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A Cruz Que Era Minha

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a pela fé do Filho de Deus, o qual me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2:20).

A cruz exige a morte do transgressor para que se experimente a verdadeira vida. Deus não ignorou o pecado nem relativizou a sua justiça. O salário do pecado sempre foi a morte, e alguém precisava suportar a justa condenação. Contudo, aquilo que eu jamais poderia fazer por mim mesmo, Cristo realizou em meu favor.

Falando do sofrimento que lhe aguardava, Jesus declarou: “Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto” (João 12:24). Sua morte não foi um acidente da história nem uma derrota inesperada. Desde toda a eternidade, Deus havia determinado que seu Filho se entregaria em favor dos pecadores.

A condenação que era minha caiu sobre Ele. A morte que eu merecia foi assumida voluntariamente pelo Filho de Deus. O justo morreu pelo injusto; o Santo tomou o lugar do pecador. Foi a maior demonstração de amor que o universo já contemplou. Aos olhos humanos, a maior injustiça da história; aos olhos de Deus, o encontro perfeito entre sua justiça e sua graça.

Quando Cristo foi condenado, eu fui justificado gratuitamente por sua graça (Romanos 3:24). Quando suportou a ira que meus pecados mereciam, eu recebi paz com Deus. Quando carregou minha culpa, revestiu-me com sua justiça. Eu, que era inimigo, fui reconciliado (Romanos 5:10). Eu, que estava longe, fui aproximado. Eu, que era escravo do pecado, fui libertado pela redenção (Hebreus 9:12). Eu, que não tinha esperança, fui adotado como filho e recebido na família de Deus (Efésios 2:19).

Enquanto Cristo era abandonado na cruz por causa dos meus pecados, eu era recebido pelo Pai. Enquanto seu sangue era derramado, eu era lavado de toda impureza. Enquanto era escarnecido, cuspido e humilhado, eu era abraçado pela graça. Enquanto suportava a maldição que era minha, eu recebia a bênção que jamais poderia conquistar (Gálatas 3:13). Ele recebeu aquilo que era meu para que eu recebesse aquilo que era dele.

Quando alguns zombaram dizendo: “Se és Rei, desce da cruz!” (Mateus 27:42), não compreenderam que permanecer ali era precisamente a razão de sua vinda ao mundo. A cruz não o prendia; o amor o mantinha ali. Se tivesse descido, eu permaneceria condenado. Permanecendo até o fim, tornou-se a propiciação pelos nossos pecados (1 João 4:10), satisfazendo plenamente a justiça de Deus.

Eu estava morto em meus delitos e pecados, mas Ele me deu vida (Efésios 2:1). Julgava-me livre, mas era escravo; pela cruz fui verdadeiramente liberto. Havia um escrito de dívida contra mim, impossível de ser pago, mas Cristo o removeu, cravando-o na cruz (Colossenses 2:14). Minha dívida foi cancelada pelo preço do seu próprio sangue.

Mas a obra da cruz não terminou quando Cristo morreu. Ela continua produzindo seus efeitos na vida daqueles que foram unidos a Ele pela fé. A mesma cruz que removeu minha culpa também decretou o fim da velha vida.

Por isso Paulo não diz apenas que Cristo morreu por ele. Ele afirma: “Já estou crucificado com Cristo.”
Isso significa que não apenas meu pecado foi levado à cruz; meu velho homem também foi. Meu orgulho, minha autossuficiência, minha independência, meu amor pelo mundo e minha pretensão de governar a própria vida foram condenados juntamente com Cristo. A cruz não apenas mudou minha posição diante de Deus; ela mudou quem eu sou.

Por isso Paulo continua: “…e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim.” O evangelho não melhora o velho homem; ele lhe decreta a morte. A vida cristã não consiste em aperfeiçoar o “eu”, mas em permitir que Cristo ocupe o lugar que antes era do ego. A cada dia somos chamados a negar a nós mesmos, tomar a nossa cruz e seguir o Senhor. (Lucas 9:23-24).

Se Cristo tomou a morte que era minha, como poderia eu continuar vivendo apenas para mim? Se Ele morreu em meu lugar, minha vida agora lhe pertence. A cruz não apenas mudou meu destino eterno; ela transformou completamente o propósito da minha existência. Já não sou eu quem vive. Cristo vive em mim.

A palavra da cruz continua sendo loucura para os que perecem, mas para nós ela é o poder de Deus (1 Coríntios 1:18). Nela contemplamos um Deus que se fez homem, tomou sobre si a condenação que era nossa e nos concedeu sua própria vida. Bendito seja o Cordeiro de Deus que morreu em meu lugar e fez de mim uma nova criatura.

A Ele seja toda a glória, para todo o sempre. Amém.