Cavernas, cavernas, cavernas…

1 Reis 19:8. Levantou-se, pois, comeu e bebeu; e, com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.9. Ali, entrou numa caverna, onde passou a noite; e eis que lhe veio a palavra do Senhor e lhe disse: Que fazes aqui, Elias?

“Todo Elias tem sua caverna, todo Jeremias tem sua cisterna e todo Paulo tem seu espinho na carne.

Mas, assim como foi no passado, nenhuma caverna, cisterna ou espinho na carne é capaz de deter os Elias, os Jeremias e os Paulos de nossa geração.” (Felipe Guilherme Ferreira da Silva.)

Todos nós que amamos ao Senhor e sua obra, quase sempre somos tentados a encontrar uma caverna para nos esconder, como fez Elias. Mesmo aqueles que já foram muitas vezes usados por Deus, corrigindo, animando e exortando a muitos. Esses, confrontados por suas fraquezas, pecados e debilidades, muitas vezes mergulham nas mais densas trevas espirituais e emocionais, pedem a morte tal qual Jonas e Elias pediram. Sentem-se só, incapazes, e por que não dizer, amargurados e até injustiçados por Deus. Por duas vezes, Elias lembra a Deus a sua fidelidade, “tenho sido zeloso pelo senhor, Deus dos exércitos”, vs 10,14, como se perguntasse: valeu a pena?

 Em nossas cavernas, concluímos que não adianta a entrega, renúncias e toda dor que aflige o coração daqueles que foram chamados para falar da parte de Deus com zelo e paixão. Encontramos muitas vezes mais angústia e sofrimento. Seria essa a recompensa?

Talvez, a grande verdade é que, quando entramos em nossas cavernas, tentamos fugir de Deus, do seu chamado, da vocação, essa coisa mística que nos machuca e nos atrai, nos fere e nos enche de realização. Quem sabe essas cavernas nos escondam de seus olhos cativantes, de sua voz que não conseguimos resistir e por isso nos escondemos como Elias?

Elias caminhou por quarenta dias e quarenta noites em desespero até Horebe, (1Re 19:8), ali achou uma boa caverna e escondeu-se. Quarenta dias e quarenta noites. A Bíblia não fala de paradas, nem de descanso, apenas que caminhou todo esse tempo, conferindo intensidade ao drama de um coração angustiado, revelando o conflito que toma o coração daqueles que foram marcados num encontro com Deus. Quantas vezes tentamos fugir dessa vocação? Pedro até tentou voltar à pesca de peixes, mas o mestre chega na praia e faz ressoar a sua voz como quem diz: “eu não desisto de você”! Tu me amas? O texto nos diz que Jesus chegou na praia ao clarear da madrugada, Jo 21:4, e não há melhor hora para o vocacionado olhar nos olhos de seu mestre e entregar-se totalmente ao seu serviço.

Para quem iremos? Onde nos ocultaremos do teu olhar? Ou melhor, como fugiremos do seu amor, do seu chamado, da sua vocação? Horebe é o monte de Deus e é onde ele nos conduz para falar conosco. No monte de Deus, somos confrontados por seu amor, visto que não buscas nossos talentos e sim a nós mesmos. Deus nos permite fugir para as nossas cavernas e lá revela seu amor e graça a homens frágeis como nós. Embora não precise nem de mim, nem de você, em seu amor, nos escolhe para partilhar os anseios do seu coração.

Que fazes aqui, Elias? Foi a pergunta do Senhor a seu servo. 1Re 19:10. Ele vai às nossas cavernas para falar conosco, entra em nossos esconderijos para lembrar da nossa vocação. Sabe que somos frágeis e por isso nos oferece a sua força. Cativa-nos com tão sublime chamado de tal maneira que, no fundo o que mais desejamos é dar a nossa vida por ele.

Ele nos ensina a amá-lo, amar as ovelhas e a ter compaixão de um mundo perdido. Assim ele fez com Jonas, ensinando-o o que é a sua grande misericórdia, amor e graça para homens que, como disse o Senhor, “não sabem discernir a mão direita da esquerda” Jn 4:11.

Talvez, ainda entraremos em muitas cavernas existenciais, mas com certeza, ele virá ao nosso encontro com sua doce voz dizendo que foi a mim, que foi a você que ele chamou e deu uma missão, uma vocação.

 A caverna não pode transformar-se em morada para o que foi chamado. É lugar de reflexão, arrependimento e rendição ao seu chamado. A única forma de deixar a caverna é quebrantado e, na verdade, ninguém sai de lá mais forte, mas, com certeza, cheio de convicção de que o Senhor estará presente concedendo da sua graça, poder e unção para cumprirmos nosso ministério.

Filipenses 3:13. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão,14. prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.15. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se, porventura, pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá.16. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

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