidade do caráter divino o leva a lidar tanto com a sua misericórdia quanto com o seu julgamento, seja tratando com os ímpios ou com os seus filhos. Sendo ele perfeitamente bom e perfeitamente justo, exerce a misericórdia e a justiça de maneira equilibrada, para que os homens entendam sua natureza, o amem e também o temam.

É da natureza dos homens caídos relativizar a gravidade dos seus pecados, por não compreenderem o caráter santo de Deus. A corrupção do coração humano leva-os a achar que têm algo de bom para serem aceitos por ele, perdendo assim o temor e agindo como se Deus fosse igual a eles. Na carta aos Romanos, o apóstolo Paulo diz o seguinte:

“Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Rm 3:10, 23.

Todos pecaram! Todos estão separados da glória de Deus e totalmente incapazes de se relacionar com ele por seus próprios méritos.

Na mesma carta, tratando da salvação do povo judeu, ele disse:

“Considere, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas, para com você, a bondade de Deus, desde que você permaneça nessa bondade. Do contrário, também você será cortado.” Rm 11:22 (NAA).

Ele deixa claro que a bondade e a severidade de Deus estão no mesmo patamar em seu caráter, e que, por meio desses atributos morais, ele faz com que conheçamos a sua natureza. Essa compreensão nos leva não somente ao amor a ele, mas também ao temor do seu nome. Se Deus relativizasse o pecado por causa do seu amor ele não seria perfeito em seu caráter. A sua bondade e a sua misericórdia estão em perfeita harmonia para que o homem possa desfrutar de um relacionamento sadio com ele.

O amor de Deus é manifestado em Sua graça, perdão e compaixão, enquanto Sua justiça se manifesta na correção, disciplina e julgamento. É nesse equilíbrio que encontramos a harmonia da vontade divina, que busca reconciliar a humanidade com Ele por meio de seu filho, ao mesmo tempo, em que preserva a integridade de Sua santidade e justiça.

Ao olharmos para a cruz, vemos ali o equilíbrio perfeito do caráter justo e amoroso do nosso Deus. O sacrifício de seu filho inocente em nosso lugar nos mostra como ele é santo e justo e, ao mesmo tempo, o quanto ele nos ama. Sendo nós totalmente pecadores, Deus fez uma injustiça a si mesmo, para que pudéssemos desfrutar do seu amor, sem que o pecado fosse ignorado. No livro de Naum lemos:

“O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder, e ao culpado não tem por inocente.” Naum 1:3a.

Devido ao seu caráter santo e justo, o culpado não é inocentado diante de Deus apenas por um ato de bondade em que ele ignora o pecado e o perdoa. Não. Ao culpado, ele não terá por inocente. Entretanto, o apóstolo diz:

“Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” 2Co 5:21.

Ele toma sobre si o julgamento que era nosso e nos faz alvos do seu grande amor. Sendo ele sem pecado algum, assume o nosso pecado e nos livra da condenação. A morte de Cristo não elimina a ira e a justiça divinas, mas deixa-o satisfeito para sermos favorecidos por esse amor. Aleluias!

Então, o apóstolo brada para nós:

“Portanto, assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os seres humanos para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos para a justificação que dá vida.” Rm 5:18. (NAA)

Homens condenados pelo pecado de Adão são declarados justos pelo sacrifício de Cristo. Amor e justiça em perfeito equilíbrio, revelando a nós o caráter perfeito do nosso Deus. Quando entendemos o equilíbrio entre seu amor e sua justiça, passamos a entender, também, que aqueles que enfatizam o amor de Deus e ignoram sua justiça, distorcem o seu caráter perfeito e ignoram a profundidade da corrupção do coração humano.

Esse discurso leva os homens a um falso evangelho onde se oferece plenitude para a vida do Ego. Não se pode conhecer o amor de Deus, sem que se compreenda sua justiça e santidade. O amor a Deus não pode se dissociar do temor a ele. Assim como cada asa de um pássaro é essencial para voar, o amor e a justiça de Deus se complementam, revelando a perfeição de Seu caráter.

Ó, profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão inexplicáveis são os seus juízos, e quão insondáveis são os seus caminhos! Rm 11:33.

A Falta de Perdão e Suas Consequências.

1 João 4:21 Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.

A santidade de Deus confronta o homem nos caminhos do seu coração, revelando a necessidade de cultivar relacionamentos saudáveis. João aborda esse tema, enfatizando que amar a Deus implica obrigatoriamente em amar também os nossos irmãos, pois esse é o seu mandamento.

No entanto, o desafio de perdoar e libertar-se das mágoas é real e complexo, visto que estes sentimentos nos machucam profundamente. A falta de perdão pode aprisionar nossos corações em um ciclo de ressentimento, prejudicando nossos relacionamentos e até mesmo nossa própria saúde emocional e espiritual.

Em situações em que fomos ofendidos, temos a tendência de achar que não somos tão ruins assim por sermos as vítimas. Entretanto, nesses casos, não percebemos que estamos cheios de mágoas e até com desejo de vingança por aqueles que nos magoaram. O apóstolo nos leva a outro patamar do relacionamento com Deus, enfatizando que o amor a Deus é totalmente incompatível com a falta de perdão ou rupturas com o meu irmão. Se digo amar a Deus, devo amar também o meu irmão.

Quantas doenças decorrem da falta de perdão e das mágoas nos corações? Basta uma rápida pesquisa para listarmos alguns dos sintomas físicos da falta de perdão:

1. Tensão muscular: O estresse emocional causado pela falta de perdão pode levar à tensão muscular crônica, especialmente nos ombros, pescoço e mandíbula.

2. Dores de cabeça: O acúmulo de estresse emocional pode desencadear dores de cabeça frequentes ou enxaquecas.

3. Problemas digestivos: A ansiedade e o estresse emocional associados à falta de perdão podem afetar o sistema digestivo, causando problemas como dor abdominal, azia e até mesmo úlceras.

4. Distúrbios do sono: A mágoa e o ressentimento podem interferir no sono, causando insônia, dificuldade para dormir ou sono interrompido.

5. Sistema imunológico enfraquecido: O estresse crônico associado à falta de perdão pode enfraquecer o sistema imunológico, tornando a pessoa mais suscetível a doenças e infecções.

6. Pressão arterial elevada: O estresse emocional pode levar a um aumento da pressão arterial, aumentando o risco de problemas cardíacos e derrames.

Esses dados são relatados por profissionais de saúde mental e médicos. Nós, pastores, temos a experiência de ver muitas pessoas serem saradas, tanto física quanto emocionalmente, ao perdoarem de coração os seus ofensores.

É essencial, portanto, buscar conhecer a Deus mais profundamente, compreendendo Seu amor e Sua santidade. Ao entendermos o que ele deseja, somos capacitados a superar as mágoas e a perdoar aqueles que nos feriram. Isso implica em entendermos a natureza de Deus, para lidarmos melhor com os pensamentos recorrentes acerca das ofensas sofridas, que tendem a nos manter presos ao passado.

Ao invés de alimentar ressentimentos, devemos escolher o perdão, reconhecendo nossa própria necessidade de perdão e a graça abundante que recebemos de Cristo. Assim, libertamo-nos do cárcere das mágoas e abrimos espaço para relacionamentos restaurados e uma vida mais plena e significativa.

Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. Jo 13:34-35.

A Busca por Bençãos sem o Relacionamento com Deus.

Êxodo 20:19 Disseram a Moisés: — Fale-nos você, e ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos.

O homem não pode aproximar-se de Deus sem que a sua vida seja profundamente impactada. Não é possível uma relação com ele, sem que a mesma não afete todas as áreas de sua vida, desde seus comportamentos até a sua forma de pensar. Aqueles que dizem andar com Deus e não experimentam o impacto de sua santidade em seus corações, evidenciam que há algo muito errado nessa relação. Tito denuncia, em sua carta, religiosos que falam e não vivem: “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.” Ti 1:16. São os que se dizem religiosos, porém o estilo de vida mostra o contrário.

Aproximar-se de Deus, nos enleva ao sublime e transcendente, ao lugar onde o humano é contrastado com o divino, o pecador com o Santo, o Deus perfeito, fazendo-se conhecer ao vil. No deserto, em Horebe, Deus se apresentou a Moisés no meio de uma sarça e esse encontro mudou a sua vida para sempre. Porém, a primeira coisa que ele ouviu de Deus, foi: “Retira as sandálias dos teus pés, porque o lugar onde estás é terra santa.” Êx 3:5. Ele não teve um encontro com os códigos religiosos de sua época nem com as divindades pagãs do Egito, mas com o criador do universo. A partir daí, ele morreria por esse Deus, não importando qual o preço nem o caminho que teria que seguir.

O apóstolo Paulo, disse: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” 1Tim 1:15. O encontro com Cristo mudou totalmente toda a sua existência. Um homem que era orgulhoso, cruel e perseguidor da igreja, que participou da morte de muitos irmãos, reconhecendo que sua pecaminosidade era insuperável. “Eu sou o principal dos pecadores!” E na carta aos irmãos da cidade de Filipos, ele disse que perderia tudo para conhecer a Cristo. Filp 3:7-8.

O apóstolo Pedro, ao presenciar o poder de Jesus sobre a criação numa pescaria, grita convencido de que estava diante do divino: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador!” Lc 5:8. A história nos revela que esse homem, no dia de sua morte, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se achar indigno de morrer como o seu mestre.

O profeta Isaías, talvez em um momento devocional como tantos outros, não imaginava o que lhe aconteceria naquele dia. Ele viu a glória de Deus revelada diante de seus olhos e suas palavras mostram o impacto causado em seu coração: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” Is 6:5

“Ai de mim, estou perdido, sou impuro, habito no meio de gente impura!”

Eu poderia citar centenas de casos do poder transformador desse encontro do homem com Deus, narrados pela Bíblia ou pela história, e todos nos fariam entender o mesmo. O relacionamento com Deus é o que muda as nossas vidas, e o que difere disso, não passa de mera religiosidade, podendo até conter certo grau de virtude, mas não provém de uma vida transformada.

O texto inicial nos mostra como no monte Sinai, o povo fez a escolha de se relacionar com Deus à distância. Ao verem o monte tremer devido a sua santa presença, eles pediram a Moisés que Deus não falasse diretamente com eles, traçando uma linha divisória nesse relacionamento, o que resultou num conhecimento de Deus, totalmente distorcido. Eles queriam a proteção divina, mas não queriam se envolver com ele. O resultado de tais escolhas todos conhecemos. Uma geração inteira não pode entrar na terra prometida. “Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto.” 1Co 10:5

No salmo 106, vemos uma clara distinção entre as escolhas de Moisés e a do povo que partiu do Egito. “Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel.” Sl 103:7.

Qualquer um pode desfrutar dos milagres e feitos de Deus, porém, conhecê-lo passa por uma escolha feita no mais íntimo do coração. Seria possível Deus se surpreender com o desejo do coração de um homem? Não sei. Mas o pedido de Moisés ao Senhor deve ter enchido o seu coração de alegria. “Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.” Êx 32:18. E foi assim que Moisés experimentou o relacionamento com Deus e os filhos de Israel, apenas os seus feitos. Sl 103:7.

Não basta só receber a graça da salvação. É preciso amar o salvador de todo o coração. Os cristãos mais frustrados e decepcionados são aqueles que baseiam o seu relacionamento com Deus nas bençãos alcançadas ou não alcançadas. Nas orações atendidas ou não. Esses, formam um exército gigantesco e engordam as fileiras dos desigrejados modernos.

Você pode estar desanimado com Deus ou com a igreja e pode ter mil razões para isso, entretanto a fé cristã nada tem a ver com bençãos, vitórias e conquistas. Esse é um falso evangelho, sedutor e enganoso que arrasta a muitos.

Deus não nos chamou para sermos felizes e realizados por termos todos os nossos desejos satisfeitos. Ele nos chamou para uma aventura incrível e transformadora pelo conhecimento de quem ele é. Aqui está a verdadeira felicidade e realização. Jesus orou e disse que a vida eterna é conhecer ao pai e ao seu filho. Jo 17:3. Busquemos de todo o nosso coração um relacionamento profundo com o nosso mestre.

Algumas perguntas:

1. Você já se perguntou a razão da sua indiferença a Deus e à sua igreja?

2. Será que o seu esfriamento não é fruto de suas escolhas pessoais?

3. Será que você não está buscando bençãos sem querer um relacionamento mais profundo com Deus?

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. Jr 9:23-24.

Eu Nunca Faria Isso!

Colossenses 3:13 Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

Eu nunca faria isso! Foi o que pensei vendo o comportamento de alguns irmãos.

Quantos de nós já nos surpreendemos cometendo erros e pecados que, em algum momento, criticamos na vida de nossos irmãos? Quantas vezes nos excedemos na correção? Já me peguei nesse caminho, sendo duro e impaciente com aqueles que pecaram ou não conseguiram atingir determinado padrão. Seja em sua vida pessoal ou na vida familiar, como pai, marido, esposa ou, em seus deveres cristãos. Eu não faria isso, ou, eu não agiria assim, pensei cheio de arrogância e nenhuma compaixão, ao surpreender esses irmãos em erros e pecados. 

Não consegui expressar o coração do meu mestre, Jesus, e logo descobri que o grande problema de Deus não são aqueles que pecam, e sim, os que se acham justos aos seus próprios olhos, e foi assim que me comportei em alguns momentos. Lembrei da parábola do fariseu e do publicano. “Jesus também contou esta parábola para alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros,” Lc 18:9. 

  • Confiavam em si mesmos.
  • Se consideravam justos.
  • E desprezavam os outros.

Os que assim se comportam olham os outros de cima para baixo, como se fossem superiores, confundindo arrogância com espiritualidade.

E assim como o peixe já não percebe a água que o envolve, da mesma maneira, o arrogante não percebe mais o estado em que se encontra. Considera que seu julgamento é o melhor, sua forma de ver é a mais correta e suas avaliações são a expressão do pensamento divino, e agem convencidos disso.

Diante do exposto, não posso deixar de reconhecer que, em alguns momentos, machuquei irmãos com palavras, olhares ou julgamentos precipitados, que feriram mais que ajudaram.

Claro que, à medida que fui amadurecendo, percebi que a vida não é assim, o preto no branco, e que muitos estão se esforçando para chegar ao fim de sua jornada. Alguns tropeçam e parecem que não conseguirão, outros andam mais lentamente, mas estão tentando agradar ao mestre. Uns erraram tão gravemente que pareciam que jamais se levantariam, mas o Senhor os socorreu. Alguns, que eu tinha certeza de que não continuariam, estão aí perseverantes, mais fortes e mais firmes que nunca, por receberem uma segunda chance, uma terceira e tantas quantas foram necessárias até que se firmaram.

Isso nos traz de volta à afirmação inicial; eu nunca faria isso! Será? Se pararmos para analisar o tamanho da paciência de Deus demonstrada em todos esses anos, seríamos um pouco mais misericordiosos e bondosos com os nossos irmãos, sabendo que nós mesmos estamos rodeados de fraquezas. No livro de Eclesiastes, lemos: Não há nenhum justo sobre a terra que faça o bem e que não peque. Ecl 7:20. Não há diferença significativa entre nós e o nosso irmão no que tange a escolhas, decisões ou comportamentos. Embora algumas vezes fizemos escolhas mais sábias, o que nos preservou de alguns fracassos, porém, não há ninguém sobre a terra que não peque, e talvez, o pecado mais intolerável seja a arrogância de achar-se melhor. Paulo traz uma solene advertência àqueles que são rápidos para julgar e condenar. “Por isso, você é indesculpável quando julga os outros, não importando quem você é. Pois, naquilo que julga o outro, você está condenando a si mesmo, porque pratica as mesmas coisas que condena.” Rm 2:1(NAA).

Segundo Paulo, o homem indesculpável é aquele que tem grande capacidade de crítica, mas nenhuma autocrítica, e essa afirmação do apóstolo, coloca a todos nós no olho do furacão. Não importa quem eu seja ou como vivo, não tenho o direito de me achar melhor que ninguém, e esse sentimento é mais sutil do que podemos imaginar.

Ao chegarmos até aqui, é importante afirmar que, misericórdia e amor não é complacência nem conivência com comportamentos pecaminosos, pois a disciplina é um gesto de amor e quem ama corrige. Todavia, devemos agir com os que fracassaram como gostaríamos que agissem conosco quando errarmos. Jesus disse: “Sejam misericordiosos, como também é misericordioso o Pai de vocês.” Lc 6:36 (NAA). 

O homem é arrogante por natureza, e a menos que ele entenda o Cristo que se esvaziou, deixando a sua divindade para se misturar a nós, ele sempre será mais severo com os erros dos outros e complacente com os seus. Cabe a nós, à medida que somos iluminados pela palavra de Deus, reconhecer e corrigir os excessos cometidos contra nossos irmãos ou familiares. Não é vergonha fazermos o caminho de volta e pedir perdão, admitindo que passamos do ponto devido ao nosso orgulho. Partindo dessa compreensão, jamais falaremos com arrogância: “eu nunca faria isso!”. Deixo alguns conselhos baseado em algumas experiências pessoais e que me fizeram muito bem.

1. Se você foi convencido que precisa pedir perdão a algum irmão por ter se excedido, faça-o.

2. Se com a sua família, esposa e filhos você pesou a mão demais, e os feriu com palavras e comportamentos, seja humilde e admita. Seja específico, evite conversas superficiais e genéricas. Diga: errei quando falei assim, ou quando me comportei daquela maneira. 

3. Se com os seus pastores e líderes você teve posturas rebeldes ou desrespeitosas, renove essa relação através do pedido de perdão sincero de alguém que foi convencido pelo Espírito Santo de Deus.

Sei que o bálsamo do amor de Cristo inundará a sua vida.

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma.” Mt 11:29

Há um passo da queda

1 Coríntios 6:12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. 

Os filhos de Deus devem ser vigilantes e maduros o suficiente para saberem lidar com os perigos que surgem no dia a dia. Nenhuma queda ou fracasso na vida espiritual começa por termos planejado pecar, mas pela falta de vigilância. Quando baixamos a guarda ou nos achamos fortes o bastante, é aí que começa o processo da queda. 

São conversas despretensiosas que se transformam em maledicência e destrói relacionamentos. Um bate-papo com pessoas erradas, despertando paixões e destruindo a fé por não ouvir a voz do Espírito no coração. Outros desenvolvem relacionamentos virtuais que levarão ao pecado e ao enfraquecimento a ponto de não conseguirem mais sair do buraco em que entraram. No livro de provérbios lemos: 

“Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição.” PV 1:32 

O néscio é alguém desprovido de entendimento, um estúpido que não ouve os conselhos e nem obedece à palavra de Deus. Esses perecerão por seu desvio da verdade. O outro grupo, considerados loucos, por serem orgulhosos e cheios de si. O escritor diz que a sua impressão de bem-estar os leva à perdição. Andam tão cegos que não percebem que estão sendo arrastados para uma armadilha fatal, enganados pela sensação de bem-estar, achando que estão no controle da situação, porém se encontram num caminho de morte. Todas as coisas são lícitas, mas nem todas nos convém. Muitos que deixaram de ouvir o alerta do apóstolo abriram portas em seus corações difíceis de fechar e só conseguirão sair se buscarem ajuda com humildade e dependência da igreja do Senhor. Não vão conseguir sair sozinhos. Às vezes, são em coisas lícitas que muitos encontram sua queda. Por acharem que não havia nada de mais no que estavam fazendo, ignoram a orientação da palavra, não aceitam os conselhos dos irmãos quando são chamados à atenção e se afastam da igreja para não serem confrontados. O resultado é a queda e o acúmulo de muitas dores. Que o Senhor nos guarde de sermos obstinados em nossos próprios caminhos. 

Não Seja Um Desperdiçador.

Lucas 15:13 — Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada. (NAA)

O dicionário da língua portuguesa define a palavra, pródigo, como um adjetivo  e significa, gastador, esbanjador ou um desperdiçador. Podemos dizer que é aquela pessoa sem limites, cujos critérios repousam apenas nos prazeres momentâneos, se importando apenas com o aqui e agora. Para os que vivem sob essa mentalidade, o dinheiro ou as pessoas que o rodeiam são apenas meios para que eles vivam a vida do seu jeito, sem sacrifícios pessoais ou renúncias, sem respeito ou consideração por aqueles que os cercam e os amam, apenas preocupados com a satisfação momentânea. Essa mentalidade norteia as escolhas de muitos.

Quando lemos a parábola do filho pródigo, não estamos diante de alguém que desperdiçou apenas dinheiro, mas a sua própria vida em prazeres, curtindo o momento e esquecendo-se dos valores que realmente importam. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, Mt 22:36-39. São escolhas centradas no ego e não na vontade de Deus.

Já nos perguntamos quais as motivações das escolhas que fazemos em nosso dia a dia? Pelo que nos entregamos ou como gastamos o nosso tempo? Escolhas são decisões tomadas no nosso fórum mais íntimo, onde ninguém conhece as razões e motivações que nos levaram a elas, apenas nós mesmos e o Senhor. Isso quando conseguimos identificar as razões de determinadas escolhas, por haver algumas que fizemos e depois ficamos nos perguntando: “como fui fazer isso? Ou, por que fiz aquilo?”. 

O salmista Davi, talvez pensando em seus próprios erros, disse: “Quem sou eu para discernir os pecados que se escondem em meu interior? Por favor, Senhor, perdoe os meus pecados ocultos!” Sl 19:12 (bíblia viva).

O texto do filho pródigo nos mostra um pai amoroso, mas, ao mesmo tempo, podemos identificar no mesmo, aqueles que cultivam um estilo de vida de prazer e diversão, negligenciando o relacionamento com Deus e com sua igreja. Um pródigo, em essência, é um gastador. No caso da parábola, aquele filho não somente gastou o dinheiro, mas também o seu tempo e parte de sua vida na ilusão do prazer e satisfação pessoal. O texto nos diz: — “Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada.” Lc 15:13. 

O fato é, que, muitos são pródigos em seu estilo de vida, desperdiçando um tempo precioso com coisas que nada acrescentam e, depois, sentem-se culpados pela falta de disciplina, principalmente aquelas que concernem ao reino de Deus. Não acham tempo para meditar na palavra, para a oração e nem para servir aos irmãos. Estão tão ocupados consigo, com seus planos e estilo de vida que não percebem que essa mentalidade é uma verdadeira armadilha, que cobrará um alto preço no final. 

Esses, estão sempre cansados e indispostos para o reino de Deus, e sentem uma enorme necessidade de descanso e diversão. Amar, servir e pregar se tornou, para alguns, tarefas enfadonhas e cansativas e já não sentem mais a gravidade da perda do senso de utilidade. Jesus disse: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, eu os escolhi e vos designei para que vão e deem fruto, e o fruto de vocês permaneça, a fim de que tudo o que pedirem ao Pai em meu nome, ele lhes conceda.” Jo 15:16. Fomos escolhidos para dar frutos duradouros e permanentes, e, entendendo isso, não perderemos o nosso senso de utilidade enquanto estivermos aqui.

Homens e mulheres regenerados pelo Espírito Santo sentem-se renovados e animados quando servem, pregam e compartilham Cristo aos outros, e, ao mesmo tempo, ficam frustrados quando se percebem vivendo apenas em torno de um projeto pessoal.

O filho pródigo simboliza aqueles que fazem da satisfação pessoal e momentânea o seu modo de viver, e devemos nos perguntar, o quanto dessa mentalidade permeia o nosso coração. Alguns questionamentos para nossa reflexão.

  1. A minha paixão inicial se esfriou? Aquela alegria de estar junto dos irmãos, compartilhando sobre Cristo, desapareceu?
  2. Perdi o meu amor e zelo pela palavra e já não me animo mais em estar a sós com Deus em meu devocional diário?
  3. Quando estou nas reuniões, não tenho o que compartilhar, pois sinto-me vazio das riquezas de Cristo?
  4. Tenho gastado mais tempo com assuntos como diversão, política e curiosidades e já não leio um bom livro ou cultivo amizades que edificam na igreja?

Se as respostas a essas perguntas são positivas, precisamos dar alguns passos práticos na direção da verdadeira mudança. 

  • Primeiro, é preciso uma postura de arrependimento desse estilo de vida. Afinal, escolhemos nosso próprio caminho e não a vontade de Deus.
  • Segundo, buscar ajuda de irmãos mais maduros, que vivem de forma mais consistente. Esses, terão sensibilidade para nos ajudar.
  • Terceiro, é preciso mudar o círculo de relacionamentos. Irmãos que consideramos mais radicais são os que nos desafiam a andar mais perto de Deus. Fuja daqueles que não crescem, que não se envolvem e só gostam dos momentos de descontração. 
  • E, em quarto e último lugar, não se afaste da vida da igreja, não importa o quão desanimado esteja. Deus usará o seu corpo, a igreja, para restaurar e fortalecer a sua fé. Você não sabe quem Deus irá usar para lhe ajudar, então se envolva com o corpo de Cristo.

Finalizo, lembrando que, como o pai do pródigo o aguardava, arrependido, assim o Senhor aguarda que voltemos ao primeiro amor e à simplicidade de uma vida cheia de fervor e paixão pelos assuntos do seu reino. Vamos voltar à segurança e ao aconchego da casa do pai.

Faze-nos voltar, SENHOR Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.” Sl 80:19

Lembra da sua Vocação

João 15:16 Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

Quando não temos um motivo claro pelo qual viver, a vida perde o sentido e torna-se enfadonha. As pessoas mais entediadas são aquelas que vivem em torno de si mesmas, não se doando por nada nem ninguém, buscando apenas a realização pessoal. A idolatria da felicidade é um verdadeiro engano, vendida nos meios de comunicação como algo que resolverá todos os problemas que nos afligem. 

Então, a ênfase recai sobre a ideia de que, conquistas e realizações nos tornarão mais felizes. Adquira o carro, a casa, faça viagens, curta bastante e conquiste um amor. Tudo isso é mostrado nos meios de comunicação atrelados à ideia de vida plena e realizada, o que para muitos se transforma numa verdadeira armadilha.

Não à toa, talvez essa seja uma das gerações mais vazias e cheias de problemas emocionais, como a depressão e o desânimo, devido ao estilo de vida egoísta que está sendo cultivado. 

O problema surge quando as coisas lícitas se tornam um fim em si mesmo e o reino de Deus e a nossa vocação ficam num plano secundário.

O chamado de Jesus aos seus discípulos não deixava dúvidas do que ele esperava daqueles homens: “Mateus 4:19. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”  E no evangelho de João, Jesus orando ao pai, disse: João 17:18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Fica claro que nos foi dada a missão de pregar o evangelho de Cristo aos que ainda não o ouviram e que, esse deve ser o nosso propósito de viver.

A verdade é que, quanto mais nos envolvemos com aqueles que estão  perdidos longe de Cristo, mais encontramos sentido para viver. A vida de amor e serviço traz uma plenitude de alegria, ao vermos que, por causa do evangelho, estamos fazendo a diferença na vida de outros, mostrando-lhes o caminho da salvação. 

Mateus, em seu evangelho nos mostra que Jesus, ao ver as multidões como ovelhas desgarradas sem pastor, enchia-se de compaixão. “Mateus 9:36 Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. “Ao se aproximar dos necessitados e perdidos, seu coração foi tomado de compaixão. O fato é que, quanto mais nos doarmos pelos necessitados e aflitos, mais o nosso amor e misericórdia aumentarão, assim como aconteceu com Jesus. Dificilmente iremos supervalorizar nossas dores, ao nos depararmos com pessoas que estão sofrendo mais que nós. E foi isso que Jesus sentiu. Mais amor e compaixão pelos sofredores e perdidos.

O profeta Isaías fala da missão salvadora de Cristo, setecentos anos antes do seu nascimento, dizendo:

Isaías 61:1-3. O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram, e a pôr sobre os que em Sião estão de luto, uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

Nada supera a abrangência da salvação conquistada por Cristo para alcançar os perdidos e necessitados, e ele nos confiou a pregação dessa salvação, por meio de sua obra redentora. Jamais devemos perder nosso senso de utilidade na igreja e nem nesse mundo. Devemos ser fontes de edificação uns para os outros e, ao mesmo tempo, pregadores do reino de Deus para um mundo perdido. 

Ele nos escolheu para darmos frutos e muitos estão em torno de suas próprias vidas, negligenciando a sua missão e vocação. Pedro diz que nós somos raça eleita, sacerdócio real, nação Santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, com um único objetivo. Proclamar as virtudes de Cristo para este mundo perdido. 1Pe 2:9.

Escrevendo para a igreja de Éfeso, Jesus repreende aqueles irmãos por terem abandonado o primeiro amor. Apocalipse 2:2-5. E quantos de nós estamos na mesma condição daquela igreja? Precisando de renovo no amor e serviço ao Senhor, para agradá-lo e cumprir nossa vocação. 

Chegando ao fim dessa meditação, a missão individual que foi dada a cada de nós em pregar o Evangelho, é um chamado que traz consigo uma alegria renovadora e um propósito eterno. Quando nos entregamos ao serviço de proclamar a mensagem redentora de Cristo, encontramos uma plenitude de alegria que transcende as circunstâncias que nos afligem e nos identifica com o coração amoroso de Jesus.

Ao obedecermos à sua ordem na pregação do Evangelho, experimentamos a alegria de participar do seu plano redentor para transformação das vidas. Cada palavra compartilhada, cada vida tocada pelo poder do Evangelho, traz consigo uma alegria profunda e duradoura que só pode ser encontrada em Cristo.

Tendo esse entendimento acerca da nossa missão, falemos como o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:16, “Ai de mim se não pregar o Evangelho”, reconhecendo que a nossa maior responsabilidade e privilégio como seguidores de Cristo é proclamar a mensagem da salvação a todos os que estão perdidos e necessitados. Que possamos abraçar nossa vocação com alegria, sabendo que é através dela que encontramos o verdadeiro significado e propósito para nossas vidas.