Mágoas, Cárcere da Alma

Lucas: 17. 3. Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.
Todos já tivemos que enfrentar mágoas, ressentimentos e ofensas. Pessoas ofendidas produzem muitos frutos ruins como a dor, ira, ciúmes, disputas, amarguras, ódio, inveja etc. Tais sentimentos aprisionam, quebram relacionamentos, ampliam brechas existentes que se transformam em verdadeiros abismos. Em Mt 20:20-25 vemos uma situação de disputas entre os discipulos de Cristo. Era uma guerra por reconhecimento. Queriam que Cristo declarasse quem seria o maior entre eles. Não era somente a necessidade do reconhecimento dos homens mas, do próprio Deus, cada um buscando ter um grau de importância maior diante de Cristo e diante do outro.

Assim surgem e ampliam-se as mágoas entre nós, pelo desejo maligno, aberto ou velado de achar que somos melhores, mais virtuosos e por isso merecedores de destaque diante de Deus e dos homens. O resultado foi uma rachadura em seus relacionamentos. Diz o texto: Indignaram-se contra os dois.vs 24″. Pela reação de indignação dos outros dez discipulos, percebemos que os dois verbalizaram o que sentiam enquanto os outros sentiam mas não diziam. Nada mais danoso aos relacionamentos que nossas necessidades emocionais doentias. Desejo por destaque, reconhecimento, ou por ser amado, estimado etc, leva-nos aos comportamentos mais mesquinhos e até nos portamos como vítimas, mascarando para os outros a pobreza de nossa alma, e as deformações do nosso coração. É bem mais fácil culpar os outros do que assumir nossa imaturidade emocional. Jesus nos diz algo que precisamos refletir:

Mt 7:3-5 (KJ)

3. Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?

4. E como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu?

5. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.

De maneira bem simples, ele nos mostra como maximizamos os erros dos outros e minimizamos os nossos. O erro do outro é sempre “um crime ediondo” enquanto os meus, “um pequeno delito”. Por trás de um coração magoado pode esconder-se muitas deformações que o Senhor deseja curar e libertar. Dificilmente uma pessoa ofendida consegue perceber sua necessidade de transformação. Vê um pequeno cisco no olho do outro mas não percebe uma viga no seu. Quanta insensibilidade!
Problemas mal resolvidos no coração criam muros e bloqueios quase impenetráveis.

Provérbios: 18. 19. O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.

Muitos estão doentes física e emocionalmente, perderam a alegria o brilho, tornaram-se críticos, azedos, isolaram-se, selecionaram amizades, perderam a graça de Deus. Pais afastaram-se de seus filhos, maridos da esposa, irmãos de irmãos e amigos distanciam-se um do outro por causa das mágoas. Esses ressentimentos travam o coração. Mágoas produzem mortes. Alguns não consumaram o homicídio de fato mas, já no seu coração condenou o outro à morte. Riscou de sua vida, tornaram-se completamente indiferente. A história de Abel e Caim nos mostra aonde pode chegar um coração magoado. Ele, ao amargurar-se com Deus e sentindo inveja de seu irmão, levanta-se e tira a vida de Abel. Deus avisa-o com antecedência:

Gn 4:6-7 (Bíblia Viva)

6. O SENHOR perguntou a Caim: “Por que você está furioso e por que o seu rosto mostra ódio?
7. Se você fizer o que é certo, não será aceito? Mas se você agir mal e não obedecer, saiba que o pecado está à sua espera; ele deseja destruí-lo, mas está na sua mão o poder de dominá-lo”

Ira, semblante decaído. As mágoas produzem insensibilidade, dureza e escravidão. A raiva de Caim o deixou insensível para com Deus e para com seu irmão Abel, Gn 4.8-9. esses são frutos de um coração magoado; crítica, desonra, desrespeito e até morte. Na carta aos Efésios Paulo, o apóstolo, nos alerta a ficarmos longe das mágoas:

Ef 4:26-27,31 (KJ)

26. “Estremecei de ira, mas não pequeis”, acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha,

27. e não deis lugar ao Diabo.
31. Toda amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam eliminadas do meio de vós, bem como toda a maldade!

Nesse texto, o apóstolo admite que somos sucetiveis à raiva, ou a ira mas, nos adverte que, ao alimentarmos tais sentimentos estaremos dando lugar ao diabo e pecando contra Deus e contra o nosso irmão. Fica claro também que, guardar a ira é uma opção nossa e não algo inevitável. Ele diz: “acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha” Ef. 4:26. Para o meu próprio bem, não devo alimentar rancor no meu coração.

Em Lc 17:4 Jesus disse que mesmo que o nosso irmão peque contra nós sete vezes no dia devemos perdoá-lo. O perdão é livramento, é libertação. Quem perdoa é livre, goza de uma paz indescritível pois liberta-se dos fantasmas da alma. Aquele Que perdoa não carrega pesos na consciência pois reconhece que Deus o pai, em sua grande misericórdia perdoou todas as nossas dívidas no sacrifício de Cristo na cruz. Somente quem tem plena consciência de suas misérias pessoais não julga tão severamente o outro.

Perdoar não é sofrer de aminésia nem demonstração de fraqueza mas, um ato de grandeza pois, grande não é aquele que paga o mal com o mal. A maior demonstração de poder e força encontramos naquele que, mesmo sendo todo poderoso deixou-se subjugar por criaturas fracas e pecadoras como nós. Não há virtude quando o mais forte subjuga o mais fraco mas, quando o todo poderoso deixa-se humilhar por suas criaturas isso sim é demonstração de poder. Os que se deixam dominar pelo veneno das mágoas e ressentimentos jamais experimentarão a alegria e liberdade dos que perdoaram de coração. Esses sim são livres.
Ao abordar um assunto dessa complexidade é imprescindível reforçar o que Cristo disse para aqueles que não perdoam.

Mateus: 6. 14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; 15. se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
Jesus declara a total impossibilidade de perdão da parte de Deus aos que recusam-se em perdoar seus ofensores, e ainda mais, o texto nos mostra que Deus dará o mesmo tratamento severo aos que não perdoam.
Mateus: 18. 34. E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.

A Síndrome de Ló

Gênesis: 13. 6. Ora, a terra não podia sustentá-los, para eles habitarem juntos; porque os seus bens eram muitos; de modo que não podiam habitar juntos. 7. Pelo que houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do gado de Ló. E nesse tempo os cananeus e os perizeus habitavam na terra. 8. Disse, pois, Abrão a Ló: Ora, não haja contenda entre mim e ti, e entre os meus pastores e os teus pastores, porque somos irmãos. 9. Porventura não está toda a terra diante de ti? Rogo-te que te apartes de mim. Se tu escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, irei eu para a esquerda. 10. Então Ló levantou os olhos, e viu toda a planície do Jordão, que era toda bem regada (antes de haver o Senhor destruído Sodoma e Gomorra), e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, até chegar a Zoar. 11. E Ló escolheu para si toda a planície do Jordão, e partiu para o oriente; assim se apartaram um do outro. 12. Habitou Abrão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície, e foi armando as suas tendas até chegar a Sodoma. 13. Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor.
João disse que o mundo inteiro jaz no maligno. 1Jo 5:19. Tudo neste mundo sofre essa influência desastrosa e perversa do mal, seja na moralidade, educação, economia, família e, mesmo a religião não escapa às consequências funestas que o príncipe das trevas impõe à humanidade. Sendo assim, por mais sincero que o homem seja, sem os princípios de Deus para nortear sua vida, suas escolhas certamente estarão erradas. E como a religião pode estragar nossa percepção acerca daquilo que Deus pensa desse mundo!
Ló foi armando suas tendas até Sodoma. Vs 12,13 onde veio a ser administrador na cidade. Começou habitando nas proximidades e foi cada vez mais inserindo-se naquele contexto, racionalizando a decadência daquela sociedade pervertida, aceitando seus valores, numa demonstração de “não preconceito” como diriam os cristãos modernos de nossos dias. Em Gn 19:1-2 o encontramos à porta da cidade, (se assentavam à porta, administradores ou juízes que ficavam ali para julgar as causas trazidas pelo povo e autoridades). Parece que adquiriu algum prestígio e reconhecimento dentro daquela cidade corrompida. O texto mostra-nos que a escolha de Ló em direção a Sodoma foi uma escolha material, e que, ele parecia conhecer a decadência moral e perversão que dominava aquela cidade. Vs 13. “Ora, os homens de Sodoma eram maus e grandes pecadores contra o Senhor”. Mesmo assim, ele continuou conduzindo sua família para dentro daquele contexto decadente, aproximando-os dos valores morais pervertidos, envolvendo-os cada vez mais nas densas trevas de uma sociedade sem Deus, colocando sua esposa e filhos em convivência direta com pessoas que desdenhavam de Deus e seus valores.
Há muitos maridos e pais que, por estarem distantes de Deus fazem suas escolhas pela perspectiva humana e materialista assim como Ló o fez, e embora repitam dentro de seus lares jargões evangélicos sua esposa e filhos aprendem com eles valores mundanos, não só morais como econômicos, pela forma como conduzem suas vidas. É claro que a postura de um homem dentro do seu lar fala mais que mil palavras ou sermões. Nossas escolhas e decisões influenciam mais os comportamentos da esposa e dos filhos que qualquer padrão que venhamos adotar em nosso lar. Vemos na família de Ló as consequências desastrosas de um homem que tomou decisões que envolviam sua família, visando lucro e conforto em primeiro lugar, esquecendo-se que riquezas e honras vem do Senhor. 1Crônicas: 29. 12. Tanto riquezas como honra vêm de Ti, tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.
Nessa sociedade cada vez mais humanista os cristãos sofrem uma verdadeira crise de identidade e muitos vivem como cidadãos daqui, esquecendo-se que somos peregrinos e forasteiros nessa terra. Flertam com esse sistema cada vez mais materialista, egoísta e sensualizado. E assim como os gregos criaram deuses a sua imagem e semelhança também os cristãos de hoje tentam adequar o Senhor e sua palavra a essa cultura vazia, a uma moralidade complacente, com a tola justificativa de que “Deus quer é a nossa felicidade,” Como se ele não fosse mais santo, zeloso e exigente. 2Co 6:14-18
14. Jamais vos coloqueis em jugo desigual com os descrentes. Pois o que há de comum entre a justiça e a injustiça? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas?
15. Que harmonia entre Cristo e Belial? Que parceria pode se estabelecer entre o crente e o incrédulo?
16. E que acordo pode existir entre o templo de Deus e os ídolos? Porquanto somos santuário do Deus vivo. Como declarou o próprio Senhor: “Habitarei neles e entre eles caminharei; serei o seu Deus, e eles serão meu povo!”
17. Portanto, “saí do meio deles e separai-vos, diz o Senhor, e não toqueis em nada que seja impuro, e Eu vos receberei.
18. Serei para vós Pai e sereis para mim filhos e filhas”, diz o Senhor Todo-Poderoso! (KJ)
Ao analisarmos as escolhas de Abraão e as de ló percebemos que seu senso de valor estava contaminado pois, antes de buscar a vontade de Deus escolheu o ganho material, o lucro, o conforto e de fato ele os alcançou, mas a um custo altíssimo. Ver sua família desintegrada e totalmente indiferente a Deus e sua palavra. Quando a cidade estava para ser destruída seus genros e filhas não acreditaram nele.
Gn 19:14, Parecia não ter credibilidade espiritual diante dos seus. O coração de sua esposa estava naquela cidade pois, ao alhar pra trás e ser convertida numa estátua de sal, Gn 19:17,26 demonstrou o quanto amava a cidade e talvez até considerou severo demais o castigo de Deus sobre aquele povo. Já não abominava mais o que Deus havia condenado à destruição por causa do pecado. Creio que Por esta razão Jesus, ao falar sobre as circunstâncias do fim manda que nos lembremos da mulher de Ló.
Lucas: 17. 32. “Lembrai-vos da mulher de Ló”. De fato, Ló tornou-se um grande exemplo a não ser imitado. Ele alcançou boa posição social mas não influenciou sua família.
Vemos também que, enquanto Abraão intercedia pela cidade que seria destruída Gn 18:23-33, ló preocupava-se com uma boa cidade para morar. Gn 19:18-22. Queria ir para Zoar. Abraão via as pessoas, Ló as possibilidades de uma vida boa. Abraão volta-se para realidades espirituais, Ló, para as materiais. As perspectivas de Ló para a sua familia eram materialistas. Nao o vemos orando, erguendo altares ao Senhor como Abraão, Gn 12:7-8;13:18;22:9, não o vemos intercedendo pelos pecadores. Essa é a síndrome de ló: coração no material, na vida boa e confortável sem se preocupar com os custos de tais escolhas para sua família. Todos nós podemos correr os mesmos riscos!
Enquanto Abraão tornou-se “o pai da fé” e respeitado nas três maiores religiões monoteístas do mundo; judaísmo, cristianismo e islamismo, ló termina sua vida em duplo incesto que resultou no surgimento de dois povos que se tornaram os grandes inimigos de Israel, Moabitas e amonitas, Gn 19:30-38. Povos que não só resistiram a Israel como os levou ao pecado. Jz 10;6. Assim também, grandes ateus e opositores do evangelho vieram de lares cristãos ou tiveram herança judaico-cristã. Podemos citar Karl Marx que disse ter dois objetivos na vida: destronar Deus e destruir o cristianismo. Charles Darwin criador da teoria evolucionista cujo pai era pastor, freud o pai da psicanálise, Raul Seixas, filho de cristãos que fez músicas para protestar contra o cristianismo e foi encontrado morto em seu apartamento vítima de uma pancreatite aguda por causa do alcoolismo e tantos outros que saíram de lares cristãos transformando-se em zombadores e opositores da fé.
É importante tirarmos lições deste triste episódio para as nossas vidas, não nos orgulharmos achando que estamos isentos de tamanha desgraça nos acontecer. Termos humildade para pedir ao Senhor que corrija nossos corações para não sermos enganados pela síndrome de Ló que leva um marido e pai à insensibilidade e consequentemente à desgraça familiar. Como Abraão, que no decorrer de sua história edificou altares ao Senhor por onde passou, assim também, nossa esposa e filhos sintam-se constrangidos por nosso amor, entrega e rendição ao Senhor e à sua palavra mesmo que isto nos leve a um padrão de vida mais simples. Que de fato, nossos olhos vejam o invisível, a cidade que tem fundamentos eternos e só assim, deixaremos uma herança imensurável aos que amamos. Façamos como Abraão, altares de pedras e habitemos em tendas. O altar de pedra fala de algo duradouro. E a moradia em tendas fala de estada temporária. Que Ele nos ajude!

Um Coração Quebrantado

Lc. 7:37-47 Lucas: E eis que uma mulher pecadora que havia na cidade, quando soube que ele estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro com bálsamo; 38. e estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés e ungia-os com o bálsamo. 
Mas, ao ver isso, o fariseu que o convidara falava consigo, dizendo: Se este homem fosse profeta, saberia quem e de que qualidade é essa mulher que o toca, pois é uma pecadora. E respondendo Jesus, disse-lhe: Simão, tenho uma coisa a dizer-te. Respondeu ele: Dize-a, Mestre. Certo credor tinha dois devedores; um lhe devia quinhentos denários, e outro cinquenta. Não tendo eles com que pagar, perdoou a ambos. Qual deles, pois, o amará mais? Respondeu Simão: Suponho que é aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta com suas lágrimas os regou e com seus cabelos os enxugou. Não me deste ósculo; ela, porém, desde que entrei, não tem cessado de beijar-me os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo; mas esta com bálsamo ungiu-me os pés. Por isso te digo: Perdoados lhe são os pecados, que são muitos; porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama. E disse a ela: Perdoados são os teus pecados.” 
     Como é fácil estarmos perto do mestre e não sermos tocados por Ele! Cantarmos cânticos que o exaltam, e mesmo assim não acontecer nenhuma transformação. Falar palavras bonitas e fazer belas orações e ainda assim, termos tão pouco dele em nós mesmos. Como o fariseu do texto citado, podemos ter Jesus em nossos ajuntamentos mas longe dos nossos corações. E como temos ajuntamentos nos dias de hoje!
     Simão não deu a Jesus as honras mínimas que se ofereciam a qualquer convidado. Naquela festa, muitos estavam tentando impressionar Jesus. Foi oferecido ao mestre um pomposo banquete, porém,   para Simão, Jesus era apenas mais um dos convidados, e com certeza, não era o mais ilustre, pois nem o tratamento básico havia recebido. (água para lavar os Pés) vs. 44. Ofereceram a Ele pompa, ostentação e aparências. Gente bem vestida, ricas, e cheias de si mesmas. Não é familiar este ambiente Impregnado de liturgia, com quase nenhum quebrantamento exceto o daquela mulher pecadora? Sorrisos escancarados que nem sempre refletem a alegria de um regenerado, gestos calculados, simétricos, nenhuma expressão do coração, nunhum confronto com o doce e terno Jesus. Como aquela casa asemelha-se a muitos dos nossos encontros!
     Aquela mulher não foi convidada; sabia que não seria bem recebida por gente aparentemente tão “ilustre e santa”.  No entanto, ela não estava preocupada com o requinte do banquete, nem em ser humilhada, ou mesmo ridicularizada como de fato o foi, vs. 39 “Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora”. Ela queria lançar-se aos pés do mestre, suplicar-lhe perdão e demonstrar gratidão. Ao derramar aquele caro perfume  estava humilhando-se, dando tudo, abrindo mão de tudo, impactada por tamanho amor e misericórdia. Sentia-se indigna, mas aceita.
     Ele não a olhava diferente mas, à atraía para fora daquela vida medíocre e cheia de frustrações. Ela sabia que um pecador não tem outra escolha, exceto lançar-se desesperadamente aos pés de quem pode socorrê-lo. Via que aquele nazareno era diferente. Não se impressionava com a aparência, nem com as roupas bonitas.  Olhava no fundo do coração, procurando verdade, sinceridade e quebrantamento. Ele não tem problemas com a dimensão do nosso pecado, mas sim, com o altivo, o soberbo e orgulhoso. Por esta razão se identificava melhor com pecadores quebrantados que com santos orgulhosos.
     O que aquela mulher ofereceu a Cristo foi sua humilhação, seu rogo, sua súplica. Não queria impressionar nem a Jesus, nem a ninguém. Não tinha justiça própria, nem trouxe qualquer justificativa. Queria transformação, nova vida, vida transbordante, a vida que só Ele tem para dar. Assim deve ser o vislumbre do mestre em nossas vidas. Ele não despreza um coração quebrantado, porém o soberbo conhece de longe.
Salmos: 138. 6. Ainda que o Senhor é excelso, contudo atenta para o humilde; mas ao soberbo, conhece-o de longe.
     Um coração quebrantado não quer impressionar o mestre mas encontra-se totalmente fascinado com ele. Nessa condição desaparecem as palavras, verbaliza-se pouco e por isso atrai tanto a sua atenção. Jesus disse à Simão: “entrei na tua casa, não me destes…” Que palavras tremendas de Jesus a um homem! Quantos de nós compreendemos isto? “Entrei na tua casa”.  Que, na sua presença não sejamos Insensíveis, indiferentes, muito menos altivos e orgulhosos, cheios de julgamentos para os outros, e pouco discernimento da nossa própria condição. Sejam nossos encontros impregnados de intimidade com ele, só assim haverá curas, libertações e perdão para nossas vidas.
     Simão convidou Jesus para sua casa, mas não deixou que ele entrasse em seu coração. Não havia Convidado a pecadora, mas ela entrou furtivamente para lançar-se aos pés do mestre. Ele, recebeu Jesus em sua sala mas, aquela mulher, o experimentou no mais profundo do coração. Simão ouviu: “não me destes água para os pés”, “não me destes um beijo”, “não me ungistes a cabeça”. Lc.7:44-46. Fica claro que buscava intimidade, quebrantamento, rendição. Podemos falar sobre ele e não deixar que toque em nós, convida-lo para nossas reuniões mas não abrir nossos corações.
     Aquela mulher ouviu: “os seus muitos pecados estão perdoados”, e com certeza saiu dali totalmente transformada pois, essa é a consequência natural do encontro verdadeiro com a pessoa de Jesus. Só podem experimenta-lo de fato, aqueles que com um coração quebrantado aproximaram-se como os pobres de espírito para provarem da sua infinita graça. Que Ele tenha compaixão de nós!
Lucas: 4. 16. Chegando a Nazaré, onde fora criado; entrou na sinagoga no dia de sábado, segundo o seu costume, e levantou-se para ler. 17. Foi-lhe entregue o livro do profeta Isaías; e abrindo-o, achou o lugar em que estava escrito: 18. O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos, e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, 19. e para proclamar o ano aceitável do Senhor.

 

O Amor do Nosso Pai

Deus é o nosso Pai, que nos amou antes mesmo da cruz. A cruz não levou o pai a nos amar, apenas demonstrou a grandeza do seu amor por nós. Esse amor antecede qualquer coisa e é inexplicável. Paulo diz: “Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós”. Rm. 5:8 “Quando éramos ainda pecadores, Ele morreu por nós”! Ele nos ama não por mérito ou qualquer outra coisa, mas simplesmente por ser o nosso pai. Não precisamos crescer para alcançar seu amor, mas crescer a partir do entendimento e revelação desse amor.
Ao olharmos para a cruz, vemos de forma chocante, o extravasar desse amor. Deus nos reconciliando consigo, imputando ao seu filho justo a nossa culpa. IICoríntios 5:19 “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados.” Em seu grande amor por nós, Ele fez uma injustiça a si mesmo levando sobre si o castigo que nos pertencia. Paulo afirma em 2Co 5:21: “Aquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.” O pai fez de seu filho pecado por nós, para que fôssemos declarados justos perante Ele. A paz que hoje gozamos veio da maior expressão do amor de Deus por nós, por isso Isaías diz que o castigo que nos traz a paz, estava sobre Ele. Is. 53:5. Não há nada que façamos que o leve a nos amar mais do que Ele sempre nos amou. Entretanto, o Apóstolo Paulo diz que o Amor de Cristo nos constrange, e que tal constrangimento deve levar-nos a viver por Ele e para Ele. 2Co 5.14-15 “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”

Quando estávamos perdidos em nossos pecados, Ele veio a esse mundo de trevas, assumiu a forma humana e, por esse tão inexplicável amor, se fez maldição para nos abençoar. Gl. 3. 13. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;” Ao assumir os nossos pecados, Ele se fez amaldiçoado, a ira de Deus contra nós pecadores desabou sobre Ele naquele dia e as trevas cobriram a terra! “Mt. 27. 45. E, desde a hora sexta, houve trevas sobre toda a terra, até a hora nona.” Por nos amar tanto, o Pai abandonou o seu filho justo, virou-lhe as costas, desencadeou contra ele a sua terrível ira e sua total repugnância ao nosso pecado! Isaías diz: 53.5 “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.” “Ferido”, “esmagado”, “abandonado”, “amaldiçoado!”

Que prova maior precisamos do amor do Pai? O conhecimento desse amor paternal deve levar-nos a desistir de fazer qualquer coisa para sermos mais amados por Ele. Isso é algo impossível! João, ao tentar explicar o Amor do Pai, disse que Ele nos amou de “tal maneira.” Jo 3.16. Não encontrou outra palavra que expressasse esse amor. De “tal” maneira! A revelação dessa paternidade deve nos levar ao arrependimento devido à dúvida em relação ao seu amor. Somos amados porque Ele é o nosso Pai. Estamos ligados a Ele pelo mais sublime e eterno laço que é o seu amor paterno. Nada mais pode nos suprir desse amor. Ele existe, é real e milita a nosso favor. O Apóstolo nos garante: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?” Rm. 8:35. A força desse amor paterno garante que nada pode separar-nos dEle, pois aqueles que o experimentam recebem graça para passar por qualquer circunstância, sejam elas físicas ou emocionais. “Tribulação ou angústia, perseguição, fome, nudez, perigo ou espada.” sejam quais forem as situações, é o amor do pai que nos guarda e protege da apostasia e incredulidade. Conhecer a Deus é conhecer a essência do amor, pois a sua palavra nos garante que “Deus é amor,” I Jo 4:8 “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” Logo, é inconcebível dizer que conhecemos a Deus vivendo para nós mesmos.

Os “cristãos modernos” abandonaram a centralidade na pessoa de Cristo, e deixaram-se seduzir por uma pregação que colocou o homem e suas necessidades no centro. Assim, esses em sua grande maioria, deixaram de buscar a glória de Deus e construíram uma religião egoísta, deformada e doente cujo objetivo principal é a felicidade do homem. Quando não entendemos que Deus é amor, o resultado de nossa religiosidade será o egoísmo. Vida voltada para nós mesmos, busca apenas pela realização pessoal, e uma total incapacidade de doação, entrega e sacrifício. Aquele que não ama não conhece a Deus porque Deus é Amor.

Esse amor de Deus por nós é tão sublime e imensurável que Paulo escreve em tom de exultação: “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?” Rm 8:32. O que nos falta ou poderá faltar que Ele não possa suprir em seu grande amor? Por esse amor, temos sido guardados e o Pai promete nos dar em Jesus todas as coisas. Que, pelo Espírito, venhamos entender esse amor paternal com todas as suas implicações, sua grandeza, beleza e perfeição. Bendito seja o nosso amado Pai!

“Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,

Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,

E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.” Ef. 3:17-19

E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele. I João 4:16

Uma Geração Infantilizada

Esta é uma sociedade que se recusa a crescer. O desejo de Deus é que todos cheguemos à maturidade não somente física, espiritual e emocionalmente. Paulo, o apóstolo, nos fala de um objetivo sublime, o qual é chegarmos à maturidade de Cristo, sermos homens perfeitos, tendo em Cristo o modelo de maturidade plena.

Até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da estatura da plenitude de Cristo.” Ef 4:13
A falta de maturidade leva o homem a não querer assumir responsabilidades, culpar os outros por seus problemas e até o próprio Deus. A promoção da infantilização coletiva produz cada vez mais homens e mulheres mimadas, que ilusoriamente pensam ser este mundo um parque de diversões, girando em torno deles para satisfação dos prazeres mais fúteis e das brincadeiras mais infantis.
Qualquer observador mais atento percebe nos meios de comunicação, principalmente TV e internet, como esses veículos divulgam, promovem e criam programas que não somente mantém essa cultura, como modelam a mente e o comportamento de uma sociedade, que de tão infantilizada não tem mais referências que os desafiem a uma verdadeira maturidade.
A Internet alimenta essas almas infantis fomentando suas mentes vazias com programas e aplicativos feitos para “emburrecer” e ridicularizar os que deles se utilizam. No palco das redes sociais, a desnutrição da maturidade é exposta, quando a vida privada demonstra o clamor por atenção, revelando as carências emocionais mais profundas e as deformações de corações que se recusam cruzar a porta e deixar para trás a encantadora etapa infantojuvenil. Assim, demonizam os mais velhos, ridicularizam valores antigos, não aceitam críticas. Com gestos e poses que consideram “sensuais,” “descolados,” são narcotizados por dezenas de “curtidas” alimentando aquela necessidade tirânica que as crianças têm de ser o centro das atenções. E todos sabem que crianças nunca estão satisfeitas.
Quando olhamos de forma mais ampla para essa sociedade, suas militâncias sociais, desde a luta pela igualdade, que quer dar privilégios especiais a cor da pele ou preferências sexuais. A famigerada identidade de gênero que traz mais confusão mental e desconforto para os que a abraçam, a militância doentia buscando o amparo da lei para impôr sobre a sociedade as práticas mais pessoais e privadas em nome da “tolerância” e do “combate ao preconceito,” percebemos que a situação é grave e delicada. Exigem-se Direitos como crianças mimadas que batem o pé, choram e gritam para que todos olhem para eles e atendam sua infantil carência emocional.
Em tempos não muito distante o jovem aguardava com expectativas o momento de sua passagem para o mundo adulto, que geralmente vinha com a aceitação de compromissos e responsabilidades e, encarava tal momento como normal, uma mudança de ciclo natural e necessária. O escritor e humanista alemão Herman Hesse escreveu:
“Seu futuro não é esse ou aquele, o dinheiro ou o poder, o conhecimento ou o sucesso profissional. Seu futuro, seu caminho difícil e perigoso, é amadurecer.”
Poucos querem esse caminho “difícil” e “perigoso” do amadurecimento. É visível o fato que muitos já não querem nada que os desafiem a pensar, muito menos assumir responsabilidades ou aceitar dificuldades que a realidade tanto nos impõe. Na década de 50 o psiquiatra canadense Eric Berne pela primeira vez falou da síndrome de Peter Pan, aquele personagem que queria ser menino eternamente, pois, achava a vida de adulto muito complicada, e de forma “mágica” ingressa na “terra do nunca,” um reino de fantasias e aventuras infantis, de onde pretendia não mais sair. O personagem retrata muito bem o que está acontecendo com nossa sociedade.
Uma sociedade empenhada em viver na adolescência pouco deixará como herança para as próximas gerações. O que a psicologia cunhou como “adultescência” tornou-se uma triste realidade em nossos dias. Muitos homens e mulheres com idade cronológica de adultos e emocionalmente adolescentes. Falam como adolescentes, vestem-se como os tais, usam o mesmo linguajar e querem até frequentar os mesmos lugares, revelando que algo está profundamente errado. Há uma clara deserção por parte de muitos adultos desse caminho do amadurecimento e de suas respectivas responsabilidades em transmitir às próximas gerações um legado intelectual, psíquico, emocional e afetivo.
O apóstolo Paulo deixa claro que só atingiremos a maturidade se alcançarmos a estatura de Cristo. Ef. 4.13 KJ. Tal caminho requer renúncias, disposição ao sofrimento, paciência com as limitações e fraquezas, humildade para sermos guiados nessa trajetória até chegarmos à estatura de Cristo. Precisamos da ajuda do seu Espírito e também daqueles que já trilham esse caminho há mais tempo. Esses que já trilham o caminho do amadurecimento aprenderam que as vitórias são precedidas por muitas derrotas, e já não sentem vergonha de falar desses fracassos, ao reconhecerem que Deus utilizou os mesmos para torná-los mais quebrantados e humildes. Recusam-se a ver este mundo como um parque de diversões, ao carregarem uma profunda consciência de que estão aqui com uma sublime missão de expressar Cristo nessa terra, trazendo sentido a um mundo tão sem esperança e sem referenciais.
É evidente que essa clara desnutrição da maturidade dentro e fora da igreja já cobra um alto preço para todos nós, revelando uma sociedade cada vez mais pobre e decadente e uma igreja que oferece mais entretenimento do que vida. Com tantos adultos vazios e jovens seduzidos e encantados por futilidades, só nos resta nos humilharmos aos pés do nosso Cristo para que nos socorra e derrame de sua vida abundante sobre todos nós.
Cabe também aos mais experientes olhar para nossas crianças e jovens com o senso de comprometimento e responsabilidade que Cristo demostrou ao parar tudo que fazia para abençoar as criancinhas, nos ensinando, assim, o valor que Ele mesmo dispensava a elas. “Então lhe trouxeram algumas crianças para que lhes impusesse as mãos e orasse; mas os discípulos os repreenderam. 14. Jesus, porém, disse: Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, porque de tais é o reino dos céus. 15. E, depois de lhes impor as mãos, partiu dali.” Mt. 19:13-15. Não as impeçamos, não as tratemos com indiferença, nem como se fossem de um grupo à parte. Precisamos parar tudo como Jesus para abençoá-las, dar-lhes atenção, ensinar o caminho do verdadeiro crescimento.
Jesus parou o que estava fazendo para nos mostrar que os mais novos precisam de atenção, dedicação e paciência das pessoas mais maduras e experimentadas para chegarem ao reino dos céus. Não podemos impedi-las como os apóstolos fizeram, demonstrando total falta de discernimento. Se desejamos o caminho da maturidade precisamos aceitar cada fase como necessária, nos expor ao convívio com outros que tanto nos ensinam, aceitar que somos tão diferentes e, no entanto, entender que a ausência do outro nos empobrece, deixa lacunas que nunca serão preenchidas se vivermos egoisticamente.
Para finalizar, há um livro chamado, Valores morais e espirituais da educação, que faz parte dos programas das escolas de Los Angeles, na Califórnia, e destaca algumas características da maturidade emocional. A pessoa emocionalmente madura:
  • Aceita ser criticada e aproveita as críticas para se superar.
  • Não se entrega à autocompaixão. Começou a acreditar que as leis da compensação funcionam em todas as coisas da vida.
  • Nunca espera ser tratado como alguém especial por outras pessoas.
  • Enfrenta as emergências com serenidade.
  • Não se deixa ferir facilmente em seus sentimentos.
  • Aceita a responsabilidade de seus próprios atos sem usar desculpas como escudo.
  • Superou a etapa de pretender da vida “ou tudo ou nada” e reconhece que nenhuma situação ou pessoa é totalmente boa ou totalmente má; além do mais, começou a apreciar as vantagens do “ponto de equilíbrio.”
  • Não se impacienta com atrasos razoáveis. Aprendeu que não é o árbitro do universo e que frequentemente terá que ajustar sua vontade à conveniência de outras pessoas.
  • Sabe perder. Pode tolerar a derrota e a decepção sem queixas nem lamentações.
  • Não se preocupa indevidamente com coisas que não pode remediar.
  • Alegra-se sinceramente diante do sucesso ou da boa sorte dos outros. Superou os sentimentos de inveja e ciúme.
  • Tem a amplitude mental suficiente para escutar e refletir sobre a opinião dos outros.
  • Não procura continuamente defeitos em outras pessoas.
  • Planeja com antecipação ao invés de confiar na sorte ou na inspiração de última hora.

Amar Sem Preço

A linha entre o amor e a indiferença parece ser muito tênue, quase imperceptível, pois às vezes, tratamos com desprezo aquele a quem dizemos amar. Não é difícil o amor transformar-se em desprezo, a satisfação em insatisfação e a alegria em tristeza. É claro que o amor manifesta-se de várias maneiras, porém o amor que mais conhecemos é aquele que alimenta e supre os desejos e necessidades de sermos amados e saciados em nossos anseios. Não é o amor doação, altruísta que mais conhecemos, mas o amor que aprendeu a receber sempre, e só consegue corresponder quando é correspondido.
Este tipo de amor não suporta crises nem decepções, exige fidelidade total e não aceita facilmente os erros do outro. É o “amor” que se alimenta da exploração do outro e por isso é tão frágil como uma taça de cristal, que ao mais leve impacto despedaça-se em centenas de cacos. O amor que mais conhecemos nunca encontra a verdadeira paz e satisfação porque ele necessita sempre receber para poder dar de volta, e nem sempre é correspondido à altura de suas expectativas em relação ao outro. Na verdade, o amor do outro nunca é suficiente, está sempre lhe devendo, não importa quanto seja feito ou quanto o outro seja limitado.
Este tipo de amor jamais aprendeu a lidar com o sofrimento, por entender que o outro deve sempre lhe promover bem-estar com os mais belos gestos e demonstrações de sacrifício em prol de sua felicidade. Se o outro erra com ele, logo transforma-se em desprezo e frustração, desmorona-se fácil como um lindo castelo de areia atingido pelas ondas.
Este amor não se aprofunda nos gestos de perdoar, tolerar, exercer misericórdia ou ter empatia. Tudo depende única e exclusivamente do fato de ser correspondido, caso contrário, nunca se dobrará. Na verdade, estamos falando do amor ou do egoísmo disfarçado de amor? Parece-me que aprendemos a nutrir nosso ego às custas do outro. Amar sem preço algum é o que mais gostamos. Nenhum sofrimento, nenhuma frustração, nenhum deslize é permitido aos que só conhecem este amor. E ele está sempre pronto a ser amado.
Ser paciente com as debilidades do outro, benigno para promover saúde ao relacionamento, não ser orgulhoso, mas ter coragem de buscar a paz, não buscar os interesses próprios, mas o bem-estar do outro e não guardar rancor é certamente condicionado ao tanto de reciprocidade que o mesmo recebe. Enfrentar crises, conviver com as imperfeições do outro sem querer modificá-lo, encarar o fato de que o outro jamais terá a perfeição que ele tanto exige e mesmo assim amá-lo, torna-se um exercício quase impossível para os praticantes deste “amor”.
Nossa sociedade transformou o amor numa mera Química, esvaziou seu verdadeiro conteúdo, relegando-o a um objeto de consumo ou mesmo confundindo-o com o prazer carnal momentâneo. Encontramos na palavra de Deus a maior expressão do amor. Em João 3.16, Lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu…”Deus amou tanto que deu”. Deus é amor! Estende a sua misericórdia a maus e bons, a justos e injustos e, embora deteste a injustiça, essa é a sua essência, amar.Jesus disse:
Mateus: 5. 43. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. 44. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; 45. para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.”
Essa expressão de amor vai além do amor que busca recompensa ou satisfação pessoal, está diametralmente oposta ao amor que conhecemos e praticamos, o jeito de amar de Deus, o qual Ele deseja que aprendamos.
1Coríntios: 13. 4. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, 5. não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6. não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; 7. tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Amar sem preço algum é uma ilusão dos que não entenderam o que ele é. Amar é dar, sacrificar, perdoar. É conviver apesar das diferenças sem querer modificar. Amar é suportar, andar mais uma milha, ser bondoso. Amar é ver mais que defeitos, ver que o outro tem virtudes que me faltam e me completam e que talvez algumas coisas no outro nunca mudarão, mesmo assim, é o preço que teremos que pagar para sermos como o nosso Deus é.

Tristeza e Consolação

2Coríntios: 2. 7. De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja devorado por excessiva tristeza

Qualquer pessoa pode ser tomada por grande tristeza. As causas podem ser as mais diversas, desde pecados, desilusões, sensação de incapacidade, frustrações, etc. O fato é que este sentimento acompanha o homem desde os primórdios. Quando lemos os salmos, percebemos como grandes homens de Deus descreveram quadros de profunda tristeza e confusão mental. Paulo, o apóstolo, orienta a igreja de Corinto a receber e consolar um irmão que pecou para que o mesmo não seja “devorado por excessiva tristeza”. Há uma clara preocupação do apóstolo com a saúde emocional do arrependido. Aqui podemos observar que:
  • A tristeza mesmo que seja por um pecado pode ser profunda.
  • Ela pode torna-se realidade na vida de qualquer pessoa, mesmo de bons cristãos.
  • A tristeza profunda consome a pessoa.
  • Ela deve ser resistida e diminuída pelo consolo necessário e demonstração de amor da igreja.

Ao analisarmos a palavra de Deus vemos claramente como a Bíblia humaniza as pessoas. Diferente da religião, ela mostra o homem vivendo seus conflitos, sofrendo derrotas, às vezes esmagado pela dor, frustrações e decepções. Esta palavra é tão clara que não esconde as mazelas, fraquezas e até mesmo dúvidas de grandes homens de Deus. Asafe disse que Deus era bom, mas não para ele. Sl 73.1 chega a dizer que foi inútil manter-se puro vs 13.
Elias, após grande demonstração do poder de Deus diante dos profetas de Baal, deprime-se pelas ameaças de Jezabel, que nem parecia o mesmo homem ousado, intrépido e confiante do capítulo anterior, então assenta-se e pede a morte para si. 1Re 19.4.
Davi disse estar gasto e esmagado, desassossegado. Sl 38.8; no Sl 69.7 ele disse que a confusão lhe cobria o rosto. Até mesmo o nosso Cristo disse estar sentindo-se profundamente triste diante da iminência da traição e sofrimento que lhe atingiria. Mc 14.33-34. Na verdade, a Bíblia não fala de “super-cristãos”, mas, de homens tementes a Deus que, ao caminharem com Ele, descobrem que esse Deus, está mais interessado em sua transformação que em seu sucesso ou vitórias pessoais, embora em sua bondade os abençoe ricamente.
O fato é que, a tristeza quando profunda consome a pessoa drenando todas as forças e energia, muitas vezes levando a questionamentos sobre a bondade e soberania de Deus, desenvolvendo crises de incredulidade, às vezes desânimo consigo mesmo não acreditando que possa alcançar o padrão elevado que supostamente identifica em outros, potencializando ainda mais a tristeza, levando muitos a sucumbirem na fé. Nesse profundo processo de confusão mental há um exagerado senso de abandono, “estou só”, “ninguém se importa”, “Deus não me responde,” etc. Esse é um estado de espírito deprimente que deixa muitos filhos de Deus questionando o porquê de tais sentimentos, e às vezes sem uma resposta aparente. Outros isolam-se socialmente, afastando-se daqueles que poderiam ajudar, não usufruindo do poder restaurador que há no corpo de Cristo. A palavra do Senhor nos garante que o caminho de Deus é perfeito, Sl 18.30. É justamente nesse caminho que somos provados para por Ele sermos aprovados. É em meio às dificuldades que o nosso Deus arranca sentimentos e comportamentos medíocres que nos prejudicam e também àqueles que estão perto de nós. Devemos encarar a realidade de que, enquanto estivermos aqui, estamos sujeitos às fraquezas e limitações naturais que afetam todos os homens, e a tristeza é uma das mais devastadoras. Paulo, o apóstolo, disse que ela “devora”, “consome” Seja por pecados, problemas familiares ou com terceiros, crises existenciais, sempre chega numa hora inoportuna, abatendo o coração e nos colocando em abismos que achamos não poder sair. Asafe, no salmo 73, diz:

21. Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja,
22. agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.
O salmista fala de um aterrorizante conflito com Deus. Ele questionava sua soberania e bondade, justiça e fidelidade, buscava respostas para perguntas difíceis que o coração insiste em obter, mesmo sabendo que pode não haver uma resposta satisfatória. Até que, num momento, ele tem uma leitura de si mesmo;
“agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.” vs 21
A tristeza tem muitas fontes, algumas legítimas, outras ilusórias, e outras que nascem do engano de corações que desejam manipular Deus para obter o máximo de felicidade aqui e agora. Talvez por isso alguns se sintam tão magoados com Ele, embora não expressem isso abertamente. Seja como for, é preciso conhecê-lo e confiar nEle, pois é fiel. Só assim a irracionalidade desaparece para dar lugar ao amor e à paz, e assim experimentar a sua amizade mais que seus benefícios. Então, o salmista continua:
23. Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs.
Agora tudo ficou claro! “Estou sempre contigo”! Tu és amigo de todas as horas, tua presença é minha maior necessidade. E continua;
25. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti.
A grande descoberta é a presença dEle e sua amizade. “Nos céus, tu és minha herança e na terra o meu maior desejo e anseio!” Já não importa tanto as coisas exteriores, se boas ou ruins, agradáveis ou não, tais coisas já não trazem mais alegrias. O Senhor ocupou todos os espaços.
26. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre.
Seja o corpo que envelhece contra nossa vontade, a doença que chega sorrateira, ou a dor persistente a castigar-nos. Até mesmo o coração a desfalecer, nos jogando na mais profunda crise e agonia quase insuportável, agora, para o salmista, o Senhor é a fortaleza do coração dele e a herança, a recompensa para sempre. Tudo o mais perdeu o significado.
28. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos. (Salmos, 73)
“Estar perto de Deus. Fiz do soberano Senhor o meu refúgio.”
A quem fizemos o nosso refúgio? Em quem confiamos e em quem nos escondemos na hora da profunda tristeza e angústia inesperada? Não podemos prever quando vai chegar o dia mau sobre nós, e dificilmente poderemos impedir completamente, mas há sempre uma saída para aqueles que fizeram do Senhor o seu refúgio e esperança. Um consolo que vem diretamente dEle e da sua igreja, por meio de irmãos amados e compreensivos usados por Deus para segurar as nossas mãos quando nos faltarem as forças.

O Mistério da Cruz

Gálatas: 6. 14. Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.

A cruz é um grande mistério de Deus. É o instrumento de minha morte e o caminho de minha vida. Nela sou mortificado, Esmagado todos os dias e o dia todo. Não há como fugir. De certa forma, ela me atrai e fascina, me assusta e me desespera. Só na morte da cruz acho o caminho para a vida, e o caminho para a verdadeira paz.

Meu ego reluta, minha carne exaspera-se, meu coração geme de expectativas pela transformação.

Oh! Instrumento de minha morte, por que tanto me atrai?

Que fascínio pode haver em pregos grotescos e em madeiro mal aparelhado, cortante e desconfortável?

Oh! Rude cruz!

Levaste meu mestre ao horto do desespero, à angústia inexprimível do Getsêmani.

Não poupaste o Autor da Vida, Porque pouparias a mim?

Em sangue transformastes o seu suor e aprofundaste a sua dor, e por causa do meu pecado, nela abristes os braços em agonia ao mais vil dos pecadores.

Nas lascas mal acabadas, nas quinas, no rude madeiro, o sangue escorre abundantemente para aniquilação do natural, para fazer sucumbir o velho homem deformado e mal, e num verdadeiro milagre brotar a vida da morte.

Desce da cruz! É a proposta que a todo o momento nos assedia e assola. “Se és filho de Deus, desce da Cruz!” MT 27.40. Para que morte tão vil e humilhante se podes viver a vida abundante aqui e agora? Oh! Doce Jesus, esmagado foste e moído ao extremo para que em mim surgisse a tua vida. Por teu amor e graça, não permitas que eu me afaste da tua cruz! Amém.

Súplica

No momento, prefiro a tristeza da minha alma que a empolgação do meu coração.
Quero a dor da lapidação na fornalha, mais que a emoção que me faz vibrar, mas não me transforma. Lapida-me no silêncio e na privacidade; leva-me à serenidade da tua presença; tira de mim a miopia, a cegueira; A incapacidade de se deixar tocar por minha alma ter se embevecido com a glória da tua presença, e eu ter apreciado mais a experiência do momento que a tua pessoa.
Tenho visto muitos e muitos momentos do derramar do teu Espírito, e muitos homens, chorarem e se emocionarem. Quero ver também a transformação, a metamorfose, de um homem, mesmo cristão, em um homem espiritual; de um cristão comum, em um homem verdadeiramente piedoso.
Quero, sim, a confrontação deste momento. Que eu não esqueça de minhas mazelas, pelo menos neste ínfimo instante.
Quero um espírito angustiado por ti, até que me torne parecido contigo.
Não quero a superficialidade sutil que empolga a alma, quero ser transformado.
Quero amadurecer, crescer, aprender para ser útil ao teu reino.
Quero muito mais, quero amar-te e desejar-te acima de qualquer coisa.
Estar em ti escondido, e por ti conhecido, Amém!

Façamos Três Cabanas!

Mateus: 17. 3. E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. 4. Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, farei aqui três cabanas, uma para ti, outra para Moisés, e outra para Elias. 5. Estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu; e dela saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi.

Façamos três cabanas! Como o homem natural tem dificuldade de vislumbrar a glória de Deus.

Num momento tão ímpar, tão cheio de significado, esse homem só consegue pensar com sua mente humana não regenerada. Moisés, Elias e Cristo juntos num quadro revelador daquilo que Deus sempre sonhou: convergir em Cristo todas as coisas.
“Isto é, de fazer convergir em Cristo tudo quanto existe, todos os elementos que estão no céu como os que estão na terra, na dispensação da plenitude dos tempos,” Ef 1:10. Ao olharmos a igreja hoje, vemos como esse engano persiste entre nós. A ingenuidade de que podemos completar o divino com o humano. E assim a igreja está cheia de ideias que nasceram na mente do homem e não no coração de Deus. Construir três cabanas foi a ideia bem-intencionada de Pedro, tentando conferir credibilidade à velha religião. Então, ouve-se um brado dos céus: “este é o meu filho amado; a Ele ouvi”. Não mais a Moisés, nem a Elias, não mais a lei, nem os profetas, mas ao meu filho! Quão difícil é ao homem, mesmo regenerado, compreender isso. Estamos sempre inventando, acrescentando ou subtraindo da igreja de Deus. Personalizamos o culto, as pessoas e o próprio Cristo. A igreja transformou-se num trampolim para o ego humano, uma plataforma de perpetuação da nossa própria imagem e semelhança, onde em nome de Cristo impomos nossos gostos, vontades e preferências. A voz do pai continua a ressoar. “A Ele, o meu filho, ouçam!” Esta é a única forma de escaparmos do enfado da religião. Destronando o homem com suas ideias e centralizando Jesus. Entendendo que nessa nova dispensação, Deus não nos deu um conjunto de regras para ser seguido, mas nos uniu a uma pessoa que nos dá vida. João deixa claro esse contraste:
João: 1. 16. Pois todos nós recebemos da sua plenitude, e graça sobre graça. 17. Porque a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
A vida, a graça, a verdade, estão agora dentro de nós na pessoa de Jesus! Não mais um código de regras e preceitos, mas uma pessoa, Jesus, vivendo sua vida em nós! Aleluia! A lei e os profetas nos revelaram a santidade e a vontade de Deus, mas em Jesus, recebemos da sua plenitude e graça sobre graça. Agora não somos nós que vivemos, mas Cristo vive em nós, vida pela fé na plenitude dEle.
Pedro não havia terminado de falar e foi interrompido bruscamente por uma voz do céu, vs 5, a voz do Pai que dizia basta! Essa dispensação já passou! Eis o meu filho, a Ele ouvi! Não há mais lugar para nossas cabanas, o Pai vive em nós na pessoa de seu filho amado. Aleluia!
Hebreus: 1. 1. Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, 2. nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo; 3. sendo ele o resplendor da sua glória e a expressa imagem do seu Ser, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo ele mesmo feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade nas alturas.