Eu Nunca Faria Isso!

Colossenses 3:13 Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.

Eu nunca faria isso! Foi o que pensei vendo o comportamento de alguns irmãos.

Quantos de nós já nos surpreendemos cometendo erros e pecados que, em algum momento, criticamos na vida de nossos irmãos? Quantas vezes nos excedemos na correção? Já me peguei nesse caminho, sendo duro e impaciente com aqueles que pecaram ou não conseguiram atingir determinado padrão. Seja em sua vida pessoal ou na vida familiar, como pai, marido, esposa ou, em seus deveres cristãos. Eu não faria isso, ou, eu não agiria assim, pensei cheio de arrogância e nenhuma compaixão, ao surpreender esses irmãos em erros e pecados. 

Não consegui expressar o coração do meu mestre, Jesus, e logo descobri que o grande problema de Deus não são aqueles que pecam, e sim, os que se acham justos aos seus próprios olhos, e foi assim que me comportei em alguns momentos. Lembrei da parábola do fariseu e do publicano. “Jesus também contou esta parábola para alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros,” Lc 18:9. 

  • Confiavam em si mesmos.
  • Se consideravam justos.
  • E desprezavam os outros.

Os que assim se comportam olham os outros de cima para baixo, como se fossem superiores, confundindo arrogância com espiritualidade.

E assim como o peixe já não percebe a água que o envolve, da mesma maneira, o arrogante não percebe mais o estado em que se encontra. Considera que seu julgamento é o melhor, sua forma de ver é a mais correta e suas avaliações são a expressão do pensamento divino, e agem convencidos disso.

Diante do exposto, não posso deixar de reconhecer que, em alguns momentos, machuquei irmãos com palavras, olhares ou julgamentos precipitados, que feriram mais que ajudaram.

Claro que, à medida que fui amadurecendo, percebi que a vida não é assim, o preto no branco, e que muitos estão se esforçando para chegar ao fim de sua jornada. Alguns tropeçam e parecem que não conseguirão, outros andam mais lentamente, mas estão tentando agradar ao mestre. Uns erraram tão gravemente que pareciam que jamais se levantariam, mas o Senhor os socorreu. Alguns, que eu tinha certeza de que não continuariam, estão aí perseverantes, mais fortes e mais firmes que nunca, por receberem uma segunda chance, uma terceira e tantas quantas foram necessárias até que se firmaram.

Isso nos traz de volta à afirmação inicial; eu nunca faria isso! Será? Se pararmos para analisar o tamanho da paciência de Deus demonstrada em todos esses anos, seríamos um pouco mais misericordiosos e bondosos com os nossos irmãos, sabendo que nós mesmos estamos rodeados de fraquezas. No livro de Eclesiastes, lemos: Não há nenhum justo sobre a terra que faça o bem e que não peque. Ecl 7:20. Não há diferença significativa entre nós e o nosso irmão no que tange a escolhas, decisões ou comportamentos. Embora algumas vezes fizemos escolhas mais sábias, o que nos preservou de alguns fracassos, porém, não há ninguém sobre a terra que não peque, e talvez, o pecado mais intolerável seja a arrogância de achar-se melhor. Paulo traz uma solene advertência àqueles que são rápidos para julgar e condenar. “Por isso, você é indesculpável quando julga os outros, não importando quem você é. Pois, naquilo que julga o outro, você está condenando a si mesmo, porque pratica as mesmas coisas que condena.” Rm 2:1(NAA).

Segundo Paulo, o homem indesculpável é aquele que tem grande capacidade de crítica, mas nenhuma autocrítica, e essa afirmação do apóstolo, coloca a todos nós no olho do furacão. Não importa quem eu seja ou como vivo, não tenho o direito de me achar melhor que ninguém, e esse sentimento é mais sutil do que podemos imaginar.

Ao chegarmos até aqui, é importante afirmar que, misericórdia e amor não é complacência nem conivência com comportamentos pecaminosos, pois a disciplina é um gesto de amor e quem ama corrige. Todavia, devemos agir com os que fracassaram como gostaríamos que agissem conosco quando errarmos. Jesus disse: “Sejam misericordiosos, como também é misericordioso o Pai de vocês.” Lc 6:36 (NAA). 

O homem é arrogante por natureza, e a menos que ele entenda o Cristo que se esvaziou, deixando a sua divindade para se misturar a nós, ele sempre será mais severo com os erros dos outros e complacente com os seus. Cabe a nós, à medida que somos iluminados pela palavra de Deus, reconhecer e corrigir os excessos cometidos contra nossos irmãos ou familiares. Não é vergonha fazermos o caminho de volta e pedir perdão, admitindo que passamos do ponto devido ao nosso orgulho. Partindo dessa compreensão, jamais falaremos com arrogância: “eu nunca faria isso!”. Deixo alguns conselhos baseado em algumas experiências pessoais e que me fizeram muito bem.

1. Se você foi convencido que precisa pedir perdão a algum irmão por ter se excedido, faça-o.

2. Se com a sua família, esposa e filhos você pesou a mão demais, e os feriu com palavras e comportamentos, seja humilde e admita. Seja específico, evite conversas superficiais e genéricas. Diga: errei quando falei assim, ou quando me comportei daquela maneira. 

3. Se com os seus pastores e líderes você teve posturas rebeldes ou desrespeitosas, renove essa relação através do pedido de perdão sincero de alguém que foi convencido pelo Espírito Santo de Deus.

Sei que o bálsamo do amor de Cristo inundará a sua vida.

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, porque sou manso e humilde de coração; e vocês acharão descanso para a sua alma.” Mt 11:29

Há um passo da queda

1 Coríntios 6:12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas. 

Os filhos de Deus devem ser vigilantes e maduros o suficiente para saberem lidar com os perigos que surgem no dia a dia. Nenhuma queda ou fracasso na vida espiritual começa por termos planejado pecar, mas pela falta de vigilância. Quando baixamos a guarda ou nos achamos fortes o bastante, é aí que começa o processo da queda. 

São conversas despretensiosas que se transformam em maledicência e destrói relacionamentos. Um bate-papo com pessoas erradas, despertando paixões e destruindo a fé por não ouvir a voz do Espírito no coração. Outros desenvolvem relacionamentos virtuais que levarão ao pecado e ao enfraquecimento a ponto de não conseguirem mais sair do buraco em que entraram. No livro de provérbios lemos: 

“Os néscios são mortos por seu desvio, e aos loucos a sua impressão de bem-estar os leva à perdição.” PV 1:32 

O néscio é alguém desprovido de entendimento, um estúpido que não ouve os conselhos e nem obedece à palavra de Deus. Esses perecerão por seu desvio da verdade. O outro grupo, considerados loucos, por serem orgulhosos e cheios de si. O escritor diz que a sua impressão de bem-estar os leva à perdição. Andam tão cegos que não percebem que estão sendo arrastados para uma armadilha fatal, enganados pela sensação de bem-estar, achando que estão no controle da situação, porém se encontram num caminho de morte. Todas as coisas são lícitas, mas nem todas nos convém. Muitos que deixaram de ouvir o alerta do apóstolo abriram portas em seus corações difíceis de fechar e só conseguirão sair se buscarem ajuda com humildade e dependência da igreja do Senhor. Não vão conseguir sair sozinhos. Às vezes, são em coisas lícitas que muitos encontram sua queda. Por acharem que não havia nada de mais no que estavam fazendo, ignoram a orientação da palavra, não aceitam os conselhos dos irmãos quando são chamados à atenção e se afastam da igreja para não serem confrontados. O resultado é a queda e o acúmulo de muitas dores. Que o Senhor nos guarde de sermos obstinados em nossos próprios caminhos. 

Não Seja Um Desperdiçador.

Lucas 15:13 — Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada. (NAA)

O dicionário da língua portuguesa define a palavra, pródigo, como um adjetivo  e significa, gastador, esbanjador ou um desperdiçador. Podemos dizer que é aquela pessoa sem limites, cujos critérios repousam apenas nos prazeres momentâneos, se importando apenas com o aqui e agora. Para os que vivem sob essa mentalidade, o dinheiro ou as pessoas que o rodeiam são apenas meios para que eles vivam a vida do seu jeito, sem sacrifícios pessoais ou renúncias, sem respeito ou consideração por aqueles que os cercam e os amam, apenas preocupados com a satisfação momentânea. Essa mentalidade norteia as escolhas de muitos.

Quando lemos a parábola do filho pródigo, não estamos diante de alguém que desperdiçou apenas dinheiro, mas a sua própria vida em prazeres, curtindo o momento e esquecendo-se dos valores que realmente importam. Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, Mt 22:36-39. São escolhas centradas no ego e não na vontade de Deus.

Já nos perguntamos quais as motivações das escolhas que fazemos em nosso dia a dia? Pelo que nos entregamos ou como gastamos o nosso tempo? Escolhas são decisões tomadas no nosso fórum mais íntimo, onde ninguém conhece as razões e motivações que nos levaram a elas, apenas nós mesmos e o Senhor. Isso quando conseguimos identificar as razões de determinadas escolhas, por haver algumas que fizemos e depois ficamos nos perguntando: “como fui fazer isso? Ou, por que fiz aquilo?”. 

O salmista Davi, talvez pensando em seus próprios erros, disse: “Quem sou eu para discernir os pecados que se escondem em meu interior? Por favor, Senhor, perdoe os meus pecados ocultos!” Sl 19:12 (bíblia viva).

O texto do filho pródigo nos mostra um pai amoroso, mas, ao mesmo tempo, podemos identificar no mesmo, aqueles que cultivam um estilo de vida de prazer e diversão, negligenciando o relacionamento com Deus e com sua igreja. Um pródigo, em essência, é um gastador. No caso da parábola, aquele filho não somente gastou o dinheiro, mas também o seu tempo e parte de sua vida na ilusão do prazer e satisfação pessoal. O texto nos diz: — “Passados não muitos dias, o filho mais moço, ajuntando tudo o que era seu, partiu para uma terra distante e lá desperdiçou todos os seus bens, vivendo de forma desenfreada.” Lc 15:13. 

O fato é, que, muitos são pródigos em seu estilo de vida, desperdiçando um tempo precioso com coisas que nada acrescentam e, depois, sentem-se culpados pela falta de disciplina, principalmente aquelas que concernem ao reino de Deus. Não acham tempo para meditar na palavra, para a oração e nem para servir aos irmãos. Estão tão ocupados consigo, com seus planos e estilo de vida que não percebem que essa mentalidade é uma verdadeira armadilha, que cobrará um alto preço no final. 

Esses, estão sempre cansados e indispostos para o reino de Deus, e sentem uma enorme necessidade de descanso e diversão. Amar, servir e pregar se tornou, para alguns, tarefas enfadonhas e cansativas e já não sentem mais a gravidade da perda do senso de utilidade. Jesus disse: “Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, eu os escolhi e vos designei para que vão e deem fruto, e o fruto de vocês permaneça, a fim de que tudo o que pedirem ao Pai em meu nome, ele lhes conceda.” Jo 15:16. Fomos escolhidos para dar frutos duradouros e permanentes, e, entendendo isso, não perderemos o nosso senso de utilidade enquanto estivermos aqui.

Homens e mulheres regenerados pelo Espírito Santo sentem-se renovados e animados quando servem, pregam e compartilham Cristo aos outros, e, ao mesmo tempo, ficam frustrados quando se percebem vivendo apenas em torno de um projeto pessoal.

O filho pródigo simboliza aqueles que fazem da satisfação pessoal e momentânea o seu modo de viver, e devemos nos perguntar, o quanto dessa mentalidade permeia o nosso coração. Alguns questionamentos para nossa reflexão.

  1. A minha paixão inicial se esfriou? Aquela alegria de estar junto dos irmãos, compartilhando sobre Cristo, desapareceu?
  2. Perdi o meu amor e zelo pela palavra e já não me animo mais em estar a sós com Deus em meu devocional diário?
  3. Quando estou nas reuniões, não tenho o que compartilhar, pois sinto-me vazio das riquezas de Cristo?
  4. Tenho gastado mais tempo com assuntos como diversão, política e curiosidades e já não leio um bom livro ou cultivo amizades que edificam na igreja?

Se as respostas a essas perguntas são positivas, precisamos dar alguns passos práticos na direção da verdadeira mudança. 

  • Primeiro, é preciso uma postura de arrependimento desse estilo de vida. Afinal, escolhemos nosso próprio caminho e não a vontade de Deus.
  • Segundo, buscar ajuda de irmãos mais maduros, que vivem de forma mais consistente. Esses, terão sensibilidade para nos ajudar.
  • Terceiro, é preciso mudar o círculo de relacionamentos. Irmãos que consideramos mais radicais são os que nos desafiam a andar mais perto de Deus. Fuja daqueles que não crescem, que não se envolvem e só gostam dos momentos de descontração. 
  • E, em quarto e último lugar, não se afaste da vida da igreja, não importa o quão desanimado esteja. Deus usará o seu corpo, a igreja, para restaurar e fortalecer a sua fé. Você não sabe quem Deus irá usar para lhe ajudar, então se envolva com o corpo de Cristo.

Finalizo, lembrando que, como o pai do pródigo o aguardava, arrependido, assim o Senhor aguarda que voltemos ao primeiro amor e à simplicidade de uma vida cheia de fervor e paixão pelos assuntos do seu reino. Vamos voltar à segurança e ao aconchego da casa do pai.

Faze-nos voltar, SENHOR Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.” Sl 80:19

Lembra da sua Vocação

João 15:16 Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

Quando não temos um motivo claro pelo qual viver, a vida perde o sentido e torna-se enfadonha. As pessoas mais entediadas são aquelas que vivem em torno de si mesmas, não se doando por nada nem ninguém, buscando apenas a realização pessoal. A idolatria da felicidade é um verdadeiro engano, vendida nos meios de comunicação como algo que resolverá todos os problemas que nos afligem. 

Então, a ênfase recai sobre a ideia de que, conquistas e realizações nos tornarão mais felizes. Adquira o carro, a casa, faça viagens, curta bastante e conquiste um amor. Tudo isso é mostrado nos meios de comunicação atrelados à ideia de vida plena e realizada, o que para muitos se transforma numa verdadeira armadilha.

Não à toa, talvez essa seja uma das gerações mais vazias e cheias de problemas emocionais, como a depressão e o desânimo, devido ao estilo de vida egoísta que está sendo cultivado. 

O problema surge quando as coisas lícitas se tornam um fim em si mesmo e o reino de Deus e a nossa vocação ficam num plano secundário.

O chamado de Jesus aos seus discípulos não deixava dúvidas do que ele esperava daqueles homens: “Mateus 4:19. E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.”  E no evangelho de João, Jesus orando ao pai, disse: João 17:18 Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo. Fica claro que nos foi dada a missão de pregar o evangelho de Cristo aos que ainda não o ouviram e que, esse deve ser o nosso propósito de viver.

A verdade é que, quanto mais nos envolvemos com aqueles que estão  perdidos longe de Cristo, mais encontramos sentido para viver. A vida de amor e serviço traz uma plenitude de alegria, ao vermos que, por causa do evangelho, estamos fazendo a diferença na vida de outros, mostrando-lhes o caminho da salvação. 

Mateus, em seu evangelho nos mostra que Jesus, ao ver as multidões como ovelhas desgarradas sem pastor, enchia-se de compaixão. “Mateus 9:36 Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. “Ao se aproximar dos necessitados e perdidos, seu coração foi tomado de compaixão. O fato é que, quanto mais nos doarmos pelos necessitados e aflitos, mais o nosso amor e misericórdia aumentarão, assim como aconteceu com Jesus. Dificilmente iremos supervalorizar nossas dores, ao nos depararmos com pessoas que estão sofrendo mais que nós. E foi isso que Jesus sentiu. Mais amor e compaixão pelos sofredores e perdidos.

O profeta Isaías fala da missão salvadora de Cristo, setecentos anos antes do seu nascimento, dizendo:

Isaías 61:1-3. O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram, e a pôr sobre os que em Sião estão de luto, uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.

Nada supera a abrangência da salvação conquistada por Cristo para alcançar os perdidos e necessitados, e ele nos confiou a pregação dessa salvação, por meio de sua obra redentora. Jamais devemos perder nosso senso de utilidade na igreja e nem nesse mundo. Devemos ser fontes de edificação uns para os outros e, ao mesmo tempo, pregadores do reino de Deus para um mundo perdido. 

Ele nos escolheu para darmos frutos e muitos estão em torno de suas próprias vidas, negligenciando a sua missão e vocação. Pedro diz que nós somos raça eleita, sacerdócio real, nação Santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, com um único objetivo. Proclamar as virtudes de Cristo para este mundo perdido. 1Pe 2:9.

Escrevendo para a igreja de Éfeso, Jesus repreende aqueles irmãos por terem abandonado o primeiro amor. Apocalipse 2:2-5. E quantos de nós estamos na mesma condição daquela igreja? Precisando de renovo no amor e serviço ao Senhor, para agradá-lo e cumprir nossa vocação. 

Chegando ao fim dessa meditação, a missão individual que foi dada a cada de nós em pregar o Evangelho, é um chamado que traz consigo uma alegria renovadora e um propósito eterno. Quando nos entregamos ao serviço de proclamar a mensagem redentora de Cristo, encontramos uma plenitude de alegria que transcende as circunstâncias que nos afligem e nos identifica com o coração amoroso de Jesus.

Ao obedecermos à sua ordem na pregação do Evangelho, experimentamos a alegria de participar do seu plano redentor para transformação das vidas. Cada palavra compartilhada, cada vida tocada pelo poder do Evangelho, traz consigo uma alegria profunda e duradoura que só pode ser encontrada em Cristo.

Tendo esse entendimento acerca da nossa missão, falemos como o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 9:16, “Ai de mim se não pregar o Evangelho”, reconhecendo que a nossa maior responsabilidade e privilégio como seguidores de Cristo é proclamar a mensagem da salvação a todos os que estão perdidos e necessitados. Que possamos abraçar nossa vocação com alegria, sabendo que é através dela que encontramos o verdadeiro significado e propósito para nossas vidas.

Ex-escravos

“e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça.” Rm 6:18

Até no coração dos que andam com Deus há uma constante guerra com suas fraquezas. A palavra do Senhor nos diz que o coração do homem é enganoso e perverso, Jr 17:9. Os homens e mulheres mais espirituais travam lutas com seus desejos carnais e com os sentimentos mais estranhos à natureza divina, levando-os a fracassar em alguns momentos. Ao olharmos para homens como Abraão, Salomão, Davi, e até os apóstolos, vemos que todos cometeram erros, alguns bem graves em sua caminhada. Pecados e comportamentos que, quando lemos, ficamos constrangidos. Mesmo recebendo um novo coração, todos nós já fomos surpreendidos com desejos carnais, explosões de ira ou de vingança, até mesmo de inveja e cobiça que surgem em situações inesperadas, em meio às circunstâncias em que vivemos. Coisas que nos envergonhamos de revelar. Todos que experimentaram o novo nascimento e buscam viver em comunhão com Deus, não estão livres dessas inclinações. É preciso entender que a obra da salvação não estará completa até recebermos um corpo glorificado.

Fomos salvos da condenação do pecado. Rm 8:1. Libertos da escravidão do pecado, Rm 6:6, e um dia seremos livres da sua habitação, quando receberemos um novo corpo. Na primeira carta a igreja de corinto, o apóstolo nos diz: “Pois assim também é a ressurreição dos mortos. Semeia-se o corpo na corrupção, ressuscita na incorrupção. Semeia-se em desonra, ressuscita em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscita em poder.” 1Co 15:42-43. Esse evento ainda encontra-se no futuro, quando estaremos livres da habitação do pecado. Por esse motivo, Jesus e os apóstolos insistiram tanto na busca pela santificação. “Hebreus 12:14 Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,”

“1 Pedro 1:15 Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;”

“João 17:17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.”

Embora nascidos de novo, devemos entender a fraqueza da nossa carne para vencermos as inclinações pecaminosas do nosso coração. O apóstolo Paulo traz um alerta de como devemos nos comportar em relação a essas inclinações pecaminosas. “Falo como homem, por causa da fraqueza da vossa carne. Assim como oferecestes os vossos membros para a escravidão da impureza e da maldade para a maldade, assim oferecei, agora, os vossos membros para servirem à justiça para a santificação.” Rm 6:19.

Antes da experiência do novo nascimento, éramos escravos do pecado e dominados em nossa vontade. Não conseguíamos dizer não aos seus apelos em nosso interior. Ele mandava e nós obedecíamos. Agora, o apóstolo nos mostra que, após a libertação da escravidão do pecado, não preciso mais ceder aos seus apelos. Devo oferecer os meus membros e os meus sentidos a Deus, assim como os ofereci ao pecado. Estou livre para buscar uma vida de santidade vivendo aqui nessa terra. “Romanos 6:22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação e, por fim, a vida eterna;”

Vejam a alegria do apóstolo falando dessa nossa nova condição.

“Agora, porém, libertados do pecado”

“Transformados em servos de Deus”

“Tendes o vosso fruto para a santificação.”

Não há nada de abstrato ou de subjetivo na fala do apóstolo. Fomos libertos do poder do pecado que nos dominava. Fomos transformados em servos de Deus. Não mais escravos dos desejos carnais, das inclinações corrompidas da velha natureza e podemos produzir frutos de uma vida santa que glorifica ao nosso Deus. Observem que o apóstolo não está dizendo que tais desejos e vontades desapareceram, e sim que não somos mais escravos deles. Não precisamos mais ceder aos seus apelos, fomos libertos para vivermos em novidade de vida, a vida de Deus operando em nós pelo poder do seu Santo Espírito.

“Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;” Rm 6:11-12

Quatro Conselhos

2Coríntios 13:11 Sem mais, irmãos, despeço-me de vocês! Procurem aperfeiçoar-se, exortem-se mutuamente, tenham um só pensamento, vivam em paz. E o Deus de amor e paz estará com vocês.(NVI).

O apóstolo Paulo, no final de sua segunda carta para a igreja de Corinto, dá àqueles irmãos alguns conselhos visando ajudá-los a manterem-se firmes, experimentando a plenitude do amor e da paz de Cristo, visto que aquela igreja vinha sofrendo muitos ataques internos e externos, afetando gravemente a vida daqueles irmãos. São quatro conselhos que servem para a igreja em todas as épocas, pois os problemas são os mesmos, mudando apenas os personagens.

1. Procurem aperfeiçoar-se. A palavra grega para aperfeiçoar-se é, “Katartizo”, que traz vários significados, dentre eles vemos: “emendar (o que estava quebrado ou rachado), reparar.” Por várias razões, nos perdemos pelo caminho e algumas coisas se quebram dentro de nós, necessitando de reparo ou conserto para retomarmos as práticas das primeiras obras. Em alguns casos, há necessidade de arrependimento sincero diante do Senhor, reconhecendo que fizemos escolhas erradas, perdendo assim a simplicidade do início da caminhada. Coisas simples como o devocional com a palavra, a oração fervorosa e confiante diante dele. A alegria de estar com a igreja e gozar da comunhão dos irmãos, edificando e sendo edificados. Pequenas práticas que nos sustentaram no início da caminhada. Seja o desânimo ou a frustração, sejam decepções com irmãos, ou pecados cometidos, estas coisas quebram algo em nós que precisa de reparo ou conserto para ser restaurado e é isso que o apóstolo está aconselhado. Busquem aperfeiçoar-se!

2. Exortem-se mutuamente. (Encorajar ou incentivar) A igreja deve ser um ambiente de participação de todos. Cada filho de Deus deve compreender sua importância no corpo de Cristo. O apóstolo Paulo ressalta essa responsabilidade mútua. “A fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros.” 1Co 12:25. Observem a ênfase: “todos os membros”, “tenham igual cuidado uns pelos outros“. É responsabilidade de cada membro animar, exortar e cooperar com a saúde dos outros membros. Por esse motivo, abençoe, compartilhe, edifique e participe da edificação do corpo.

3. Tenham um só pensamento. O isolamento leva às divisões e às discórdias e é daí que nascem fofocas, críticas e a quebra da unidade. Devemos rejeitar o espírito crítico e divisivo, ainda que tenhamos pontos discordantes. A tônica que marcou a pregação de Jesus e dos apóstolos foi o ensino sobre a unidade. Tão caro é esse aspecto da igreja para o Senhor, que foi um dos temas que mais ocupou a mente de Cristo em sua oração sacerdotal. Jo 17. Devemos nos esforçar na busca e manutenção da unidade do corpo de Cristo. Tenham um só pensamento!

4. Vivam em paz. Todos devem buscar viver em harmonia, perdoando, suportando e sondando o coração para que satanás não encontre espaço, criando um ambiente de desconfiança e animosidade. O profeta Jeremias afirma que o coração não somente é enganoso, mas também perverso. Jr 17:9. Quando achamos estar certos, podemos estar enganados. Viver em paz passa pelo exercício do perdão constante, paciência e disposição para recomeçar sempre, sabendo que a condição para sermos perdoados e aceitos é perdoar àqueles que nos ofenderam. “Se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” Mt 6:15. Quem não perdoa, sequer pode orar o “pai nosso”. Que o amor de Cristo produza paz entre nós.

Ele termina o versículo afirmando que, se atentarmos para esses conselhos, o Deus de amor e de paz será conosco. Aleluias!

Meditar

Josué 1:8 Não cesses de falar deste Livro da Lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido.

É natural, atualmente, quando falamos em meditação, imaginarmos alguém em profundo silêncio tentando focar num tema, ou mesmo esvaziando a mente para alcançar uma elevação espiritual, buscando o aperfeiçoamento pessoal.

O termo hebraico para meditar é “hagah” e tem um sentido diferente do que geralmente compreendemos atualmente. O significado de meditar no hebraico é murmurar em voz baixa, repetindo até que aquelas palavras fossem compreendidas com profundidade. Josué deveria repetir as palavras do Senhor dia e noite. Murmurar em voz baixa para si e para os seus até que a mesma se aprofunde em seu coração, de maneira que, em momento algum, se esquecesse dos seus mandamentos. 

Quanto mais ele repetisse esses mandamentos, mais estaria impregnado da boa e agradável vontade do Senhor. Essa meditação deve ser dia e noite, ou seja, intensa e constante. O resultado da meditação diária, traria benção e condução sobre a sua vida. O Senhor garante que o caminho de Josué seria próspero e bem-sucedido. Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração, Mt 12:34. Se ele estiver cheio das palavras do nosso Deus, nossas conversas serão sobre as coisas eternas. 

No salmo 1 lemos: “Antes, o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” Sl 1:2. Uma meditação constante. E qual o resultado da meditação diária na palavra do Senhor? Uma vida frutífera e de constante crescimento. “Ele é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha; e tudo quanto ele faz será bem-sucedido.” Sl 1:3.

A meditação revela o nosso amor por sua palavra. “Quanto amo a tua lei! É a minha meditação, todo o dia!” Sl 119:97. Os filhos de Deus amam a sua palavra e a tratam com respeito e reverência, pois nela encontram consolo e direção. “Para os teus mandamentos, que amo, levantarei as mãos e meditarei nos teus decretos.” Sl 119:48. O amor pela palavra deve nos levar à meditação diária e diligente. Até mesmo no meio da angústia e perseguição, o filho de Deus encontra na meditação na palavra de Deus, consolo, direção e equilíbrio. “Envergonhados sejam os soberbos por me haverem oprimido injustamente; eu, porém, meditarei nos teus preceitos.” Sl 119:78.

A palavra do Senhor é lâmpada para o caminho, quando há escuridão, Sl 119:105.

Ela restaura a Alma abatida, Sl 19:7. 

Dá sabedoria, Sl 19:7.

Alegra o coração, Sl 19:8

Guarda-nos de pecar, Sl 119:11.

Nos consola, Sl 119:50

Ela nos corrige, Sl 19:11.

Nos fortalece quando estamos tristes, Sl 119:28.

A meditação na palavra, ordena famílias, restaura relacionamentos entre irmãos, renova casamentos destruídos, filhos e pais feridos são alcançados. Ela afeta positivamente todas as relações humanas. Basta nos submetermos à sua autoridade.

O apóstolo Paulo, na carta para os Colossenses, desafia aqueles irmãos a deixarem a palavra do Senhor habitar ricamente neles, só assim eles se instruiriam e se admoestariam mutuamente. Cl 3:16. Quanto mais meditarmos em sua palavra, mais do conhecimento de Cristo e de sua vontade será derramado sobre a igreja. Uma igreja de homens e mulheres que amam a palavra de Deus será forte, próspera e bem-sucedida naquilo que faz. 

Que a meditação na palavra do Senhor seja uma prática constante em nossas vidas, repetindo diuturnamente os seus mandamentos ao nosso coração e uns aos outros. Aleluias!

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração.” Cl 3:16

Uma Oração Respondida

2Coríntios 12:9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Quantas vezes pedimos ao Senhor forças diante de nossas evidentes fraquezas e provações e mesmo assim elas persistem? Quantas vezes nos desanimamos por achar que não atingimos o nível de experiência e maturidade que outros irmãos parecem ter alcançado? Então nos abatemos e, como Pedro, após ter negado ao mestre, voltamos para nossas vidas, decepcionados por termos falhado. O apóstolo encontrava-se em guerra, achando que o que mais precisava era de uma forte sensação de capacidade e controle emocional. Nada de se sentir fraco e abatido diante das lutas e adversidades da vida! Afinal, ele era o “apóstolo Paulo!”. A resposta do Senhor foi surpreendente. “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza!”

A pedagogia divina não segue a lógica humana. Ele faz do deserto sua melhor sala de aula e das aflições e sofrimentos diversos, meios para forjar o melhor em nós, Dt 8:2-3. Como disse o apóstolo Pedro: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.” 1Pe 1:7 se o ouro perecível é provado no fogo, muito mais a nossa fé, para que, no final, o nosso Deus seja glorificado em nossas vidas. 

Em muitas circunstâncias, nossas motivações são egoístas e Deus sabe disso. Temos uma forte inclinação à vanglória e ao orgulho, e por essa razão ele não nos livra do desconforto e de nos sentirmos fracos diante das perseguições, injúrias, necessidades e angústias diversas, pois é justamente nessas circunstâncias que experimentamos o seu poder, nos aperfeiçoando.

Quando olho para minha jornada pessoal, lembro das situações dolorosas que vivi e que por muitas vezes murmurei, sem perceber que o pai estava moldando meu caráter para que me tornasse útil em sua casa. Na época eu não enxergava, hoje, porém, agradeço ao Senhor pelas dores que ele me permitiu passar, pois pude experimentar um pouco mais de amadurecimento, me tornando assim, mais paciente e amável com os que sofrem com suas angústias e fraquezas. 

O salmista reconhece que as aflições foram proveitosas para ele. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” Sl 119:71. Algumas vezes as aflições são provações para nos fortalecer e, em outras, uma disciplina do senhor para nos corrigir e arrancar de nós a rebeldia. Por não enxergarmos todo o quadro dos processos de Deus em nossas vidas, somos levados a tirar conclusões precipitadas, e na maioria das vezes, em desgosto contra Deus, ainda que de forma velada. No livro de Eclesiastes, lemos: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém, não nos deixa compreender completamente o que ele faz.” (Ec 3:11NTLH). Mesmo que não faça sentido os acontecimentos presentes que cada um esteja enfrentando, ele faz tudo perfeito, e com certeza, visando o nosso bem.

O apóstolo recebeu a resposta do Senhor à sua súplica e ficou satisfeito. A graça de Cristo é melhor que a capacidade humana, pois se sua graça estiver operando em nós, estaremos sendo aperfeiçoados e seu poder se manifestará através de nossas vidas para glória dele. Isso deve nos trazer bem-estar. E você? Está satisfeito com a resposta do Senhor às suas angústias?

Boas Obras

Tito 3:8 Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que crêem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos homens.(NVI).

Servir é amor em ação, e esse foi o grande exemplo que Cristo nos deu, ao afirmar que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida, Mc 10:45. Pedro, em seu discurso na casa de Cornélio, não podia negar o que presenciou ao andar com Jesus, testemunhando aos que ali estavam reunidos que Cristo andou por toda parte fazendo o bem e curando os oprimidos pelo diabo, At 10:38. 

Tão forte foi o impacto da vida de Cristo sobre eles, que no versículo seguinte ele afirma: “Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém, onde o mataram, suspendendo-o num madeiro, At 10:39.” Eles testemunharam o amor de Cristo em ação, vendo todo o bem que ele praticou. O apóstolo João insiste dizendo que não devemos amar só de palavras, mas de fato e de verdade, 1Jo 3:18. Num mundo sob o domínio romano onde os leprosos eram amaldiçoados, crianças com deficiências eram descartadas, onde não havia hospitais, creches ou abrigos. As mulheres eram marginalizadas e tratadas como seres inferiores e a escravidão solapava a dignidade humana. Nesse contexto, os cristãos, movidos pelo exemplo de seu mestre, remodelaram as estruturas sociais pela prática do serviço amoroso e doação de vida, fazendo o bem. Deus ungiu a Jesus de Nazaré e ele andou por toda parte fazendo o bem, e fez o mesmo com a sua igreja para sermos pequenos Cristos nesse mundo. A pergunta que devemos nos fazer é: há sentido dizer que somos cristãos e vivermos para nós mesmos? Não servir, não se doar, não cooperar financeiramente ou mesmo preocupar-se com irmãos necessitados ou com um mundo perdido que precisa ver a essência de Cristo através do serviço e doação, assim como fez o nosso mestre? Essas são perguntas pertinentes.

Os apóstolos traziam no conteúdo de sua pregação uma preocupação com a prática das boas obras como algo inerente ao cristianismo, enfatizando que aquele que foi salvo pela graça de Cristo, não consegue pensar apenas em si, e essa é a ênfase de Paulo a Tito. “…para que os que creem em Deus se empenhem na prática de boas obras,.. Ti 3:8.” No mesmo capítulo, no versículo 14, ele reforça a importância dos cristãos não se esquecerem da prática das boas obras, enfatizando que os que se omitem dessa responsabilidade tornam-se infrutíferos. “Agora, quanto aos nossos, que aprendam também a distinguir-se nas boas obras a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos.” Ti 3:14.

Podemos resumir que, se sou salvo, sou caridoso e benevolente como foi o meu Cristo, que viveu para servir e dar a sua vida. Mais uma vez, quero enfatizar que, se o nosso cristianismo não se traduz em doação e serviço aos outros, então há algo muito errado em nossa compreensão do mesmo. Há necessitados e necessidades sempre bem próximas a nós, nos dando a oportunidade de vivermos como Jesus viveu. Mediante uma vida de serviço e boas obras, tornamos Cristo cada vez mais conhecido a todos que se encontram ao nosso redor. Que esse seja o nosso modo de viver. Quero finalizar deixando algumas perguntas para nossa reflexão:

1. Você contribui regularmente para o avanço do reino de Deus?

2. Sua vida e família estão a serviço do reino de Deus?

3. A igreja pode contar com você para socorro dos necessitados, ou todo o seu esforço visa apenas melhorar a sua própria vida?

1 Pedro 2:12 mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.

Zelosos

Tito 2:14b… e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras.

Nada pode influenciar mais a sociedade em que vivemos, que homens e mulheres zelosos pelo reino de Deus. Na era da tecnologia e do conhecimento, o zelo de um simples cristão confronta a todos que o rodeiam e influencia mais que os meios massivos de comunicação. Lembremos que Jesus acendeu a chama que varreu o mundo, no coração de doze homens simples e sem expressão, esses homens, porém, mudaram o mundo por seu zelo.

Cristãos Zelosos são imparáveis, pois vivem por uma causa. Eles são sal num mundo apodrecido e luz em meio às trevas, Mt 5:13-16. O apóstolo Paulo, em seu zelo, e sob a iminência de prisão e morte, disse: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus. At 20:24.” Notamos em suas palavras o sentimento de um coração zeloso, desprendido e focado em agradar a Deus.

Esses cristãos amam a vergonha da cruz e desprezam os aplausos humanos, vivendo para abençoar e não em busca de bençãos, pois a redenção mudou o foco de suas vidas. Eles não conseguem mais viver para si, mas para agradar ao seu mestre, 2Co 5:15. Impactam mais esse mundo que mil pregadores, e afetam o tecido da sociedade mais que as redes sociais com suas seduções. Onde um cristão zeloso estiver, o evangelho estará sendo pregado com ou sem palavras, mediante vidas santas e rendidas ao senhorio de Cristo, às vezes confrontando e em outras, encantando a todos que cruzam o seu caminho.

Eles não se deixam influenciar pelos modismos da igreja moderna, mas pela paixão e ardor que há em seus corações, pois receberam uma vocação. Não se preocupam com visibilidade e sim em saber se suas vidas glorificam ao mestre. Quando, atualmente, muitos cristãos estão seduzidos pelo desejo de serem notados, os cristãos zelosos desconfiam dos desejos de seus corações. São homens e mulheres fáceis de criticar, mas difíceis de imitar. Destemidos, ousados e apaixonados pela causa de Cristo. 

Quase sempre se acham fracos, inadequados e incapazes, e por esse motivo o Espírito derrama sobre eles o seu poder. 1Co 1:26-29. Os cristãos zelosos estão por toda parte, vivendo de forma simples e apaixonada o evangelho de Cristo, mantendo a chama do primeiro amor viva em seus corações. Amando, servindo e sacrificando-se para que, de alguma forma, Cristo seja conhecido por meio de suas vidas. Aleluias! Bendito seja o nosso Deus que ocultou essas coisas aos sábios e entendidos e as revelou aos seus pequeninos. E você? Ainda mantém o zelo e a chama do primeiro amor?

Mateus 11:25 Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. 26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.