Pastores Cuidadosos

Lucas 12:42 O Senhor respondeu: Qual é o administrador fiel e prudente, que o senhor encarregará dos seus servos para lhes dar alimento no tempo certo? 43 Bem-aventurado o servo a quem seu senhor, quando vier, encontrar fazendo assim.

A administração fiel e prudente é o que Cristo espera daqueles que ele chamou para cuidar do seu rebanho. Jesus nos mostra qual a sua expectativa ao nos dar tão sublime tarefa de sermos mordomos em sua casa, tendo a responsabilidade de alimentar os seus filhinhos. Ele enfatiza que, feliz será esse servo, quando ele voltar o encontrar empenhado e diligente no cumprimento da vocação que lhe foi dada. O verdadeiro pastoreio não é conhecido nas reuniões da igreja, mas no amor e cuidado demonstrado fora delas. Nas reuniões pregamos e ensinamos, porém, no dia a dia, oferecemos nossas vidas, nos doando e nos sacrificando por aqueles pelos quais, Cristo morreu.

Jesus, em sua oração sacerdotal, dá ao pai uma satisfação do seu serviço, dizendo: “enquanto eu estava com eles, eu os guardei e os preservei no teu nome que me deste. Nenhum deles se perdeu…” (Jo 17:12). Ele afirma que guardou e preservou as ovelhas que o pai confiou a ele, esforçando-se para que nenhuma ovelha se perdesse, nos mostrando que pastorear é proteger, é zelar pelo rebanho do pai. No capítulo dez do evangelho de João Lemos, que, como o bom pastor, Jesus deu a vida pelas ovelhas. (Jo 10:14-15). 

Como homens encarregados dessa tarefa, jamais podemos nos esquecer da grandeza desse chamado a sublimidade dessa vocação, e a grande responsabilidade que pesa sobre nós. Breve ele virá e sentará com seus obreiros para recompensar a cada um segundo o seu trabalho. Que o Senhor da obra renove nossas forças e fortaleça nosso coração para não deixarmos nenhuma de suas ovelhas para trás, ou desnutrida, ou ignorada por não andar nos passos das demais. Ele disse a Pedro que a maior expressão de amor que podemos fazer a ele é cuidar dos seus cordeirinhos. Sejamos diligentes no serviço a nós confiado.

João 21:15 Depois de terem comido, perguntou Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu-lhe: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeirinhos.

O Zelo que Mata. Uma Advertência de Jesus à Liderança Religiosa

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.” (Mateus 23:15)

Uma das características centrais dos discípulos de Cristo é o zelo.

Zelo é forte disposição, diligência e empenho aplicado na realização de algo.

O próprio Jesus nos apresenta o padrão desse zelo. Ele declarou que a sua comida era fazer a vontade do Pai e realizar a sua obra (João 4:34). Séculos antes, Isaías profetizou que o Messias estaria vestido de zelo (Isaías 59:17). Em Cristo vemos o modelo perfeito de entrega, serviço humilde e busca contínua pela glória do Pai. Ele é a nossa referência absoluta.

Entretanto, a Escritura também nos ensina que nem todo zelo é saudável. Existe um zelo religioso que se desvirtua, que se desconecta das verdades fundamentais do evangelho e passa a produzir frutos perigosos.

É exatamente esse tipo de zelo que Jesus denuncia em Mateus 23. Ele fala de homens deformados, mas intensamente ativos; empenhados, mas espiritualmente corrompidos; trabalhadores incansáveis, porém dissociados da verdade. São capazes de atravessar terra e mar para fazer prosélitos, mas, ao fazê-lo, não conduzem pessoas a Deus, conduzem pessoas a uma versão distorcida da fé.

Aqui somos confrontados com uma pergunta incômoda:

Quantas vezes a pregação do evangelho é usada para a glória dos homens e não para a glória de Deus?

Ao olharmos para a história recente da igreja, percebemos ministérios que começaram bem e se perderam no caminho. Alguns sucumbiram ao orgulho, outros às carências emocionais, outros ao ressentimento não tratado, outros ainda a pecados ocultos. Mesmo assim, continuam levantando a bandeira do evangelho, arrebanhando homens e mulheres, enquanto semeiam em seus corações doutrinas falsas e uma espiritualidade adoecida.

O apóstolo Paulo descreve esse tipo de religiosidade de forma contundente:

“Tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.” (2 Timóteo 3:5)

O grande perigo é que comportamentos carnais e motivações egoístas se misturam facilmente ao ministério quando o coração não é vigiado. O serviço cristão passa a ser um meio de alcançar objetivos pessoais, afirmação de identidade e realização de ambições internas.

O rei Saul é um exemplo trágico desse processo. Mesmo reconhecendo seu pecado, preferiu preservar sua honra diante dos homens a se humilhar diante de Deus (1 Samuel 15:24–30). O amor à posição tornou-se maior que o amor ao Senhor. Para um homem cheio de si, a glória humana sempre pesa mais do que a glória de Deus.

O rei Uzias segue a mesma lógica. Foi um líder forte, realizador, usado poderosamente por Deus (2 Crônicas 26:1–15). Porém, em determinado momento, passou a acreditar que sua força vinha de si mesmo. Deixou de depender do Senhor. O resultado foi humilhação, disciplina e uma vida encerrada na lepra (2 Crônicas 26:16–21).

Paulo resume essa verdade de maneira profunda:

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.” (2 Coríntios 4:7)

O poder que carregamos é grande. O vaso, porém, é frágil. E Deus assim o determinou para que jamais confundamos instrumento com fonte.

Quando homens se apegam à posição, a liderança deixa de ser serviço e passa a ser conquista pessoal. Algo que precisa ser preservado a qualquer custo. A partir daí, tornam-se instrumentos de deformação espiritual daqueles que os seguem.

Esses líderes não lidam bem com críticas honestas. Não aceitam o contraditório. Diante de discordâncias, atacam o mensageiro em vez de examinar a mensagem. A verdade passa a ser tratada como um privilégio exclusivo deles, e os outros devem apenas se submeter.

O texto de Mateus sugere que esses homens são carismáticos, influentes e altamente persuasivos. Possuem grande força de vontade e enorme capacidade de convencimento. Por isso percorrem terra e mar. Não desistem facilmente, porque se veem como especiais.

Valorizam comportamentos padronizados, disseminam suas visões de mundo, de igreja e de ministério com entusiasmo contagiante. Aos poucos, formam seguidores que já não pensam por si mesmos, mas passam a replicar os ideais do líder, mesmo quando esses ideais não se alinham com as Escrituras.

Nesse ponto, os discípulos deixam de ser discípulos de Cristo e passam a ser discípulos de homens.

Esse é um terreno delicado. Existe um risco real de olharmos para fora e identificarmos esses desvios apenas nos outros, sem perceber que os mesmos perigos rondam o nosso próprio coração.

O orgulho nos torna intratáveis. Cria resistência à correção. Dificulta o arrependimento. Paulo reconheceu isso em si mesmo e afirmou que recebeu um espinho na carne justamente para frear suas inclinações orgulhosas (2 Coríntios 12:7).

Por fim, esses homens se tornam perigosos porque não ouvem ninguém. Não aceitam aconselhamento. Não se submetem. Consideram-se iluminados, acima de qualquer confronto ou correção.

Líderes autossuficientes caminham para a ruína.

Deus, em sua graça, nos oferece proteção por meio do companheirismo, da prestação de contas e da pluralidade ministerial. Esses elementos funcionam como freios contra as armadilhas do coração. Protegem o pastor e protegem a igreja.

Que o Senhor nos conceda graça para caminharmos com humildade nessa estrada sinuosa que é o serviço pastoral.

 

Livra-me, Senhor!

Livra-me Senhor da mediocridade de não te ouvir nem te enxergar. Livra-me do desejo por coisas e da busca por inutilidades. Livra-me de me desgastar física e emocionalmente com aquilo que não posso mudar. Não me deixes ser consumido pela obsessão de uma vida plena aqui nessa terra, pois certamente isso me levará a pecar contra ti. Livra-me, eu rogo, dos pensamentos superficiais acerca de ti, pois não tenho como te conceituar. Todos que o fizeram, erraram. Preciso entender que só posso te conhecer através da revelação que fizestes de ti mesmo. 
Guarda meu coração do engano do saber, do compreender, do apoiar-se no próprio entendimento. Os que nele vivem jamais entenderão a verdadeira sabedoria e o mundo está cheio desses!
Oh, meu pai, livra-me de cansar os que me ouvem com discursos superficiais, de me portar diante deles como quem sabe, e perder assim a capacidade de aprender de ti mediante um relacionamento simples. Guarda meus sentimentos da “síndrome do iluminado” para não afadigar meus irmãos.
Ensina-me a difícil tarefa de falar pouco, pois sei que no muito falar o ego acha o seu lugar.
Livra-me também do silêncio covarde, omisso, tímido que não defende o teu nome e nem proclama tua doutrina.
Livra-me de achar que os outros precisam mudar e assim me esquecer que preciso ser transformado por ti.
Livra-me do caminho perigoso das necessidades da alma para que eu não use teu nome, tua obra, ou o ministério para satisfazê-las.
Não permitas que eu despreze a tua noiva, a igreja, devido a suas imperfeições. Muitos já sucumbiram nesse caminho.
Não me deixes confundir conhecimento com amadurecimento e, por fim, Senhor, não permitas que eu queira mais o teu poder do que tua pessoa. Mais as manifestações que o conhecimento de quem tu és. Ensina-me a escolher a melhor parte, buscando sempre a intimidade contigo. Amém

Consolados para Consolar

Uma reflexão pastoral sobre sofrimento, maturidade e serviço

2 Coríntios 1:3–4

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.”

Tudo o que o Senhor faz e permite que passemos no serviço a Ele tem como objetivo nos amadurecer e nos conduzir ao crescimento. Tornar-nos semelhantes a Jesus é a grande obra que Deus está realizando em nós. Ele deseja que aprendamos a sua humildade, sua paciência, sua capacidade de perdoar e de amar os outros a ponto de estarmos dispostos a dar a própria vida.

Cada ferida cicatrizada, e até mesmo aquelas que ainda permanecem abertas faz parte de um processo muito maior que, ao final, nos aprovará ou reprovará, pois Deus julga as motivações do nosso coração, e não simplesmente o quanto trabalhamos para Ele.

Paulo reconhece que o Deus de toda consolação permite tristezas e frustrações para que adquiramos a capacidade de socorrer os que sofrem. Há perigos em uma sensibilidade desgovernada: homens sensíveis demais tendem a expressar mais a própria personalidade do que o caráter de Cristo. Com facilidade confundem sua dor e sua indignação com a do próprio Deus e acabam intimidando o rebanho e os companheiros de ministério. Muitas vezes não percebem que o Senhor está justamente os aperfeiçoando por meio de sofrimentos, frustrações e decepções.

A fala do apóstolo revela a percepção que ele adquiriu acerca dos processos pessoais e íntimos que o Senhor opera na vida dos obreiros da casa de Deus. Paulo compreendeu que Deus estava trabalhando em seu interior, removendo durezas do coração e ajustando sensibilidades exageradas, para que ele se tornasse uma bênção mais madura em sua obra.

As consolações do Senhor não nos são dadas para que nos tornemos mimados, endurecidos ou indiferentes, como somos tentados a ficar diante das dores e feridas causadas por irmãos que cuidamos, por injustiças sofridas ou por situações difíceis com companheiros de ministério que nos magoaram. Paulo é claro: Deus nos consola para que possamos consolar outros.

Há um ditado que diz que, quando o mar está calmo, qualquer um pode segurar o leme; mas as ondas bravias exigem homens experimentados para suportar a dureza da tempestade. Líderes amadurecidos prosseguem apesar das cicatrizes. Caminham cheios de amor, desejosos de cumprir o chamado e agradar ao seu Senhor.

Sem dúvida, é maravilhoso contemplar o que Deus faz por meio de nós na vida de muitos irmãos. Contudo, não podemos deixar de discernir o que Ele está fazendo em nós, para que, a cada dia, venhamos a refletir mais fielmente quem Ele é.

Que, assim como o apóstolo, possamos, em meio aos sofrimentos, transbordar em amor e serviço, frutos diretos da obra de Deus em nosso interior.

2 Coríntios 2:4

“Porque lhes escrevi no meio de muitos sofrimentos e angústia de coração, com muitas lágrimas, não para que vocês ficassem tristes, mas para que soubessem do amor que tenho por vocês.”

 

Pastores sob o cuidado de Deus.

2 Timóteo 4:19 Dê saudações a Prisca e Áquila, e à casa de Onesíforo.

Deus, em sua misericórdia, nos cerca de pessoas fantásticas para nos ajudar na árdua tarefa da pregação do seu reino. É preciso dar a deferência a homens e casais que ele levantou para nos sustentar e animar em momentos que não conseguiríamos passar sozinhos. Pessoas que permaneceram ao nosso lado mesmo conhecendo cada vez mais nossas fraquezas e debilidades, mas, com resiliência, algumas vezes sem perceberem, cumpriram a missão de nos sustentar e amparar quando nossas forças faltaram. 

Olho para trás e posso ver claramente a quantidade de boas pessoas que o Senhor, em sua misericórdia, colocou ao meu lado para me servir de alento em momentos em que o desânimo se abateu sobre mim. Alguns tiveram um papel temporário, mas igualmente importante, outros permanecem perto até hoje como um mimo de Deus para nós que nem padecemos tanto como Paulo.

Paulo não podia esquecer de Timóteo, a quem endereçou essa última carta, filho e companheiro de muitas batalhas. Esteve perto do apóstolo em momentos muito difíceis. 2Tm 3:10-11. Lembranças oportunas! Lembrou-se de Onesíforo, que o procurou de prisão em prisão em Roma até encontrá-lo apenas para servir e trazer um pouco mais de conforto em seu encarceramento. 2Tm 1:16-18. Do casal amado e fiel, Priscila e Áquila, que os encontrou pela primeira vez em Corinto depois que foram expulsos de Roma, At 18:18-19,26, estavam em Éfeso quando 1Corintios foi escrita, 1Co 16:19 e em Roma quando a carta aos romanos foi escrita, Rm 16:3. Pessoas especiais, presentes em momentos tão específicos e cruciais. Ao lermos essa pequena saudação do apóstolo no fim de sua jornada, não podemos deixar de perceber como essas lembranças permeavam seus pensamentos finais e servem para nos ensinar a valorizar homens e mulheres preciosas que o Senhor colocou em nosso caminho para nos socorrer.

Que jamais esqueçamos do grande cuidado de Deus a todos que ele chamou ao ministério por meio de pessoas simples e amáveis que doaram do seu tempo, família e amizade para tornar nossos ministérios menos dolorosos. E, em momento algum, deixemos de valorizar, honrar e reconhecer esses que se sacrificaram para nos servir. Ao nosso amado, Jesus, seja a honra e a glória para todo sempre por sua singela forma de nos socorrer. 

Pastoreio e fidelidade

1 Samuel 18:25b…Porque Saul tentava fazer com que Davi fosse morto pelos filisteus.

Não há nada mais destruidor num grupo de liderança na obra de Deus que comportamentos desleais que geram disputas e enfraquecem os ministérios estabelecidos pelo Senhor. Esses comportamentos às vezes revelam-se em hostilidades abertas ou em atitudes veladas que visam enfraquecer a posição do outro. São pequenas falas, críticas sutis na ausência do outro, e até mesmo exposição das fraquezas com intuito de descredibilizar. Na verdade, tais comportamentos mostram o quanto somos imaturos, carnais e estamos distantes do manso e humilde jesus e acabamos não percebendo as deformações do nosso coração ou, na maioria das vezes, não queremos encará-las de frente. Se há um lugar perigoso para trabalhar, no que tange às inclinações ruins do coração, esse lugar é no ministério, pois os que ali se encontram, correm o risco de ensinar aos outros, mas não perceberem sua necessidade de transformação. Estão sempre conduzindo, corrigindo e profetizando e às vezes não notam o quanto Deus está tentando fazer mudanças profundas em seus corações. 

Já ouvi dizer que é mais fácil transformar um discípulo em um pastor que um pastor num discípulo, talvez seja pelo fato de serem mais apegados à posição e não se deixarem tratar com facilidade, tornando-se cegos para as suas necessidades mais profundas. Estão dispostos a corrigirem a outros, mas não aceitam a correção.  Será por essa razão que vemos tantos estragos em famílias de pastores? 

O texto que lemos acima nos mostra um rei louco que se sentia ameaçado em sua posição pelo crescimento de outro e, gradativamente, adentrou o pântano da inveja, amargura e sabotagem para com alguém que era leal a ele.

A atitude de Saul para com Davi em tramar o mal, armar emboscadas e planejar sua morte é bem sugestiva para aqueles que compartilham o ministério na casa de Deus. O final do texto acima diz que Saul tramava para que Davi fosse morto pelas mãos dos filisteus. 

Essas intenções subterrâneas que às vezes tomam o nosso coração em relação ao bom serviço do outro nos afastam do caminho da cruz. Jesus em um de  seus discursos aos judeus lhes adverte: 

João 5:44 Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?

O caminho da verdadeira paz no serviço cristão passa por um coração despretensioso e quebrantado. Buscar a honra que vem só de Deus é um caminho seguro que nos livra de sermos ameaçadores aos companheiros de ministério. A grande prova do nosso crescimento em Cristo reside no fato de nos alegrarmos com o crescimento do outro, sabendo que ele distribui sua multiforme graça visando o bem da igreja e não a promoção de homens ou ministérios. Rm 12:3.

Finalizo lembrando que, assim como Saul, alguns homens continuam no ministério realizando suas tarefas, mas a graça de Deus já não está mais com eles pelo simples fato de amarem mais a glória dos homens que a de Deus. Busquemos a edificação do corpo de Cristo honrando e valorizando os companheiros que ele colocou ao nosso lado para suprir as debilidades ministeriais que temos, pois nenhum ministério tem tudo em si. Tudo é dele, por ele e para ele. Amém!  

João 3:29 Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido. 30 É necessário que ele cresça e que eu diminua.

Aprovação ou reprovação, em qual caminho estou?


1 Coríntios 9:27 Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado.

Entender nossa necessidade de fugir dos embaraços do coração salva nossas vidas e ministério! Os que por Deus foram chamados à sublime tarefa de cuidar do rebanho devem entender que guardar o coração em primeiro lugar é mais importante que prestar um bom serviço. Podemos prestar um bom serviço aos irmãos e ainda assim não sermos aprovados por Deus. Mostrar o caminho para muitos e errarmos o mesmo.
Devemos ter cuidado com mágoas e com o poder da decepção. Esse último já encarcerou a alma de bons homens de Deus! Tais sentimentos impedem o fluir do Espírito e nos levam a ter expectativas erradas, achando que precisamos de reconhecimento. Isso destrói o ânimo.
Cuidado com a supervalorização do seu bem-estar emocional. As cicatrizes atestam que estamos seguindo os passos do nosso mestre. Muitas vezes não percebemos que, através dos sofrimentos, frustração e decepções, o Senhor está nos depurando para não sermos nocivos ao rebanho. A idolatria da felicidade mantém muitos líderes na infantilidade emocional. Busquemos sempre o nosso conforto na comunhão e intimidade com o nosso amado Jesus, pois ele é a força que não nos deixa recuar da nossa vocação.
Como pastores na casa de Deus, estejamos atentos ao foro íntimo para que, ao pregarmos a outros, jamais sejamos reprovados.

Cavernas, cavernas, cavernas…

1 Reis 19:8. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.9. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

“Todo Elias tem sua caverna, todo Jeremias tem sua cisterna e todo Paulo tem seu espinho na carne.

Mas, assim como foi no passado, nenhuma caverna, cisterna ou espinho na carne é capaz de deter os Elias, os Jeremias e os Paulos de nossa geração.” (Felipe Guilherme Ferreira da Silva.)

Todos nós que amamos ao Senhor e sua obra, quase sempre somos tentados a encontrar uma caverna para nos esconder, como fez Elias. Mesmo aqueles que já foram muitas vezes usados por Deus, corrigindo, animando e exortando a muitos. Esses, confrontados por suas fraquezas, pecados e debilidades, muitas vezes mergulham nas mais densas trevas espirituais e emocionais, pedem a morte tal qual Jonas e Elias pediram. Sentem-se só, incapazes, e por que não dizer, amargurados e até injustiçados por Deus. Por duas vezes, Elias lembra a Deus a sua fidelidade, “tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos exércitos”, vs 10,14, como se perguntasse: valeu a pena?

 Em nossas cavernas, concluímos que não adianta a entrega, renúncias e toda dor que aflige o coração daqueles que foram chamados para falar da parte de Deus com zelo e paixão. Encontramos muitas vezes mais angústia e sofrimento. Seria essa a recompensa?

Talvez, a grande verdade é que, quando entramos em nossas cavernas, tentamos fugir de Deus, do seu chamado, da vocação, essa coisa mística que nos machuca e nos atrai, nos fere e nos enche de realização. Quem sabe essas cavernas nos escondam de seus olhos cativantes, de sua voz que não conseguimos resistir e por isso nos escondemos como Elias?

Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites em desespero até Horebe, (1Re 19:8), ali achou uma boa caverna e escondeu-se. Quarenta dias e quarenta noites. A Bíblia não fala de paradas, nem de descanso, apenas que caminhou todo esse tempo, conferindo intensidade ao drama de um coração angustiado, revelando o conflito que toma o coração daqueles que foram marcados num encontro com Deus. Quantas vezes tentamos fugir dessa vocação? Pedro até tentou voltar à pesca de peixes, mas o mestre chega na praia e faz ressoar a sua voz como quem diz: “eu não desisto de você”! Tu me amas? O texto nos diz que Jesus chegou na praia ao clarear da madrugada, Jo 21:4, e não há melhor hora para o vocacionado olhar nos olhos de seu mestre e entregar-se totalmente ao seu serviço.

Para quem iremos? Onde nos ocultaremos do teu olhar? Ou melhor, como fugiremos do seu amor, do seu chamado, da sua vocação? Horebe é o monte de Deus e é onde ele nos conduz para falar conosco. No monte de Deus, somos confrontados por seu amor, visto que não buscas nossos talentos e sim a nós mesmos. Deus nos permite fugir para as nossas cavernas e lá revela seu amor e graça a homens frágeis como nós. Embora não precise nem de mim, nem de você, em seu amor, nos escolhe para partilhar os anseios do seu coração.

Que fazes aqui, Elias? Foi a pergunta do Senhor a seu servo. 1Re 19:10. Ele vai às nossas cavernas para falar conosco, entra em nossos esconderijos para lembrar da nossa vocação. Sabe que somos frágeis e por isso nos oferece a sua força. Cativa-nos com tão sublime chamado de tal maneira que, no fundo o que mais desejamos é dar a nossa vida por ele.

Ele nos ensina a amá-lo, amar as ovelhas e a ter compaixão de um mundo perdido. Assim ele fez com Jonas, ensinando-o o que é a sua grande misericórdia, amor e graça para homens que, como disse o Senhor, “não sabem discernir a mão direita da esquerda” Jn 4:11.

Talvez, ainda entraremos em muitas cavernas existenciais, mas com certeza, ele virá ao nosso encontro com sua doce voz dizendo que foi a mim, que foi a você que ele chamou e deu uma missão, uma vocação.

 A caverna não pode transformar-se em morada para o que foi chamado. É lugar de reflexão, arrependimento e rendição ao seu chamado. A única forma de deixar a caverna é quebrantado e, na verdade, ninguém sai de lá mais forte, mas, com certeza, cheio de convicção de que o Senhor estará presente concedendo da sua graça, poder e unção para cumprirmos nosso ministério.

Filipenses 3:13. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,14. prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.15. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.16. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

A Armadilha do Ser e Fazer

    O desejo pelo reconhecimento humano é responsável pelo fracasso pessoal de muitos homens. Este sentimento leva-os a usar até mesmo o que é de Deus como trampolim para sua própria glória e exaltação. As vezes por trás de boas ações escondem-se sentimentos doentios, ambiciosos, e não tão puros quanto parecem. O desejo pela glória humana desvirtua e deforma o caráter do filho de Deus, levando tal homem a buscar a realização a qualquer custo.
     Isto acarreta uma série de sofrimentos, pois o desejo de Ser reconhecido e Fazer uma grande obra torna-se um algoz, um senhor impiedoso que nunca se satisfaz, aí então, deixamos de oferecer o que dEle vem, para oferecer o que vem de nós mesmos, o que é humano, tornando nosso serviço inaceitável diante de Deus. Jesus disse que não recebia glória que vem de homens, pois a glória ele transmitia ao pai, e como homem sempre rejeitou a autoglorificação, Jo. 7:18 e 8:50. Paulo disse que não é aprovado aquele que a si mesmo se recomenda mais aquele a quem o Senhor recomenda II Cor. 10:18. É preciso entender que se o nosso serviço deve ser reconhecido ou não, será por causa da soberania de Deus em honrar a quem ele quiser e recomendar a quem ele quiser. Para o homem sarado de alma isso é completamente irrelevante. Como servos, devemos pedir ao pai que nos dê intenções puras em nosso serviço para que sejamos consumidos apenas pelo desejo de realizar a vontade daquele que nos enviou e completar a sua obra, e não por nossas ambições pessoais.
     O desejo imoderado de Ser e Fazer traz algumas conseqüências letais para o homem:
I)          Leva-os a pensar que podem mudar as pessoas por seus esforços e conhecimentos.
     Há uma grande diferença no fruto que colhemos quando o Senhor faz através de nós do que quando fazemos por nós mesmos. O resultado do primeiro é duradouro e reverte-se em benção para a igreja de Cristo, ao passo que o do segundo logo se estagna. Quando achamos que a nossa persuasão e intelectualismo bíblico podem mudar a vida de qualquer discípulo, abandonamos o primeiro amor, a dependência e pecamos contra o pai. O resultado de tudo isso é cansaço, frustração, decepção e atraso na formação de discípulos. Quando Cristo disse, “sem mim nada podeis fazer,” Ele não estava filosofando, mas deixando clara a natureza de sua participação no processo de desenvolvimento da sua igreja. Tudo é dEle por Ele e para Ele. Paulo disse: Eu plantei Apolo regou mas Deus deu o crescimento  I Cor. 3:6. É preciso esta consciência, que o crescimento dos discípulos vem de Deus.
     Pensar que podemos mudar pessoas, amadurecê-las ou dinamizar o andamento da igreja de Cristo revela o quanto somos independentes no serviço e o quanto confiamos em nossa estrutura pessoal. Será que podemos levar os que não crescem a serem diferentes? Os imaturos a maturidade, os complicados a simplicidade, os que não enxergam a verem com clareza? Não podemos esquecer o que Ele nos disse: “Sem mim nada podeis fazer”.
II)       preocupam-se tanto com seus objetivos pessoais que abandonam o senhor da obra.
     O mundo interior dos que caem na armadilha do “ser” e “fazer” torna-se um constante conflito e guerra, não conseguem ter paz, suas ambições o perturbam. Tais homens não conseguem relaxar, estão em constante atividade. Não gozam da liberdade dos que já morreram e portanto não precisam provar nada para ninguém. Quando lamentam suas misérias choram-nas de si para si mesmos, seu choro não é quebrantamento aos pés do senhor, mas um lamento por aquilo que ainda não conseguiram. Sua paixão não é mais por Cristo, mas por si mesmos e pelos seus projetos. Eles não são prisioneiros de Cristo, mas do próprio egoísmo. Cristo deixa de ser senhor, amigo, pai, irmão para se tornar seu trampolim para o sucesso pessoal. Abandonou o senhor da obra, virou-lhe as costas, perdeu o alvo de vista. Jesus disse:
João 12:24
24 – Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.
Em Isaías 53:11a diz: “Ele (Jesus) verá o fruto do penoso trabalho de sua alma, e ficará satisfeito; (revista e atualizada). Ele nunca se gloriou como homem a não ser em ver milhares de vidas salvas pelo penoso trabalho de sua obra na cruz. Gloriava-se em homens regenerados e transformados. Ele não queria o veneno de satanás da auto-glorificação, nem ambicionou a glória humana.
João 5:41-44
41 – Eu não recebo glória dos homens;
44 – Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?
João 7:18
18 – Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.
     Todos que buscam reconhecimento humano caem na armadilha do “ser” e “fazer” para sua própria glória e não para glória de Deus. Paulo, o apóstolo, afirmava gloriar-se apenas na cruz de Cristo pela qual ele estava crucificado para o mundo e o mundo para ele.
Gálatas 6:14
14 – Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.
     As almas mais felizes e bem realizadas são aquelas que através da cruz foram livres do desejo de ser e fazer, e por isso gozam da liberdade dos que já morreram com Cristo e vivem para fazer o bem e sacrificarem-se em prol dos outros.
Marcos 10:45
45 – Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos.
Cláudio.
 VAIDADE OU HUMILDADE?
     Quantas pessoas há que perecem por causa da vaidade do conhecimento mundano e o pouco cuidado em servir a Deus. Tornaram-se vãs em seus próprios conceitos porque preferiram serem grandes, em vez de humildes. É verdadeiramente grande aquele que é piedoso. É verdadeiramente grande aquele que é pequeno aos seus próprios olhos e não faz nada buscando honra para si mesmo. É verdadeiramente sábio aquele que considera todas as coisas terrenas, como tolice a fim de ganhar a cristo.
Thomas de Kempis.

 

O Sustento dos Obreiros

ICorintios 9:11 
Se nós semeamos entre vós verdades espirituais, seria pedir muito colhermos alguns de vossos bens materiais? 
I Corintios 9:14 Assim, o Senhor também ordenou aos que proclamam o evangelho, que igualmente vivam do evangelho. (Bíblia King James)

 

     O Novo Testamento traz um ensino claro, consistente e farto sobre o sustento de obreiros na casa de Deus. Paulo discorreu sobre o assunto de forma ampla e profunda em suas cartas, principalmente em
I Coríntios onde o apóstolo trata extensivamente do tema trazendo assim, ordem à casa de Deus, “a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” I Tm. 3:15
     Além de todo ensino objetivo sobre o assunto, podemos ver de forma indireta, tanto no ministério de Jesus como no dos apóstolos a forma como eram sustentados pela igreja, o que está em plena harmonia com aquilo que Deus projetou desde o início, ao estabelecer os sacerdotes e os levitas para dedicarem-se exclusivamente ao serviço da casa de Deus. Ao vocacionar aqueles homens para um serviço tão importante, que era cuidar dos interesses de Deus, Ele também se comprometeu em cuidar deles e de suas famílias, pois tal atitude faz parte do seu caráter íntegro e perfeito. Sendo assim, para entendermos o assunto devemos analisar a forma estabelecida por Ele para o sustento desses homens, de maneira que não fosse em tempo algum, acusado de alguma injustiça. Olhando por esse ponto de vista gostaria de começar lá atrás, quando o Senhor convocou homens para um serviço específico, tentando perceber quais sentimentos de cuidado Deus teve para com o sustento dos que chamou. Iniciei então pelo estabelecimento dos sacerdotes passando pelas falas que Jesus deixou e finalmente vendo o ensino de Paulo sobre esse tema.  Vejamos:

  • Deus Chama Homens Para uma Dedicação Exclusiva
     Os sacerdotes levitas receberam um chamado específico de servir e se dedicarem à casa de Deus e ao serviço sagrado. Ele queria uma dedicação integral a este serviço, o qual Ele considerava uma ministração diante dEle.
Nm. 18:3. “Farão o serviço que lhes é devido.”
Vs 4. “Ajuntar-se-ão a ti e farão todo serviço da tenda da congregação(…)”
Vs. 6.” Eu, eis, que tomei vossos irmãos os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós outros para o Senhor, para servir na tenda da congregação.”
Vs. 23.” Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e responderão por suas faltas”.
     A vocação dada pelo Senhor é uma honra aliada a uma grande responsabilidade. Não podemos negar o fato de que para Deus o ministério exige exclusividade, ou seja, homens separados especificamente para cuidar das coisas sagradas. Nem todos podem fazer este serviço, senão não haveria necessidade desta distinção. Esta escolha foge ao controle humano e está reservada única e exclusivamente à soberania de Deus. Ao chamar tais homens, Ele dá distinção aos mesmos, destacando-os dentre os demais, demonstrando a honra que Ele concede.
Números 18:6 – “E eu, eis que tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel(…)”
Vs.20. “Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.”
     Esta distinção fica clara quando Deus repreende a Eli:
I Samuel 2:27-28
…Não me manifestei, na verdade, à casa de teu pai, estando eles ainda no Egito, na casa de Faraó?
28 – E eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel por sacerdote, para oferecer sobre o meu altar, para acender o incenso, e para trazer o éfode perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
     Há nestas palavras um tom de destaque dentre os demais para uma obra específica baseada em sua escolha soberana. A sua repreensão a Eli está carregada deste sentimento:
…Eu me manifestei… Eu o escolhi dentre os demais para ser o meu sacerdote…
Não podiam envolver-se com coisas desta vida. (II Tm. 2:4).

  • Uma Dedicação Exclusiva, uma Recompensa Honrosa.
     O Deus que exigiu exclusividade dos seus ministros dando-lhes uma vocação, também lhes proveu, honrosamente, os recursos necessários. Tal postura condiz com seu caráter íntegro e justo. Esta distinção vinha acompanhada de cuidado (remuneração) da parte de Deus, pois determinou que não teriam terras nem herança como os demais das outras tribos, mas receberiam a herança das ofertas do Senhor, para sustento próprio e de suas famílias. Nm. 18:20,23;Dt.10:8-9;12:12;14:27-29;18:1-2;Js. 13:14,33
Números 18:19,21,24
19 – Todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas contigo..
21 – E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.  (todos os dízimos que eram do Senhor)
Números 18:24
24 – Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
     O destaque e cuidado vêm do coração de Deus e é uma manifestação de seu comprometimento para com os seus chamados. Paulo reafirma o mesmo princípio no NT ao escrever que é Ele mesmo, Jesus, quem concede os ministérios à Igreja ( Ef. 4:11).
Os levitas se mantinham das ofertas que pertenciam a Deus conforme lemos nos textos acima. Todas elas são feitas ao Senhor, e estas foram dadas por Ele como mantimento aos sacerdotes e levitas. Desonrar os ministérios no que tange à sua remuneração é uma desonra ao próprio Deus, que se coloca como a porção e a herança deles. Nm. 18:20
Números 18:11-15,21 
11 – Também isto será teu: a oferta alçada dos seus dons com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos, e a tuas filhas contigo, as tenho dado por estatuto perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa, delas comerá.
12 – Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do mosto e do grão, as suas primícias que derem ao SENHOR, as tenho dado a ti.
13 – Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao SENHOR, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerá.
14 – Toda a coisa consagrada em Israel será tua.
15 – Tudo que abrir a madre, e toda a carne que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu.
21 – E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.
Obs. (o vs. 21 deixa claro que as ofertas são uma remuneração pelo ministério que executavam, um pagamento pelo trabalho desenvolvido).
     Ao analisarmos somente estes textos, vemos claramente que a mesquinhez no sustento dos obreiros não vem de Deus, mas dos homens, e que, ao propôr em seu coração chamar homens para o serviço, Ele resolveu cuidar bem dos seus eleitos. O nosso Deus não quer ser visto como péssimo patrão, pois reparte o melhor do que é dEle, para cuidar dos que Ele chamou.
Dt. 18:1-5.
     Em Ml. 3:10 o Senhor diz que os dízimos eram para sustento em sua casa, ou seja, manutenção de ministérios e de necessidades pertinentes ao bom funcionamento da obra de Deus. Todos estes textos revelam que Deus teve grande preocupação com o bem estar dos que chamou, a prioridade que deu a este ponto, repartindo o que para Ele é santíssimo, as ofertas que a ele pertenciam. Ele não tratou este assunto como algo secundário ou sem importância, mas lhe deu a devida prioridade. Aqui vemos cuidado e honra. Não era um vínculo empregatício e sim uma recompensa honrosa. Ao cuidar bem dos seus obreiros Deus estava cuidando e zelando de sua obra.

  • O Que a História de Israel nos Revela?
     Sempre que o povo afastava-se do Senhor, eles desamparavam a casa de Deus, deixando de contribuir, levando os sacerdotes e levitas a afastarem-se do serviço sagrado, indo para os campos em busca do seu sustento e de suas famílias. Isto é claro em Esdras 6:15-16,18.
     A restauração trazia consigo, obrigatoriamente, a restituição dos sacerdotes e levitas para o serviço  da casa de Deus, conforme vemos no vs. 18
Esdras 6:18
18 – E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas divisões, para o ministério de Deus, em Jerusalém, conforme ao que está escrito no livro de Moisés.
     Em Neemias 13:10-12 ele contende com o povo por deixarem de contribuir, obrigando os levitas e sacerdotes a irem aos campos em busca de sustento. Sua pergunta é clara: porque se desamparou a casa de Deus? Vs. 11. Quando não há prioridade no sustento dos obreiros a casa de Deus é desamparada. Esta era uma preocupação de Neemias. Ver 10:39. No cap. 10:35-37 o povo se compromete em trazer as primícias do Senhor para sustento do sacerdote e do levita, reconhecendo assim a relevância deste serviço para o próprio Deus.
Neemias 10:35-37
35 – Que também traríamos as primícias da nossa terra, e as primícias de todos os frutos de todas as árvores, de ano em ano, à casa do SENHOR.
36 – E os primogênitos dos nossos filhos, e os do nosso gado, como está escrito na lei; e que os primogênitos do nosso gado e das nossas ovelhas traríamos à casa do nosso Deus, aos sacerdotes, que ministram na casa do nosso Deus.
37 – E que as primícias da nossa massa, as nossas ofertas alçadas, o fruto de toda a árvore, o mosto e o azeite, traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos levitas; e que os levitas receberiam os dízimos em todas as cidades, da nossa lavoura.
Podemos ver até aqui que
  • Deus escolhe alguns soberanamente para cuidar de suas coisas.
  • Destaca-os dentre os demais.
  • Responsabiliza-os.
  • Prioriza-os no sustento.
  • Remunera-os.
  • Conscientiza o seu povo desta responsabilidade.
     Fica claro também já no velho testamento que esta remuneração vem diretamente de Deus através de um povo comprometido com Ele, que, como resposta de amor a sua bondade, contribui espontaneamente ao seu Deus e à sua obra.

  • Os Ministérios São Dádivas de Deus ao Povo.
Números 18:7
6 – Eu mesmo separei os levitas do meio do povo de Israel, como um presente para vocês, dedicado ao Senhor, para fazer o serviço do tabernáculo. 7- e você e seus filhos servirão como sacerdote em tudo que se refere ao altar e o que fica para dentro da cortina. Pois o sacerdócio é o presente especial de serviço que dou a vocês…. (Bíblia Viva)
Efésios 4:11
11 – E ele mesmo deu uns para…
12 – Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
     Assim como o sacerdócio é uma dádiva para aquele que foi chamado, é também um presente de Deus para o povo que os recebe. Ministérios comprometidos são bênçãos ofertadas ao seu povo. Nenhum homem chamado por Deus deve se sentir constrangido por viver das contribuições da igreja, pois Ele disse que este é um ofício digno e que deve ser remunerado através das ofertas que pertencem ao Senhor. O que o SENHOR repartiu a esses homens foi o melhor do que pertencia a Ele.

  • A Dignidade da Remuneração Pastoral.
     Em Mt. 10:8-10 Jesus orienta que seus obreiros, devem fazer o serviço sem se preocupar em cobrar nada. Eles não precisam brigar por salários ou viverem ansiosos quanto ao seu sustento, pois o seu serviço é digno de remuneração.
Mateus 10:8-10
8 – Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.
9 – Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos,
10 – Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.
     Podemos ver no vs. 8 que os obreiros devem entregar-se integralmente as atribuições a eles conferidas pelo Senhor com total dedicação e empenho, pois esta é a sua vocação. (curar, limpar, ressuscitar e expulsar demônios pregando o evangelho). Já no vs. 9 fica claro que esta entrega deve ser com total despreocupação no que diz respeito ao sustento, pois o mesmo é totalmente garantido pelo Senhor. O obreiro é digno do seu salário.
     Aqui podemos ver que a atitude do filho é a mesma do pai no que diz respeito ao sustento dos que  chamou. Ele estava afirmando o seu compromisso em cuidar dos seus obreiros. Este é um serviço honroso e deve ser interpretada à luz do coração do próprio Deus, que chama, dá distinção, zela e sustenta bem os que chamou.
Digno é o obreiro do seu salário. Ele quer que os seus obreiros e a sua igreja entendam isto muito bem.

  • A segurança do Sustento Pastoral.
     Fica claro nos ensinamentos de Cristo aos apóstolos a segurança do sustento ministerial. Em Mt. 16:5-11 Jesus critica a falta de percepção dos discípulos quanto ao seu cuidado para com o serviço que eles prestavam:
Mateus 16:9-10
9 – Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes?
10 – Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes?
     Eles não precisavam estar preocupados em não ter comprado pães, pois Ele cuidava dos seus obreiros. Estavam trabalhando com o Senhor e por isso os pães que sobejaram era para sustento dos mesmos demonstrando o cuidado e comprometimento do Senhor com os seus. Paulo entendia que o obreiro devia ser remunerado pela igreja, comendo do fruto do seu trabalho digno. I Co 9:14
I Corintios 9:14
14 – Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.

  • Não Atando a Boca do Boi.
     O apóstolo, nos traz o entendimento que, o que o velho testamento afirma sobre não atar a boca do boi (Dt. 25:4), era uma referência sobre o cuidado de Deus com os seus obreiros nos dias de hoje, chegando a enfatizar que tal texto foi escrito por nossa causa e para o nosso cuidado.
I Corintios 9:9-10
9 – Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?
10 – Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante.
     Não atar a boca do boi quando debulha demonstra a justiça do proprietário do animal, e isso nos fala da justiça do próprio Deus cuidando dos seus chamados. Está escrito em Provérbios 12: 10, “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.”
Debulhar é tirar as cascas, limpar, desbagoar para prover um alimento sem impurezas, selecionado criteriosamente visando uma boa nutrição. Assim está o obreiro do Senhor dedicado á sua vocação cuidando do rebanho com esperança de ser participante do fruto do seu trabalho.
     Ou seja, no velho testamento o Senhor já falava do sustento dos seus obreiros pensando nos dias atuais, segundo a interpretação apostólica.
“Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito.”
Nós quem? Os ministérios na casa de Deus.
Em que época? Nos dias de hoje.

  • Uma Reinvindicação de Direitos Apostólicos.
     Em I Corintios 9 Paulo diz algo que tem claramente um tom de reivindicação de direitos:
“Não temos nós direito de comer e beber”? vs. 4
“Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?”vs 6.
Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? vs.13. (uma referência ao serviço prestado no templo)
Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. vs.14.(das ofertas do Senhor que a Ele são entregues). Entre os vs. 13 e 14 há um claro paralelo. Paulo demonstra que como foi no Antigo testamento, também deve ser hoje quanto ao princípio dos que são chamados para a obra, viverem integralmente do sustento vindo da igreja. Ele e Barnabé tinham o direito de comer e beber, e de terem suas demais necessidades custeadas pela igreja. O apóstolo está afirmando àquela igreja que não há ilegitimidade no ministro ao reivindicar o sustento seu e de sua família da igreja na qual trabalha.
     Em I Co 9:15-18 Paulo afirma não usar do direito do sustento integral daquela igreja por questões pessoais de sua consciência e de entender que era um mordomo, um despenseiro, que mesmo que jamais recebesse nenhum tipo de remuneração, sentia-se obrigado a cumprir a vocação que lhe foi dada, chegando a dizer: “Ai de mim se não pregar o evangelho!”
Todavia em II Cor 11:8-9 fica claro que o apóstolo recebia doações de outras igrejas, e que por razões pessoais ele não quis receber da igreja de Corinto. (Talvez os questionamentos acerca de sua autoridade apostólica, e constantes ataques dos falsos apóstolos o levou a adotar tal postura).
     Ele chega a afirmar ter passado privações estando a trabalhar naquela igreja e recebeu ajuda dos irmãos da macedônia para não ser pesado aos mesmos.
“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado.
Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei.” (esses irmãos não sabiam de suas necessidades ou deliberadamente recusaram-se em sustentar?)
     No entanto, vemos que sua postura em relação à igreja de corinto no que diz respeito a sua manutenção, trouxe para ele alguns sofrimentos. Parece que os irmãos de Corinto, embora fossem uma igreja abastada, mantinham uma atitude mesquinha quanto ao cuidado de seus obreiros. O apóstolo não se sentia à vontade de receber deles o sustento, tanto por conta dos falsos apóstolos como por causa dos próprios irmãos, no entanto, mantinha-se com o que vinha de outras localidades.
“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário(…).”
II Co. 11:8
     Ao receber salário de outras igrejas ele deixa claro que esse é o direito que compete aos que são chamados por Deus para este ministério.
Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?
I Co. 9:7

  • Uma Igreja Sem bons Obreiros e Confusos.
     É vergonhoso para a igreja de Corinto a mentalidade mesquinha, falta de revelação e de comprometimento com as necessidades do apóstolo. Será por este motivo que aquela igreja tinha tantos problemas doutrinários? Para uma igreja crescer bem fundamentada e estruturada, ela necessita de ministérios de tempo integral, dedicando-se a sua formação. Quando isto não acontece, abrem-se muitas lacunas, as distorções e deformações espalham-se com mais liberdade, e os ataques externos atingem mais facilmente as igrejas. Confusões e deformações doutrinárias estão estreitamente ligadas à carência de bons obreiros com tempo integral para dedicar-se à sua formação.
A carta aos coríntios está repleta de problemas de base como;
Crise de unidade. 1:10-17.
Carnalidades. Cap. 3
Dissensões. 3:3-9.
Imoralidades. Cap. 5 e 6:15-20.
Litígio entre irmãos. Cap. 6.
Mau uso da liberdade. 6:12.
Problemas matrimoniais. Cap. 7
Solteiros e seus pais desorientados. Cap. 7.
Misticismo quanto ao sacrificado ao ídolo. Cap. 8.
Idolatria. 10:7, 14.
Imoralidades. 10:8.
Murmurações. 10:10.
Glutonaria. Cap. 11.
Mau uso dos dons. Cap. 12.
Falta de entendimento sobre a ressurreição, etc..
Tantos problemas doutrinários e de relacionamentos advêm da falta de uma liderança com dedicação exclusiva, pois é difícil para os ministérios dedicarem-se à igreja às suas próprias custas.
     Obreiros bem sustentados ficam livres para cumprir esta tarefa árdua que é apascentar o rebanho do Senhor. É por razões como estas que Paulo afirma que o militante do Senhor não pode envolver-se em trabalhos seculares. II Tm. 2:4.

  • A Necessidade de Tempo Integral.
     Desde a instituição do sacerdócio vemos que Deus quer homens de tempo integral na sua obra, provendo para isso os meios necessários para o seu sustento. Fica claro que o trabalho secular deve ser evitado por aqueles que claramente foram chamados a participar deste serviço. O homem de Deus só deve lançar mão dele quando, excepcionalmente, não puder se manter através da igreja, o que foge do padrão estabelecido pelo próprio Deus. O próprio Paulo trabalhou temporariamente fazendo tendas, mas depois se dedicou exclusivamente a pregação e ao testemunho. (At. 18:1-5. Ed. Revista e atualizada)
18.1 Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto.
18.2 Lá encontrou certo judeu chamado Áqüila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles.
18.3 E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas.
18.4 E todos os sábados discorriam na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos.
18.5 Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus.
     É interessante observar que o modelo bíblico tanto no velho testamento como no novo é o obreiro de tempo integral. A necessidade de Paulo trabalhar está associada às circunstâncias que se encontrava e ao pioneirismo da obra que realizava, estabelecendo igrejas onde não havia e estruturando-as através da formação de obreiros. Ele chega a fazer uma avaliação bem crítica do ministério apostólico, dada às dificuldades que tinha que enfrentar na tarefa de desbravar cidades para consolidar a igreja do senhor.
I Coríntios 4:9-14
9 – Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens.
10 – Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis.
11 – Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,
12 – E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos;
13 – Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.
14 – Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. (Vemos aqui citações de necessidades básicas como, fome e sede, frio e nudez. também observamos o destaque que ele dá à dificuldade de ter que trabalhar com as próprias mãos, aumentando ainda mais o sacrifício ministerial vs 11-12).
     Não dá para comparar estas circunstâncias com as de um obreiro em uma igreja bem estruturada ministerialmente, numa localidade onde todas estas fases iniciais foram vencidas e um povo foi ganho e fundamentado.

  • O Ministério é um trabalho… e um trabalho árduo!
     Ao ministério, é dado a conotação de um trabalho árduo e desgastante. Este conceito veio por Cristo, e mais tarde foi corroborado por Paulo.
Jesus se referia a pregação como um trabalho:
João 4:38
38 – Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.
João 5:17
17 – ”E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
Mateus 10:10
10 – “Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.”(operário em serviço)
     Este trabalho é tão sério e árduo que o galardão será dado distinguindo o tipo de serviço realizado por cada obreiro.
“Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.”
I Co. 3:8
     O princípio do sustento no Novo Testamento segue aquele padrão estabelecido por Deus lá nos primórdios, com Deus comprometido com aqueles que Ele chamou, a fim de supri-los e honrá-los. Quem planta come do fruto, quem apascenta se alimenta do leite do rebanho. Todo aquele que apascenta sem esperança se desmotivará no seu serviço. I Co 9:7-11.
I Coríntios 9:7
7 – Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?

Ir à guerra – soldado em serviço.
Plantar – lavrador em serviço.
Apascentar – pastor em serviço.
Colossenses 1:29
29 – E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.
     É certo que o ministério é uma vocação. Entretanto, podemos enfatizar muito esse ponto e esvaziar seu caráter de obreiro trabalhador, que atendeu ao chamado do Senhor da seara para trabalhar e receber por seu trabalho. O próprio Paulo diz que quem lavra deve lavrar com esperança. I Co 9:10. E questiona: “quem vai a guerra a sua própria custa? ICo 9:7. A forte ênfase na vocação tem levado muitas igrejas a não se comprometerem com seus obreiros, mandando-os confiar no Senhor, eximindo-se assim da responsabilidade do cuidado financeiro com os mesmos colocado por Deus sobre a ela.

  • Comprometendo-se Financeiramente com seus Obreiros.
Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? 
I Co 9:11.
Gálatas 6:6
6 – E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.
     Paulo afirma que os cristãos tem o dever de repartir os bens materiais que o Senhor lhes dá com os obreiros que os instrui. Tal atitude é uma semeadura com colheita certa!
Gálatas 6:8
8 – Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.
     Parece que o apóstolo está aplicando aqui o princípio geral da semeadura e da colheita para sustento dos obreiros cristãos e motiva-nos a fazer o bem principalmente aos domésticos da fé.
Gálatas 6:9-10
9 – E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.
10 – Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
     O Semear e o fazer o bem aos domésticos da fé está intrinsecamente ligado ao que foi dito no vs 6. Garante-nos que no devido tempo colheremos frutos espirituais se perseverarmos em repartir os nossos bens com aquele que nos instrui. Paulo na carta aos filipenses ao agradecer o cuidado daqueles irmãos para com ele, deixa claro que a prosperidade de uma igreja está associada ao seu compromisso e generosidade com seus obreiros e de uns para com os outros.
O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. Fil. 4:19. Uma igreja generosa Deus a prosperará!

  • O Cuidado de Paulo com seus Cooperadores.
     A própria atitude de Paulo para com os que cooperavam com ele era de honra e cuidado com suas necessidades:
Ti. 3:13. Cuidar de Zenas e Apolo para que nada lhes falte.
Rm. 16:1-2. Febe. Recebê-la com honra e não deixar faltar nada.
I Co. 16:10-11. Timóteo. Cuidar dele e deixa-lo tranquilo.
I Co. 16:15-16. Cuidar da família de Estéfanas.
I Co. 16:17-18. Estéfanas e Fortunato devem ser honrados pelo cuidado com as necessidades do apóstolo.
     O apostolo, que sentia as necessidades ministeriais em sua carne, entendia que os obreiros bem amparados e cuidados fariam melhor o seu trabalho, embora em seu ensino o motivo do serviço não seja o bom salário, mas o amor. No entanto, é claro na atitude do apóstolo que para ele, há um valor em se cuidar bem dos que servem no ministério.
     Podemos encerrar com as palavras do apóstolo Pedro, que nos exorta a pastorear a igreja de Deus por amor e compromisso com Aquele que nos chamou, e nunca por ganância, pois tal atitude macula o exemplo do Sumo Pastor. Todavia, não é errado lavrar com esperança de participar dos frutos. I Co. 9:10.
I Pedro 5:1-4
1 – AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
2 – Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
3 – Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.
4 – E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.
Cláudio.
OBSERVAÇÕES PESSOAIS
AS OFERTAS NÃO FORAM CRIADAS PARA OS NESCESSITADOS, MAS PARA O SENHOR. E FORAM DESTINADAS PARA O SUSTENTO DOS OBREIROS E DOS NECESSITADOS
NÃO PODE HAVER IGREJA SEM MINISTÉRIOS
O MINISTÉRIO DEVE RECEBER TANTO CUIDADO E ATENÇÃO QUANTO DEUS DEU AO MESMO.
O SUSTENTO MINISTERIAL DEVE RECEBER PRIORIDADE E A IMPORTÂNCIA QUE DEUS LHE ATRIBUIU.