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Fracassos. Uma Reflexão Sobre a Queda e a Restauração Em Cristo.

“Pela terceira vez, Jesus lhe perguntou: Simão, filho de João, tu me amas? Pedro entristeceu-se por Ele ter lhe perguntado pela terceira vez: Tu me amas? E respondeu: Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes que eu te amo. Jesus lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas.” (João 21:17, ARA)

1. A Dor do Fracasso na Fidelidade a Cristo.

Não há dor maior para um filho de Deus do que o sentimento de ter falhado em sua fidelidade ao Mestre. Mais doloroso ainda é tropeçar em áreas que pensávamos já ter superado. Nessas horas, parece que o chão nos falta. Somos tomados por tristeza, desânimo e a decepção de termos falhado.
As lágrimas rolam, a angústia corrói, e o coração fica pesado. Assim como Pedro ao negar Jesus, muitas vezes nos isolamos, buscando escapar da vergonha e da decepção que nos envolvem. Nos sentimos tão indignos que tentamos nos esconder no trabalho, no lazer ou em qualquer distração que alivie o peso da culpa. Porém, esquecemos de algo essencial: Jesus não desiste de nós.

2. O Diálogo da Restauração: Jesus e Pedro. (João 21:15-18).

O diálogo entre Jesus e Pedro revela a nossa fragilidade e a necessidade de permanecermos em Sua presença. Confiar em nossas próprias forças nos conduz ao fracasso, pois somos traídos por nossa arrogância. Quando Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele o ama, Ele não busca condená-lo, mas sim uma confissão sincera, uma entrega total e incondicional. E assim como Ele olhou nos olhos de Pedro, o faz também conosco.
Na noite em que Jesus foi traído, Pedro negou seu Mestre três vezes diante de uma fogueira. Agora, diante de outra fogueira, Jesus oferece a Pedro a oportunidade de redenção. Ao perguntar: “Você me ama mais do que a estes?”, ele o desafia a refletir sobre suas prioridades.
É como se ele perguntasse: “Você me ama mais que a esses seus companheiros? Mais que redes, barcos e pescarias? Você me ama mais do que esses homens dizem amar a mim?” Essa pergunta ecoa em nossos próprios corações. Cristo vem até nós para nos ajudar a nos entregar completamente a Ele, pois nossa capacidade humana é insuficiente.

3. A Presunção de Pedro e o Alerta para Nós.

Jesus disse: “Quem de mim se alimenta, viverá por mim” (João 6:57). Nossa suficiência vem dEle, e a dependência diária é a chave para viver uma vida que lhe agrada. A arrogância, por outro lado, nos cega para as advertências do Senhor, seja por meio do seu Espírito ou de irmãos ao nosso redor. O resultado é sempre desastroso, pois a autossuficiência nos afasta da graça divina.
Pedro é um exemplo claro. Quando Jesus lhe advertiu sobre a negação, Pedro respondeu com presunção: “Ainda que todos te abandonem, eu jamais te abandonarei” (Mateus 26:33, NVI). Essa presunção arrogante levou à sua queda. Quantas vezes nós, em nossa arrogância, julgamos os outros e, logo depois, caímos nos mesmos erros? A lição que Jesus ensina a Pedro e a nós é a necessidade de humildade e dependência.

4. Jesus Vem ao Nosso Encontro.

Naquela madrugada, sete discípulos estavam pescando juntos, mas Jesus veio com um propósito claro: buscar Pedro, aquele que estava desiludido e destruído pelo seu próprio pecado. Pedro havia abandonado tudo para seguir a Cristo, mas agora, após sua falha, parecia sem esperança de restaurar sua vocação. Como é bom saber que ele cuida de cada um de nós individualmente. Ele deixa as noventa e nove para buscar aquela ovelha que se desgarrou.

5. Nossa Identificação com Pedro.

É aqui que nos identificamos com Pedro. Sua fraqueza, arrogância e, ao mesmo tempo, seu ardor estão presentes em todos nós. Porém, também podemos ver nessa passagem o profundo amor e zelo de Cristo. Assim como Ele buscou Pedro para restaurá-lo, Ele vem ao nosso encontro nos momentos de maior desespero.
Pedro, em sua resposta, apela para o conhecimento de Jesus: “Senhor, Tu sabes todas as coisas; Tu sabes que eu Te amo”. Às vezes, nos encontramos como Pedro, desapontados conosco, prontos para desistir. Mas é nesse momento que Jesus se aproxima, olha em nossos olhos e nos chama de volta ao Seu amor e propósito.

Conclusão.
A restauração de Pedro, após sua negação, nos lembra de que o fracasso não é o fim da caminhada com Cristo. Mesmo em nossos piores momentos, o Senhor nos busca, não para nos condenar, mas para nos restaurar com Seu amor e nos reconduzir à missão que Ele nos confiou. O diálogo entre Jesus e Pedro revela que o verdadeiro amor por Cristo exige humildade e dependência total dEle.
Nossos fracassos muitas vezes nascem da arrogância e autossuficiência, mas o amor de Cristo transforma nossa fraqueza em força e nossa queda em uma oportunidade de redenção. Assim como Pedro, somos chamados a nos levantar, com um coração renovado e um compromisso sincero com o Senhor. Ao respondermos ao Seu amor com sinceridade, podemos confiar que Ele nos capacitará a apascentar Suas ovelhas, vivendo uma vida de serviço e obediência.
Que nossa resposta, como a de Pedro, seja sempre: “Senhor, Tu sabes que eu Te amo.” Que essa declaração guie nossa caminhada, nos lembrando de que, em Cristo, sempre há esperança e restauração.

Uma santa vocação!

Lucas 4:43 Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.

Todos os homens buscam uma razão para viver, algo que dê significado à sua breve jornada nessa terra. A vida em torno de si é cansativa e tediosa. Para os filhos de Deus, viver para si é uma armadilha fatal, pois esse caminho está na contramão da proposta que Ele fez a nós, (2Co 5:15). O cristão não é chamado para viver em torno de sua própria vida, mas para aquele que o resgatou. Embora o Senhor nos garanta que está atento às nossas necessidades, Ele sabe o quanto somos tendenciosos a fazer dos nossos desejos e sonhos um ídolo que irá nos consumir, nos escravizando à vida do ego, atraídos cada vez mais pelo que é humano.
As conquistas materiais e emocionais nos dão alegrias, satisfazendo por algum tempo, mas somente o sentimento de estarmos no centro da vontade de Deus leva-nos a descobrir o sentido pleno de nossas vidas. Bons empregos, bens e êxito no amor são legítimos, todavia, nesse caminho da vida voltada para si, encontramos uma legião de desanimados na fé, frustrados e mortos espiritualmente, amargando as consequências de colocar o senhor num plano secundário em suas vidas. Se você nasceu de novo, o Espírito Santo estará sempre lembrando o motivo desta experiência. Cada vez que você obedece a esse chamado, compartilhando com outros o amor de Deus, seu coração é tomado de uma alegria inexplicável e um senso de realização que se assemelha ao que Jesus disse no texto citado no início.
Voltando à fala de jesus, percebemos nele um senso de destino bem estabelecido, totalmente entregue à vontade do pai. Respondendo à pergunta dos seus discípulos, afirma que a sua comida era fazer a vontade de Deus e realizar a sua obra. Jo 4:34. A vontade do pai alimentava seu coração e era a força motriz que o impulsionava, dando sentido pleno à sua vida nesse mundo.
Nunca ninguém viveu em situação tão adversa como Jesus e foi tão resolvido emocional e espiritualmente. Ele chega a dizer que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida, MC 10:45. Ao olharmos para a vida do nosso mestre e o teor de sua mensagem devemos nos perguntar em que ponto de nossa caminhada abandonamos o primeiro amor e a prática das primeiras obras, AP 2:4-5, nos arrependermos em quebrantamento e rendição diante do nosso Deus que nos chamou com uma santa vocação para vivermos em louvor de sua glória. 2Tm 1:9

2 Tessalonicenses 1:11 Por isso, também não cessamos de orar por vós, para que o nosso Deus vos torne dignos da sua vocação e cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé,