Quando a Aflição Encontra a Misericórdia de Deus
“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação!” (2 Coríntios 1:3)
Quão animador é ouvir de alguém que passou por grandes sofrimentos e angústias que o nosso Deus é Pai de misericórdias e Deus de toda consolação.
Paulo não escreveu essas palavras a partir de uma vida livre de sofrimento. Ele sofria por uma igreja que enfrentava grandes conflitos e, além das perseguições por causa do evangelho, passava por privações e ameaças. Lidava ainda com o desprezo e a oposição de alguns que questionavam sua autoridade apostólica e colocavam sob suspeita suas intenções e integridade.
Foi nesse contexto desanimador que ele experimentou, em sua comunhão com Deus, grande misericórdia e consolo. Não porque todos os seus problemas haviam sido solucionados ou todas as suas petições atendidas. Não foi isso.
Ele encontrou consolo no Pai em meio às suas angústias e tribulações, e isso foi suficiente para sustentar o seu coração. A oposição continuou, bem como o desprezo de alguns para com ele. Parte daquela igreja que ele havia fundado passou a vê-lo com desconfiança, influenciada por pessoas que questionavam seu apostolado. Paulo, porém, descobriu em meio às suas feridas que o Senhor continuava sendo o Pai de misericórdias e o Deus de toda consolação.
Não há dúvida de que algumas das feridas mais dolorosas são aquelas causadas por quem amamos. Elas alcançam lugares profundos do coração.
Ao falar de sua disposição de se entregar sacrificialmente por aqueles irmãos, o apóstolo pergunta: “Se mais vos amo, serei menos amado?” (2 Coríntios 12:15). Há muita dor nessa pergunta. É a dor de alguém que ama, serve e se entrega, mas nem sempre recebe em troca aquilo que esperava.
Em contextos de oposição, ingratidão e desprezo, muitos de nós nos sentimos injustiçados e até mesmo desamparados por Deus. Outros se revoltam e desanimam da caminhada, porque consideram a aprovação dos homens tão importante que se esquecem de que, acima de tudo, importa sermos aprovados por Deus.
Enfrentar situações adversas que fogem ao nosso controle é desestabilizador e profundamente doloroso, principalmente quando tentamos ajustar as coisas por nossa própria força ou encontrar soluções do nosso jeito. Entretanto, algumas experiências são permitidas por Deus justamente para nos levar ao limite de nossos próprios recursos.
Paulo conheceu essa realidade. Falando de uma de suas tribulações, escreveu:
“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação que nos sobreveio na Ásia, porquanto foi acima das nossas forças, a ponto de desesperarmos até da própria vida. Contudo, já em nós mesmos tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos.” (2 Coríntios 1:8-9)
A tribulação foi “acima das nossas forças”. Essa declaração confronta nossa tendência de acreditar que sempre precisamos ser fortes, ter respostas e manter tudo sob controle. Paulo chegou a uma situação na qual seus próprios recursos já não eram suficientes. E foi exatamente ali que aprendeu algo precioso: quando nossas forças não bastam, somos chamados a descansar naquele cujo poder jamais se esgota.
Há aflições que expõem nossa impotência. Elas desmontam nossa autossuficiência, mostram a fragilidade dos recursos nos quais confiávamos e nos ensinam que existem situações que simplesmente não podemos resolver. Entretanto, chegar ao fim de nossas próprias forças não significa chegar ao fim da graça de Deus.
Nós também, como o apóstolo, enfrentamos lutas e tristezas diversas. Oposição, tentações e angústias nos abatem e entristecem.
São problemas familiares, dificuldades financeiras e enfermidades. Às vezes são conflitos com irmãos ou situações que fogem completamente ao nosso controle. Em outros casos, precisamos lidar com injustiças, traições ou ingratidão.
Tais circunstâncias nos provam e, muitas vezes, revelam a profundidade, ou a superficialidade de nossa comunhão com Deus. A aflição expõe aquilo que existe em nosso coração. Quando nossas seguranças são abaladas, descobrimos onde verdadeiramente está depositada a nossa confiança.
Paradoxalmente, porém, essas situações podem se tornar ocasiões para experimentarmos de maneira mais profunda a presença de Deus. Não porque haja virtude no sofrimento em si, mas porque, quando o coração quebrantado se volta para o Senhor, encontra nele recursos que jamais encontraria em si mesmo.
Isaías apresenta Jesus como “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53:3). O escritor aos Hebreus afirma que, embora sendo Filho, Cristo experimentou no sofrimento o custo da obediência (Hebreus 5:8). Nosso Salvador não nos consola como alguém distante da experiência humana. Ele conhece a dor, a rejeição, a oposição e o sofrimento.
Os filhos de Deus também amadurecem em meio às lutas e provações. Há aprendizados que dificilmente seriam adquiridos apenas nos períodos de tranquilidade. Algumas experiências nos quebrantam, aprofundam nossa dependência de Deus e nos capacitam a olhar com mais misericórdia para aqueles que sofrem.
Essa parece ser também a percepção de Paulo a respeito das lutas pelas quais passou. Ele diz:
“É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.” (2 Coríntios 1:4)
Aqui descobrimos que o consolo de Deus possui um propósito que ultrapassa a nossa própria dor. Ele não visa somente ao fortalecimento da nossa fé e confiança. Deus nos consola também para nos tornar aptos a socorrer aqueles que passam por angústias.
Sofredores podem aprender a ser bons consoladores.
O sofrimento, por si só, não nos torna melhores. Há pessoas que passam por grandes dores e se tornam amargas e insensíveis. Mas quando nossas feridas são visitadas pela graça de Deus, aquilo que poderia nos endurecer pode nos tornar mais misericordiosos. Quem já chorou diante do Pai aprende a se aproximar com mais cuidado daqueles que também choram. Quem já precisou ser sustentado aprende a não julgar tão rapidamente aquele que perdeu as forças.
Deus pode transformar nossas experiências de dor em instrumentos de cuidado.
Podemos não entender com clareza qual é a origem da angústia que aperta o nosso peito neste momento. Talvez seja uma situação que já tentamos resolver de todas as maneiras e continua diante de nós. Talvez sejam feridas causadas por pessoas que amamos, uma enfermidade, uma crise familiar, dificuldades financeiras ou circunstâncias sobre as quais simplesmente não temos qualquer controle.
Mas há algo que podemos saber: o nosso Deus continua sendo o Pai de misericórdias e o Deus de toda consolação.
Ele nem sempre removerá imediatamente aquilo que nos faz sofrer. Paulo não teve todas as suas lutas resolvidas, nem todas as suas feridas desapareceram. Entretanto, em meio às tribulações, descobriu que a graça de Deus podia sustentá-lo onde suas próprias forças já não eram suficientes.
Talvez seja justamente esse um dos grandes aprendizados da aflição: chegar ao fim de nós mesmos e descobrir que Deus continua ali.
Quando nossas forças terminam, sua misericórdia não termina. Quando não sabemos o que fazer, sua presença continua sendo abrigo. Quando não conseguimos mudar as circunstâncias, Ele trabalha em nosso coração enquanto atravessamos aquilo que não podemos mudar.
E há ainda um propósito maior. O consolo que recebemos não foi dado apenas para terminar em nós. Deus nos consola para que aprendamos a consolar. Ele transforma nossas lágrimas em sensibilidade, nossas feridas em compaixão e nossas experiências com sua graça em instrumentos de cuidado para aqueles que também sofrem.
Por isso, não permitamos que a aflição nos afaste daquele que é nossa maior fonte de consolo. Busquemos, em nossa comunhão com Ele, a misericórdia de que nossas almas angustiadas necessitam.
A aflição pode ser grande, mas nunca será maior do que a misericórdia daquele que nos sustenta.
Ele continua sendo o Pai de misericórdias e o Deus de toda consolação.




Ah se não fosse Jesus nesses momentos , muito bom é pertencer a um Deus que além de tudo é consolo . Texto precioso !
Pastor Cláudio hoje essa mensagem junto com essa reflexão foi impactante. Prescisava ouvir isso. Na verdade é resposta de oração. Que Deus continue abençoando sua vida e te capacitando em tudo.
Que bom, minha irmã. Fico feliz em saber que o Senhor cuida de nós de formas tão simples e inusitadas. Que Ele continue falando ao seu coração em meio às suas aflições. Ele está sempre perto. Grande abraço.
Sou eu a esposa de Marquinhos. Seu irmão.
Obrigada por essas palavras pra nós ajudar.
Sempre te acompanho.
Oi, Leidiane. Fico feliz em saber que essas reflexões têm edificado muitos irmãos. Que Ele continue abençoando a sua vida