Pastores que não param!

1Tm 4.16. “Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino;

Vivemos sob muitas pressões. Lutas diárias, cuidados, desejos e ambições que nos perturbam e inquietam, situações que exercem sobre nós um efeito extremamente negativo tornando-nos preocupados e ansiosos. Envolvidos em tudo isso, desenvolvemos uma incapacidade de parar, desacelerar os pensamentos, afetando assim nossa vida de meditação, contemplação e oração.

Os primeiros reflexos aparecem em nós mesmos. Pouco discernimento, falta de unção, distanciamento do coração de Deus, falta de paz interior para ouvi-lo no silêncio e solitude. Consequentemente, superficialidade na exposição da palavra, e uma aplicação fria da mesma na vida dos discípulos. A maior estratégia de satanás é nos manter bastante ocupados e preocupados para que não sejamos íntimos do Senhor. Essa tem sido uma arma eficiente de satanás contra aqueles que desejam cooperar no reino de Deus. Excesso de trabalho, mentes inquietas e corações sobrecarregados. Jesus nos alertou acerca da inquietação que tomaria o coração dos homens dos últimos dias, e fez uma advertência:

Lc. 21:34-35 “Olhai por vós mesmos; não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e aquele dia vos sobrevenha de improviso como um laço.

Esta advertencia foi dada aos apóstolos e estende-se a todos que cooperam na casa de Deus nesses últimos dias! Corações sobrecarregados dificilmente ouvirão a voz do Senhor.
Ao analisarmos os capítulos 8 e 9 de Mateus percebemos como nosso mestre envolveu-se intensamente na obra e também como não falta trabalho na casa de Deus. Muitas necessidades e necessitados, doentes, depressivos e perturbados. Cristo conseguia colocar-se acima destas pressões e demandas, porque a comunhão com o Pai era posta em seu devido lugar. Primeiro a comunhão, depois o serviço. “Levantou-se alta madrugada! E orava.”
Mc. 1:29-35. “Retirava-se para lugares solitários, E orava.” Lc. 5:15-16
Levantar-se de madrugada; buscar lugares solitários.
A comunhão com o Pai e com sua palavra deve caracterizar os que estão à frente da obra. Essa foi a primeira decisão tomada pelos apóstolos como resposta ao aumento do número dos discípulos no início da igreja. Dedicar-se a oração e a palavra.
Atos.6:4. “Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.

Muitas vezes perdemos o dinamismo não por falta de tempo, mas por falta de parar e aquietar; nos afadigamos mais do que deveríamos por não nos colocarmos em sua presença.

É fato que muitos se distanciam de Deus envolvidos no serviço ao próprio Deus. Parece contraditório mas há momentos que Deus só consegue tratar o caráter dos seus obreiros através de um doloroso espinho na carne. 1Co 12:7. Paulo, ao orientar Timóteo no exercício do seu serviço, destaca que a primeira preocupação do obreiro é consigo mesmo e depois com o rebanho.
1Tm 4.16. “Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem”.

Se um obreiro não entende o valor do cuidado com sua vida pessoal, corre o risco de ficar desqualificado para o serviço na casa de Deus. Um homem pode ter o chamado de Deus e ser reprovado pela qualidade de sua vida. Uns até são diligentes no serviço mas, negligentes consigo e com suas famílias, Insensíveis com as necessidades emocionais de suas esposas e sem discernimento para com o coração de seus filhos. Homens que os olhos brilham para a obra, mas não demonstram o mesmo ardor para o seu rebanho mais próximo, sua esposa e filhos. E muitos têm pago um preço alto por isso. ficaram tão fascinados com a obra que esqueceram-se do cuidado com a vida pessoal. Esse cuidado abrange não somente a vida de comunhão com Deus e sua palavra mas a família, pois, sem ela não há ministério. Paulo expressa preocupação em não ficar desqualificado para o serviço, negligenciando sua vida pessoal com Deus.

1Co 9:27-28. “Pois eu assim corro, não como indeciso; assim combato, não como batendo no ar.Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à submissão, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado”.
Advertindo os anciãos da igreja de Éfeso ele coloca o serviço sob a mesma perspectiva:

At. 20:28 “Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue”.

Tenham em primeiro lugar, cuidado de vós mesmos para não se tornarem desqualificados. Jesus não queria ser tudo para todos. Sabia quando parar, isolar-se, estar com o pai, nos dando um modelo de liderança dependente, ativo, mas não ativista, tendo nessa comunhão a força para avançar, realizar e enfrentar as adversidades, assim como selecionar homens para darem continuidade ao serviço. Ele orava para selecionar homens. Lc. 6:12-13. Orava para ter direção. Mc. 1:35-39. Orava para resistir as tentações. Lc. 6:11-12

É óbvio que podemos trabalhar muito “para Deus” e pouco “com Deus”. Creio que Deus tem o serviço de muitos mas a atenção de poucos. Muitos não conseguem parar de trabalhar para Deus, porém pouco do seu tempo é gasto na comunhão com Ele. Em 2Tm. 2:3-4 ele nos lembra que os que foram chamados são soldados a serviço do reino e que não podem embaraçar-se com negócios desta vida. Se Ele não consegue tratar conosco, porque desejaria o nosso serviço? Jesus viveu acima das pressões diárias pois vivia pelo pai e para o pai, por esse motivo estar na presença dEle era mais importante que qualquer outra coisa. Nosso coração é enganoso! Podemos gostar muito do som da nossa própria voz e estarmos seduzidos demais por audiência, que ficar a sós com Ele torne-se uma tarefa enfadonha. Que Ele nos ajude!

4 respostas
  1. gabriel aravena
    gabriel aravena says:

    Lembrei me quando no livro do " O Homem do céu" yun, fala sobre parar, para está com a familia. Ele fala sobre obra e que em um determinado momento começou a dizer não ha algumas coisas pq percebeu que os filhos e a esposa precisava dele. Boas colocações.

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