Amar Sem Preço
A linha entre o amor e a indiferença parece ser muito tênue, quase imperceptível, pois às vezes, tratamos com desprezo aquele a quem dizemos amar. Não é difícil o amor transformar-se em desprezo, a satisfação em insatisfação e a alegria em tristeza. É claro que o amor manifesta-se de várias maneiras, porém o amor que mais conhecemos é aquele que alimenta e supre os desejos e necessidades de sermos amados e saciados em nossos anseios. Não é o amor doação, altruísta que mais conhecemos, mas o amor que aprendeu a receber sempre, e só consegue corresponder quando é correspondido.
Este tipo de amor não suporta crises nem decepções, exige fidelidade total e não aceita facilmente os erros do outro. É o “amor” que se alimenta da exploração do outro e por isso é tão frágil como uma taça de cristal, que ao mais leve impacto despedaça-se em centenas de cacos. O amor que mais conhecemos nunca encontra a verdadeira paz e satisfação porque ele necessita sempre receber para poder dar de volta, e nem sempre é correspondido à altura de suas expectativas em relação ao outro. Na verdade, o amor do outro nunca é suficiente, está sempre lhe devendo, não importa quanto seja feito ou quanto o outro seja limitado.
Este tipo de amor jamais aprendeu a lidar com o sofrimento, por entender que o outro deve sempre lhe promover bem-estar com os mais belos gestos e demonstrações de sacrifício em prol de sua felicidade. Se o outro erra com ele, logo transforma-se em desprezo e frustração, desmorona-se fácil como um lindo castelo de areia atingido pelas ondas.
Este amor não se aprofunda nos gestos de perdoar, tolerar, exercer misericórdia ou ter empatia. Tudo depende única e exclusivamente do fato de ser correspondido, caso contrário, nunca se dobrará. Na verdade, estamos falando do amor ou do egoísmo disfarçado de amor? Parece-me que aprendemos a nutrir nosso ego às custas do outro. Amar sem preço algum é o que mais gostamos. Nenhum sofrimento, nenhuma frustração, nenhum deslize é permitido aos que só conhecem este amor. E ele está sempre pronto a ser amado.
Ser paciente com as debilidades do outro, benigno para promover saúde ao relacionamento, não ser orgulhoso, mas ter coragem de buscar a paz, não buscar os interesses próprios, mas o bem-estar do outro e não guardar rancor é certamente condicionado ao tanto de reciprocidade que o mesmo recebe. Enfrentar crises, conviver com as imperfeições do outro sem querer modificá-lo, encarar o fato de que o outro jamais terá a perfeição que ele tanto exige e mesmo assim amá-lo, torna-se um exercício quase impossível para os praticantes deste “amor”.
Nossa sociedade transformou o amor numa mera Química, esvaziou seu verdadeiro conteúdo, relegando-o a um objeto de consumo ou mesmo confundindo-o com o prazer carnal momentâneo. Encontramos na palavra de Deus a maior expressão do amor. Em João 3.16, Lemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu…”Deus amou tanto que deu”. Deus é amor! Estende a sua misericórdia a maus e bons, a justos e injustos e, embora deteste a injustiça, essa é a sua essência, amar.Jesus disse:
Mateus: 5. 43. Ouvistes que foi dito: Amarás ao teu próximo, e odiarás ao teu inimigo. 44. Eu, porém, vos digo: Amai aos vossos inimigos, e orai pelos que vos perseguem; 45. para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.”
Essa expressão de amor vai além do amor que busca recompensa ou satisfação pessoal, está diametralmente oposta ao amor que conhecemos e praticamos, o jeito de amar de Deus, o qual Ele deseja que aprendamos.
1Coríntios: 13. 4. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, 5. não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; 6. não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; 7. tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Amar sem preço algum é uma ilusão dos que não entenderam o que ele é. Amar é dar, sacrificar, perdoar. É conviver apesar das diferenças sem querer modificar. Amar é suportar, andar mais uma milha, ser bondoso. Amar é ver mais que defeitos, ver que o outro tem virtudes que me faltam e me completam e que talvez algumas coisas no outro nunca mudarão, mesmo assim, é o preço que teremos que pagar para sermos como o nosso Deus é.





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