Ex-escravos

“e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” Rm 6:18

Até no coração dos que andam com Deus há uma constante guerra com suas fraquezas. A palavra do Senhor nos diz que o coração do homem é enganoso e perverso, Jr 17:9. Os homens e mulheres mais espirituais travam lutas com seus desejos carnais e com os sentimentos mais estranhos à natureza divina, levando-os a fracassar em alguns momentos. Ao olharmos para homens como Abraão, Salomão, Davi, e até os apóstolos, vemos que todos cometeram erros, alguns bem graves em sua caminhada. Pecados e comportamentos que, quando lemos, ficamos constrangidos. Mesmo recebendo um novo coração, todos nós já fomos surpreendidos com desejos carnais, explosões de ira ou de vingança, até mesmo de inveja e cobiça que surgem em situações inesperadas, em meio às circunstâncias em que vivemos. Coisas que nos envergonhamos de revelar. Todos que experimentaram o novo nascimento e buscam viver em comunhão com Deus, não estão livres dessas inclinações. É preciso entender que a obra da salvação não estará completa até recebermos um corpo glorificado.

Fomos salvos da condenação do pecado. Rm 8:1. Libertos da escravidão do pecado, Rm 6:6, e um dia seremos livres da sua habitação, quando receberemos um novo corpo. Na primeira carta a igreja de corinto, o apóstolo nos diz: “Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.” 1Co 15:42-43. Esse evento ainda encontra-se no futuro, quando estaremos livres da habitação do pecado. Por esse motivo, Jesus e os apóstolos insistiram tanto na busca pela santificação. “Hebreus 12:14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,”

“1 Pedro 1:15 Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;”

“João 17:17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”

Embora nascidos de novo, devemos entender a fraqueza da nossa carne para vencermos as inclinações pecaminosas do nosso coração. O apóstolo Paulo traz um alerta de como devemos nos comportar em relação a essas inclinações pecaminosas. “Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação.” Rm 6:19.

Antes da experiência do novo nascimento, éramos escravos do pecado e dominados em nossa vontade. Não conseguíamos dizer não aos seus apelos em nosso interior. Ele mandava e nós obedecíamos. Agora, o apóstolo nos mostra que, após a libertação da escravidão do pecado, não preciso mais ceder aos seus apelos. Devo oferecer os meus membros e os meus sentidos a Deus, assim como os ofereci ao pecado. Estou livre para buscar uma vida de santidade vivendo aqui nessa terra. “Romanos 6:22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;”

Vejam a alegria do apóstolo falando dessa nossa nova condição.

“Agora, porém, libertados do pecado”

“Transformados em servos de Deus”

“Tendes o vosso fruto para a santificação.”

Não há nada de abstrato ou de subjetivo na fala do apóstolo. Fomos libertos do poder do pecado que nos dominava. Fomos transformados em servos de Deus. Não mais escravos dos desejos carnais, das inclinações corrompidas da velha natureza e podemos produzir frutos de uma vida santa que glorifica ao nosso Deus. Observem que o apóstolo não está dizendo que tais desejos e vontades desapareceram, e sim que não somos mais escravos deles. Não precisamos mais ceder aos seus apelos, fomos libertos para vivermos em novidade de vida, a vida de Deus operando em nós pelo poder do seu Santo Espírito.

“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;” Rm 6:11-12

Quatro Conselhos

2Coríntios 13:11 Sem mais, irmãos, despeço-me de vocês! Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.(NVI).

O apóstolo Paulo, no final de sua segunda carta para a igreja de Corinto, dá àqueles irmãos alguns conselhos visando ajudá-los a manterem-se firmes, experimentando a plenitude do amor e da paz de Cristo, visto que aquela igreja vinha sofrendo muitos ataques internos e externos, afetando gravemente a vida daqueles irmãos. São quatro conselhos que servem para a igreja em todas as épocas, pois os problemas são os mesmos, mudando apenas os personagens.

1. Procurem aperfeiçoar-se. A palavra grega para aperfeiçoar-se é, “Katartizo”, que traz vários significados, dentre eles vemos: “emendar (o que estava quebrado ou rachado), reparar.” Por várias razões, nos perdemos pelo caminho e algumas coisas se quebram dentro de nós, necessitando de reparo ou conserto para retomarmos as práticas das primeiras obras. Em alguns casos, há necessidade de arrependimento sincero diante do Senhor, reconhecendo que fizemos escolhas erradas, perdendo assim a simplicidade do início da caminhada. Coisas simples como o devocional com a palavra, a oração fervorosa e confiante diante dele. A alegria de estar com a igreja e gozar da comunhão dos irmãos, edificando e sendo edificados. Pequenas práticas que nos sustentaram no início da caminhada. Seja o desânimo ou a frustração, sejam decepções com irmãos, ou pecados cometidos, estas coisas quebram algo em nós que precisa de reparo ou conserto para ser restaurado e é isso que o apóstolo está aconselhado. Busquem aperfeiçoar-se!

2. Exortem-se mutuamente. (Encorajar ou incentivar) A igreja deve ser um ambiente de participação de todos. Cada filho de Deus deve compreender sua importância no corpo de Cristo. O apóstolo Paulo ressalta essa responsabilidade mútua. “A fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.” 1Co 12:25. Observem a ênfase: “todos os membros”, “tenham igual cuidado uns pelos outros“. É responsabilidade de cada membro animar, exortar e cooperar com a saúde dos outros membros. Por esse motivo, abençoe, compartilhe, edifique e participe da edificação do corpo.

3. Tenham um só pensamento. O isolamento leva às divisões e às discórdias e é daí que nascem fofocas, críticas e a quebra da unidade. Devemos rejeitar o espírito crítico e divisivo, ainda que tenhamos pontos discordantes. A tônica que marcou a pregação de Jesus e dos apóstolos foi o ensino sobre a unidade. Tão caro é esse aspecto da igreja para o Senhor, que foi um dos temas que mais ocupou a mente de Cristo em sua oração sacerdotal. Jo 17. Devemos nos esforçar na busca e manutenção da unidade do corpo de Cristo. Tenham um só pensamento!

4. Vivam em paz. Todos devem buscar viver em harmonia, perdoando, suportando e sondando o coração para que satanás não encontre espaço, criando um ambiente de desconfiança e animosidade. O profeta Jeremias afirma que o coração não somente é enganoso, mas também perverso. Jr 17:9. Quando achamos estar certos, podemos estar enganados. Viver em paz passa pelo exercício do perdão constante, paciência e disposição para recomeçar sempre, sabendo que a condição para sermos perdoados e aceitos é perdoar àqueles que nos ofenderam. “Se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” Mt 6:15. Quem não perdoa, sequer pode orar o “pai nosso”. Que o amor de Cristo produza paz entre nós.

Ele termina o versículo afirmando que, se atentarmos para esses conselhos, o Deus de amor e de paz será conosco. Aleluias!

Meditar

Josué 1:8 Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido.

É natural, atualmente, quando falamos em meditação, imaginarmos alguém em profundo silêncio tentando focar num tema, ou mesmo esvaziando a mente para alcançar uma elevação espiritual, buscando o aperfeiçoamento pessoal.

O termo hebraico para meditar é “hagah” e tem um sentido diferente do que geralmente compreendemos atualmente. O significado de meditar no hebraico é murmurar em voz baixa, repetindo até que aquelas palavras fossem compreendidas com profundidade. Josué deveria repetir as palavras do Senhor dia e noite. Murmurar em voz baixa para si e para os seus até que a mesma se aprofunde em seu coração, de maneira que, em momento algum, se esquecesse dos seus mandamentos. 

Quanto mais ele repetisse esses mandamentos, mais estaria impregnado da boa e agradável vontade do Senhor. Essa meditação deve ser dia e noite, ou seja, intensa e constante. O resultado da meditação diária, traria benção e condução sobre a sua vida. O Senhor garante que o caminho de Josué seria próspero e bem-sucedido. Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração, Mt 12:34. Se ele estiver cheio das palavras do nosso Deus, nossas conversas serão sobre as coisas eternas. 

No salmo 1 lemos: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” Sl 1:2. Uma meditação constante. E qual o resultado da meditação diária na palavra do Senhor? Uma vida frutífera e de constante crescimento. “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.” Sl 1:3.

A meditação revela o nosso amor por sua palavra. “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” Sl 119:97. Os filhos de Deus amam a sua palavra e a tratam com respeito e reverência, pois nela encontram consolo e direção. “Para os teus mandamentos, que amo, levantarei as mãos e meditarei nos teus decretos.” Sl 119:48. O amor pela palavra deve nos levar à meditação diária e diligente. Até mesmo no meio da angústia e perseguição, o filho de Deus encontra na meditação na palavra de Deus, consolo, direção e equilíbrio. “Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente; eu, porém, meditarei nos teus preceitos.” Sl 119:78.

A palavra do Senhor é lâmpada para o caminho, quando há escuridão, Sl 119:105.

Ela restaura a Alma abatida, Sl 19:7. 

Dá sabedoria, Sl 19:7.

Alegra o coração, Sl 19:8

Guarda-nos de pecar, Sl 119:11.

Nos consola, Sl 119:50

Ela nos corrige, Sl 19:11.

Nos fortalece quando estamos tristes, Sl 119:28.

A meditação na palavra, ordena famílias, restaura relacionamentos entre irmãos, renova casamentos destruídos, filhos e pais feridos são alcançados. Ela afeta positivamente todas as relações humanas. Basta nos submetermos à sua autoridade.

O apóstolo Paulo, na carta para os Colossenses, desafia aqueles irmãos a deixarem a palavra do Senhor habitar ricamente neles, só assim eles se instruiriam e se admoestariam mutuamente. Cl 3:16. Quanto mais meditarmos em sua palavra, mais do conhecimento de Cristo e de sua vontade será derramado sobre a igreja. Uma igreja de homens e mulheres que amam a palavra de Deus será forte, próspera e bem-sucedida naquilo que faz. 

Que a meditação na palavra do Senhor seja uma prática constante em nossas vidas, repetindo diuturnamente os seus mandamentos ao nosso coração e uns aos outros. Aleluias!

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” Cl 3:16

Uma Oração Respondida

2Coríntios 12:9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Quantas vezes pedimos ao Senhor forças diante de nossas evidentes fraquezas e provações e mesmo assim elas persistem? Quantas vezes nos desanimamos por achar que não atingimos o nível de experiência e maturidade que outros irmãos parecem ter alcançado? Então nos abatemos e, como Pedro, após ter negado ao mestre, voltamos para nossas vidas, decepcionados por termos falhado. O apóstolo encontrava-se em guerra, achando que o que mais precisava era de uma forte sensação de capacidade e controle emocional. Nada de se sentir fraco e abatido diante das lutas e adversidades da vida! Afinal, ele era o “apóstolo Paulo!”. A resposta do Senhor foi surpreendente. “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza!”

A pedagogia divina não segue a lógica humana. Ele faz do deserto sua melhor sala de aula e das aflições e sofrimentos diversos, meios para forjar o melhor em nós, Dt 8:2-3. Como disse o apóstolo Pedro: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.” 1Pe 1:7 se o ouro perecível é provado no fogo, muito mais a nossa fé, para que, no final, o nosso Deus seja glorificado em nossas vidas. 

Em muitas circunstâncias, nossas motivações são egoístas e Deus sabe disso. Temos uma forte inclinação à vanglória e ao orgulho, e por essa razão ele não nos livra do desconforto e de nos sentirmos fracos diante das perseguições, injúrias, necessidades e angústias diversas, pois é justamente nessas circunstâncias que experimentamos o seu poder, nos aperfeiçoando.

Quando olho para minha jornada pessoal, lembro das situações dolorosas que vivi e que por muitas vezes murmurei, sem perceber que o pai estava moldando meu caráter para que me tornasse útil em sua casa. Na época eu não enxergava, hoje, porém, agradeço ao Senhor pelas dores que ele me permitiu passar, pois pude experimentar um pouco mais de amadurecimento, me tornando assim, mais paciente e amável com os que sofrem com suas angústias e fraquezas. 

O salmista reconhece que as aflições foram proveitosas para ele. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” Sl 119:71. Algumas vezes as aflições são provações para nos fortalecer e, em outras, uma disciplina do senhor para nos corrigir e arrancar de nós a rebeldia. Por não enxergarmos todo o quadro dos processos de Deus em nossas vidas, somos levados a tirar conclusões precipitadas, e na maioria das vezes, em desgosto contra Deus, ainda que de forma velada. No livro de Eclesiastes, lemos: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém, não nos deixa compreender completamente o que ele faz.” (Ec 3:11NTLH). Mesmo que não faça sentido os acontecimentos presentes que cada um esteja enfrentando, ele faz tudo perfeito, e com certeza, visando o nosso bem.

O apóstolo recebeu a resposta do Senhor à sua súplica e ficou satisfeito. A graça de Cristo é melhor que a capacidade humana, pois se sua graça estiver operando em nós, estaremos sendo aperfeiçoados e seu poder se manifestará através de nossas vidas para glória dele. Isso deve nos trazer bem-estar. E você? Está satisfeito com a resposta do Senhor às suas angústias?

Boas Obras

Tito 3:8 Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que crêem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos homens.(NVI).

Servir é amor em ação, e esse foi o grande exemplo que Cristo nos deu, ao afirmar que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida, Mc 10:45. Pedro, em seu discurso na casa de Cornélio, não podia negar o que presenciou ao andar com Jesus, testemunhando aos que ali estavam reunidos que Cristo andou por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos pelo diabo, At 10:38. 

Tão forte foi o impacto da vida de Cristo sobre eles, que no versículo seguinte ele afirma: “Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém, onde o mataram, suspendendo-o num madeiro, At 10:39.” Eles testemunharam o amor de Cristo em ação, vendo todo o bem que ele praticou. O apóstolo João insiste dizendo que não devemos amar só de palavras, mas de fato e de verdade, 1Jo 3:18. Num mundo sob o domínio romano onde os leprosos eram amaldiçoados, crianças com deficiências eram descartadas, onde não havia hospitais, creches ou abrigos. As mulheres eram marginalizadas e tratadas como seres inferiores e a escravidão solapava a dignidade humana. Nesse contexto, os cristãos, movidos pelo exemplo de seu mestre, remodelaram as estruturas sociais pela prática do serviço amoroso e doação de vida, fazendo o bem. Deus ungiu a Jesus de Nazaré e ele andou por toda parte fazendo o bem, e fez o mesmo com a sua igreja para sermos pequenos Cristos nesse mundo. A pergunta que devemos nos fazer é: há sentido dizer que somos cristãos e vivermos para nós mesmos? Não servir, não se doar, não cooperar financeiramente ou mesmo preocupar-se com irmãos necessitados ou com um mundo perdido que precisa ver a essência de Cristo através do serviço e doação, assim como fez o nosso mestre? Essas são perguntas pertinentes.

Os apóstolos traziam no conteúdo de sua pregação uma preocupação com a prática das boas obras como algo inerente ao cristianismo, enfatizando que aquele que foi salvo pela graça de Cristo, não consegue pensar apenas em si, e essa é a ênfase de Paulo a Tito. “…para que os que creem em Deus se empenhem na prática de boas obras,.. Ti 3:8.” No mesmo capítulo, no versículo 14, ele reforça a importância dos cristãos não se esquecerem da prática das boas obras, enfatizando que os que se omitem dessa responsabilidade tornam-se infrutíferos. “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos.” Ti 3:14.

Podemos resumir que, se sou salvo, sou caridoso e benevolente como foi o meu Cristo, que viveu para servir e dar a sua vida. Mais uma vez, quero enfatizar que, se o nosso cristianismo não se traduz em doação e serviço aos outros, então há algo muito errado em nossa compreensão do mesmo. Há necessitados e necessidades sempre bem próximas a nós, nos dando a oportunidade de vivermos como Jesus viveu. Mediante uma vida de serviço e boas obras, tornamos Cristo cada vez mais conhecido a todos que se encontram ao nosso redor. Que esse seja o nosso modo de viver. Quero finalizar deixando algumas perguntas para nossa reflexão:

1. Você contribui regularmente para o avanço do reino de Deus?

2. Sua vida e família estão a serviço do reino de Deus?

3. A igreja pode contar com você para socorro dos necessitados, ou todo o seu esforço visa apenas melhorar a sua própria vida?

1 Pedro 2:12 mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.

Zelosos

Tito 2:14b… e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Nada pode influenciar mais a sociedade em que vivemos, que homens e mulheres zelosos pelo reino de Deus. Na era da tecnologia e do conhecimento, o zelo de um simples cristão confronta a todos que o rodeiam e influencia mais que os meios massivos de comunicação. Lembremos que Jesus acendeu a chama que varreu o mundo, no coração de doze homens simples e sem expressão, esses homens, porém, mudaram o mundo por seu zelo.

Cristãos Zelosos são imparáveis, pois vivem por uma causa. Eles são sal num mundo apodrecido e luz em meio às trevas, Mt 5:13-16. O apóstolo Paulo, em seu zelo, e sob a iminência de prisão e morte, disse: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. At 20:24.” Notamos em suas palavras o sentimento de um coração zeloso, desprendido e focado em agradar a Deus.

Esses cristãos amam a vergonha da cruz e desprezam os aplausos humanos, vivendo para abençoar e não em busca de bençãos, pois a redenção mudou o foco de suas vidas. Eles não conseguem mais viver para si, mas para agradar ao seu mestre, 2Co 5:15. Impactam mais esse mundo que mil pregadores, e afetam o tecido da sociedade mais que as redes sociais com suas seduções. Onde um cristão zeloso estiver, o evangelho estará sendo pregado com ou sem palavras, mediante vidas santas e rendidas ao senhorio de Cristo, às vezes confrontando e em outras, encantando a todos que cruzam o seu caminho.

Eles não se deixam influenciar pelos modismos da igreja moderna, mas pela paixão e ardor que há em seus corações, pois receberam uma vocação. Não se preocupam com visibilidade e sim em saber se suas vidas glorificam ao mestre. Quando, atualmente, muitos cristãos estão seduzidos pelo desejo de serem notados, os cristãos zelosos desconfiam dos desejos de seus corações. São homens e mulheres fáceis de criticar, mas difíceis de imitar. Destemidos, ousados e apaixonados pela causa de Cristo. 

Quase sempre se acham fracos, inadequados e incapazes, e por esse motivo o Espírito derrama sobre eles o seu poder. 1Co 1:26-29. Os cristãos zelosos estão por toda parte, vivendo de forma simples e apaixonada o evangelho de Cristo, mantendo a chama do primeiro amor viva em seus corações. Amando, servindo e sacrificando-se para que, de alguma forma, Cristo seja conhecido por meio de suas vidas. Aleluias! Bendito seja o nosso Deus que ocultou essas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos seus pequeninos. E você? Ainda mantém o zelo e a chama do primeiro amor?

Mateus 11:25 Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

Vamos Enfeitar a Cruz?

Vamos enfeitar a cruz? Vamos aparar suas arestas, arredondar suas quinas e polir suas farpas! Façamos da mensagem da cruz uma história linda de ser contada sem nenhum compromisso com o seu significado. Uma cruz que não convide à morte do eu, que não esmague o ego e que seja complacente com aqueles que gostam das glórias humanas!

Vamos centralizar músicos e cantores de tal maneira que a igreja já não saiba adorar sem eles. Cantar e cantar em nossos cultos para que as pessoas tenham uma sensação momentânea de alegria, algo que lhes toque a alma, mas não lhes regenere o espírito. E, não estou contra a vida de adoração da igreja. Essa ideia nada inocente alçou cantores ególatras acima dos profetas e dos pregadores da palavra de Deus. Esses dominaram o culto, tornando-se protagonistas, deformando o modelo bíblico de adoração congregacional, onde todos devem ser adoradores, sem exceção, afinados ou não!

Enfeitemos a cruz com pregadores descolados e modernos que não falam de pecado nem bradam por arrependimento. Pregadores que bajulam pecadores com mensagens de autoajuda para elevar a autoestima. Vamos parar de fazer culto para glória de Deus e façamos cultos para agradar e entreter jovens, crianças e adolescentes. Cultos voltados para satisfazer as necessidades humanas e não para revelar a glória e santidade de Deus. E, antes que me condenem, acho que muitos confundem boa intenção com a expressão da vontade de Deus. Caim, que o diga! Quanta boa intenção! Vamos encher nossas reuniões das ideias dos coaches e deixar os profetas de lado. 

Enfeitemos a Cruz convencendo os pais e mães cristãos de que é responsabilidade da igreja salvar seus filhos, que seu único trabalho é obrigá-los a ir a reuniões. Que seus filhos precisam de mais programações religiosas, mais entretenimento e não de uma profunda experiência com Deus, e ele cobrará certamente a omissão e transferência de responsabilidade de muitos que assim agiram.

Vamos enfeitar a cruz tratando como cristãos atores que nunca nasceram de novo, cantores que roubam a glória de Deus, bandas gospel com roupas esquisitas, moldando uma geração de jovens, levando-os a se apaixonarem por um estilo de vida vazio e não pela pessoa de Jesus. Esses, inovaram na liturgia, mas extinguiram o Espírito com encontros cada vez mais atraentes e músicas bem elaboradas. Os cultos estão mais festivos, com reuniões no escuro, canhões de luz e cortinas de fumaça numa medíocre imitação da presença de Deus! Porém, ninguém clama como Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Is 6:1-5.” Não passa de uma falsificação da presença de Deus! Saem dessas reuniões mais eufóricos e não compungidos.

Vamos enfeitar a cruz? Adorná-la com o verniz da autoestima do homem. Nada dessa mensagem de morte, renúncia, pecado, expiação, não! O homem moderno está carente, precisando de mais consolo, mais afago em seu ego.

A cruz de Cristo é definitiva demais, não dá escolhas ao homem caído, não negocia com o pecador, mas o conduz direto para a morte. 

Vamos enfeitar a cruz exagerando a graça a ponto das pessoas acreditarem que o amor de Deus é incondicional, não necessitando de mudança de vida, nem de aborrecer a si mesmo como disse jesus.( Lc 14:26). Afinal, Deus é amor e quer a felicidade do homem! 

Mas, deixando as ironias de lado, precisamos refletir para onde esse evangelho centralizado nas necessidades humanas e não na vontade de Deus irá nos conduzir. Não tenho dúvidas que essa distorção da obra da cruz resultará num cristianismo sem poder e totalmente incapaz de produzir vida. Quando o apóstolo Paulo disse que a palavra da cruz é loucura para os que perecem, está implícito nessa afirmação que a verdadeira pregação da cruz trará confronto, incômodo e desconforto ao homem que vive segundo seu próprio coração. 1Co 1:18.

Podemos enfeitar a Cruz das mais belas cores, adorná-la com as mais engenhosas filosofias para tentar agradar os homens e, no final, sermos julgados por Deus por cedermos à tentação de apresentar um evangelho mais palatável, mais “inclusivo” usando o substantivo em alta no momento. Não escaparemos ao mesmo julgamento do apóstolo feito a alguns irmãos na carta aos gálatas que tentavam agradar os homens para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

Gálatas 6: 12. Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.

O poder do Cristianismo se encontra em seu repúdio ao comportamento dos homens decaídos e não em sua aceitação do mesmo. A verdade da cruz se revela em suas contradições. O testemunho da igreja é mais eficaz quando declara em lugar de explicar, pois o evangelho é dirigido à fé, não à razão.

A. W. Tozer. Esse cristão incrível!

Ser sal

Mateus 5:13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.

Tornam-se inúteis para Deus os que ignoram a responsabilidade de testemunhar mediante uma vida exemplar e coerente diante de um mundo pervertido. Todo aquele que se diz cristão mas vive irresponsavelmente sem compromisso de vida com a verdade do evangelho se tornará motivo de escárnio e vergonha para Deus e diante dos homens.


Quando perdemos o impacto da vida regenerada e passamos a viver como cidadãos desse mundo caído, adotando seus valores, modo de pensar e estilo de vida então, o sal perdeu o seu valor. O fim será o escárnio e a vergonha. O mundo olha para esses e os identifica como hipócritas, que têm um discurso, porém a vida segue na direção oposta ao evangelho da renúncia, sacrifício e santificação.


Os fariseus eram influentes nos dias de Cristo, religiosos e muito zelosos, não passavam despercebidos onde estavam inseridos. Suas vestes diferentes, o olhar altivo de cima pra baixo, sempre com um microscópio nas mãos para investigar os outros nos mínimos detalhes. Eles, porém, sucumbiram á tentação que acomete a muitos que não conhecem a verdadeira transformação. Agarraram-se a letra dos mandamentos vendo neles um motivo de destaque pessoal e reconhecimento diante dos homens.  A preocupação com a performance era tão grande que jesus faz um de seus discursos mais duros em Mateus para denunciar quão reprovável é uma vida de aparências. Suas práticas religiosas eram para alimentar o ego.

Mateus 23:5a Praticam, porém, todas as suas obras com o fim de serem vistos dos homens;…

Jesus denuncia motivações erradas no coração. Práticas exteriores para serem vistos pelos homens.

Alerta que, quando não há a essência de uma vida regenerada pelo poder de Deus os homens se afastam das veredas do arrependimento e rendição a Cristo.

Mateus 23:13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.

Um duro discurso! Corremos o risco de não entrar no reino de Deus e também, impedirmos outros de serem salvos. Somos instrumentos de salvação para quem anda perto de nós? A esposa(o), os filhos, colegas de trabalho, da escola etc? Viram como alguns comportamentos religiosos podem nos tornar mais orgulhosos que amorosos? Como podemos olhar os outros de cima para baixo só porque conhecemos a verdade?
Esse é o sal que não salga e a luz que ofusca a verdade. Tais comportamentos nos mostram que podemos amar tanto a doutrina a ponto de nos tornamos insensíveis como aqueles fariseus com pedras nas mãos para matar a mulher adúltera, cheios de prazer por aplicar a lei naquela “miserável pecadora”. (João 8:3-5). Não havia empatia, misericórdia, muito menos desejo de demonstrar um Deus amoroso através do perdão.

Ser sal da terra é pregar o evangelho num mundo caído, sem sabor, sem vida. É amar, rogar e chorar para que Cristo torne-se conhecido através de um testemunho coerente entre o discurso e a prática. É mais que apenas denunciar ou deleitar-se num farisaísmo que só infla o ego mas não produz vida. É viver Cristo, ser Cristo na prática de vida.

Ser sal é ser firme com os hipócritas, mas dócil com os fracos. É ser pão para o faminto e água para o sedento. É ser sensível para temperar na medida certa um mundo destroçado pelo pecado e decepcionado com a religião de aparências. A religião nunca faltou em nenhuma cultura, mas, a vida de Cristo operando na terra foi uma dádiva de Deus manifestada através de um povo regenerado pela obra do Espírito santo. Essa vida é sobrenatural, impactante e não passa despercebida. É o Cristo vivendo sua vida em nós! Encerro com uma frase do frade católico Francisco de Assis nascido na Itália no ano de 1.181.

Tome cuidado com a sua vida, talvez ela seja o único evangelho que as pessoas leiam”. (São Francisco de Assis)

Um Esforço Sublime

Efésios 4:3 esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz;

As divisões e facções originam-se em nossos corações, pois Jesus disse que é do coração que procedem os maus desígnios, Mc 7:21-23. Assim sendo, não há demandas que eu tenha com meus irmãos que também não exponha as mazelas e maldades do meu próprio coração, trazendo à luz minha sensibilidade exagerada, impaciência, falta de perdão e tantos outros sentimentos perniciosos que destoam dos sentimentos do nosso mestre. Nossa estrutura interior se revela muito mais quando somos feridos, pois, de alguma forma reagimos, e nem sempre nossas reações expressam as atitudes de Cristo. Seja ficando magoados demais, ou pela crítica exagerada feitas muitas vezes a pessoa errada, ou pela indiferença e anulação daquele que consideramos o ofensor, cada situação revela o quanto nós precisamos de transformação.

O fato de considerarmos quem nos feriu como um judas, não nos torna mais virtuosos, ao contrário, nossas atitudes podem ser bem diferentes da que Jesus teve com o traidor, afinal, quando Cristo disse que seria traído por alguém do grupo, ninguém sabia, pois ele nunca havia falado do assunto com os seus discípulos, Lc 22:20-23. O apóstolo exorta-nos sobre a necessidade do esforço para preservar a unidade do Espírito, e essa é uma responsabilidade individual dada a cada filho de Deus. Na cruz, Cristo nos uniu, porém, no dia a dia, temos que lutar contra o espírito faccioso e nos esforçar para preservar essa unidade, reconhecendo que temos grande capacidade de dividir se não entendermos a obra que ele fez ali.

Esforçar-se na preservação da unidade é perdoar, tendo cuidado com as reações exageradas, evitar críticas e exposição do problema para não contaminar outros, exceto para aqueles que podem ajudar. É reconhecer que nossos sentimentos às vezes são piores do que a ofensa que nos causaram e buscar arrependimento. Enfim, o esforço na preservação da unidade depende primeiro de mim, e sempre que nos vermos magoados e ressentidos, devemos com humildade pedir ao Senhor que sonde nosso coração, e nos mostre se nossa atitude não está prejudicando a unidade do corpo de Cristo.

Força e Cântico


Salmos 118:14 O Senhor é a minha força e o meu cântico, porque ele me salvou.

Força e cântico andam juntos na vida dos que temem ao Senhor. O Senhor é quem provê para nós a força necessária nos momentos de fraqueza em que o inimigo tenta nos abater. É a sua providência que nos guarda dos ataques da carne que seduz e da mente quando duvidamos de sua presença em nossas vidas. O salmista repete que o Senhor é a nossa força diante dos inimigos diários que se levantam, mas acrescenta que ele também é o nosso cântico porque ele nos salvou, aleluias! Jamais devemos esquecer a sua grande salvação que nos foi dada gratuitamente em Cristo Jesus. Estávamos perdidos, sem esperança e a mercê do inimigo, porém ele nos salvou, veio até nós por nos amar tanto. O Senhor é a nossa força e o nosso cântico. Força para seguir até o fim, cântico para que o louvor sempre esteja em nossos lábios, nos levando a adoração em meio aos embates diários que temos que enfrentar. Bendito seja para sempre o nosso Deus!

Colossenses 4:2 Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.