Uma Geração Infantilizada
Esta é uma sociedade que se recusa a crescer. O desejo de Deus é que todos cheguemos à maturidade não somente física, espiritual e emocionalmente. Paulo, o apóstolo, nos fala de um objetivo sublime, o qual é chegarmos à maturidade de Cristo, sermos homens perfeitos, tendo em Cristo o modelo de maturidade plena.
“Até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo.” Ef 4:13
A falta de maturidade leva o homem a não querer assumir responsabilidades, culpar os outros por seus problemas e até o próprio Deus. A promoção da infantilização coletiva produz cada vez mais homens e mulheres mimadas, que ilusoriamente pensam ser este mundo um parque de diversões, girando em torno deles para satisfação dos prazeres mais fúteis e das brincadeiras mais infantis.
Qualquer observador mais atento percebe nos meios de comunicação, principalmente TV e internet, como esses veículos divulgam, promovem e criam programas que não somente mantém essa cultura, como modelam a mente e o comportamento de uma sociedade, que de tão infantilizada não tem mais referências que os desafiem a uma verdadeira maturidade.
A Internet alimenta essas almas infantis fomentando suas mentes vazias com programas e aplicativos feitos para “emburrecer” e ridicularizar os que deles se utilizam. No palco das redes sociais, a desnutrição da maturidade é exposta, quando a vida privada demonstra o clamor por atenção, revelando as carências emocionais mais profundas e as deformações de corações que se recusam cruzar a porta e deixar para trás a encantadora etapa infantojuvenil. Assim, demonizam os mais velhos, ridicularizam valores antigos, não aceitam críticas. Com gestos e poses que consideram “sensuais,” “descolados,” são narcotizados por dezenas de “curtidas” alimentando aquela necessidade tirânica que as crianças têm de ser o centro das atenções. E todos sabem que crianças nunca estão satisfeitas.
Quando olhamos de forma mais ampla para essa sociedade, suas militâncias sociais, desde a luta pela igualdade, que quer dar privilégios especiais a cor da pele ou preferências sexuais. A famigerada identidade de gênero que traz mais confusão mental e desconforto para os que a abraçam, a militância doentia buscando o amparo da lei para impôr sobre a sociedade as práticas mais pessoais e privadas em nome da “tolerância” e do “combate ao preconceito,” percebemos que a situação é grave e delicada. Exigem-se Direitos como crianças mimadas que batem o pé, choram e gritam para que todos olhem para eles e atendam sua infantil carência emocional.
Em tempos não muito distante o jovem aguardava com expectativas o momento de sua passagem para o mundo adulto, que geralmente vinha com a aceitação de compromissos e responsabilidades e, encarava tal momento como normal, uma mudança de ciclo natural e necessária. O escritor e humanista alemão Herman Hesse escreveu:
“Seu futuro não é esse ou aquele, o dinheiro ou o poder, o conhecimento ou o sucesso profissional. Seu futuro, seu caminho difícil e perigoso, é amadurecer.”
Poucos querem esse caminho “difícil” e “perigoso” do amadurecimento. É visível o fato que muitos já não querem nada que os desafiem a pensar, muito menos assumir responsabilidades ou aceitar dificuldades que a realidade tanto nos impõe. Na década de 50 o psiquiatra canadense Eric Berne pela primeira vez falou da síndrome de Peter Pan, aquele personagem que queria ser menino eternamente, pois, achava a vida de adulto muito complicada, e de forma “mágica” ingressa na “terra do nunca,” um reino de fantasias e aventuras infantis, de onde pretendia não mais sair. O personagem retrata muito bem o que está acontecendo com nossa sociedade.
Uma sociedade empenhada em viver na adolescência pouco deixará como herança para as próximas gerações. O que a psicologia cunhou como “adultescência” tornou-se uma triste realidade em nossos dias. Muitos homens e mulheres com idade cronológica de adultos e emocionalmente adolescentes. Falam como adolescentes, vestem-se como os tais, usam o mesmo linguajar e querem até frequentar os mesmos lugares, revelando que algo está profundamente errado. Há uma clara deserção por parte de muitos adultos desse caminho do amadurecimento e de suas respectivas responsabilidades em transmitir às próximas gerações um legado intelectual, psíquico, emocional e afetivo.
O apóstolo Paulo deixa claro que só atingiremos a maturidade se alcançarmos a estatura de Cristo. Ef. 4.13 KJ. Tal caminho requer renúncias, disposição ao sofrimento, paciência com as limitações e fraquezas, humildade para sermos guiados nessa trajetória até chegarmos à estatura de Cristo. Precisamos da ajuda do seu Espírito e também daqueles que já trilham esse caminho há mais tempo. Esses que já trilham o caminho do amadurecimento aprenderam que as vitórias são precedidas por muitas derrotas, e já não sentem vergonha de falar desses fracassos, ao reconhecerem que Deus utilizou os mesmos para torná-los mais quebrantados e humildes. Recusam-se a ver este mundo como um parque de diversões, ao carregarem uma profunda consciência de que estão aqui com uma sublime missão de expressar Cristo nessa terra, trazendo sentido a um mundo tão sem esperança e sem referenciais.
É evidente que essa clara desnutrição da maturidade dentro e fora da igreja já cobra um alto preço para todos nós, revelando uma sociedade cada vez mais pobre e decadente e uma igreja que oferece mais entretenimento do que vida. Com tantos adultos vazios e jovens seduzidos e encantados por futilidades, só nos resta nos humilharmos aos pés do nosso Cristo para que nos socorra e derrame de sua vida abundante sobre todos nós.
Cabe também aos mais experientes olhar para nossas crianças e jovens com o senso de comprometimento e responsabilidade que Cristo demostrou ao parar tudo que fazia para abençoar as criancinhas, nos ensinando, assim, o valor que Ele mesmo dispensava a elas. “Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreenderam. 14. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus. 15. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.” Mt. 19:13-15. Não as impeçamos, não as tratemos com indiferença, nem como se fossem de um grupo à parte. Precisamos parar tudo como Jesus para abençoá-las, dar-lhes atenção, ensinar o caminho do verdadeiro crescimento.
Jesus parou o que estava fazendo para nos mostrar que os mais novos precisam de atenção, dedicação e paciência das pessoas mais maduras e experimentadas para chegarem ao reino dos céus. Não podemos impedi-las como os apóstolos fizeram, demonstrando total falta de discernimento. Se desejamos o caminho da maturidade precisamos aceitar cada fase como necessária, nos expor ao convívio com outros que tanto nos ensinam, aceitar que somos tão diferentes e, no entanto, entender que a ausência do outro nos empobrece, deixa lacunas que nunca serão preenchidas se vivermos egoisticamente.
Para finalizar, há um livro chamado, Valores morais e espirituais da educação, que faz parte dos programas das escolas de Los Angeles, na Califórnia, e destaca algumas características da maturidade emocional. A pessoa emocionalmente madura:
- Aceita ser criticada e aproveita as críticas para se superar.
- Não se entrega à autocompaixão. Começou a acreditar que as leis da compensação funcionam em todas as coisas da vida.
- Nunca espera ser tratado como alguém especial por outras pessoas.
- Enfrenta as emergências com serenidade.
- Não se deixa ferir facilmente em seus sentimentos.
- Aceita a responsabilidade de seus próprios atos sem usar desculpas como escudo.
- Superou a etapa de pretender da vida “ou tudo ou nada” e reconhece que nenhuma situação ou pessoa é totalmente boa ou totalmente má; além do mais, começou a apreciar as vantagens do “ponto de equilíbrio.”
- Não se impacienta com atrasos razoáveis. Aprendeu que não é o árbitro do universo e que frequentemente terá que ajustar sua vontade à conveniência de outras pessoas.
- Sabe perder. Pode tolerar a derrota e a decepção sem queixas nem lamentações.
- Não se preocupa indevidamente com coisas que não pode remediar.
- Alegra-se sinceramente diante do sucesso ou da boa sorte dos outros. Superou os sentimentos de inveja e ciúme.
- Tem a amplitude mental suficiente para escutar e refletir sobre a opinião dos outros.
- Não procura continuamente defeitos em outras pessoas.
- Planeja com antecipação ao invés de confiar na sorte ou na inspiração de última hora.




Essa lista da pessoa emocionalmente madura ta excelente é pra se ler todo dia