O Amor do Nosso Pai

Deus é o nosso Pai, que nos amou antes mesmo da cruz. A cruz não levou o pai a nos amar, apenas demonstrou a grandeza do seu amor por nós. Esse amor antecede qualquer coisa e é inexplicável. Paulo diz: “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. Rm. 5:8 “Quando éramos ainda pecadores, Ele morreu por nós”! Ele nos ama não por mérito ou qualquer outra coisa, mas simplesmente por ser o nosso pai. Não precisamos crescer para alcançar seu amor, mas crescer a partir do entendimento e revelação desse amor.
Ao olharmos para a cruz, vemos de forma chocante, o extravasar desse amor. Deus nos reconciliando consigo, imputando ao seu filho justo a nossa culpa. IICoríntios 5:19 “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados.” Em seu grande amor por nós, Ele fez uma injustiça a si mesmo levando sobre si o castigo que nos pertencia. Paulo afirma em 2Co 5:21: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” O pai fez de seu filho pecado por nós, para que fôssemos declarados justos perante Ele. A paz que hoje gozamos veio da maior expressão do amor de Deus por nós, por isso Isaías diz que o castigo que nos traz a paz, estava sobre Ele. Is. 53:5. Não há nada que façamos que o leve a nos amar mais do que Ele sempre nos amou. Entretanto, o Apóstolo Paulo diz que o Amor de Cristo nos constrange, e que tal constrangimento deve levar-nos a viver por Ele e para Ele. 2Co 5.14-15 “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”

Quando estávamos perdidos em nossos pecados, Ele veio a esse mundo de trevas, assumiu a forma humana e, por esse tão inexplicável amor, se fez maldição para nos abençoar. Gl. 3. 13. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;” Ao assumir os nossos pecados, Ele se fez amaldiçoado, a ira de Deus contra nós pecadores desabou sobre Ele naquele dia e as trevas cobriram a terra! “Mt. 27. 45. E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.” Por nos amar tanto, o Pai abandonou o seu filho justo, virou-lhe as costas, desencadeou contra ele a sua terrível ira e sua total repugnância ao nosso pecado! Isaías diz: 53.5 “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” “Ferido”, “esmagado”, “abandonado”, “amaldiçoado!”

Que prova maior precisamos do amor do Pai? O conhecimento desse amor paternal deve levar-nos a desistir de fazer qualquer coisa para sermos mais amados por Ele. Isso é algo impossível! João, ao tentar explicar o Amor do Pai, disse que Ele nos amou de “tal maneira.” Jo 3.16. Não encontrou outra palavra que expressasse esse amor. De “tal” maneira! A revelação dessa paternidade deve nos levar ao arrependimento devido à dúvida em relação ao seu amor. Somos amados porque Ele é o nosso Pai. Estamos ligados a Ele pelo mais sublime e eterno laço que é o seu amor paterno. Nada mais pode nos suprir desse amor. Ele existe, é real e milita a nosso favor. O Apóstolo nos garante: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” Rm. 8:35. A força desse amor paterno garante que nada pode separar-nos dEle, pois aqueles que o experimentam recebem graça para passar por qualquer circunstância, sejam elas físicas ou emocionais. “Tribulação ou angústia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada.” sejam quais forem as situações, é o amor do pai que nos guarda e protege da apostasia e incredulidade. Conhecer a Deus é conhecer a essência do amor, pois a sua palavra nos garante que “Deus é amor,” I Jo 4:8 “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” Logo, é inconcebível dizer que conhecemos a Deus vivendo para nós mesmos.

Os “cristãos modernos” abandonaram a centralidade na pessoa de Cristo, e deixaram-se seduzir por uma pregação que colocou o homem e suas necessidades no centro. Assim, esses em sua grande maioria, deixaram de buscar a glória de Deus e construíram uma religião egoísta, deformada e doente cujo objetivo principal é a felicidade do homem. Quando não entendemos que Deus é amor, o resultado de nossa religiosidade será o egoísmo. Vida voltada para nós mesmos, busca apenas pela realização pessoal, e uma total incapacidade de doação, entrega e sacrifício. Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é Amor.

Esse amor de Deus por nós é tão sublime e imensurável que Paulo escreve em tom de exultação: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Rm 8:32. O que nos falta ou poderá faltar que Ele não possa suprir em seu grande amor? Por esse amor, temos sido guardados e o Pai promete nos dar em Jesus todas as coisas. Que, pelo Espírito, venhamos entender esse amor paternal com todas as suas implicações, sua grandeza, beleza e perfeição. Bendito seja o nosso amado Pai!

“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,

Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,

E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” Ef. 3:17-19

E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. I João 4:16

Uma Geração Infantilizada

Esta é uma sociedade que se recusa a crescer. O desejo de Deus é que todos cheguemos à maturidade não somente física, espiritual e emocionalmente. Paulo, o apóstolo, nos fala de um objetivo sublime, o qual é chegarmos à maturidade de Cristo, sermos homens perfeitos, tendo em Cristo o modelo de maturidade plena.

Até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo.” Ef 4:13
A falta de maturidade leva o homem a não querer assumir responsabilidades, culpar os outros por seus problemas e até o próprio Deus. A promoção da infantilização coletiva produz cada vez mais homens e mulheres mimadas, que ilusoriamente pensam ser este mundo um parque de diversões, girando em torno deles para satisfação dos prazeres mais fúteis e das brincadeiras mais infantis.
Qualquer observador mais atento percebe nos meios de comunicação, principalmente TV e internet, como esses veículos divulgam, promovem e criam programas que não somente mantém essa cultura, como modelam a mente e o comportamento de uma sociedade, que de tão infantilizada não tem mais referências que os desafiem a uma verdadeira maturidade.
A Internet alimenta essas almas infantis fomentando suas mentes vazias com programas e aplicativos feitos para “emburrecer” e ridicularizar os que deles se utilizam. No palco das redes sociais, a desnutrição da maturidade é exposta, quando a vida privada demonstra o clamor por atenção, revelando as carências emocionais mais profundas e as deformações de corações que se recusam cruzar a porta e deixar para trás a encantadora etapa infantojuvenil. Assim, demonizam os mais velhos, ridicularizam valores antigos, não aceitam críticas. Com gestos e poses que consideram “sensuais,” “descolados,” são narcotizados por dezenas de “curtidas” alimentando aquela necessidade tirânica que as crianças têm de ser o centro das atenções. E todos sabem que crianças nunca estão satisfeitas.
Quando olhamos de forma mais ampla para essa sociedade, suas militâncias sociais, desde a luta pela igualdade, que quer dar privilégios especiais a cor da pele ou preferências sexuais. A famigerada identidade de gênero que traz mais confusão mental e desconforto para os que a abraçam, a militância doentia buscando o amparo da lei para impôr sobre a sociedade as práticas mais pessoais e privadas em nome da “tolerância” e do “combate ao preconceito,” percebemos que a situação é grave e delicada. Exigem-se Direitos como crianças mimadas que batem o pé, choram e gritam para que todos olhem para eles e atendam sua infantil carência emocional.
Em tempos não muito distante o jovem aguardava com expectativas o momento de sua passagem para o mundo adulto, que geralmente vinha com a aceitação de compromissos e responsabilidades e, encarava tal momento como normal, uma mudança de ciclo natural e necessária. O escritor e humanista alemão Herman Hesse escreveu:
“Seu futuro não é esse ou aquele, o dinheiro ou o poder, o conhecimento ou o sucesso profissional. Seu futuro, seu caminho difícil e perigoso, é amadurecer.”
Poucos querem esse caminho “difícil” e “perigoso” do amadurecimento. É visível o fato que muitos já não querem nada que os desafiem a pensar, muito menos assumir responsabilidades ou aceitar dificuldades que a realidade tanto nos impõe. Na década de 50 o psiquiatra canadense Eric Berne pela primeira vez falou da síndrome de Peter Pan, aquele personagem que queria ser menino eternamente, pois, achava a vida de adulto muito complicada, e de forma “mágica” ingressa na “terra do nunca,” um reino de fantasias e aventuras infantis, de onde pretendia não mais sair. O personagem retrata muito bem o que está acontecendo com nossa sociedade.
Uma sociedade empenhada em viver na adolescência pouco deixará como herança para as próximas gerações. O que a psicologia cunhou como “adultescência” tornou-se uma triste realidade em nossos dias. Muitos homens e mulheres com idade cronológica de adultos e emocionalmente adolescentes. Falam como adolescentes, vestem-se como os tais, usam o mesmo linguajar e querem até frequentar os mesmos lugares, revelando que algo está profundamente errado. Há uma clara deserção por parte de muitos adultos desse caminho do amadurecimento e de suas respectivas responsabilidades em transmitir às próximas gerações um legado intelectual, psíquico, emocional e afetivo.
O apóstolo Paulo deixa claro que só atingiremos a maturidade se alcançarmos a estatura de Cristo. Ef. 4.13 KJ. Tal caminho requer renúncias, disposição ao sofrimento, paciência com as limitações e fraquezas, humildade para sermos guiados nessa trajetória até chegarmos à estatura de Cristo. Precisamos da ajuda do seu Espírito e também daqueles que já trilham esse caminho há mais tempo. Esses que já trilham o caminho do amadurecimento aprenderam que as vitórias são precedidas por muitas derrotas, e já não sentem vergonha de falar desses fracassos, ao reconhecerem que Deus utilizou os mesmos para torná-los mais quebrantados e humildes. Recusam-se a ver este mundo como um parque de diversões, ao carregarem uma profunda consciência de que estão aqui com uma sublime missão de expressar Cristo nessa terra, trazendo sentido a um mundo tão sem esperança e sem referenciais.
É evidente que essa clara desnutrição da maturidade dentro e fora da igreja já cobra um alto preço para todos nós, revelando uma sociedade cada vez mais pobre e decadente e uma igreja que oferece mais entretenimento do que vida. Com tantos adultos vazios e jovens seduzidos e encantados por futilidades, só nos resta nos humilharmos aos pés do nosso Cristo para que nos socorra e derrame de sua vida abundante sobre todos nós.
Cabe também aos mais experientes olhar para nossas crianças e jovens com o senso de comprometimento e responsabilidade que Cristo demostrou ao parar tudo que fazia para abençoar as criancinhas, nos ensinando, assim, o valor que Ele mesmo dispensava a elas. “Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreenderam. 14. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus. 15. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.” Mt. 19:13-15. Não as impeçamos, não as tratemos com indiferença, nem como se fossem de um grupo à parte. Precisamos parar tudo como Jesus para abençoá-las, dar-lhes atenção, ensinar o caminho do verdadeiro crescimento.
Jesus parou o que estava fazendo para nos mostrar que os mais novos precisam de atenção, dedicação e paciência das pessoas mais maduras e experimentadas para chegarem ao reino dos céus. Não podemos impedi-las como os apóstolos fizeram, demonstrando total falta de discernimento. Se desejamos o caminho da maturidade precisamos aceitar cada fase como necessária, nos expor ao convívio com outros que tanto nos ensinam, aceitar que somos tão diferentes e, no entanto, entender que a ausência do outro nos empobrece, deixa lacunas que nunca serão preenchidas se vivermos egoisticamente.
Para finalizar, há um livro chamado, Valores morais e espirituais da educação, que faz parte dos programas das escolas de Los Angeles, na Califórnia, e destaca algumas características da maturidade emocional. A pessoa emocionalmente madura:
  • Aceita ser criticada e aproveita as críticas para se superar.
  • Não se entrega à autocompaixão. Começou a acreditar que as leis da compensação funcionam em todas as coisas da vida.
  • Nunca espera ser tratado como alguém especial por outras pessoas.
  • Enfrenta as emergências com serenidade.
  • Não se deixa ferir facilmente em seus sentimentos.
  • Aceita a responsabilidade de seus próprios atos sem usar desculpas como escudo.
  • Superou a etapa de pretender da vida “ou tudo ou nada” e reconhece que nenhuma situação ou pessoa é totalmente boa ou totalmente má; além do mais, começou a apreciar as vantagens do “ponto de equilíbrio.”
  • Não se impacienta com atrasos razoáveis. Aprendeu que não é o árbitro do universo e que frequentemente terá que ajustar sua vontade à conveniência de outras pessoas.
  • Sabe perder. Pode tolerar a derrota e a decepção sem queixas nem lamentações.
  • Não se preocupa indevidamente com coisas que não pode remediar.
  • Alegra-se sinceramente diante do sucesso ou da boa sorte dos outros. Superou os sentimentos de inveja e ciúme.
  • Tem a amplitude mental suficiente para escutar e refletir sobre a opinião dos outros.
  • Não procura continuamente defeitos em outras pessoas.
  • Planeja com antecipação ao invés de confiar na sorte ou na inspiração de última hora.

Amar Sem Preço

A linha entre o amor e a indiferença parece ser muito tênue, quase imperceptível, pois às vezes, tratamos com desprezo aquele a quem dizemos amar. Não é difícil o amor transformar-se em desprezo, a satisfação em insatisfação e a alegria em tristeza. É claro que o amor manifesta-se de várias maneiras, porém o amor que mais conhecemos é aquele que alimenta e supre os desejos e necessidades de sermos amados e saciados em nossos anseios. Não é o amor doação, altruísta que mais conhecemos, mas o amor que aprendeu a receber sempre, e só consegue corresponder quando é correspondido.
Este tipo de amor não suporta crises nem decepções, exige fidelidade total e não aceita facilmente os erros do outro. É o “amor” que se alimenta da exploração do outro e por isso é tão frágil como uma taça de cristal, que ao mais leve impacto despedaça-se em centenas de cacos. O amor que mais conhecemos nunca encontra a verdadeira paz e satisfação porque ele necessita sempre receber para poder dar de volta, e nem sempre é correspondido à altura de suas expectativas em relação ao outro. Na verdade, o amor do outro nunca é suficiente, está sempre lhe devendo, não importa quanto seja feito ou quanto o outro seja limitado.
Este tipo de amor jamais aprendeu a lidar com o sofrimento, por entender que o outro deve sempre lhe promover bem-estar com os mais belos gestos e demonstrações de sacrifício em prol de sua felicidade. Se o outro erra com ele, logo transforma-se em desprezo e frustração, desmorona-se fácil como um lindo castelo de areia atingido pelas ondas.
Este amor não se aprofunda nos gestos de perdoar, tolerar, exercer misericórdia ou ter empatia. Tudo depende única e exclusivamente do fato de ser correspondido, caso contrário, nunca se dobrará. Na verdade, estamos falando do amor ou do egoísmo disfarçado de amor? Parece-me que aprendemos a nutrir nosso ego às custas do outro. Amar sem preço algum é o que mais gostamos. Nenhum sofrimento, nenhuma frustração, nenhum deslize é permitido aos que só conhecem este amor. E ele está sempre pronto a ser amado.
Ser paciente com as debilidades do outro, benigno para promover saúde ao relacionamento, não ser orgulhoso, mas ter coragem de buscar a paz, não buscar os interesses próprios, mas o bem-estar do outro e não guardar rancor é certamente condicionado ao tanto de reciprocidade que o mesmo recebe. Enfrentar crises, conviver com as imperfeições do outro sem querer modificá-lo, encarar o fato de que o outro jamais terá a perfeição que ele tanto exige e mesmo assim amá-lo, torna-se um exercício quase impossível para os praticantes deste “amor”.
Nossa sociedade transformou o amor numa mera Química, esvaziou seu verdadeiro conteúdo, relegando-o a um objeto de consumo ou mesmo confundindo-o com o prazer carnal momentâneo. Encontramos na palavra de Deus a maior expressão do amor. Em João 3.16, Lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu…”Deus amou tanto que deu”. Deus é amor! Estende a sua misericórdia a maus e bons, a justos e injustos e, embora deteste a injustiça, essa é a sua essência, amar.Jesus disse:
Mateus: 5. 43. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. 44. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; 45. para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.”
Essa expressão de amor vai além do amor que busca recompensa ou satisfação pessoal, está diametralmente oposta ao amor que conhecemos e praticamos, o jeito de amar de Deus, o qual Ele deseja que aprendamos.
1Coríntios: 13. 4. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, 5. não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6. não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; 7. tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Amar sem preço algum é uma ilusão dos que não entenderam o que ele é. Amar é dar, sacrificar, perdoar. É conviver apesar das diferenças sem querer modificar. Amar é suportar, andar mais uma milha, ser bondoso. Amar é ver mais que defeitos, ver que o outro tem virtudes que me faltam e me completam e que talvez algumas coisas no outro nunca mudarão, mesmo assim, é o preço que teremos que pagar para sermos como o nosso Deus é.

O Mistério da Cruz

Gálatas: 6. 14. Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

A cruz é um grande mistério de Deus. É o instrumento de minha morte e o caminho de minha vida. Nela sou mortificado, Esmagado todos os dias e o dia todo. Não há como fugir. De certa forma, ela me atrai e fascina, me assusta e me desespera. Só na morte da cruz acho o caminho para a vida, e o caminho para a verdadeira paz.

Meu ego reluta, minha carne exaspera-se, meu coração geme de expectativas pela transformação.

Oh! Instrumento de minha morte, por que tanto me atrai?

Que fascínio pode haver em pregos grotescos e em madeiro mal aparelhado, cortante e desconfortável?

Oh! Rude cruz!

Levaste meu mestre ao horto do desespero, à angústia inexprimível do Getsêmani.

Não poupaste o Autor da Vida, Porque pouparias a mim?

Em sangue transformastes o seu suor e aprofundaste a sua dor, e por causa do meu pecado, nela abristes os braços em agonia ao mais vil dos pecadores.

Nas lascas mal acabadas, nas quinas, no rude madeiro, o sangue escorre abundantemente para aniquilação do natural, para fazer sucumbir o velho homem deformado e mal, e num verdadeiro milagre brotar a vida da morte.

Desce da cruz! É a proposta que a todo o momento nos assedia e assola. “Se és filho de Deus, desce da Cruz!” MT 27.40. Para que morte tão vil e humilhante se podes viver a vida abundante aqui e agora? Oh! Doce Jesus, esmagado foste e moído ao extremo para que em mim surgisse a tua vida. Por teu amor e graça, não permitas que eu me afaste da tua cruz! Amém.

Súplica

No momento, prefiro a tristeza da minha alma que a empolgação do meu coração.
Quero a dor da lapidação na fornalha, mais que a emoção que me faz vibrar, mas não me transforma. Lapida-me no silêncio e na privacidade; leva-me à serenidade da tua presença; tira de mim a miopia, a cegueira; A incapacidade de se deixar tocar por minha alma ter se embevecido com a glória da tua presença, e eu ter apreciado mais a experiência do momento que a tua pessoa.
Tenho visto muitos e muitos momentos do derramar do teu Espírito, e muitos homens, chorarem e se emocionarem. Quero ver também a transformação, a metamorfose, de um homem, mesmo cristão, em um homem espiritual; de um cristão comum, em um homem verdadeiramente piedoso.
Quero, sim, a confrontação deste momento. Que eu não esqueça de minhas mazelas, pelo menos neste ínfimo instante.
Quero um espírito angustiado por ti, até que me torne parecido contigo.
Não quero a superficialidade sutil que empolga a alma, quero ser transformado.
Quero amadurecer, crescer, aprender para ser útil ao teu reino.
Quero muito mais, quero amar-te e desejar-te acima de qualquer coisa.
Estar em ti escondido, e por ti conhecido, Amém!

Façamos Três Cabanas!

Mateus: 17. 3. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4. Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias. 5. Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.

Façamos três cabanas! Como o homem natural tem dificuldade de vislumbrar a glória de Deus.

Num momento tão ímpar, tão cheio de significado, esse homem só consegue pensar com sua mente humana não regenerada. Moisés, Elias e Cristo juntos num quadro revelador daquilo que Deus sempre sonhou: convergir em Cristo todas as coisas.
“Isto é, de fazer convergir em Cristo tudo quanto existe, todos os elementos que estão no céu como os que estão na terra, na dispensação da plenitude dos tempos,” Ef 1:10. Ao olharmos a igreja hoje, vemos como esse engano persiste entre nós. A ingenuidade de que podemos completar o divino com o humano. E assim a igreja está cheia de ideias que nasceram na mente do homem e não no coração de Deus. Construir três cabanas foi a ideia bem-intencionada de Pedro, tentando conferir credibilidade à velha religião. Então, ouve-se um brado dos céus: “este é o meu filho amado; a Ele ouvi”. Não mais a Moisés, nem a Elias, não mais a lei, nem os profetas, mas ao meu filho! Quão difícil é ao homem, mesmo regenerado, compreender isso. Estamos sempre inventando, acrescentando ou subtraindo da igreja de Deus. Personalizamos o culto, as pessoas e o próprio Cristo. A igreja transformou-se num trampolim para o ego humano, uma plataforma de perpetuação da nossa própria imagem e semelhança, onde em nome de Cristo impomos nossos gostos, vontades e preferências. A voz do pai continua a ressoar. “A Ele, o meu filho, ouçam!” Esta é a única forma de escaparmos do enfado da religião. Destronando o homem com suas ideias e centralizando Jesus. Entendendo que nessa nova dispensação, Deus não nos deu um conjunto de regras para ser seguido, mas nos uniu a uma pessoa que nos dá vida. João deixa claro esse contraste:
João: 1. 16. Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. 17. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
A vida, a graça, a verdade, estão agora dentro de nós na pessoa de Jesus! Não mais um código de regras e preceitos, mas uma pessoa, Jesus, vivendo sua vida em nós! Aleluia! A lei e os profetas nos revelaram a santidade e a vontade de Deus, mas em Jesus, recebemos da sua plenitude e graça sobre graça. Agora não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós, vida pela fé na plenitude dEle.
Pedro não havia terminado de falar e foi interrompido bruscamente por uma voz do céu, vs 5, a voz do Pai que dizia basta! Essa dispensação já passou! Eis o meu filho, a Ele ouvi! Não há mais lugar para nossas cabanas, o Pai vive em nós na pessoa de seu filho amado. Aleluia!
Hebreus: 1. 1. Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2. nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; 3. sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas.

O Caminho da Humildade.

No caminho da humildade, os homens se tornam grandes, mesmo não sendo pessoas de destaque ou de talentos especiais. Nesse caminho, as celebridades não encontram prazer, pois ali não há espaço para o ego. Os peregrinos desse caminho enfrentam muitas vezes, uma solidão esmagadora que os levam a reflexões profundas, tornando-os mais conscientes de quem realmente são, e assim, já não valorizam a glória humana. Não necessitam de reconhecimento ou a frágil necessidade de serem destacados pelos homens, pois, nesse caminho, brotam sentimentos inversos que antagonizam com os desejos coletivos de honra, poder e autoexaltação tão comuns às Almas medíocres. Os peregrinos desse caminho vislumbraram um grande Rei que se despiu de suas vestes reais e vestiu-se como um escravo. Viveu, serviu, amou e mudou a história do mundo, sem exigir nenhum tipo de reconhecimento, aplauso ou aprovação dos homens. Um rei que andou na contramão do ego!

Os que trilham o caminho da humildade são grandes, mas não sabem disso, pois a grandeza, diante do exemplo do grande Rei, perdeu a importância. Os tais peregrinos estão tão fascinados com o Rei que não mais percebem a mudança interior que acontece em seus próprios corações. Mudança de caráter que ocorre de dentro para fora e transforma homens vis em virtuosos, agradáveis, acessíveis e abençoadores.

O caminho da humildade é nivelador, pois seus andarilhos não carregam diplomas nem ostentam títulos, falam pouco e não querem ser notados. Falam do Rei e não de si, lembram das palavras mais marcantes, “aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração,” palavras que nenhum estadista humano jamais pronunciou no exercício de seu reinado.

Os que trilham a longa estrada da humildade, só o fazem devido à experiência chocante com o grande Rei, Jesus, autor da vida e sustentador de todas as coisas. Esses peregrinos descobriram que a humildade não é um comportamento exterior, mas uma pessoa, o Cristo ressurreto vivendo a sua vida neles.

O Deus De Toda Consolação!

2 Coríntios: 1. 3. Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação.
O nosso Deus é o Deus de toda consolação e o fato de buscarmos consolo em coisas ou pessoas demonstra a superficialidade de nosso relacionamento com Ele. Somente aqueles que, em meio aos sofrimentos e decepções diárias, lançaram-se aos seus pés puderam conhecer o Deus de toda consolação. Gostamos dos caminhos fáceis, das soluções instantâneas e do alívio das angústias, e por esses motivos, confiamos mais nos homens que no próprio Deus. Paulo, em meio a grandes sofrimentos, encontrou nEle toda consolação e força para enfrentar as circunstâncias que lhe afligiam. Ele é o Deus de toda consolação!
CONSOLO PARA APERFEIÇOAMENTO
2 Coríntios: 1. 4. que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação…
Aqui, podemos ver que o consolo do Senhor não vem apenas para nos aliviar o sofrimento, mas para nos quebrantar, tornar-nos mais sensíveis, aperfeiçoando em nós o amor da mesma forma que o autor da nossa salvação foi aperfeiçoado em meio aos sofrimentos. Hb. 2.10
Só quem sofreu pode compadecer-se, exercer misericórdia e ter empatia. Ele consola nos sofrimentos para que por nós muitos outros possam ser consolados e levantados, percebendo através do nosso amor a presença doce e agradável do nosso Deus. Livra-nos, Senhor, de desejarmos os caminhos fáceis onde tua Cruz não opera!
BENDITAS AFLIÇÕES!
2 Coríntios: 1. 5. Porque, como as aflições de Cristo transbordam para conosco…
Como gostamos das bênçãos, felicidades e alegrias que vêm através dEle! Todavia, o Pai está obstinado em desenvolver em nós o caráter de seu filho amado e usa os sofrimentos para arrancar o egoísmo e a idolatria do conforto.
Sim, as aflições de Cristo transbordam para conosco. Às vezes, Ele permite que nos sintamos frágeis, confusos e até desnorteados. Às vezes, temores, fraquezas e enfermidades nos incomodam e abalam nossa confiança. Outras vezes, ansiedades descontroladas, pensamentos obsessivos e crises existenciais nos revelam as profundezas de nosso frágil coração. Mas, em todas essas situações, o oleiro está com as mãos sobre o barro para dali sair um vaso de honra para o adorno de sua casa. As aflições de Cristo precisam transbordar em nós para sermos aperfeiçoados em consolar!

A graça de Cristo nos Basta.

A graça de Cristo nos basta.
2 Coríntios: 12. 7. E, para que me não exaltasse demais pela excelência das revelações, foi-me dado um espinho na carne, a saber, um mensageiro de Satanás para me esbofetear, a fim de que eu não me exalte demais; 8. acerca do qual três vezes roguei ao Senhor que o afastasse de mim.
Enganoso é o nosso coração, disse o profeta pelo Espírito, e perverso, quem o conhecerá? Jr. 17.9.
Paulo ora clamando para libertar-se de algo que o atormenta, sem saber que o pai, em seu grande amor, o estava disciplinando, para que entendesse que nenhum homem pode andar por sua própria força e capacidade. A graça é o triunfo de Deus sobre nossas constantes fraquezas, e por ela somos confrontados em nosso orgulho, soberba e autossuficiência. Gostamos de nos sentir fortes, ter controle e não queremos que nada nos aflija. Esquecemos que o autor da nossa salvação foi aperfeiçoado em meio a grande sofrimento.
Hebreus: 2. 10. Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e por meio de quem tudo existe, em trazendo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse pelos sofrimentos o autor da salvação deles.
Por esta infinita graça, Ele dedica-se à sublime tarefa de nos tornar santos e quebrantados, removendo dos nossos corações tudo aquilo que macula seu caráter em nós. Orgulho, soberba e autossuficiência estão enraizados em nós e manifestam-se em nossos comportamentos diários ao passarmos a ideia de que somos alguma coisa, sabemos ou temos mais que os outros.
Render-se à sua disciplina será então a nossa vitória, pois só assim Cristo crescerá em nossos corações e será refletido em nossos atos e palavras. A sua graça é tudo que precisamos. Que o ego seja esmagado e sua maravilhosa graça triunfe sobre nós!
2 Coríntios: 12. 9. E Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade, antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo. 10. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.

Andando De Carro Na Noite De Natal

Desde minha infância cresci com a ideia do sagrado no natal ou de um Natal sagrado. O nascimento de Cristo, a reverência, a reflexão, uma festa que leva as famílias a estarem juntas para confraternizar, perdoar, pedir perdão, enfim, nos conduzia a pensar que tipo pessoas somos, como precisamos abandonar o egoísmo, ser mais humanos, amorosos, ser cristãos. Isso é coisa do passado. Ao sair de carro na noite de Natal vi um quadro triste, deprimente, diabólico! A festa do Natal foi relegada a um feriado vazio destituído de significado, e pior ainda, vulgarizada e desconstruída por uma mídia mãe de uma sociedade egoísta, consumista e farrista que desconhecem valores, conteúdos e significados. Vi famílias às portas aguardando a ceia da meia-noite regada a muita bebida, músicas da pior qualidade e danças que faz corar até mesmo aqueles que não se importam com o Natal. Os jovens estampando em seus semblantes o vazio de suas Almas e em suas mãos as garrafas de bebidas que ilusoriamente confere a esses a condição de “maduros,” “descolados” delineando um futuro ainda mais sombrio para as próximas gerações. O clima? Total destemor, irreverência, sodomia, bebedice…

Esse é o novo Natal com as novas concepções, e com as velhas pessoas cada vez mais insensíveis à realidade, mais alienadas de Deus, mais distantes do significado do nascimento de Jesus. Paulo, o apóstolo, falando de como seria o homem do fim, escreveu:

  1. Sabe, entretanto, disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis.
  2. Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos, arrogantes, presunçosos, blasfemos, desrespeitosos aos pais, ingratos, ímpios,
  3. sem amor, incapazes de perdoar, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem,
  4. traidores, inconsequentes, orgulhosos, mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus,
  5. com aparência de piedade, todavia negando o seu real poder. Afasta-te, portanto, desses também.

(2 Timóteo, 3)KJ

Ele alertou no início que o homem do fim amará a si mesmo. Esse homem é profundamente egoísta, amante de prazeres e sem nenhum valor. Há alguma semelhança com o que temos visto? Não é coincidência, é o que a palavra de Deus disse que aconteceria e podemos testemunhar com nossos olhos.

E o que é mais assustador nesse texto, é o que lemos no Vs 5. “Com aparência de Piedade, mas negando o seu poder”. Embora afundados no pecado do egoísmo, acham -se piedosos, religiosos, Santos. Não têm consciência do seu mal, consideram -se bons, a noção da santidade de Deus, de sua vontade ou mesmo como o agradar sequer é cogitado por esse novo homem, pois o mesmo não deseja buscar a vontade dEle e sim a sua própria vontade.

Voltei para casa triste, pensativo, desanimado. Penso nas possibilidades de um mundo melhor e sei que sem o Cristo do Natal não pode haver um homem melhor, cidade ou país melhor e infelizmente, expulsaram o Jesus do Natal! Então lá, no fundo da minha alma, um texto sussurra:

Aquele que dá testemunho destas palavras afirma: “Com toda a certeza, venho rapidamente!” Amém. Vem, Senhor Jesus! Ap 22:20.