Apegando-se aos marcos.

O mundo está cheio de marcas e marcos de tristeza. Cruzes, lápides, pedras. Monumentos que se revestem de significados para pessoas que enfrentaram perdas, na esperança de transcender, vencer sua mortalidade, exorcizar as tristezas, mantendo vivos entes amados, pessoas que não deixamos partir. Lugares, músicas que trazem à memória um saudosismo doído, fazendo apertar o peito com o abraço forte da saudade.

Mesmo que alguns carreguem a esperança eterna, não deixam de ser confrontados com perguntas sem respostas diante da ruptura tão definitiva da morte. Algumas vezes de forma tão inesperada e, em outras, até mesmo injustamente. Marta, ao deparar-se com a morte de seu irmão Lázaro, protesta para Jesus: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. João 11:21.

Quem está pronto para isto? As lágrimas surgem, no silêncio do olhar perdido no vazio, extravasando a dor que dilacera o peito, tentando achar consolo para o coração que se recusa a consolar-se.

Por que pessoas tão amadas têm que nos deixar? Quem pode suportar a ausência de um pai ou uma mãe que se foi? Um filho que jamais deveria preceder seus progenitores, um amigo ou um irmão. O amor da vida, a alma gêmea que desnorteia o coração de quem ama, se vai impiedosamente sem explicação! 

Diante desse inquilino indesejado, hospedado em cada um de nós desde o nascimento, todos tombaremos sem chances de resistir, deixando no peito dos que nos amam, um lugar vazio que jamais será preenchido plenamente. O que nos resta são marcos, que nos darão a sensação de que, alguém que partiu está por perto, em nossas melhores lembranças, amenizando a dor da ausência que nunca será curada totalmente.

Sejam jarros de flores sobre pedras frias e indiferentes, seja um livro, um ambiente, um lugar, uma fotografia. O cheiro marcante de um perfume ou aquela música que nos faz chorar com doces recordações dos que já não estão mais conosco, os marcos nos mantêm conectados com os que nos deixaram e, de certo modo, eles os mantêm vivos em nossas melhores recordações.

João 11:25 Então Jesus declarou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. 26 E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Você crê nisso?

Adotados!

“Efésios 1:5 nos predestinou para ele, para sermos adotados como seus filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o propósito de sua vontade, “

Deus adotou muitos filhos em sua família. Alguns cegos, outros surdos e mudos. Ele adotou doentes e aleijados. Não fez distinção de cor, etnia e sexo, simplesmente, adotou.

Entrou em prostíbulos, cadeias, guetos, periferias e bairros nobres buscando filhos. Deus adotou estragados e deformados e os amou. Gente que já não acreditavam em si mesmas. Do alto olhou para os doentes, carentes e tristes, fracos e medrosos, e os adotou…

Ele viu muitos mentirosos, perversos e pervertidos e os chamou para sua família. Amou mulheres vulgares e desacreditadas e as tomou para serem suas filhas. Também a Homens indecentes e inescrupulosos. Ele os adotou. Achou ladrões em meio às multidões e os perdoou. Ele viu as maldades, perversões e misérias. Viu a ira e o ódio contra si bem nos olhos de quem amou, mas não desistiu. Ele os adotou. Amou os machucados, rejeitados e abandonados e os chamou para sua família.

Ele os adotou. Viu a indiferença, a frieza e até a violência, e mesmo assim, continuou a se aproximar de nós. Se fez como eu, veio para o meu mundo para encher de alegria e paz a minha existência, dar sentido e propósito à minha vida. Mas quem sou eu e quem somos para que ele nos chame de filhos? Como poderíamos fazer parte dessa família, a família de Deus? Quanto mais mergulho nesses pensamentos, mais me constrange esse amor. Eu, tão vil, e ele refere-se a mim como ovelha desgarrada.

Logo eu, que nem queria ser sua ovelha, não o conhecia e nem nele pensava! Quantas vezes fugi e negligenciei a sua voz. Is 53:6. Ele me adotou. Li em sua palavra que a escolha não foi nossa e sim dele. Sim, ele nos queria em sua família como seus filhos amados. Jo 15:16.

Adoção, Que loucura! Quero gritar, chorar, cair aos seus pés. Quero me prostrar, erguer as mãos e o adorar. Me aconchegar em seus braços e receber esse amor paternal, pois jamais poderei compreendê-lo plenamente. Eu, que não era ninguém, agora sou filho de Deus, adotado em sua família, por meio de Jesus e isso é tudo. Aleluias!

Sou filho.

Não sou órfão.

Tenho um pai!

Gálatas 4:4. Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, 5 Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. 6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai. 7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Deus grande, fé forte

1 Samuel 14:6 Disse, pois, Jônatas ao moço que lhe levava as armas: Vem, passemos à guarnição destes incircuncisos; porventura operará o SENHOR por nós, porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos.

A confiança em Deus é fruto do conhecimento que temos do seu poder e fidelidade a nós. Depositamos nossa confiança em muitas coisas. Confiamos em nossos planos, em projetos bem elaborados, confiamos em nossa condição financeira ou em nossa capacidade de achar soluções para os problemas que nos afligem diariamente. Também confiamos em pessoas e instituições. 

Todas essas coisas são legítimas e não podem ser consideradas pecaminosas em si. Tentar achar soluções para nossos problemas não é errado.

Entretanto, a palavra de Deus nos convida a viver um estilo de vida sobrenatural, tendo uma fé que descansa e confia na providência divina diante de situações desafiadoras e que muitas vezes nos paralisam, nos deixando sem forças para lutar. Nessas circunstâncias, se revela a nossa estrutura interior, se confiaremos ou não em sua fidelidade.

Quando vemos o relacionamento de Deus com o seu povo na história, percebemos como ele usa as circunstâncias para nos provar e revelar o que está em nosso coração. Claro que tais provas têm o objetivo de nos aperfeiçoar e confirmar nossa caminhada com ele. Lemos em Tiago 1:12: Bem-aventurado é aquele que suporta com perseverança a provação. Porque, após ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.

“Depois de ter sido aprovado”. A provação vem para nos aperfeiçoar e para nos desafiar a dar passos de confiança, mesmo não vendo ainda a realização de nossos desejos. 

Assim como Israel naquele momento se encontrava totalmente cercado e impotente diante dos filisteus, de maneira que o povo se escondia por todos os lugares possíveis, tão aterrorizados estavam, assim podemos nos encontrar em algum momento da nossa jornada, não vendo perspectivas de melhoras nem tão pouco possibilidades de alívio de nossa angústia, dor e desespero. 1Sm 13:5-7

Em tais situações, uns adotam uma postura de medo, outros perdem a fé e já não oram mais, uns se revoltam com Deus, passando a tratá-lo com indiferença, como tratam um amigo que o decepcionou, revelando a falta de um verdadeiro quebrantamento.

Jônatas resolveu encarar o inimigo sob uma perspectiva que não era humana. Embora soubesse da força militar do exército inimigo, ele foi ao seu encontro confiando na proteção e no livramento de Deus, apenas ele e seu escudeiro contra uma guarnição inimiga. E foi a partir dessa iniciativa de fé que todo aquele grande exército foi derrotado pela ação do poder de Deus. 1Sm 14:14-22

Sua afirmação é para nós como um farol a nos guiar pelo caminho da fé e da confiança no poder de Deus. “Porque para com o SENHOR nenhum impedimento há de livrar com muitos ou com poucos”. Já ouvi uma frase que dizia que, quanto menor o seu Deus, maior é o seu problema e de fato, essa frase faz todo sentido, pois, a falta de conhecimento da grandeza de Deus influencia totalmente nosso comportamento diante das dificuldades, nos impedindo de experimentar grandes vitórias e amadurecimento nesse relacionamento com ele. Por não o conhecermos mais profundamente, nos tornamos incrédulos, tímidos e desmotivados. Somos tomados pela amargura, murmuração e indiferença. É preciso que, com humildade, possamos nos arrepender do pecado da incredulidade, suplicando a ele que se revele a nós e assim, o conheçamos um pouco mais. Isso mudará nossa atitude diante dos obstáculos que temos que enfrentar e trará aos nossos corações uma nova perspectiva da ação de Deus em nossa história. Ele sempre está presente e deseja revelar-se a nós. Busquemos a ele com humildade.

Salmos 18:32 Deus é o que me cinge de força e aperfeiçoa o meu caminho. 33 Faz os meus pés como os das cervas, e põe-me nas minhas alturas.

Calvário.

Mateus 27:33,35 E, chegando a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira,..

..Depois de o crucificarem, repartiram entre si as suas vestes, tirando a sorte.

Lá estava Jesus, sozinho, entregue por mim e por você, enfrentando o inferno e a ira do pai. Desamparado por Deus, no julgamento mais injusto que já aconteceu neste pequeno mundo. O justo pelo injusto, o santo pelo pecador.

Lá estava ele, diante de uma platéia cósmica! 

Anjos, principados e potestades a rodeá-lo. O cosmo parou para ver o criador sendo moído e esmagado. O sol se recolheu, trevas cobriram a terra, terremoto e medo sacudiu o universo. LC 23:44; Mt 27:54

“Matastes o autor da vida!”, disse Pedro em seu discurso para os judeus que o ouviam. Frase tão contraditória, referindo-se àquele momento e lugar, o lugar da caveira, lugar da “morte de Deus”. At. 3:15

Calvário…

Lá estava ele sob o escrutínio dos homens, a fúria do inferno e a admiração dos anjos que, aos milhares, reunidos, se encantavam com um Deus tão grande, totalmente esvaziado. Fil. 2:5-8. Que loucura!  

Estavam ali, soldados cruéis, religiosos perversos, ladrões orgulhosos e uma turba ingrata que se esqueceu dos seus milagres extraordinários. Ódio e indiferença enchiam aquele lugar tenebroso. MT 27:39-44.

Calvário…

O criador, reprovado por suas criaturas que, com desprezo infernal, gritavam:

Salva-te a ti mesmo!

Se és filho de Deus, desce da cruz e creremos em ti. Quanta arrogância inoculada pelo príncipe das trevas no coração daqueles homens.

Calvário…

Ali, a ira santa de Deus cai sobre Jesus devido aos nossos pecados, seu sangue escorre pelo madeiro e um grito ecoa pelo universo: está consumado!

Uma mão invisível rasga o véu do templo de cima para baixo, revelando que a redenção chegou. Veio de cima, sem participação humana, total expressão de sua graça, Deus se fez homem. Não há mais condenação, não somos mais inimigos, fomos reconciliados e encontramos a paz. Rm 5:1.

Ele, sozinho, mudou a nossa sorte. Do lugar mais tenebroso, lugar de morte, veio a nossa eterna salvação. 

2Coríntios 5:19 a saber, que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões, e nos confiou a palavra da reconciliação.

Sejamos Vigilantes!

Mateus 25:13 Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir.

Estar atento ou apercebido é uma das grandes advertências dadas pelo Senhor ao seu povo para o tempo do fim. Há um caráter surpresa na vinda de Cristo que precisa ser considerado pelos filhos de Deus. O próprio Jesus enfatiza a necessidade de sermos vigilantes. Por quê?

Há muitas coisas importantes para nós, como trabalho, lazer, família, etc., entretanto, a palavra do Senhor nos adverte que a aproximação da sua vinda será caracterizada por negligência, descuido e engano que se abaterá sobre a geração do fim. LC 21:34-36

Porque é da natureza humana deixar-se seduzir pelo que não tem importância eterna. 

O engano toma vários contornos, seja pela sedução, distorção da verdade e até a obstinação de seguir o próprio caminho sem ouvir ninguém. Há, porém, o engano relacionado às coisas lícitas e esse é o grande perigo que nos ronda, pois o que é lícito não parece ser tão perigoso assim. É a busca pela carreira profissional, a sedução do conhecimento humano, a ambição pelas coisas daqui ou o desejo de realização afetiva, como a necessidade do casamento, levando muitos a se afastarem da verdadeira comunhão e amizade com o Senhor, pois tiraram Deus do centro de suas vidas.

Deixaram de buscar o reino de Deus em primeiro lugar, abandonaram o primeiro amor e entraram no grupo de risco, negligenciando a vigilância. O lícito nos deixa com uma falsa sensação de bem-estar por não ser necessariamente pecaminoso. É o estudo, o trabalho, a família, minhas necessidades emocionais e, a lista parece ser inofensiva, até nos encontrarmos frios e distantes da comunhão com Deus e da segurança do corpo de Cristo, cheios de deformações em nosso coração, sentimento de culpa, orgulho, acusação e desconfiança.

Provérbios 1:32 Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição.

Uma das definições para o néscio seria alguém sem discernimento. Já não consegue avaliar com clareza o seu estado diante de Deus. O texto também diz que os loucos vivem sob uma falsa sensação de bem-estar que os leva à perdição. 

E quantos estão vivendo negligente e egoisticamente com essa falsa sensação de bem-estar. Já não servem mais aos irmãos, não têm tempo para a igreja e muito menos para uma vida de comunhão e dependência do Senhor. Isolam-se e, até mesmo, gestos de preocupação sincera são tomados como ofensa. Creio que a advertência de Cristo à vigilância é providencial para nós nesses dias.

Ser vigilante é um chamado à diligência e à perseverança. É uma convocação para não tirar os olhos da esperança daquele dia. É uma advertência para se manter santo, não se deixando seduzir por esse mundo. Cuidemos de nossa relação com ele e da nossa relação com a igreja. Busquemos o renovo diariamente para chegarmos até o fim da nossa jornada. Busquemos a separação do mundo e o enchimento do seu Espírito através da oração, meditação, jejum e relacionamento com a igreja. Sejamos humildes para ouvir a sua advertência e acatar de coração o seu chamado ao arrependimento.

Lucas 21:36 Vigiai, pois, a todo tempo, orando, para que possais escapar de todas estas coisas que têm de suceder e estar em pé na presença do Filho do Homem.

Despertando Jesus

Marcos 4:38 E Jesus estava na popa, dormindo sobre o travesseiro; eles o despertaram e lhe disseram: Mestre, não te importa que pereçamos? 39 E ele, despertando, repreendeu o vento e disse ao mar: Acalma-te, emudece! O vento se aquietou, e fez-se grande bonança.

A forma mais eficiente que Deus tem para nos amadurecer no relacionamento com ele são as provações que ele permite que passemos em nossa caminhada. Este é um dos grandes mistérios que aflige a muitos filhos de Deus, levando-os a questionar o porquê dele não responder prontamente suas orações.

Em meio aos sofrimentos, alguns mergulham na depressão, angústia e solidão, enquanto outros gritam e clamam para que o Senhor se levante em seu favor. Uns continuam perseverantes e se fortalecem na fé, enquanto outros se perdem na busca por respostas satisfatórias e deixam de ver o que ele está tentando ensinar. Tiago diz o seguinte:

Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam. Tiago 1:12.

Tiago está nos dizendo que Deus está realizando um trabalho individual e particular em nossas vidas. Por algum motivo que só ele conhece, eu e você precisamos de aprovação da nossa fé, da confiança nele e se iremos permanecer com ele quando calamidades inexplicáveis nos alcançarem. A mesma ideia encontramos quando lemos Deuteronômio 8:2:

Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.

A provação aqui tinha o objetivo de revelar o coração e saber se eles permaneceriam fiéis ao Senhor. “Para saber o que estava no teu coração”. O que as provas têm revelado do seu coração? Um amor incondicional por ele, ou alguém rancoroso? Há louvor em nossos lábios em qualquer circunstância ou um relacionamento frio e distante, como fazemos com qualquer pessoa que não corresponde às nossas expectativas? O fato é que há inúmeros filhos de Deus decepcionados com ele, achando que Deus lhe deve alguma coisa. Daí, jamais conseguem conhecê-lo de fato, pois baseiam essa relação numa equação de troca, achando que há em Deus algum tipo de necessidade. Deus não tem necessidades. Sem mim, ele continua perfeito, completo e imutável. Ele é Deus. Entretanto, parece que ele deseja que conheçamos o seu caráter, sua grandeza e seu grande amor. Jó, após passar por grande provação, descobriu como seu conhecimento de Deus era medíocre e sua relação com ele baseava-se em méritos e não no amor incondicional a Ele. 

Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza. Jó 42:5-6

O texto que iniciei essa reflexão nos traz a simples lição do poder que ele tem de subordinar a si todas as coisas e de seu domínio soberano em qualquer circunstância. Seja sobre o mar bravio ou ventos tempestuosos. Ele sempre estará no controle.

A palavra nos convida a lançar toda a nossa ansiedade sobre ele porque ele tem cuidado de nós, 1PE 5:7.   Ironicamente, parece que o nosso Deus tem momentos que se ausenta ou se afasta a uma distância segura para nos ensinar lições eternas. Lições da dependência, da confiança e da clareza de que ele deseja ser despertado através do clamor de homens e mulheres que são limitados, mas aguardam firmemente a sua intervenção.

É claro que Deus jamais dorme, porém, ele sabe como se ausentar, ficar em silêncio a nos observar para arrancar de nós a autoconfiança, o orgulho e a autossuficiência que tanto nos prejudicam no relacionamento com ele. Se em meio a uma tempestade ele permanece imóvel a dormir, é porque ele tem certeza de que pode deter a tempestade. Mas, a incredulidade é pior que a tempestade. 

Imaginem aquela cena, os discípulos sentados no barco olhando para Jesus, e o mar e os ventos calmos. Acredito que ali só restava admiração, contemplação e adoração. Quem é este que aquieta o mar? Ele é o Deus que se fez homem e está entre nós, habita em nós e quer que o conheçamos. Louvado seja o seu glorioso nome!

Um refúgio na angústia

Jonas 2:7 Quando, dentro de mim, desfalecia a minha alma, eu me lembrei do Senhor; e subiu a ti a minha oração, no teu santo templo.

Há momentos em nossa caminhada em que podemos nos sentir aprisionados sem conseguir achar uma saída. Às vezes, por circunstâncias reais como uma enfermidade ou desemprego, problemas familiares ou emocionais como uma esperança frustrada que tanto nos desanima.

Pode ser uma decepção com um irmão, ou amigo, ou até mesmo um sonho que até o momento não se realizou e não vemos muitas perspectivas para que se realize.

Há também nossos tropeços, pecados e fraquezas que nos abatem profundamente e nos trazem um sentimento de derrota e fracasso, nos paralisando e entristecendo o coração. Esse sentimento de que desobedecemos ao Senhor é doloroso e muitas vezes nos leva a uma intensa angústia de alma, pois sabemos que a comunhão com o pai foi quebrada.

No caso do texto citado acima, Jonas ora ao Senhor do ventre do grande peixe e expressa sua situação como estando num abismo. O motivo de sua angústia foi sua desobediência. Sentia-se desfalecendo a alma, abatido, sem forças e sem achar uma saída para o estado em que se encontrava. Deus disciplina os filhos que ama não para que se percam, mas para que se arrependam e aprendam a confiar em sua condução para suas vidas. HB 12:10.

Ele então disse que, quando dentro dele sua alma desfalecia, lembrou-se do Senhor e correu para seus pés em busca de socorro, renovo e perdão e foi atendido. “Eu me lembrei do Senhor”, disse ele. E você? Qual o motivo da angústia, tristeza ou desânimo?

Sejam quais forem as circunstâncias a nos atingir, temos no Senhor o socorro bem presente na hora da angústia, que está atento ao nosso clamor, mesmo sendo do abismo, ele nos ouve. Ele quer renovar as forças, fortalecer nossas esperanças e perdoar nossos pecados, nos ensinando o amor do pai, que trabalha para que o conheçamos profundamente e confiemos nele de todo o nosso coração. Clame a ele do lugar em que você se encontra.

Salmos 9:9 O Senhor é também alto refúgio para o oprimido, refúgio nas horas de angústia.

Ele nos sustenta

Salmos 68:19 Bendito seja o Senhor que, dia a dia, leva o nosso fardo! Deus é a nossa salvação.

Ainda que não vejamos com clareza, Deus é o nosso sustento e salvação. Ele nos toma pela mão e nos conduz em segurança pelos caminhos turbulentos do dia a dia. Ele leva o nosso fardo para não perecermos. Essa é uma experiência que toca aqueles que nele confiam e nele depositam a sua esperança. O salmista reconhecia que seu fardo era pesado, mas ele não precisava carregá-lo. Que consolo podemos encontrar em nosso Deus através da experiência de homens que provaram a fidelidade dele em sua trajetória. Podemos nos sentir fracos, desanimados e abatidos, porém, é justamente nessas horas que ele está carregando o nosso fardo, nos aperfeiçoando e amadurecendo. A ele a glória por sua misericórdia e bondade. 

Gratidão

Salmos 92:1 BOM é louvar ao SENHOR, e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo; 2 Para de manhã anunciar a tua benignidade, e todas as noites a tua fidelidade;

Louvemos ao Senhor por sua presença e fidelidade. Bom é lembrar sempre que ele é digno de ser louvado. Corações queixosos não encontram motivos para louvar e agradecer, pois vivem pela força do braço e não pela fé em sua fidelidade.

Os que o conhecem anunciam já pela manhã que ele é benigno. Um dos sinônimos da benignidade é a amabilidade. Ele é amável e carinhoso com seus filhos. Podemos descansar em seus braços. O salmista também diz que, durante as noites, ele anuncia a sua fidelidade. No final do dia, podemos afirmar que ele é fiel e se manteve ao nosso lado para nos consolar e sustentar com sua mão forte e seu grande poder. Louvemos ao Senhor, pois ele se agrada de corações gratos! 

Posso Confiar?

Salmos 66:20 Bendito seja Deus, que não me rejeita a oração, nem aparta de mim a sua graça.

 Às vezes somos tomados pela incredulidade quando nossas orações não são respondidas no tempo de grande angústia. Isso nos abate e desanima o coração, e por esse motivo, a tristeza se faz companheira. 

No salmo 30:5 Davi diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Para a alma angustiada e aflita, a noite parece não passar, perdida em seus pensamentos e dores. Há, porém, uma garantia de que a alegria virá deixando as trevas da angústia para trás. No texto que iniciamos, o salmista louva ao Senhor pela experiência de saber que ele não rejeita suas orações. Ele confia na resposta do Senhor. O caminho do aprendizado e perseverança é forjado em nós pelo próprio Deus, que nos ensina a confiar em sua bondade, usando cada situação para nos aperfeiçoar. Ele sabe que o amadurecimento vem com cicatrizes e marcas gravadas no mais profundo de nossa alma. Crianças têm cicatrizes das brincadeiras infantis, adultos as têm no mais profundo do coração. Cicatrizes curadas, que nos lembram os caminhos que o Senhor nos fez andar para nos tornar homens e mulheres amadurecidos, que não se abalam com facilidade, pois aprenderam a confiar na fidelidade de Deus.

Louvar ao Senhor com a certeza de que ele não rejeita as nossas orações revela que estamos aprendendo a confiar, mesmo quando ainda não obtivemos a resposta final de sua parte. No mesmo versículo, ele afirma que o Senhor não aparta de seus filhos a sua graça. Graça é um favor imerecido. É a decisão de Deus em nos socorrer, mesmo sabendo que não merecemos. É o seu amor direcionado para nos livrar de nós mesmos, da nossa infantilidade e dureza de coração, nos tornando mais quebrantados e parecidos com o seu filho, Jesus. 

No salmo 119:67,71 lemos:

Antes de ser afligido, andava errado, mas agora guardo a tua palavra. Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos“.

Quantas vezes o Senhor usa situações dolorosas para nos salvar das misérias de nosso próprio coração? O salmista admite que antes de ser afligido andava errante pelos seus próprios caminhos, mas os sofrimentos permitidos por Deus o levou a guardar seus mandamentos com maior diligência e cuidado. Desenvolveu nele temor e amor pela palavra, e, ao mesmo tempo, o fez reconhecer que o Senhor o estava aperfeiçoando.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos irmãos de Roma declara:

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, Rm 5:3.

Ele aprendeu que nenhum sofrimento que os filhos de Deus passam é vão. O nosso Deus usa a tribulação para gerar em nós paciência, nos libertando do imediatismo próprio das crianças mimadas. A paciência é de suma importância para quem está em aflição ou buscando uma resposta do Senhor. Mesmo que não consigamos enxergar, há um bom propósito em Deus ao nos permitir passar por situações dolorosas. Olhem o que nos diz a palavra acerca de Abraão: 

Hebreus 6:15 E assim, depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa. Notem a ênfase: “esperar com paciência!” A questão aqui não é somente responder nossas orações mas, nos ensinar lições eternas.

 O escritor da carta aos hebreus nos traz uma revelação surpreendente. Ele afirma sobre Jesus:

Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu. Hb 5:8.

Em meio aos sofrimentos ele cresceu em obediência, aprendendo a se sujeitar à vontade do pai.

Você pode achar injusto os sofrimentos que se abatem sobre sua vida, porém o Senhor talvez esteja querendo lhe ensinar o caminho da obediência e rendição à sua vontade. Pode haver em você rebelião, dureza e resistências que precisam ser arrancadas, tornando sua fé muito mais saudável. Jesus decidiu se sujeitar em meio a sofrimentos injustos, mas nós reclamamos com Deus devido aos sofrimentos que ele nos permite experimentar. Se não entendermos a pedagogia de Deus que sempre visa nos amadurecer, jamais poderemos desfrutar de uma relação prazerosa com Ele, e seremos incrédulos, desconfiados, cheios de cobranças, nenhuma gratidão, nem adoração, apenas queixas e decepção.

O salmista estava bendizendo ao Senhor, pois tinha certeza que ele não rejeitava suas orações, mas, para chegar a essa conclusão, ele teve que passar pela escola de Deus que inclui em suas matérias, sofrimentos, silêncio de Deus, angústias, paciência e perseverança confiante até que ele nos liberte das infantilidades. E você? Já o conhece o suficiente para afirmar com certeza que ele está ouvindo sua oração? Que possamos com humildade perceber a grandeza de sua fidelidade e deixar que ele nos ensine a descansar em seu cuidado.

1 Pedro 1:6 Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, 7 para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo;