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Reflexão sobre a Ira e a Sabedoria no Falar

Tiago 1:19-20 Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não produz a justiça de Deus.

O texto de Tiago 1:19-20 nos traz uma exortação valiosa sobre a necessidade de sermos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para nos irar. Essas instruções são essenciais para mantermos relacionamentos saudáveis e para agirmos conforme a justiça de Deus, evitando que a ira humana domine as nossas ações e palavras.

A Cegueira da Ira

A ira tem a capacidade de cegar o homem, impedindo-o de agir com retidão e justiça. Quando estamos tomados pela ira, frequentemente desejamos vingança ou aplicamos punições exageradas, perdendo o senso de proporção e, na maioria das vezes, excedemo-nos na fala ou na ação, causando mais dano do que benefício. Ações e reações baseadas na ira geralmente causam muitos danos nos relacionamentos. Lemos em provérbios 29:11: “O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se.” (NVI).

A Ira e os Relacionamentos Fraternos e Familiares

Essa realidade se aplica não apenas aos relacionamentos entre irmãos na fé, mas também no contexto familiar. No relacionamento entre marido e mulher, ou entre pais e filhos, palavras ditas com ira, muitas vezes produzem dor ao invés de cura. Tais palavras podem criar abismos silenciosos no relacionamento, especialmente quando não há um esforço sincero para reparar o dano causado e pedir perdão. Há muitas esposas, maridos e filhos que guardam dores profundas de palavras proferidas em momentos de raiva e desentendimentos e que nunca foi feita uma reparação através do pedido de perdão.
O ambiente familiar deixa as pessoas mais desarmadas e menos cuidadosas quanto às suas reações, gerando assim feridas por meio de palavras e explosões de ira. O texto de provérbios nos alerta: “Quem logo se irrita comete loucuras… (provérbios 14:17 NAA).”

A Ira no Exercício da Autoridade e Responsabilidade

Aqueles que estão em posições de autoridade, como pais, pastores e líderes, devem ter um cuidado redobrado no exercício dessa autoridade. Muitas vezes, pensa-se que a posição de autoridade dá o direito de falar de qualquer jeito ou tratar os outros de qualquer maneira. Esse comportamento pode levar à perda de respeito e admiração, dificultando ainda mais os relacionamentos e a liderança. Aqueles que exercem autoridade, seja em qualquer esfera, devem se lembrar que a ira humana não opera a justiça de Deus. Aprender a ouvir com o coração antes de dar a sentença poupa muitas dores e desgastes nos relacionamentos. Lidar com a autoridade recebida requer de cada um grande senso de responsabilidade, pois as reações explosivas revelam a nossa imaturidade e compreensão distorcida do nosso papel de ser exemplo e referência para os que nos rodeiam. O apostolo Paulo, escrevendo para os irmãos de Tessalônica, revela o sentimento de amor, carinho e paternidade para com eles: “E vocês sabem muito bem que tratamos cada um de vocês como um pai trata os seus filhos,
exortando, consolando e admoestando vocês a viverem de uma maneira digna de Deus, que os chama para o seu Reino e a sua glória. (1 Tess 2:11-12. NAA).”

A Exortação de Tiago

Tiago nos exorta a sermos pacientes para ouvir, buscando expressar a justiça de Deus ao invés da nossa própria indignação. Confundir a nossa indignação pessoal com a de Deus revela uma arrogância que pode causar muitas ruturas e feridas entre os irmãos. Devemos ser cautelosos no falar, buscando refletir os sentimentos do coração de Deus e não a nossa ira humana.

A Comunicação com Sabedoria

Devemos ter cuidado com os sentimentos que expressamos no nosso falar. Falar alto demais ou gritar são formas de intimidação e demonstram desequilíbrio. Nosso olhar também pode comunicar condenação, ira ou desprezo. Além disso, a incapacidade de ouvir revela insegurança e o desejo de dominar através da fala.

Crescimento e Maturidade

Busquemos ao Senhor para que Ele nos amadureça nas nossas relações pessoais. Que possamos ser homens e mulheres cheios de sabedoria no falar e pacientes para ouvir, expressando a maturidade de Cristo em nós. A verdadeira maturidade se revela na capacidade de ouvir atentamente, falar com prudência e evitar a ira que destrói

Conclusão

Seguir a exortação de Tiago é um passo crucial para vivermos em harmonia com os nossos irmãos e com as nossas famílias. A ira do homem não produz a justiça de Deus, mas um coração submisso, paciente e cheio de amor refletirá certamente a justiça e a graça do Senhor. Que possamos, cada dia mais, buscar essa maturidade e viver segundo os princípios ensinados na palavra de Deus e foi transmitida a nós pelo apóstolo.