Despertando Jesus

Marcos 4:38 E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança.

A forma mais eficiente que Deus tem para nos amadurecer no relacionamento com ele são as provações que ele permite que passemos em nossa caminhada. Este é um dos grandes mistérios que aflige a muitos filhos de Deus, levando-os a questionar o porquê dele não responder prontamente suas orações.

Em meio aos sofrimentos, alguns mergulham na depressão, angústia e solidão, enquanto outros gritam e clamam para que o Senhor se levante em seu favor. Uns continuam perseverantes e se fortalecem na fé, enquanto outros se perdem na busca por respostas satisfatórias e deixam de ver o que ele está tentando ensinar. Tiago diz o seguinte:

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1:12.

Tiago está nos dizendo que Deus está realizando um trabalho individual e particular em nossas vidas. Por algum motivo que só ele conhece, eu e você precisamos de aprovação da nossa fé, da confiança nele e se iremos permanecer com ele quando calamidades inexplicáveis nos alcançarem. A mesma ideia encontramos quando lemos Deuteronômio 8:2:

Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.

A provação aqui tinha o objetivo de revelar o coração e saber se eles permaneceriam fiéis ao Senhor. “Para saber o que estava no teu coração”. O que as provas têm revelado do seu coração? Um amor incondicional por ele, ou alguém rancoroso? Há louvor em nossos lábios em qualquer circunstância ou um relacionamento frio e distante, como fazemos com qualquer pessoa que não corresponde às nossas expectativas? O fato é que há inúmeros filhos de Deus decepcionados com ele, achando que Deus lhe deve alguma coisa. Daí, jamais conseguem conhecê-lo de fato, pois baseiam essa relação numa equação de troca, achando que há em Deus algum tipo de necessidade. Deus não tem necessidades. Sem mim, ele continua perfeito, completo e imutável. Ele é Deus. Entretanto, parece que ele deseja que conheçamos o seu caráter, sua grandeza e seu grande amor. Jó, após passar por grande provação, descobriu como seu conhecimento de Deus era medíocre e sua relação com ele baseava-se em méritos e não no amor incondicional a Ele. 

Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:5-6

O texto que iniciei essa reflexão nos traz a simples lição do poder que ele tem de subordinar a si todas as coisas e de seu domínio soberano em qualquer circunstância. Seja sobre o mar bravio ou ventos tempestuosos. Ele sempre estará no controle.

A palavra nos convida a lançar toda a nossa ansiedade sobre ele porque ele tem cuidado de nós, 1PE 5:7.   Ironicamente, parece que o nosso Deus tem momentos que se ausenta ou se afasta a uma distância segura para nos ensinar lições eternas. Lições da dependência, da confiança e da clareza de que ele deseja ser despertado através do clamor de homens e mulheres que são limitados, mas aguardam firmemente a sua intervenção.

É claro que Deus jamais dorme, porém, ele sabe como se ausentar, ficar em silêncio a nos observar para arrancar de nós a autoconfiança, o orgulho e a autossuficiência que tanto nos prejudicam no relacionamento com ele. Se em meio a uma tempestade ele permanece imóvel a dormir, é porque ele tem certeza de que pode deter a tempestade. Mas, a incredulidade é pior que a tempestade. 

Imaginem aquela cena, os discípulos sentados no barco olhando para Jesus, e o mar e os ventos calmos. Acredito que ali só restava admiração, contemplação e adoração. Quem é este que aquieta o mar? Ele é o Deus que se fez homem e está entre nós, habita em nós e quer que o conheçamos. Louvado seja o seu glorioso nome!

Um refúgio na angústia

Jonas 2:7 Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e subiu a ti a minha oração, no teu santo templo.

Há momentos em nossa caminhada em que podemos nos sentir aprisionados sem conseguir achar uma saída. Às vezes, por circunstâncias reais como uma enfermidade ou desemprego, problemas familiares ou emocionais como uma esperança frustrada que tanto nos desanima.

Pode ser uma decepção com um irmão, ou amigo, ou até mesmo um sonho que até o momento não se realizou e não vemos muitas perspectivas para que se realize.

Há também nossos tropeços, pecados e fraquezas que nos abatem profundamente e nos trazem um sentimento de derrota e fracasso, nos paralisando e entristecendo o coração. Esse sentimento de que desobedecemos ao Senhor é doloroso e muitas vezes nos leva a uma intensa angústia de alma, pois sabemos que a comunhão com o pai foi quebrada.

No caso do texto citado acima, Jonas ora ao Senhor do ventre do grande peixe e expressa sua situação como estando num abismo. O motivo de sua angústia foi sua desobediência. Sentia-se desfalecendo a alma, abatido, sem forças e sem achar uma saída para o estado em que se encontrava. Deus disciplina os filhos que ama não para que se percam, mas para que se arrependam e aprendam a confiar em sua condução para suas vidas. HB 12:10.

Ele então disse que, quando dentro dele sua alma desfalecia, lembrou-se do Senhor e correu para seus pés em busca de socorro, renovo e perdão e foi atendido. “Eu me lembrei do Senhor”, disse ele. E você? Qual o motivo da angústia, tristeza ou desânimo?

Sejam quais forem as circunstâncias a nos atingir, temos no Senhor o socorro bem presente na hora da angústia, que está atento ao nosso clamor, mesmo sendo do abismo, ele nos ouve. Ele quer renovar as forças, fortalecer nossas esperanças e perdoar nossos pecados, nos ensinando o amor do pai, que trabalha para que o conheçamos profundamente e confiemos nele de todo o nosso coração. Clame a ele do lugar em que você se encontra.

Salmos 9:9 O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de angústia.

Ele nos sustenta

Salmos 68:19 Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.

Ainda que não vejamos com clareza, Deus é o nosso sustento e salvação. Ele nos toma pela mão e nos conduz em segurança pelos caminhos turbulentos do dia a dia. Ele leva o nosso fardo para não perecermos. Essa é uma experiência que toca aqueles que nele confiam e nele depositam a sua esperança. O salmista reconhecia que seu fardo era pesado, mas ele não precisava carregá-lo. Que consolo podemos encontrar em nosso Deus através da experiência de homens que provaram a fidelidade dele em sua trajetória. Podemos nos sentir fracos, desanimados e abatidos, porém, é justamente nessas horas que ele está carregando o nosso fardo, nos aperfeiçoando e amadurecendo. A ele a glória por sua misericórdia e bondade. 

Gratidão

Salmos 92:1 BOM é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; 2 Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade;

Louvemos ao Senhor por sua presença e fidelidade. Bom é lembrar sempre que ele é digno de ser louvado. Corações queixosos não encontram motivos para louvar e agradecer, pois vivem pela força do braço e não pela fé em sua fidelidade.

Os que o conhecem anunciam já pela manhã que ele é benigno. Um dos sinônimos da benignidade é a amabilidade. Ele é amável e carinhoso com seus filhos. Podemos descansar em seus braços. O salmista também diz que, durante as noites, ele anuncia a sua fidelidade. No final do dia, podemos afirmar que ele é fiel e se manteve ao nosso lado para nos consolar e sustentar com sua mão forte e seu grande poder. Louvemos ao Senhor, pois ele se agrada de corações gratos! 

Posso Confiar?

Salmos 66:20 Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.

 Às vezes somos tomados pela incredulidade quando nossas orações não são respondidas no tempo de grande angústia. Isso nos abate e desanima o coração, e por esse motivo, a tristeza se faz companheira. 

No salmo 30:5 Davi diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Para a alma angustiada e aflita, a noite parece não passar, perdida em seus pensamentos e dores. Há, porém, uma garantia de que a alegria virá deixando as trevas da angústia para trás. No texto que iniciamos, o salmista louva ao Senhor pela experiência de saber que ele não rejeita suas orações. Ele confia na resposta do Senhor. O caminho do aprendizado e perseverança é forjado em nós pelo próprio Deus, que nos ensina a confiar em sua bondade, usando cada situação para nos aperfeiçoar. Ele sabe que o amadurecimento vem com cicatrizes e marcas gravadas no mais profundo de nossa alma. Crianças têm cicatrizes das brincadeiras infantis, adultos as têm no mais profundo do coração. Cicatrizes curadas, que nos lembram os caminhos que o Senhor nos fez andar para nos tornar homens e mulheres amadurecidos, que não se abalam com facilidade, pois aprenderam a confiar na fidelidade de Deus.

Louvar ao Senhor com a certeza de que ele não rejeita as nossas orações revela que estamos aprendendo a confiar, mesmo quando ainda não obtivemos a resposta final de sua parte. No mesmo versículo, ele afirma que o Senhor não aparta de seus filhos a sua graça. Graça é um favor imerecido. É a decisão de Deus em nos socorrer, mesmo sabendo que não merecemos. É o seu amor direcionado para nos livrar de nós mesmos, da nossa infantilidade e dureza de coração, nos tornando mais quebrantados e parecidos com o seu filho, Jesus. 

No salmo 119:67,71 lemos:

Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos“.

Quantas vezes o Senhor usa situações dolorosas para nos salvar das misérias de nosso próprio coração? O salmista admite que antes de ser afligido andava errante pelos seus próprios caminhos, mas os sofrimentos permitidos por Deus o levou a guardar seus mandamentos com maior diligência e cuidado. Desenvolveu nele temor e amor pela palavra, e, ao mesmo tempo, o fez reconhecer que o Senhor o estava aperfeiçoando.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos de Roma declara:

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, Rm 5:3.

Ele aprendeu que nenhum sofrimento que os filhos de Deus passam é vão. O nosso Deus usa a tribulação para gerar em nós paciência, nos libertando do imediatismo próprio das crianças mimadas. A paciência é de suma importância para quem está em aflição ou buscando uma resposta do Senhor. Mesmo que não consigamos enxergar, há um bom propósito em Deus ao nos permitir passar por situações dolorosas. Olhem o que nos diz a palavra acerca de Abraão: 

Hebreus 6:15 E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Notem a ênfase: “esperar com paciência!” A questão aqui não é somente responder nossas orações mas, nos ensinar lições eternas.

 O escritor da carta aos hebreus nos traz uma revelação surpreendente. Ele afirma sobre Jesus:

Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Hb 5:8.

Em meio aos sofrimentos ele cresceu em obediência, aprendendo a se sujeitar à vontade do pai.

Você pode achar injusto os sofrimentos que se abatem sobre sua vida, porém o Senhor talvez esteja querendo lhe ensinar o caminho da obediência e rendição à sua vontade. Pode haver em você rebelião, dureza e resistências que precisam ser arrancadas, tornando sua fé muito mais saudável. Jesus decidiu se sujeitar em meio a sofrimentos injustos, mas nós reclamamos com Deus devido aos sofrimentos que ele nos permite experimentar. Se não entendermos a pedagogia de Deus que sempre visa nos amadurecer, jamais poderemos desfrutar de uma relação prazerosa com Ele, e seremos incrédulos, desconfiados, cheios de cobranças, nenhuma gratidão, nem adoração, apenas queixas e decepção.

O salmista estava bendizendo ao Senhor, pois tinha certeza que ele não rejeitava suas orações, mas, para chegar a essa conclusão, ele teve que passar pela escola de Deus que inclui em suas matérias, sofrimentos, silêncio de Deus, angústias, paciência e perseverança confiante até que ele nos liberte das infantilidades. E você? Já o conhece o suficiente para afirmar com certeza que ele está ouvindo sua oração? Que possamos com humildade perceber a grandeza de sua fidelidade e deixar que ele nos ensine a descansar em seu cuidado.

1 Pedro 1:6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;

Descanso

Salmos 63:6 no meu leito, quando de ti me recordo e em ti medito, durante a vigília da noite. 7 Porque tu me tens sido auxílio; à sombra das tuas asas, eu canto jubiloso. 8 A minha alma apega-se a ti; a tua destra me ampara.

Na solidão, encontro em ti descanso. Quando pelas madrugadas os pensamentos vagueiam, o lugar de repouso está em ti. Tu és calmaria em meio às tempestades turbulentas do coração. Pensar em ti, voltar a ti, o coração e os pensamentos nas vigílias da noite é como encontrar um oásis no deserto e saciar-se. Não há lugar mais seguro para seus filhos que estar sob sua firme proteção. 

Debaixo de tuas asas, é o lugar mais seguro onde posso entoar louvores, mesmo quando temores me cercam, ali estou protegido. Minha alma apega-se a ti e a ti se afeiçoa o meu coração. Amigo fiel de todas as horas! Deus presente, Deus de perto que se achega àqueles que o buscam com sinceridade. Bendito seja o teu nome para sempre!

O Deus Revelado

1 João 4:12 Ninguém jamais viu a Deus; se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado.

Ninguém jamais viu a Deus! Ele se faz conhecido por meio de nossa expressão de amor mútuo. Quando pratico o amor, faço Deus conhecido. Ele torna-se visível. Se vivo para mim mesmo, Deus não pode ser revelado em minha vida, mas, quando amo, o amor dele é aperfeiçoado em mim.

Eis um grande mistério! O amor de Deus sendo em nós aperfeiçoados por meio de uma vida vivida em prol do outro e não de si. O amor-perfeito de Deus cresce mais e mais e aprofunda-se a partir dos que não vivem para si.

O apóstolo diz que Deus é amor e os teólogos dão definições rebuscadas para essa afirmação. Pregadores em suas tribunas gastam horas falando desse amor. Entretanto, o amor de Deus se revela na prática de forma tão singular quando, sem pregação, saio do meu conforto para me doar ao meu irmão. O perfeito amor de Deus nunca encontrará limites para crescer, se nós transformarmos conceitos em doação e entrega aos nossos irmãos.

Amar é servir, é sair e ir. 

Amar é o meu serviço em ação, não o do outro.

Amar é abdicar do conforto quando acho que esse é meu direito. 

É ser acessível, disponível.

Amar é sacrificar-se, é perder alguma coisa para que o meu irmão seja abençoado. 

É emprestar os ouvidos, a atenção e o coração para atender quem está em angústia.

Ninguém jamais viu a Deus, porém, quando seus filhos amam reciprocamente, aí Deus é revelado aos homens. 

A religião tenta revelar Deus por meio de sinais grandiosos e demonstrações de poder. Os filhos de Deus, porém, o revelam por meio de pequenos gestos de serviço, doação e entrega uns pelos outros e por todos. Quando abraço, quando visito, quando dou um telefonema para animar, consolar e confortar. Quando demonstro paciência com os fracassos do meu irmão, buscando entender seus limites e dificuldades, então o amor de Deus estará sendo em mim aperfeiçoado.

O texto citado acima diz que ninguém jamais viu a Deus, e fica claro que o que João está tentando nos dizer é o fato que, a mais alta expressão de Deus é o amor em ação. Deus se revelou na pessoa de Jesus. Jo 1:18. Mas, observemos o texto: “Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado”. Nossa expressão de amor ao irmão é a autenticação da presença de Deus em nós e seu amor vai crescer mais e mais e se aperfeiçoar em nossos corações! 

Enquanto alguns perguntam pela existência de Deus, a Bíblia nos revela como Ele se manifesta visivelmente; se amarmos nosso irmão, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é aperfeiçoado. Aleluias!

Bendito seja o nosso Deus em sua singularidade!

João 13:34 Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. 35 Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

Fechou-se a porta!

Mateus 25:11 Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! 12 Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço.

“Essa é uma reflexão sobre o caráter surpresa da vinda de Jesus”.

Então, eu pensei que daria tempo para consertar as coisas! Para ser mais santo, mais dedicado…

Pensei que poderia buscar primeiro minhas coisas; que meus planos e projetos de vida não me colocariam longe de Deus. Como me enganei!

Achei que meu trabalho, meus sonhos, minhas paixões eram prioridades em minha vida naquele momento. Esqueci do alerta sobre buscar em primeiro lugar o seu reino. Agora ouço: “não vos conheço”!

Não levei a sério o tomar a cruz, perder a vida, negar-se a si mesmo, renunciar a tudo como condição para te seguir. Até preguei sobre isso, sem entender que não era apenas tema de pregação, mas estilo de vida. Tu foste o exemplo em tudo!

Quantas vezes ouvi sua voz me chamando ao lugar secreto, mas havia tantas distrações, futilidades, banalidades! Horas e horas nas redes, na curiosidade pela vida alheia, entretenimento… O tempo passou… E essa voz: “não vos conheço”! 

Oh! Aqueles louvores! Aquele ambiente fraterno, momentos de choro e quebrantamento envolvidos por seu Espírito! Deixei que tudo não passasse de emoções momentâneas e logo me esquecia, voltando à vida desleixada. E essa voz: “Não vos conheço”!

Sua palavra cheia de vida que sempre releguei a segundo plano! Tantos livros que disse precisar ler e nunca os priorizei! 

Agora vejo como me tornei vazio e sem conteúdo sobre as coisas eternas! Sabia muito sobre as coisas daqui e tão pouco sobre os seus ensinos. Escolhas, escolhas, escolhas. Minhas escolhas!

E a sua voz: “não vos conheço”!

Moda, esportes, atualidades, programas, lazer… coisas lícitas que pareciam inadiáveis, quase indispensáveis, já não fazem o menor sentido.

E os tropeços? Mágoas, rancor, desconfiança. Naveguei em águas perigosas da crítica, julgamentos, falta de perdão. Envenenei-me com a soberba e o orgulho, me enganando e me achando melhor. Perdi a simplicidade. Quantas guerras desnecessárias!

Bons irmãos tentaram me alertar, me motivar e fui apenas educado, às vezes diplomático, reconhecendo que precisava melhorar, nada mais. Algumas vezes fui indiferente. Minhas prioridades eram outras! Não alimentei minha fé. Como poderia crer na tua palavra? Agora descubro que, no fundo, queria entrar por essa porta, só que do meu jeito e não do seu.

Senhor, Senhor!

Louco! Néscio, eu fui! Nunca pensei que esse dia chegaria! O Senhor veio tão inesperadamente quanto disseste. Eis o noivo! Fechou-se a porta, já não posso entrar!

Lucas 21:34 E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. 35 Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. 36 Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem.

O Senhor é suficiente!

Senhor, és suficiente para mim e esta descoberta torna-se mais clara com o passar dos anos. 

Quando as ambições perdem o sentido e as disputas não nos levam a lugar nenhum, começo a entender que és suficiente para mim, e se tais conflitos não fizessem parte da natureza humana, não anularia a grandeza da sua suficiência.

A velha fala do apóstolo toma contornos muito mais belos: “deveras considero tudo como perda por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor.” Filip. 3:8; um anseio transcendente, a loucura por te conhecer revelada nesse pequeno trecho, expõe minha mais profunda necessidade: compreender a sua suficiência.

O salmista extravasa em versos misteriosos quem tu és: 

 “Tu és o mais formoso dos filhos dos homens; nos teus lábios se extravasou a graça“…Sal 45:2. De quem poderia estar falando senão de ti e da sua suficiência?

De todas as buscas e todos os anseios, o tempo tem demonstra que o Senhor é suficiente. As inquietações de nossa alma cessam quando no recôndito encontram sua doce presença. 

Quem pode entender o mistério da frase de um Deus dita a um homem no lugar secreto, “a minha graça te basta“, quando desejas fazer entendido a grandeza de sua suficiência? Que maior oferta um homem poderia ter do que a sua infinita graça?

Quando de coração o meu rosto vai ao chão, então tudo faz sentido. O Senhor é suficiente! Nesse momento singular, consigo perceber que sem ti nada sou, e que estar aos teus pés é o melhor lugar.

Quando adentro o santo dos santos e sua glória enche a minha alma, como Isaías clamo: “ai de mim…” É incrível que, quanto mais perto de ti, mais revelas de mim, para que eu mergulhe em ti e saiba que és suficiente. Nessa circunstância troco o “ai de mim” pelo “envia-me a mim”. Isa 6:5-8

Ninguém que não enxergue sua formosura dará um passo na direção da plena rendição a ti. 

Meu rogo leva-me a vasculhar os recônditos do meu coração buscando mais de ti. E lá, no mais profundo do meu ser, descubro um anseio que consumiu muitos homens desejosos de te conhecer.

A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus? Sal 42:2

Por mais belas que sejam tais palavras, elas nos levam para o silêncio do encontro contigo, para o local da intimidade onde tudo se cala pela sublimidade de sua presença. 

A minha alma tem sede de Deus“! Que declaração! Que expressão da mais íntima necessidade do nosso coração! 

Acalma nossa alma, muda nosso foco e sossega o nosso coração para experimentarmos a sua suficiência. Leva-nos pelo caminho do conhecimento de quem tu és, e só então começaremos nossa jornada de amadurecimento.

Nos ensine a escolher a melhor parte como ensinastes a Marta com tanto amor para que ela experimentasse o verdadeiro descanso. Lc 10:41-42. Há tantas Martas dentro de nós e tão poucas Marias! Ajuda-nos!

Salmos 43:3 Envia a tua luz e a tua verdade, para que me guiem e me levem ao teu santo monte e aos teus tabernáculos. 4 Então, irei ao altar de Deus, de Deus, que é a minha grande alegria; ao som da harpa eu te louvarei, ó Deus, Deus meu.

Quais Valores me conduzem?

Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes? Mt 6:25
Todos nós temos uma escala de valor e por ela nos conduzimos nesse mundo. Nossas buscas, angústias, conquistas e realizações passam por esse filtro. Nossos valores morais nos dizem o que é certo e errado, assim como os valores de competência podem nos deixar frustrados quando não conquistamos o que almejamos. Se somos fiéis aos nossos valores e princípios, nos sentimos mais felizes e realizados, e ficamos frustrados quando traímos tais valores.
Jesus, ao abordar a questão da ansiedade pela vida, confronta nossa escala de valor e salienta que há coisas muito mais importantes que comida, bebida e vestuário. Essa ansiedade por coisas daqui afeta-nos individualmente, tirando a nossa paz e prejudicando nosso relacionamento com Deus. Não podemos pensar que Cristo está desprezando nossas necessidades básicas aqui neste mundo. Ele mesmo disse que se o pai veste os lírios do campo e cuida dos pássaros, como não cuidaria de nós? (Mt 6:26-30). Creio que Ele está nos ensinando o caminho da paz e verdadeiro descanso. Em seu ensino, ele deixa claro que os que não conhecem o Pai é que se deixam consumir por coisas tão transitórias.
Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas. Mt 6:32
O pano de fundo que norteiam as escolhas e decisões dos filhos de Deus podem ser resultado de um coração regenerado, que sob a influência do Espírito Santo e da palavra de Deus reordenou seus valores, de maneira que o produto final é a paz de Deus que excede o entendimento humano. Essas pessoas são moldadas em seus corações e vivem como cidadãos de outro reino. Aprenderam a lidar com a riqueza ou a pobreza, com as crises e adversidades, tendo uma fonte de paz que não depende de tais circunstâncias. Quando Jesus disse: “As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça. LC 9:58, ele não estava sentindo-se desamparado pela condição referida. Sua escala de valor não permitia que ele se portasse por uma condição de conforto ou desconforto. Tal condição não determinava sua alegria ou motivação pessoal. Isso nos leva a entender porque nunca houve homem tão bem resolvido em seu coração como Cristo, mesmo vivendo sob circunstâncias tão adversas!
Do lado oposto, há aqueles que vivem ao sabor do momento e das circunstâncias que o cercam. São facilmente abalados, desistem, perdem a fé, pois sua base não está nos valores que o Senhor plantou em seus corações.
Jesus nos chama a trilhar um caminho diferente. “Não andeis ansiosos pela vossa vida”. Aqui está o chamado para uma perspectiva diferente de viver. Aprender esse caminho no mundo moderno não é tarefa tão simples. Na verdade, esse é um padrão de vida sobrenatural, que só poderá ser vivido se andarmos em uma perspectiva diferente.
Paulo, o apóstolo, mostra a serenidade de alguém que sabe identificar a fonte de sua segurança e paz:
Quanto ao mais, irmãos meus, alegrai-vos no Senhor. Filp 3:1
Qual a fonte da paz e da alegria para ele? Ele nos convida a uma alegria diferente. Alegrai-vos no Senhor”, não nas circunstâncias, pois nem sempre elas nos são favoráveis e, muitas vezes, motivo de tristeza. Essa é uma escala de valor totalmente diferente da que estamos acostumados. Na maioria das vezes não encontramos nem alegria, nem paz quando as coisas não estão bem. Murmuramos, nos isolamos, não conseguimos adorar, servir e sacrificar-se, pois entramos na espiral do sofrimento e das crises de ansiedade. Se naquela época os homens já eram consumidos por sentimentos destrutivos e viciantes como este, a ansiedade, imaginem a importância desse ensino de Cristo para as pessoas do nosso tempo?
Vivemos no mundo da intoxicação tecnológica, do mau uso do tempo com futilidades virtuais, do bombardeio de ofertas de coisas que não nos fariam a menor falta, mas que despertam em nós um desejo de necessidades que são totalmente enganosas.
Nunca na história em tempos de paz e prosperidade se viu tantas pessoas doentes da alma, dependendo de medicamentos, ansiolíticos, psicólogos, e todo tipo de terapia que lhes dê um pouco de alívio emocional, e mais assustador ainda é que, crianças e adolescentes já fazem parte dessa estatística macabra! Lamentavelmente essa crítica não engloba somente não cristãos, mas, muitos que se dizem filhos de Deus.
A fala de Jesus sobre o não andar ansioso pela vida deve nos levar a pensar sob que perspectiva ele deseja que vivamos neste mundo e como devemos ter um padrão de vida diferente diante de um mundo que está sendo arrastado para o vazio da alma e as doenças emocionais. O apóstolo Paulo, na carta aos romanos, diz o seguinte:
Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Rom. 14:17.
Os filhos do reino de Deus estão impregnados de valores que não podem ser encontrados no fast food das redes sociais, da vida sem propósitos e das distrações viciantes do mundo moderno. Não estão nos momentos de lazer ou nos prazeres temporais. Tais valores do reino, justiça, paz e alegria no Espírito santo vem da vida regenerada, da comunhão com Cristo e com sua palavra e de um relacionamento com uma comunidade, a igreja, pois ao invés de absorver os valores deste mundo, os modificam vivendo uma vida confrontadora, cheios de paz e de virtudes que emanam de Cristo Jesus.
Não andeis ansiosos pela vossa vida, é o chamado de Cristo a seus filhos para um estilo de vida diametralmente oposto ao que vivem os homens deste mundo. Ele está nos revelando a escala de valores do reino de Deus, e como devem viver na prática os que experimentaram a nova vida em Cristo Jesus! Que diante de um mundo totalmente desorientado, de pessoas emocionalmente doentes, possamos viver à altura do nosso mestre amado refletindo os valores do seu reino.
Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus. Mt 5:16