Ai dos que se exaltam!

Mateus 23:11, Mas o maior dentre vós será vosso servo. 12 Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.
Jesus disse que do coração procedem os maus pensamentos, Mt 15:19. Há Algo no coração do homem que o convence de um valor exagerado e um conceito de si mesmo que o ilude, levando-o a achar-se mais virtuoso que seus irmãos, seja por talentos naturais, conhecimento adquirido ou virtudes espirituais, induzindo-o a considerar-se superior, desprezando assim o seu semelhante. Essa atitude do coração humano, revela aquele sentimento que foi inoculado lá no Éden por Satanás em nossos primeiros pais – orgulho, soberba, altivez e competição desleal.
Quando ouvimos ou lemos sobre Exaltar-se, considerar-se superior, talvez pensemos que isso está longe de nós, que não corremos esse risco, até que, o Espírito Santo nos faz ver como avaliamos o serviço do outro, ou como criticamos, velada ou abertamente, a forma que o nosso irmão age, ou, como, no fundo, estamos convencidos de que poderíamos fazer melhor, ensinar melhor, conduzir melhor e, talvez, até sejamos mais capazes de fato, o que nos coloca numa relação perigosa com o sentimento do orgulho. Lemos em provérbios:

“O valor da prata e do ouro pode ser testado pelo fogo; o valor de um homem é demonstrado pela espécie de elogios que ele recebe. PV 27:21”(bíblia viva)

O fogo prova o valor da prata e do ouro; os elogios, o coração do homem. Elogios são reconhecimentos sinceros ou lisonjeiros feitos por aqueles que nos cercam. A intenção de quem elogia pouco importa e sim, a atitude de quem o recebe. O homem é provado pelos louvores que recebe e, é aqui, onde se revela a maturidade e a verdadeira espiritualidade desse homem. Ou seja, quanto mais maduro ou espiritual, menos confiará em si mesmo ou achar-se-á alguma coisa. Ao contrário, ao receber as honras e elogios dos que o cercam, terá plena consciência de que nada tem de si mesmo, que é um mero cooperador. Pode haver muitos serviços sendo feitos na igreja que não passarão na avaliação do Senhor, não resistirão a prova do fogo no tribunal dos galardões de Cristo naquele dia. (1Co 3:12-15). Enquanto alguns estão fascinados com a obra que realizam, Deus, o Senhor da obra, avalia as motivações e intenções dos corações dos que servem no seu reino. Um coração com sentimentos errados pode causar muitos estragos no reino de Deus.
Geralmente, os cismas, divisões e facções tem sua fonte no coração de homens e mulheres que estão fazendo algum serviço na casa de Deus. Seduzidos por Satanás, veem no sucesso do seu serviço o aval para acharem-se especiais, mais iluminados, tornando-se críticos, passando assim a desprezar os que não realizam o mesmo tipo de trabalho. O Senhor nos alerta em sua palavra:

Provérbios, 11:2 Em vindo a arrogância, chega logo também a desonra, mas com os humildes está a sabedoria.

Arrogância e desonra andam de mãos dadas, pois, é próprio do arrogante desprezar, descredibilizar para poder se destacar, falando bem de si mesmo e não reconhecendo o serviço do outro. Os que estão envenenados por esse espírito jamais entenderão que, na obra de Deus, não pode haver protagonismo humano, pois é Cristo quem realiza todas as coisas.
Nem sempre o sucesso no serviço cristão reflete a aprovação de Deus. Saul, permaneceu reinando sobre Israel até o dia de sua morte, mesmo sendo rejeitado por Deus. Suas necessidades de reconhecimento o conduziram a um caminho de autodestruição. Isso nos leva a entender que, nem sempre um homem de coração errado na obra de Deus é deposto imediatamente da posição que ocupa. Nada é mais eficiente para provar o coração do homem que dar-lhe poder e autoridade sobre outros! E, Deus que detém todo poder, concede a muitos a sua autoridade para provar os corações.
Aqueles que se deixam seduzir por esse espírito altivo jamais compreenderam que a verdadeira paz e descanso está em tomar o jugo de Jesus e aprender que, na sua mansidão e humildade de coração, encontramos a verdadeira paz. Mt 11:29-30.
Não há dúvidas que a primeira vítima do faccioso será sua própria família, implodida pelo espírito crítico e envenenada pela ilusão da superioridade espiritual. E então, os que derem ouvidos ao canto da sereia dos facciosos serão arrastados para o abismo do juízo divino como aconteceu com Datã, Coré e Abirão. Êx 16:31-33. Em mais de trinta anos servindo ao Senhor, jamais vi homens com esse espírito terminarem bem. Lamentavelmente, tais homens não sucumbem sozinhos, pois o orgulhoso e faccioso é eficiente em contaminar corações desavisados ou amargurados, causando prejuízos ao reino de Deus e destruindo muitas vidas.
O fim dos que se exaltam e se têm em alta conta será a humilhação e vergonha, pois o arrogante está em linha de colisão com Deus e não entende que, para ser grande no reino de Deus, deve aprender a ser servo de todos e, para ser o primeiro, deve aprender a buscar o último lugar. Se o crescimento do meu irmão não me alegra, mas me incomoda, algo precisa ser corrigido dentro de mim. Guardemos o nosso coração de todo sentimento que não se alinha com o sentimento de Cristo Jesus. Fl 2:5-8.

Mateus, 23

  1. Porém, o maior dentre vós seja vosso servo.

A Cruz

1 Coríntos 1:18 Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.
A cruz é o melhor lugar. Por mais estranha que pareça essa afirmação, é nela que o filho de Deus encontra descanso, pois no reino de Deus, a vida abundante só é possível, se houver a experiência da morte. Morte do eu, do ego. Assim disse Jesus, que, se o grão de trigo caindo na terra não morrer, ficará sozinho, porém a morte, é o caminho para dar frutos. Jo 12:24. Jesus, ao falar de sua própria morte, revela-nos um princípio divino para nossa frutificação e crescimento. Muitas, das guerras pessoais que nos afligem e tantas outras que intensificam conflitos entre nós, revelam nosso pouco entendimento da obra da cruz.
A luta por defender-nos, estar certos e prevalecer e a enorme sensibilidade que demonstramos ao sermos feridos ou injustiçados, as reações nada cristãs que temos quando nos achamos desprezados, revelam o quanto não entendemos a vergonha da cruz ou, não a desejamos em nossa vida. A cruz é sumária, não dialoga com a natureza humana, não contemporiza, vem com uma solução radical para as doenças que deformam o nosso caráter. Será que como cristão aceito o caminho da cruz em minha vida? Pedro, em um de seus discursos aos judeus em Jerusalém, disse: “matastes o autor da vida” At 3:15. Mas, como pode o autor da vida ser morto sem que ele mesmo decida sujeitar-se a essa morte? A contradição dessa afirmação, revela-nos a grandeza desse Deus. Ele, sendo o autor da vida, sujeitou-se livremente, espontaneamente, aceitando a vergonha que havia na morte da cruz. Sendo perfeito, sem nunca cometer pecado, humilhou-se e deixou-se esmagar, perdendo toda a dignidade e respeito, deixando-se tratar como o pior de todos os homens. O escritor de hebreus diz que ele, suportou a cruz e desprezou a vergonha Hb 12:2, e eu? Quem sou, diante da singularidade de um Deus que, voluntariamente, deixa-se desprezar por suas criaturas, não estabelecendo nenhum limite à sua humilhação? Fl 2:5-8 O mesmo Jesus que, ao entrar no Getsêmani estava angustiado, e sangue jorrou de sua face, mas, ao sair de lá, estava cheio de paz, pois a cruz era a vontade do pai para ele.
Sinto-me, então, tentado a chamar o instrumento de minha morte de bendito e, de repente, ela parece-me muito atraente. A cruz é uma porta aberta para a paz? Parece-me que sim, pois a cruz oferece ao homem o que ele precisa, a morte. C.S. Lewis, em seu livro, “cristianismo puro e simples” diz que, sempre nos chateamos quando o outro tem atitudes orgulhosas por que o orgulho do outro concorre com o meu orgulho e, parece-me que ele estava certo. O orgulho leva-nos às justificativas, defesas e explicações. Devido ao orgulho, nossos argumentos são fortes, deixando-nos cegos para a pobreza de nossa alma e as consequências devastadoras que ele produz. Vidas são destruídas, relacionamentos quebrados, igrejas devastadas por causa de homens que querem um cristianismo sem cruz. Proclamamos as atitudes incríveis de Jesus, mas não aceitamos nenhuma injustiça, escárnio ou desprezo. É possível ser um cristão sem a operação da cruz em nossas vidas? Parece-me, muito mais fácil afirmar-se um cristão, que viver a altura daquilo que jesus viveu. Ou ele vive a vida dele em mim, ou tudo não passará de mera religiosidade.
Quando leio a afirmação de Pedro, “o qual não cometeu pecado e nem na sua boca se achou engano” 1Pe 2:22, fascino-me com sua santidade e obediência ao pai, porém, ao ler o vs. 23, vejo que o preço da santidade e da obediência de Cristo foi a auto-humilhação, a aceitação da injustiça, dos escárnios e injúrias dos homens.

O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente

Quem de fato é o mais forte? Aquele que, sendo poderoso, humilha-se, ou aquele que revida e paga na mesma moeda, e exige seus direitos mesmo não merecendo nada?
Deus fez-se poderoso, humilhando-se. Mostrou sua grandeza deixando de fazer justiça e cometendo uma injustiça contra si, assumindo a forma humana, fazendo-nos ver o caminho da verdadeira grandeza. A cruz foi a escolha de Jesus, e qual tem sido a minha escolha?

O Desafio De Pregar O Evangelho do Reino.

Lucas 4

43 Ele, porém, lhes disse: Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado.
A igreja de Cristo atravessa um dos momentos mais críticos de sua história. Bombardeada, atacada e confrontada em seus valores e doutrinas, desfigurou-se, rompeu com sua referência histórica do evangelho vivido e pregado por Jesus e seus apóstolos. Perdeu-se em ideias e conceitos humanos, tornando-se numa instituição que reflete personalidades carismáticas, modernos modelos administrativos e um clamor quase impositivo, por uma igreja reestilizada e adaptada a uma “nova sociedade” que exige uma nova instituição religiosa e pior, pressionada por “novos cristãos” que desconhecem o governo de Cristo. Esses, e alguns da velha guarda, sentem-se incomodados com a doutrina apostólica, com os métodos antigos e simples, e clamam por mudanças, não importando o preço, nem onde elas nos conduzirão. Desejam uma religião mais alinhada aos seus ideais, acham-se inovadores, homens capazes de produzir algo melhor do que a igreja primitiva conseguiu.
Quando Jesus disse, “ide e fazei discípulos de todas as nações, … ensinando-os”, Mt. 28:19-20, fica claro o tom imperativo de sua ordem e a qualidade que esperava de sua igreja. Uma comunidade de homens e mulheres governados por Ele.

Jesus disse ter uma comida que os discípulos não conheciam, Jo 4:31-32 que consistia em fazer a vontade do pai e anunciar o evangelho, pois, esta era a sua missão. Lc 4:43. Tal senso de vocação o manteve em torno de um eixo que era a pregação do evangelho do reino, anunciando ao mundo a chegada do governo de Deus através de seu filho e de sua igreja. A inauguração de uma nova dispensação de homens rendidos ao Senhor. O que cremos, norteará nosso trabalho e nossa forma de cooperar com Ele na realização de sua obra.

Enquanto as perseguições dos primeiros séculos impulsionou a igreja, e firmou sua identidade, as confusões religiosas da igreja moderna tornaram-a indolente, parasitária e o pior de tudo, completamente distante do modelo de igreja vivido e ensinado por Jesus e seus apóstolos. Hoje, temos várias instituições religiosas, contextualizadas ou adaptadas a grupos sociais e ideologias. Temos cultos atrativos para manter o povo nas congregações, púlpitos intelectualizados, grupos judaizantes, os místicos, os que veneram a razão, os que pregam um evangelho terapêutico supervalorizando as necessidades humanas ao invés da vontade de Deus, além dos discípulos com mentes revolucionárias, circulando em nosso meio, avessos a qualquer regra que ameace seus gostos, vontades e desejos imutáveis, mesmo que suas ideias e comportamentos não condigam com a sã doutrina. E, Embora, a grande maioria deles sejam bem intencionados, não conseguem produzir verdadeiros discípulos de Jesus. Nunca devemos nos esquecer que os maiores prejuízos que a igreja sofreu vieram de homens e mulheres bem intencionados, inteligentes e carismáticos, porém, avessos a críticas e discordâncias, muito menos a qualquer tipo de correção. Alguns desses prejuízos são irreparáveis! Isso lembra-me uma frase que ouvi do nosso amado irmão, Marcos Moraes, quando disse que, “a igreja está cheia de projetos que nasceram no coração do homem e não no coração de Deus”. Então, o grande problema que enfrentamos hoje não é crer, mas em que se crer.

Quando pregamos o evangelho errado, distorcido, as pessoas vêm para a igreja com seus corações errados. Se a pregação do evangelho visa a felicidade do homem e não o seu arrependimento, o resultado são igrejas cheias de pessoas doentes que jamais encontraram a cruz para morte do ego. Se o evangelho pregado não for o evangelho do reino, teremos igrejas grandes, cultos agradáveis, mas não teremos discípulos de verdade. Precisamos definir se queremos satisfazer os anseios de alguns homens ou cumprir a vontade de Deus. Gerenciar uma igreja com modelo empresarial ou estamos determinados a, como Jesus e os apóstolos, formar discípulos. Nunca devemos esquecer que naquele dia nossa obra será provada pelo fogo.

1 Coríntos 3

12 E, se alguém sobre este fundamento formar um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha,

13 A obra de cada um se manifestará; na verdade o dia a declarará, porque pelo fogo será descoberta; e o fogo provará qual seja a obra de cada um.

Devemos fugir do evangelho intelectualizado, seduzido por pregações glamourosas, mas que jamais formará discípulos. Temos que temer os caminhos que parecem fáceis, as seduções de modelos de igreja “modernizadas”, estilos de culto atrativos. Esse evangelho nos impõe o compromisso de fazermos discípulos, ainda que seja muito mais custoso, não podemos nos deixar seduzir por esses modelos que predominam em nossos dias. Ele disse: “ide e fazei discípulos”, essa é a ordem. Não devemos inventar. O que essa igreja produziu nos últimos anos é a prova irrefutável de como se distanciou da ordem que Ele deu para que façamos discípulos. Se não temos homens governados por Cristo, não temos igreja.

Legalismo (parte 3) Um Culto a Si Mesmo

O Culto a Si Mesmo
Mateus, 23:3-7 (bíblia Viva).
“Obedeçam ao que eles dizem, mas não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem.
Exigem de vocês coisas pesadas, mas eles mesmos não estão dispostos a ajudá-los, nem ao menos a levantar um dedo para carregar esses fardos.
“Tudo o que fazem é para se mostrar. Eles se fingem de santos, levam afixados aos braços extensas orações com versículos das Escrituras e alongam as barras dos seus mantos.
E como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes e os assentos mais importantes na sinagoga!
Como apreciam a consideração que se presta a eles nas praças e serem chamados de ‘mestre’!”

Nos vs. 6 e 7 Jesus mostra-nos a essência do legalismo. Culto a si mesmo, ser apreciado pelos homens e visibilidade. Nenhum quebrantamento, humildade ou rendição. Um culto exterior totalmente desprovido de vida, porém, encharcado de justiça própria. É compreensível a aversão que Jesus tinha à religião e como isto culminou num crescente antagonismo a sua pessoa, levando-os a buscarem a sua morte. Ele não tinha como sobreviver em meio àqueles religiosos, ao atacar tão duramente aquela instituição humana, que usava o nome de Deus para aprisionar os homens na mediocridade. O ataque, não era à lei de Deus e sim a homens que, em nome de Deus, deturparam a sua lei.

A religião que nasce no coração dos homens cristaliza comportamentos e ideias, formata padrões para as mais variadas esferas da vida das pessoas, entretanto, mantém os homens totalmente desprovidos de graça. São como aquela bela figueira que Cristo amaldiçoou, cheia de folhas, mas desprovida de frutos.

E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Mt. 21:19
Quando a figueira está cheia de folhas, demonstra ter frutos, pois essa é a ordem, primeiro as folhas, depois os frutos, mas só havia folhas. Assim, nós podemos parecer frondosos, atraentes, bonitos, mas sem vida, sem graça, sem Jesus.
Há muitos que, em nome de Deus, tentam controlar as pessoas, desde a forma de vestir até as preferências pessoais como gostos, vontades, jeito de ser, etc. Roubam mentes e escravizam famílias inteiras. Personalizam seus seguidores fazendo de si a referência a ser imitada e não a pessoa de Cristo Jesus. Esses, estabelecem um clima de vigilância que alimenta a dissimulação, levando seus seguidores a não experimentarem a verdadeira liberdade que vem de Cristo

Tamanha barbárie, é cometida por pessoas influentes na igreja, homens de boa conversa, capacidade intelectual e de persuasão. Usam os mais variados artifícios para escravizar, desde a intimidação, ênfase exagerada na liberdade, serviço intenso a seus seguidores e até mesmo distorção da palavra de Deus. E, quão covarde é tornar as pessoas reféns através do serviço ou de quaisquer outros artifícios!
Na carta endereçada aos irmãos da cidade de colossos, o apóstolo Paulo adverte-os a não se deixarem escravizar por regras humanas e sem sentido.
Colossenses 2:8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;
Paulo, está vacinando os irmãos para que não se tornem presas desses legalistas. Eles precisavam discernir suas filosofias e sutilezas. Seus argumentos inteligentes e sutis que não encontravam suporte na palavra de Deus. Homens que se sustentavam em ideias humanas e em conceitos religiosos que não produziam verdadeira mudança.
O espírito legalista traz consigo um policiamento hipócrita, pois nunca transformou ninguém em filho de Deus, antes deformou a muitos. Paulo, que era oriundo do judaísmo e mais especificamente da seita dos fariseus, entendia o mal que aquela religiosidade produzia, por isso não teme em chamar de “vã sutileza,” “filosofia,” “doutrinas de homens”, e “rudimentos do mundo.” Cl 2:8
Quando Adão pecou, a primeira coisa que fez foi criar sua própria religião, ao apanhar folhas de figueira para apresentar-se diante de Deus. Um culto que nasceu no coração do homem, tentando agradá-lo do seu próprio jeito, Gn. 3:6-7. Deus os cobriu com peles de animais, mostrando que a forma de cultuar deve ser como Deus quer e não como o homem, quer, Gn 3:21, O legalismo está adornado com uma liturgia bonita e práticas religiosas cheias de boas intenções, mas não passam de vã sutileza, filosofias, doutrinas de homens e rudimentos do mundo. Cl. 2:8
“Os fariseus, porém, saindo dali, tomaram conselho contra ele, para o matarem.” Mt 12:14
“tomaram Conselho para o matarem.” Deus se fez homem na pessoa de Jesus. Esse é o fato mais marcante em todo o universo. Em Jesus encontramos a essência do amor, e nele entendemos o sentido pleno do termo, “religião”, que no latim significa “religare,” e, foi isto que Cristo fez, reconciliando os homens com Deus. Foi o próprio Deus quem nos reconciliou consigo mesmo. A vida da igreja emana dele, o culto, a adoração, a qualidade da vida dos seus filhos, a liberdade, e sem ele, tudo não passa daquilo que o homem inventou.
2 Co 5:19 Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
A religião mesquinha e nominal, de homens que criam regras e nunca descobriram o verdadeiro sentido do amor de Deus, só produz assassinos impiedosos que matam em nome de sua fé. Esses, jamais provaram a liberdade do Espírito, pois, amam a simetria da letra sem entender a sua essência. Criam regras, subjugam, perseguem, criticam e buscam aniquilar aqueles que não andam segundo seus modelos doentios.
Jesus disse em sua repreensão aos fariseus que, o caminho da grandeza é o da auto-humilhação, e que, grande é quem serve, pois foi esse princípio que norteou o seu Relacionamento com os homens. Fl. 2:5-8; MC.10:45.
Mateus: 23
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.

A Boca Fala do Que Está Cheio o Coração

Tiago 3
5 Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia.
6 A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.
Na raiz de muitas palavras, observações e julgamentos que se faz do outro na igreja, está a soberba, o sentimento de superioridade e muitas vezes, a irresponsabilidade. Esses, não são sentimentos que emanam da pessoa de Cristo. Homens e mulheres que no fundo consideram-se iluminados, fazem os mais diversos comentários, tecem críticas ácidas e sem compaixão, não medindo consequências sobre as vidas e famílias de muitos irmãos.
Ocupar-se da vida do outro é um vício pernicioso, principalmente quando o outro não é procurado pessoalmente para ser ouvido, corrigido com amor e ser restaurado. Esse é um campo tão perigoso que o apóstolo Tiago, dedica quase todo um capítulo para nos advertir. Alerta-nos no vs 6 que a língua é inflamada pelo inferno. É estranho termos que admitir que por trás de certos comentários aparentemente amorosos e preocupados esconde-se a malícia de satanás!
A forma como lidamos com fraquezas e pecados do outro, jeito de ser e até mesmo, a personalidade do irmão, revela muito de nossa pobreza espiritual e imaturidade emocional, e, como somos péssimos juízes de nós mesmos. A soberba, leva muitos a sentir-se autorizados não só a julgar mas, a propagar fraquezas e debilidades dos irmãos. O sentimento de superioridade faz com que o homem olhe o outro de cima para baixo, julgando-se mais virtuoso. A irresponsabilidade, ignora a ética, o cuidado, transformando a língua num instrumento mortal.
A língua, esse pequeno membro que inflama o curso da natureza vs 6, tem deixado um rastro de destruição sem precedentes. Igrejas já foram esfaceladas, ministérios postos sob suspeita, famílias atingidas impiedosamente. Filhos, pais, mães, pastores etc. A lista parece interminável, os danos quase que incalculáveis e o que mais assusta é que, grande parte dessa destruição foi feita aparentemente com boas intenções e até, em nome Deus!
A vida social da igreja com seus relacionamentos próximos e familiares é um ambiente extremamente terapêutico que tem restaurado muitas vidas quando esses relacionamentos desenvolvem-se no espírito de Cristo, porém, o ser humano traz consigo muitas deformações no caráter que se revelam pelo mau uso das palavras. E satanás sabe como potencializar esse mal. Por isso Tiago diz:
Tiago 1

19 Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.

Saber ouvir mais e falar menos é uma característica de homens e mulheres amadurecidos em Cristo, que através dos sofrimentos e relacionamento com o mestre aprenderam a pautar seus julgamentos e intervenções na vida dos irmãos no amor de Cristo Jesus. Fica claro que, maduros são os que aprenderam a ouvir. Todos nós nos achamos mestres e sempre temos o que falar. Claro que, mais dos outros que de nós mesmos, entretanto, aprender a ouvir de coração, aceitar críticas mesmo quando são feitas de forma errada, embora verdadeiras, não é pra qualquer um. Deixar-se corrigir, falar menos do que sabe, ser bondoso, amoroso e paciente sem nivelar por cima, é ser a expressão de Cristo na igreja, ser um instrumento que Deus pode contar para restaurar vidas quebradas e enfraquecidas pela mão impiedosa de religiosos inconsequentes. Que o manso e humilde Jesus nos transforme em homens parecidos com ele. Amorosos, longânimes e pacientes.
Salmos 19
14 Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!q

Legalismo (parte 2) indiferença e orgulho.

Lucas: 7:37 E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;
38 E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.

39 Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
Lucas, autor desse evangelho, faz questão de destacar dois pontos importantes nesse acontecimento:

  • 1. Que aquela mulher era uma pecadora, e;

  • 2. A reação do fariseu.

Ao adjetivar a mulher como “uma pecadora”, o autor o faz com o objetivo de destacar dois comportamentos bem distintos. O de Jesus e o do fariseu, onde o mestre, provocando e confrontando a religiosidade oca daqueles homens, revela seus corações, e expõe o vazio de sua religião. Jesus disse:

Mt. 12:33-35
33 Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom, ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.
34 Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca.
35 O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más.
As muitas situações que vivemos diariamente expõem o bom ou o mau tesouro do nosso coração e, os Relacionamentos são ferramentas eficientes de Deus para revelar as deformações de nossa alma. São as fraquezas ou virtudes do outro, erros ou acertos, que evidenciam mais de nós mesmos do que imaginamos. A forma como olhamos, julgamos, criticamos ou amamos. Nossas reações em relação ao outro é a expressão exata de quem somos, e, é isso que Cristo está afirmando no texto acima. “O homem bom tira do bom tesouro do coração coisas boas”. Uma coisa é o que penso de mim mesmo, e outra, é como de fato sou, e, como reajo ou não no meu dia a dia as fraquezas dos meus irmãos. Somos péssimos juízes de nós mesmos, e mais legalistas do que imaginamos.
Quando aquela mulher pecadora lançou-se aos pés de Jesus na casa do fariseu, as cavernas dos corações daqueles homens foram reveladas, deformações que as belas roupas não conseguiam ocultar. Uma total indiferença para com ela, e um forte espírito crítico a Jesus. Esses, não conseguem se compadecer, pois estão focados nas falhas e deficiências das pessoas. Maximizam os erros e fecham os olhos para qualquer virtude. Não há oferta de amor, empatia ou misericórdia, só julgamentos. Na igreja, eles se atraem, se conectam, formam tribunais, usam as palavras com maestria, são convincentes pois, nada é mais persuasivo que apontar erros e fraquezas para descredibilizar. “Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora”. Lc. 7:39. Gloriam-se na justiça própria. Provavelmente aquela mulher já ouvira a mensagem de Cristo em alguma ocasião anterior e, sentia-se quebrada, confrontada por sua palavra e atraída por seu amor. Ao ouvir que Cristo estaria na casa de Simão, pega seu perfume mais caro, e desesperada, angustiada, caminha pelas ruas com um só pensamento: Lançar-se aos seus pés, humilhada, suplicando perdão, buscando transformação. Mas, aquele não era um lugar para pecadores desesperados, afligidos por seus males.
Ali, estavam pessoas de “destaque” tentando impressionar Jesus. Comida boa, mesa farta, roupas bonitas…Muita aparência. Como em muitos dos nossos ajuntamentos! A religião traz cegueira, torna os homens mesquinhos, Insensíveis, indiferentes, e, pior ainda, orgulhosos. São altivos, julgadores e sem misericórdia. Não há dúvidas que o espírito legalista, deforma e desvirtua a essência da mensagem de Jesus.
Ele chega a afirmar:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.” Mt. 23:15
Deformação, e não a transformação, é o que esse espírito legalista produz. E é isto que Cristo está afirmando no texto acima, que, a geração seguinte dos legalistas será duas vezes mais deformada do que eles mesmos. É muito mais fácil seguir regras estabelecidas que submeter-se a uma lenta transformação de dentro para fora. As práticas religiosas exteriores são como adubo no coração de homens que nunca nasceram de novo, mas, julgam-se superiores aos que não vivem como eles. Tais práticas, Inflam egos e distorce o entendimento acerca das deformações pessoais. Jesus, denuncia sem nenhuma reserva a religiosidade de aparências:
Mateus: 23
27 Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
28 Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.(continua)

Legalismo (parte 1)

E os escribas e fariseus observavam-no, se o curaria no sábado, para acharem de que o acusar. Lc. 6:7

Para religiosos legalistas as regras são mais importantes que qualquer virtude. Curar, servir, fazer o bem transformam-se em crimes hediondos, e, são dignos da pena capital os que “violam” as regras estabelecidas. Não são raros os olhares discriminadores para aqueles que não vivem dentro do padrão religioso do grupo. Mesmo que essa “falha” não seja intencional, sendo resultado de fraquezas, ignorância, falta de entendimento, lentidão no aprendizado, etc.; não importa, as regras não foram cumpridas, e, como dizia a rainha má do filme Alice no país das maravilhas, “cortem a cabeça!”
Quando digo, “os que não vivem dentro do padrão religioso do grupo”, não estou incentivando comportamentos deformados e esquisitos que muitos adotam, tentando dar aos mesmos tons virtuosos, alegando que o importante é o interior, ocultando muitas vezes um espírito rebelde e subversivo. Os escribas e fariseus observavam Jesus para ver se curaria no sábado, tendo uma “grave” acusação contra ele. Todo legalista é um bom fiscal no reino de Deus! Claro que, em relação a vida do outro, não à sua. Não dão importância as mazelas que afligem os homens, seja uma mão atrofiada, uma doença terminal ou mesmo uma necessidade de amparo emocional, como no caso da mulher pecadora. Se não repetir o mesmo comportamento linear do grupo, não é digno de amor e misericórdia.

A regra é, reproduzir o Jeito de falar, de vestir, forma de pensar e julgar, tudo padronizado e formatado segundo o pensamento religioso predominante Mesmo que tais comportamentos não encontrem nenhum respaldo nos ensinos de Jesus nem na vida dos apóstolos. Até mesmo o ato de cultuar é coletivizado, suprimindo toda expressão pessoal ou individual. Podemos perceber até onde a religião sem Deus torna-se nociva, maléfica e destruidora.

Os legalistas amam uma perfeição que existe somente em suas almas doentias. Vivem uma religião que é fruto de suas mentes e não do coração de Deus. Esses, são daqueles que acham que a transformação ou santificação de uma pessoa vem por meio de regras, ritos ou penitências e não pela experiência direta com Cristo e seu Espírito. Satisfazem-se com o culto exterior mesmo que não haja nenhuma mudança no coração. Até, quando testemunham os mais belos atos de amor e misericórdia, eles concentram-se em achar erros em coisas secundárias e sem nenhuma importância.

Então, arrazoavam em seus corações se Jesus curaria em pleno dia sagrado para um judeu, o sábado, não conseguindo alegra-se com a cura de um moribundo sofredor.

Jesus convida o homem ao centro das atenções.

Lucas: 6

8 Mas ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e fica em pé no meio. E, levantando-se ele, ficou em pé.
9 Então Jesus lhes disse: Uma coisa vos hei de perguntar: É lícito nos sábados fazer bem, ou fazer mal? salvar a vida, ou matar?

A resposta à pergunta de Jesus era óbvia, mas eles recusaram-se a responder. Com esse pequeno ato, ele confronta a todos os que foram acometidos pela doença da indiferença religiosa, que cega os que amam regras ao invés das pessoas. O legalismo alastra-se como um câncer na vida de homens distantes de Jesus, envenenando os corações dos que amam as regras mais rígidas, apegando-se cegamente á letra da lei sem compreenderem a sua essência. E, quanto mais rígidas as regras maior é o senso de superioridade!

Mãe, Uma Grande Mulher

Mãe, Que Bom Seria se Deus, Por um Segundo de Descuido, te Fizesse Eterna. (Bárbara Matoso)

Caim e Sua Religião Perigosa

     Proliferam-se nesses dias ideias religiosas de que, “Deus quer a minha felicidade,” “Ele me aceita como sou,” “Deus é amor,” ou, “o importante é fazer o bem.” Por trás de alguns desses belos discursos escondem-se sentimentos não tão nobres assim. O apóstolo Paulo já alertava em sua segunda carta a Timóteo falando das características do homem do fim, sobre essa religiosidade sem Deus. 
5. Terão aparência de piedade, porém não acreditarão realmente em nada do que ouvem. Não se deixe enganar por gente assim.
2Timóteo, 3:5 (bíblia Viva)
     O homem é tão egoísta que usa a religião para tentar enganar até o próprio Deus, se isso fosse possível. Os rebeldes vestem a roupagem religiosa mas não se importam com o que Deus quer nem querem saber o que ele pensa. Querem um Deus permissivo, complacente, um Deus que não lhes incomode com exigências de moralidade, obediências, nem interfira no seu estilo  de vida egoísta. Na verdade, o que querem é manipular Deus, e não serem transformados por ele. Essa é a religião de Caim.
     A curta passagem que narra o episódio do assassinato de abel por seu irmão, nos faz perceber que a religião de Caim não morreu com ele mas, o seu espírito rebelde estende-se até os dias de hoje.
3. Quando chegou o tempo da colheita, Caim trouxe ao SENHOR uma oferta dos produtos da terra.
4. Abel fez o mesmo, mas com as primeiras crias do seu rebanho. E o SENHOR agradou-se de Abel e da sua oferta,
5. mas não de Caim nem da sua oferta. Por isso, Caim ficou enfurecido e o seu rosto mostrava seu ódio.
6. O SENHOR perguntou a Caim: “Por que você está furioso e por que o seu rosto mostra ódio?
7. Se você fizer o que é certo, não será aceito? Mas se você agir mal e não obedecer, saiba que o pecado está à sua espera; ele deseja destruí-lo, mas está na sua mão o poder de dominá-lo”.
8. Então Caim convidou a Abel, seu irmão: “Vamos para o campo”. Enquanto caminhavam juntos, Caim atacou o seu irmão Abel e o matou.
9. Depois o SENHOR perguntou a Caim: “Onde está o seu irmão Abel?” Respondeu Caim: “Não sei. Será que sou o responsável pelo meu irmão?”
Gênesis, 4:3-9 (bíblia Viva.)
     O texto nos mostra o tipo de homem que era Caim e como ele relacionava-se com Deus. Um homem que buscava agradar a Deus do seu próprio jeito, ignorando o jeito que Deus queria ser adorado. Podemos inferir desta passagem que, Caim sabia o tipo de sacrifício que Deus queria, entretanto, trabalhou duro, Arou a terra e apresentou a Deus o fruto do seu trabalho. Uma oferta dos frutos da terra, o melhor que ele considerava para oferecer a Deus e assim o fez. Mas, Deus deseja ser agradado do seu próprio jeito. Ele estabelece como devemos agrada-lo e como cultuar. Abel entendeu e obedeceu, não racionalizou, nem inventou e Deus agradou-se de Abel mas não de Caim.
Gn4:4b,5.   
E o SENHOR agradou-se de Abel e da sua oferta,
5. mas não de Caim nem da sua oferta. Por isso, Caim ficou enfurecido e o seu rosto mostrava seu ódio. (Bíblia Viva)
     Muitos trazem este mesmo espírito cainita, são pessoas que dizem agradar a Deus mas na verdade vivem para agradar a si mesmas. Como Caim, relacionam-se com Deus alicerçados em seus próprios conceitos, seu estilo de vida, comportamentos e argumentos inteligentes escondem um coração rebelde, cheios de si mesmo. Dizem amar a Deus mas vivem segundo seus próprios corações. Jesus disse:
15. Se vós me amais, obedecereis aos meus mandamentos.
21. Aquele que tem os meus mandamentos e obedece a eles, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e Eu também o amarei e me revelarei a ele.”
João, 14:15,21 (KJ)
     A linha divisória entre o verdadeiro filho de Deus e um religioso chama-se, “obediência” e esta palavra não é a favorita dos rebeldes. O rebelde sempre defende primeiro seus pontos de vista, colocam-se contra qualquer ordem estabelecida, e insiste em que Deus adapte-se ao seu estilo de vida e aceite sua forma de cultuar. Ignoram que, para Deus até o ato de ofertar pode tornar-se pecaminoso se não é feito conforme o que ele determinou. Caim, “inovou” a forma de cultuar e teve seu culto rejeitado por Deus. Então, pessoas que nunca se renderam ao governo de Cristo estão sem nenhum constrangimento afirmando que são filhos de Deus. Esses são os que provocam sedições, divisões, enfraquecem as verdades de Deus, distorcem o que Deus disse e pior, contaminam mentes e corações, e como Caim, promovem a morte. Nenhum lugar é suficientemente bom para eles. É o espírito de Caim atuante em nossos dias. Os que trazem esse espírito não aceitam discordâncias nem reprovações, mesmo que esta venha do próprio Deus.
Por isso, Caim ficou enfurecido e o seu rosto mostrava seu ódio. Gn 4:5b. 
     Tente corrigir um rebelde e você entenderá o espírito cainita. A medida que você o confronta ele se revolta, não há quebrantamento, humildade ou reconhecimento de estar errado. Quem pode reprovar suas ideias, comportamentos e jeito de ser? Deus? Os pais? mães? pastores? Quem? Como seres iluminados transitando no meio do povo de Deus, essas pessoas olham a igreja de um plano superior, conhecem os “furos”, os “erros”, e têm sempre uma avaliação crítica e negativa do meio em que estão inseridos. Confundem “senso crítico” com “espírito crítico” e por isso acham-se capazes e credenciados a consertar o que consideram errado, mesmo que seja matando como fez Caim.
     Não há dúvidas que o momento que vivemos é um dos mais difíceis da história.  A igreja de Deus vem sendo atacada das formas mais diversas e com os argumentos mais bem elaborados possíveis. A guerra no campo das ideias tem conseguido seu objetivo mais oculto que, com certeza não é necessariamente a aniquilação da mesma mas, sua perversão. Enfraquecendo suas bases, corrompendo sua pureza, distorcendo sua doutrina cria-se cada vez mais uma igreja sem identidade e sem conteúdo. Seduzidos pelo espírito de Caim muitos estão trabalhando para o reino das trevas formatando uma religião que não salva mas, satisfaz os desejos egoístas de homens que nunca provaram o verdadeiro arrependimento e não se satisfazem com a vontade de Deus. O resultado de tudo isso? Confusão religiosa.  Em nome de Deus vão surgindo os grupos mais excêntricos, personalizados, contextualizados a ideias e filosofias humanas cada vez mais longe da sã doutrina. O alvo agora não é somente contextualizar a mensagem do evangelho, mas, modifica-la até que não sobre mais nada daquilo que Cristo e os apóstolos pregaram.
     Paulo, falando aos anciãos da igreja de Éfeso alerta-os de onde viriam os ataques que causariam profundos danos à igreja de Cristo.
29. Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho.
30. E ainda mais, dentre vós mesmos surgirão homens que torcerão a verdade, com o propósito de conquistar os discípulos para si. At, 20:29-30.(KJ) Lobos vorazes se infiltrarão, e de dentro se levantarão homens que torcerão a verdade.
     Ao falarmos sobre o espírito de Caim é preciso que fique claro que este é um mal que vem de dentro,  gente que está no meio do povo de Deus, cantam seus cânticos, repetem quase as mesmas coisas, são inteligentes, carismáticos e convincentes.  Os cainitas estão determinados em seu objetivo de fazer sua própria vontade, estabelecendo seu culto personalizado e criando sua própria religião. Que Deus nos livre de tal espírito!

 

Mágoas, Cárcere da Alma

Lucas: 17. 3. Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.
Todos já tivemos que enfrentar mágoas, ressentimentos e ofensas. Pessoas ofendidas produzem muitos frutos ruins como a dor, ira, ciúmes, disputas, amarguras, ódio, inveja etc. Tais sentimentos aprisionam, quebram relacionamentos, ampliam brechas existentes que se transformam em verdadeiros abismos. Em Mt 20:20-25 vemos uma situação de disputas entre os discipulos de Cristo. Era uma guerra por reconhecimento. Queriam que Cristo declarasse quem seria o maior entre eles. Não era somente a necessidade do reconhecimento dos homens mas, do próprio Deus, cada um buscando ter um grau de importância maior diante de Cristo e diante do outro.

Assim surgem e ampliam-se as mágoas entre nós, pelo desejo maligno, aberto ou velado de achar que somos melhores, mais virtuosos e por isso merecedores de destaque diante de Deus e dos homens. O resultado foi uma rachadura em seus relacionamentos. Diz o texto: Indignaram-se contra os dois.vs 24″. Pela reação de indignação dos outros dez discipulos, percebemos que os dois verbalizaram o que sentiam enquanto os outros sentiam mas não diziam. Nada mais danoso aos relacionamentos que nossas necessidades emocionais doentias. Desejo por destaque, reconhecimento, ou por ser amado, estimado etc, leva-nos aos comportamentos mais mesquinhos e até nos portamos como vítimas, mascarando para os outros a pobreza de nossa alma, e as deformações do nosso coração. É bem mais fácil culpar os outros do que assumir nossa imaturidade emocional. Jesus nos diz algo que precisamos refletir:

Mt 7:3-5 (KJ)

3. Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?

4. E como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu?

5. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.

De maneira bem simples, ele nos mostra como maximizamos os erros dos outros e minimizamos os nossos. O erro do outro é sempre “um crime ediondo” enquanto os meus, “um pequeno delito”. Por trás de um coração magoado pode esconder-se muitas deformações que o Senhor deseja curar e libertar. Dificilmente uma pessoa ofendida consegue perceber sua necessidade de transformação. Vê um pequeno cisco no olho do outro mas não percebe uma viga no seu. Quanta insensibilidade!
Problemas mal resolvidos no coração criam muros e bloqueios quase impenetráveis.

Provérbios: 18. 19. O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.

Muitos estão doentes física e emocionalmente, perderam a alegria o brilho, tornaram-se críticos, azedos, isolaram-se, selecionaram amizades, perderam a graça de Deus. Pais afastaram-se de seus filhos, maridos da esposa, irmãos de irmãos e amigos distanciam-se um do outro por causa das mágoas. Esses ressentimentos travam o coração. Mágoas produzem mortes. Alguns não consumaram o homicídio de fato mas, já no seu coração condenou o outro à morte. Riscou de sua vida, tornaram-se completamente indiferente. A história de Abel e Caim nos mostra aonde pode chegar um coração magoado. Ele, ao amargurar-se com Deus e sentindo inveja de seu irmão, levanta-se e tira a vida de Abel. Deus avisa-o com antecedência:

Gn 4:6-7 (Bíblia Viva)

6. O SENHOR perguntou a Caim: “Por que você está furioso e por que o seu rosto mostra ódio?
7. Se você fizer o que é certo, não será aceito? Mas se você agir mal e não obedecer, saiba que o pecado está à sua espera; ele deseja destruí-lo, mas está na sua mão o poder de dominá-lo”

Ira, semblante decaído. As mágoas produzem insensibilidade, dureza e escravidão. A raiva de Caim o deixou insensível para com Deus e para com seu irmão Abel, Gn 4.8-9. esses são frutos de um coração magoado; crítica, desonra, desrespeito e até morte. Na carta aos Efésios Paulo, o apóstolo, nos alerta a ficarmos longe das mágoas:

Ef 4:26-27,31 (KJ)

26. “Estremecei de ira, mas não pequeis”, acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha,

27. e não deis lugar ao Diabo.
31. Toda amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam eliminadas do meio de vós, bem como toda a maldade!

Nesse texto, o apóstolo admite que somos sucetiveis à raiva, ou a ira mas, nos adverte que, ao alimentarmos tais sentimentos estaremos dando lugar ao diabo e pecando contra Deus e contra o nosso irmão. Fica claro também que, guardar a ira é uma opção nossa e não algo inevitável. Ele diz: “acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha” Ef. 4:26. Para o meu próprio bem, não devo alimentar rancor no meu coração.

Em Lc 17:4 Jesus disse que mesmo que o nosso irmão peque contra nós sete vezes no dia devemos perdoá-lo. O perdão é livramento, é libertação. Quem perdoa é livre, goza de uma paz indescritível pois liberta-se dos fantasmas da alma. Aquele Que perdoa não carrega pesos na consciência pois reconhece que Deus o pai, em sua grande misericórdia perdoou todas as nossas dívidas no sacrifício de Cristo na cruz. Somente quem tem plena consciência de suas misérias pessoais não julga tão severamente o outro.

Perdoar não é sofrer de aminésia nem demonstração de fraqueza mas, um ato de grandeza pois, grande não é aquele que paga o mal com o mal. A maior demonstração de poder e força encontramos naquele que, mesmo sendo todo poderoso deixou-se subjugar por criaturas fracas e pecadoras como nós. Não há virtude quando o mais forte subjuga o mais fraco mas, quando o todo poderoso deixa-se humilhar por suas criaturas isso sim é demonstração de poder. Os que se deixam dominar pelo veneno das mágoas e ressentimentos jamais experimentarão a alegria e liberdade dos que perdoaram de coração. Esses sim são livres.
Ao abordar um assunto dessa complexidade é imprescindível reforçar o que Cristo disse para aqueles que não perdoam.

Mateus: 6. 14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; 15. se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
Jesus declara a total impossibilidade de perdão da parte de Deus aos que recusam-se em perdoar seus ofensores, e ainda mais, o texto nos mostra que Deus dará o mesmo tratamento severo aos que não perdoam.
Mateus: 18. 34. E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.