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A Ilusão Da Felicidade Terrena e o Valor do Sofrimento na Vida Cristã.

E, agora, impelido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali vai me acontecer, exceto que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que prisões e sofrimentos estão à minha espera. (Atos 20:22-23).

1. O Evangelho Moderno: Promessas de Bem-Estar Imediato.

Já observaram como as propostas evangélicas estão cada vez mais atraentes? Como muitas igrejas e pastores modernos estão oferecendo o céu na terra? Os convites de algumas igrejas trazem promessas de felicidade plena, saúde perfeita e a aquisição de bens e riquezas que nos darão a sensação de uma vida plena aqui e agora.
As igrejas com pregações motivacionais, que dizem aos homens o que eles gostam de ouvir, são as que mais crescem. A estética entrou no radar de muitos pastores, que procuram fazer de seus cultos verdadeiros eventos terapêuticos. Luzes moduladas criam um ambiente relaxante, músicas cuidadosamente escolhidas se harmonizam com as necessidades emocionais dos fiéis, e o teor da mensagem é adaptado para oferecer bem-estar imediato. Nada de falar sobre culpa, pecado ou da obstinação humana.
Esse tipo de pregação molda o cristianismo moderno, onde a centralidade não está mais na cruz de Cristo, mas nas demandas humanas. Mas, ao distorcer a verdadeira essência do evangelho, vemos surgir cristãos cada vez mais frágeis, incapazes de lidar com adversidades.

2. Um Evangelho Sem Cruz.

Sem querer julgar o coração de ninguém, mas olhando para o teor da pregação moderna, percebo uma guinada na mensagem do novo nascimento e arrependimento. Em vez de uma profunda experiência com Cristo, muitos oferecem um evangelho sem cruz, sem renúncia e sem sacrifício. Ao invés de pregar Cristo, igrejas levantam cartazes oferecendo abraços ou dizendo que eles são bem-vindos. As consequências são devastadoras. Os cristãos, moldados por essa mensagem superficial, veem todas as adversidades como uma obra maligna ou a ausência de Deus.
Por não ouvirem o evangelho genuíno, não sabem mais lidar com momentos de aflição, doenças e decepções, que vêm por diversos motivos. A enfermidade, a oposição do inimigo, os embates da carne e o sistema mundano nos antagonizam e nos causam angústia. Jesus nos advertiu: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo.” (João 16:33, NVI). Sabemos que o mundo está sob o controle do maligno (1 João 5:19), e, por isso, o cristão vive em constante oposição.

3. O Testemunho de Paulo e a Realidade do Sofrimento Cristão.

O apóstolo Paulo, impelido pelo Espírito Santo, estava ciente de que prisões e sofrimentos o aguardavam. Em Atos 20:22-23, ele diz: “E, agora, impelido pelo Espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali vai me acontecer, exceto que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que prisões e sofrimentos estão à minha espera.” Ele não demonstrou medo ou revolta; ao contrário, aceitava como parte do chamado divino.
Essa postura de Paulo contrasta fortemente com o cristianismo moderno, onde o sofrimento é visto como algo a ser evitado a todo custo. O discurso de vitória, tão popular hoje, ignora que a verdadeira vitória no evangelho não está em evitar o sofrimento, mas em permanecer firme, mesmo em meio a ele.

4. A Importância do Sofrimento no Evangelho.

O sofrimento cristão não é uma anomalia. Pelo contrário, ele faz parte do processo de santificação e amadurecimento espiritual. O apóstolo Pedro nos lembra que nossa fé é provada no fogo, como o ouro (1 Pedro 1:7). Tiago nos ensina a ter alegria nas provações, pois elas produzem perseverança (Tiago 1:2-3).
Paulo, por sua vez, aprendeu a ter prazer nas fraquezas: “Porque, quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Coríntios 12:10). Essa perspectiva está em contraste direto com as pregações modernas que evitam qualquer menção de fraqueza ou sofrimento. A busca pela perfeição humana e por uma vida isenta de dificuldades, afasta os cristãos da verdadeira profundidade da fé e de experimentarem um verdadeiro amadurecimento. Foram esses sofrimentos que o prepararam para cooperar melhor na obra de Deus.

5. As Provações nos Aproximam de Deus.

As lutas e provações têm um propósito divino: nos humilhar e nos fazer depender mais de Deus. Como está escrito em Deuteronômio 8:3: “Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, […] para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem.” É no meio das aflições que somos moldados, aprendendo a confiar plenamente no Senhor.
A idolatria da felicidade e do bem-estar é uma distorção da mensagem cristã. Paulo advertia os novos convertidos: “Através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22). Ser cristão é entender que o sofrimento faz parte da caminhada, mas que, nele, somos aperfeiçoados para a eternidade.

6. Sofrimento: Honra e Vocação Cristã.

O verdadeiro evangelho não esconde a realidade do sofrimento. Paulo via o sofrimento como parte da graça: “Porque vocês receberam a graça de sofrer por Cristo, e não somente de crer nele” (Filipenses 1:29). Da mesma forma, após serem açoitados por pregarem o evangelho, os apóstolos se alegraram por serem considerados dignos de sofrer pelo nome de Jesus. “Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio, regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome.” (Atos 5:40-41).
Pedro e João, após serem ameaçados, não pediram a Deus livramento, mas ousadia para continuar proclamando o evangelho (Atos 4:29-30). Se reuniram em oração pedindo mais intrepidez para continuar pregando. Eles sabiam que o sofrimento era inevitável, mas viam nele uma honra e uma oportunidade de glorificar a Cristo.

7. Perseverança nas Aflições.

Quando entendemos a natureza do nosso chamado e a dimensão da nossa vocação, nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. As adversidades são parte fundamental da nossa preparação para a vida eterna. O apóstolo Paulo, em sua jornada, sabia dos riscos, mas também sabia que a sua missão era maior do que qualquer dor temporária: “Porém, em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, desde que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (Atos 20:24).
Que possamos, como os apóstolos, encarar as provações com a certeza de que elas nos conduzem à maturidade espiritual e à intimidade com Deus, sempre lembrando que nossa verdadeira vitória está em seguir a Cristo, mesmo em meio ao sofrimento.

Uma Oração Respondida

2Coríntios 12:9 Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.

Quantas vezes pedimos ao Senhor forças diante de nossas evidentes fraquezas e provações e mesmo assim elas persistem? Quantas vezes nos desanimamos por achar que não atingimos o nível de experiência e maturidade que outros irmãos parecem ter alcançado? Então nos abatemos e, como Pedro, após ter negado ao mestre, voltamos para nossas vidas, decepcionados por termos falhado. O apóstolo encontrava-se em guerra, achando que o que mais precisava era de uma forte sensação de capacidade e controle emocional. Nada de se sentir fraco e abatido diante das lutas e adversidades da vida! Afinal, ele era o “apóstolo Paulo!”. A resposta do Senhor foi surpreendente. “A minha graça te basta, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza!”

A pedagogia divina não segue a lógica humana. Ele faz do deserto sua melhor sala de aula e das aflições e sofrimentos diversos, meios para forjar o melhor em nós, Dt 8:2-3. Como disse o apóstolo Pedro: “Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.” 1Pe 1:7 se o ouro perecível é provado no fogo, muito mais a nossa fé, para que, no final, o nosso Deus seja glorificado em nossas vidas. 

Em muitas circunstâncias, nossas motivações são egoístas e Deus sabe disso. Temos uma forte inclinação à vanglória e ao orgulho, e por essa razão ele não nos livra do desconforto e de nos sentirmos fracos diante das perseguições, injúrias, necessidades e angústias diversas, pois é justamente nessas circunstâncias que experimentamos o seu poder, nos aperfeiçoando.

Quando olho para minha jornada pessoal, lembro das situações dolorosas que vivi e que por muitas vezes murmurei, sem perceber que o pai estava moldando meu caráter para que me tornasse útil em sua casa. Na época eu não enxergava, hoje, porém, agradeço ao Senhor pelas dores que ele me permitiu passar, pois pude experimentar um pouco mais de amadurecimento, me tornando assim, mais paciente e amável com os que sofrem com suas angústias e fraquezas. 

O salmista reconhece que as aflições foram proveitosas para ele. “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos.” Sl 119:71. Algumas vezes as aflições são provações para nos fortalecer e, em outras, uma disciplina do senhor para nos corrigir e arrancar de nós a rebeldia. Por não enxergarmos todo o quadro dos processos de Deus em nossas vidas, somos levados a tirar conclusões precipitadas, e na maioria das vezes, em desgosto contra Deus, ainda que de forma velada. No livro de Eclesiastes, lemos: “Deus marcou o tempo certo para cada coisa. Ele nos deu o desejo de entender as coisas que já aconteceram e as que ainda vão acontecer, porém, não nos deixa compreender completamente o que ele faz.” (Ec 3:11NTLH). Mesmo que não faça sentido os acontecimentos presentes que cada um esteja enfrentando, ele faz tudo perfeito, e com certeza, visando o nosso bem.

O apóstolo recebeu a resposta do Senhor à sua súplica e ficou satisfeito. A graça de Cristo é melhor que a capacidade humana, pois se sua graça estiver operando em nós, estaremos sendo aperfeiçoados e seu poder se manifestará através de nossas vidas para glória dele. Isso deve nos trazer bem-estar. E você? Está satisfeito com a resposta do Senhor às suas angústias?

Uma prova de fogo.


1 Pedro 1:7 Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;

A nossa fé está sendo provada por Deus dia a dia. Assim como o fogo prova o ouro e o purifica, assim também a nossa fé é provada diariamente para sermos aperfeiçoados e aprovados por Ele. Os homens dão grande valor ao ouro e às riquezas, o apóstolo, porém, está nos dizendo que para Deus, a nossa fé é mais preciosa do que o ouro que perece.
Ele valoriza a perseverança dos seus filhos em meio às dificuldades do dia a dia, com fé em suas promessas, mesmo quando as circunstâncias não são favoráveis. Às vezes nos abatemos com nossas próprias fraquezas, outras nos decepcionamos com pessoas as quais amamos. Há momentos em que nossos planos parecem que não irão se concretizar, ficamos confusos e desanimados, e, nesse processo, nossa fé está sendo provada e purificada como o ouro, para no final, sermos aprovados por ele, ouvindo de seus lábios: “vinde benditos de meu pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Mt 25:34.
Então, não reclame das circunstâncias. Podemos não enxergar o quadro todo, mas ele é o Deus que trabalha para nos aperfeiçoar a cada dia. Não estranhe as fases difíceis de seu caminhar, pois o nosso Deus tem grande expectativa em nossa vitória final. Seja perseverante!

1 Pedro 1:9 Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.

O caminho de Deus

“Deus escreve certo em linhas tortas.” Este é o ditado que ouvi desde criança. Não sei exatamente em que base isso foi produzido, entretanto, a palavra do senhor nos garante que ele traça um caminho na tormenta, (Naum 1:3) ou seja, no meio da tempestade 

Somente o todo-poderoso pode conduzir um filho seu por um caminho no meio de uma tormenta onde reina o caos total. Isso nos faz pensar que, quando não há caminho algum possível para nós, quando não houver do nosso ponto de vista nenhuma rota de fuga e nos sentirmos totalmente sem rumo, ele tem para os seus filhos um caminho que os fará passar pelos vales de dificuldades com a segurança da condução de sua presença, mesmo quando não conseguirmos perceber, ele estará lá.

Em Is. 55:8-9 lemos que os caminhos dele são mais altos que os nossos e que seus pensamentos são mais elevados que os nossos, então, como poderemos saber exatamente o que ele está fazendo a nosso favor dentro de seus grandiosos propósitos? Não temos como compreender todo o quadro dos seus processos em nossas vidas, assim como não temos capacidade alguma em entender a grandeza de seus caminhos e planos sublimes a nosso respeito. Então, podemos perguntar: “ele é confiável? Certamente que sim! A palavra do Senhor enfatiza sua fidelidade. Paulo chega quase a gritar na carta aos romanos capítulo 8: 

Romanos 8:31 Que diremos, então, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas por todos nós o entregou, será que não nos dará graciosamente com ele todas as coisas?

Ele enfatiza a radicalidade do seu infinito amor por nós em não poupar o que tinha de mais precioso, o seu filho amado, sacrificando-o por nós e, como se estivesse respondendo nossas angústias mais profundas, nos pergunta:

Como esse Deus que chegou a tais consequências, não nos dará graciosamente todas as coisas? Seria possível ele esquecer-se de nós? Seria possível nos abandonar? Há alguma possibilidade dele não cumprir sua palavra a nosso favor? Em números, o profeta disse o seguinte:

Números 23:19 Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? Ou, tendo falado, não o cumprirá?

Por toda a palavra do Senhor encontramos a maestria desse Deus cuidando dos seus, conduzindo-os por caminhos que muitas vezes são incompreensíveis, e através de seus sublimes propósitos, levando-os ao crescimento e amadurecimento pessoal. Isaías chega a dizer que, diferente das divindades criadas pela mente humana, nunca se viu um deus como o nosso Deus.

Isaías 64:4 Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera.

Essa é uma das afirmações mais belas e profundas das escrituras, pois nos revela que Deus não pode ser comparado a nada, nem pode ser compreendido pela mente humana.

Está fora do escrutínio dos homens. Ele está enfatizando haver coisas que herdamos, outras, conquistamos pela dedicação, estudo e aprendizado humano. Há coisas que os sentidos humanos nos fazem perceber e compreender, mas, Deus não. Desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com olhos se viu um Deus como esse, que trabalha para aqueles que nele espera. 

Seu modo de agir está além de qualquer compreensão humana, porém, a ênfase está no fato em que ele trabalha em prol dos seus filhos amados que mesmo sem entender todos os seus processos em suas vidas continuam esperando na fidelidade misteriosa desse Deus.

Davi, ao passar por grandes aflições, medos, ameaças e sofrimentos disse:

Salmos 18:28 Porque fazes resplandecer a minha lâmpada; o Senhor, meu Deus, derrama luz nas minhas trevas. 29 Pois contigo desbarato exércitos, com o meu Deus salto muralhas. 30 O caminho de Deus é perfeito; a palavra do Senhor é provada; ele é escudo para todos os que nele se refugiam. 31 Pois quem é Deus, senão o Senhor? E quem é rochedo, senão o nosso Deus? 32 O Deus que me revestiu de força e aperfeiçoou o meu caminho, 33 ele deu a meus pés a ligeireza das corças e me firmou nas minhas alturas. 34 Ele adestrou as minhas mãos para o combate, de sorte que os meus braços vergaram um arco de bronze.

Se em meio as turbulências dessa vida começarmos a duvidar do seu amor e de sua fidelidade estaremos andando num lugar perigoso, escorregadio, brincando com o fogo da apostasia e incredulidade. O que ele requer de nós é que confiemos em sua condução, ainda que, nesse exato momento, esteja permitindo que passemos pelo vale da sombra e morte, onde a angústia, medos e incertezas tentam nos engolir, ele nos chama a confiar e descansar.

Davi diz no vs 30 que o caminho de Deus é perfeito mesmo que não pareça. Quando olhamos para nossas vidas conturbadas e cheia de situações que fogem ao nosso controle, o seu caminho continua sendo perfeito e ele continua trabalhando para o nosso bem.

No livro de romanos, Paulo diz:

Romanos 8:28 Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

Ele usa o verbo “sabemos“ no presente do indicativo, primeira pessoa, no sentido de: “compreendemos”, “conhecemos”, “percebemos”, “entendemos” enfatizando que, se você ama a Deus, ele fará que todas as coisas cooperem para o seu bem e a cada dia ele trabalha para refletir a imagem de Cristo em você. Pelo Espírito podemos ter certeza e convicção de seus bons propósitos para conosco.

Embora seus caminhos sejam misteriosos, cada situação relacionada a nós está sob sua vontade soberana agindo de tal maneira que, no final, ele seja glorificado e nós, aperfeiçoados. Estamos debaixo de seu eterno amor que nos guarda e nos protege. A ele seja a glória eternamente, amém.

Salmos 31:7 Eu me alegrarei e regozijarei no teu amor, pois consideraste a minha aflição e conheceste as angústias da minha alma. (Edição contemporânea).