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A Humildade de Cristo e Seus Reflexos nos Relacionamentos Cristãos

A humildade é o balsamo que perfuma todas as relações na igreja, e o exemplo de Jesus é a maior referência que temos sobre como viver uma vida cheia de graça e verdade. Quando falamos sobre humildade, estamos tratando de uma atitude que não busca prevalecer, mas servir. No entanto, existem pessoas que, mesmo se considerando cristãs, vivem afastadas do verdadeiro espírito de humildade, sendo arrogantes e resistentes, não se deixando tratar. Essa postura, embora pareça ser uma defesa da autonomia, muitas vezes acaba trazendo consequências devastadoras para a vida espiritual e emocional dessas pessoas. Ao refletirmos sobre o exemplo de humildade de Jesus, é impossível ignorarmos as atitudes que nos afastam do caráter de Cristo e como elas podem nos conduzir a um caminho de sequidão espiritual.

1. Jesus, o grande exemplo de humildade: Em Filipenses 2:5-8, somos desafiados a ter a mesma atitude de humildade que Jesus teve. Mesmo sendo igual a Deus, Ele não se apegou a Sua posição celestial, mas desceu à terra e se fez servo, humilhando-se até a morte na cruz. Essa atitude não foi impulsionada por fraqueza, mas pela força do amor e da obediência a Deus. Ele não buscou o reconhecimento ou a honra de Sua posição divina. Pelo contrário, sua vida foi marcada por servir aos outros, sendo o exemplo perfeito de humildade.

2. O Perigo da Arrogância no Corpo de Cristo: A arrogância é um dos maiores obstáculos para o crescimento espiritual. Pessoas que se consideram superiores aos outros, ou que possuem um coração cheio de críticas, estão se afastando do espírito de Cristo. A falta de humildade impede que essas pessoas se permitam ser pastoreadas, aconselhadas ou corrigidas. Usam o velho argumento de “não se submeterem a doutrinas de homens” para não se sujeitarem a ninguém. Elas estão mais preocupadas em defender suas próprias ideias do que em buscar a verdade de Deus. Como resultado, seus relacionamentos com outros irmãos e com seus pastores se tornam conflitantes, criando divisões, mágoas e afastamento.

Atitudes arrogantes podem incluir:

Dificuldade em escutar: A pessoa que nunca aceita um conselho ou que sempre tenta “ter razão” em uma discussão, mesmo quando o conselho é bíblico e edificante.
Desprezo pelos outros: quando alguém se coloca em uma posição de superioridade, ignorando a contribuição e a sabedoria dos outros.
Rejeição à autoridade: pessoas que têm dificuldade de se submeter à liderança, resistindo aos ensinamentos e correções dos pastores, sem considerar que a autoridade na igreja é uma ordenança divina.

3. Os Frutos da Arrogância: Quando a arrogância se instala no coração de uma pessoa, ela começa a experimentar frutos amargos, tanto espiritualmente quanto emocionalmente. A falta de humildade impede o crescimento espiritual, pois Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4:6). As consequências desse comportamento são visíveis na vida de muitas pessoas que, com o tempo, se tornam espiritualmente estéreis, sem frutos de paz, amor ou fé.

Os frutos da arrogância incluem:

Secura espiritual: A pessoa perde o fervor e a alegria no relacionamento com Deus, não experimentando mais a comunhão plena com o Espírito Santo. Lemos no Salmo 138:6: “O Senhor é excelso, contudo, atenta para os humildes; os soberbos, ele os conhece de longe.”
Isolamento emocional e relacional: pessoas arrogantes acabam afastando os outros, pois ninguém gosta de ser constantemente desconsiderado ou humilhado. Isso resulta em solidão, falta de amigos e um ambiente de desconfiança.
Desconstrução dos relacionamentos: A falta de humildade destrói a confiança e enfraquece as relações, tanto dentro da igreja quanto fora dela. A arrogância dificulta a reconciliação e o perdão, fazendo com que as feridas sejam ampliadas.

4. O Caminho para a Humildade: O exemplo de Cristo nos desafia a seguir o caminho oposto ao da arrogância: a humildade. A verdadeira grandeza no reino de Deus não é medida pelo reconhecimento humano, mas pela nossa capacidade em nos sujeitar. Jesus nos chama a renunciar a nossa vaidade e a nossa soberba, para podermos experimentar o Seu amor transformador.

Como podemos cultivar a humildade em nossas vidas?

Aprendendo a ouvir: esteja disposto a ouvir o que os outros têm a dizer, especialmente quando se trata de conselhos e correções de pastores e irmãos em Cristo. “Meu filho, se deixar de ouvir a instrução, você se desviará das palavras do conhecimento, (Pv 19:27 NAA).”
Submissão à autoridade: reconhecer que a autoridade que Deus colocou em nossas vidas, seja a dos pastores ou líderes espirituais, é para nosso bem e crescimento. “Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil,” (Hb 13:17 ARC).
Prática do perdão: cultivar o perdão e a reconciliação, abandonando a raiva, a mágoa e a resistência. “Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também,” (Col 3:13, ACR).
Caminhando para a conclusão da nossa meditação, vemos que a arrogância e a falta de humildade têm consequências devastadoras, tanto para a vida espiritual quanto para os relacionamentos. O exemplo de Jesus, que se esvaziou de Sua glória para se tornar servo, é o modelo que devemos seguir. Ao escolhermos o caminho da humildade, seremos mais parecidos com Cristo e experimentaremos os frutos da paz, do amor e da verdadeira comunhão. Que possamos, como cristãos, buscar a humildade todos os dias, permitindo que o Senhor transforme nossos corações e nos conduza a um caminho de bênçãos e crescimento espiritual.

Ai dos que se exaltam!

Mateus 23:11, Mas o maior dentre vós será vosso servo. 12 Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado.
Jesus disse que do coração procedem os maus pensamentos, Mt 15:19. Há Algo no coração do homem que o convence de um valor exagerado e um conceito de si mesmo que o ilude, levando-o a achar-se mais virtuoso que seus irmãos, seja por talentos naturais, conhecimento adquirido ou virtudes espirituais, induzindo-o a considerar-se superior, desprezando assim o seu semelhante. Essa atitude do coração humano, revela aquele sentimento que foi inoculado lá no Éden por Satanás em nossos primeiros pais – orgulho, soberba, altivez e competição desleal.
Quando ouvimos ou lemos sobre Exaltar-se, considerar-se superior, talvez pensemos que isso está longe de nós, que não corremos esse risco, até que, o Espírito Santo nos faz ver como avaliamos o serviço do outro, ou como criticamos, velada ou abertamente, a forma que o nosso irmão age, ou, como, no fundo, estamos convencidos de que poderíamos fazer melhor, ensinar melhor, conduzir melhor e, talvez, até sejamos mais capazes de fato, o que nos coloca numa relação perigosa com o sentimento do orgulho. Lemos em provérbios:

“O valor da prata e do ouro pode ser testado pelo fogo; o valor de um homem é demonstrado pela espécie de elogios que ele recebe. PV 27:21”(bíblia viva)

O fogo prova o valor da prata e do ouro; os elogios, o coração do homem. Elogios são reconhecimentos sinceros ou lisonjeiros feitos por aqueles que nos cercam. A intenção de quem elogia pouco importa e sim, a atitude de quem o recebe. O homem é provado pelos louvores que recebe e, é aqui, onde se revela a maturidade e a verdadeira espiritualidade desse homem. Ou seja, quanto mais maduro ou espiritual, menos confiará em si mesmo ou achar-se-á alguma coisa. Ao contrário, ao receber as honras e elogios dos que o cercam, terá plena consciência de que nada tem de si mesmo, que é um mero cooperador. Pode haver muitos serviços sendo feitos na igreja que não passarão na avaliação do Senhor, não resistirão a prova do fogo no tribunal dos galardões de Cristo naquele dia. (1Co 3:12-15). Enquanto alguns estão fascinados com a obra que realizam, Deus, o Senhor da obra, avalia as motivações e intenções dos corações dos que servem no seu reino. Um coração com sentimentos errados pode causar muitos estragos no reino de Deus.
Geralmente, os cismas, divisões e facções tem sua fonte no coração de homens e mulheres que estão fazendo algum serviço na casa de Deus. Seduzidos por Satanás, veem no sucesso do seu serviço o aval para acharem-se especiais, mais iluminados, tornando-se críticos, passando assim a desprezar os que não realizam o mesmo tipo de trabalho. O Senhor nos alerta em sua palavra:

Provérbios, 11:2 Em vindo a arrogância, chega logo também a desonra, mas com os humildes está a sabedoria.

Arrogância e desonra andam de mãos dadas, pois, é próprio do arrogante desprezar, descredibilizar para poder se destacar, falando bem de si mesmo e não reconhecendo o serviço do outro. Os que estão envenenados por esse espírito jamais entenderão que, na obra de Deus, não pode haver protagonismo humano, pois é Cristo quem realiza todas as coisas.
Nem sempre o sucesso no serviço cristão reflete a aprovação de Deus. Saul, permaneceu reinando sobre Israel até o dia de sua morte, mesmo sendo rejeitado por Deus. Suas necessidades de reconhecimento o conduziram a um caminho de autodestruição. Isso nos leva a entender que, nem sempre um homem de coração errado na obra de Deus é deposto imediatamente da posição que ocupa. Nada é mais eficiente para provar o coração do homem que dar-lhe poder e autoridade sobre outros! E, Deus que detém todo poder, concede a muitos a sua autoridade para provar os corações.
Aqueles que se deixam seduzir por esse espírito altivo jamais compreenderam que a verdadeira paz e descanso está em tomar o jugo de Jesus e aprender que, na sua mansidão e humildade de coração, encontramos a verdadeira paz. Mt 11:29-30.
Não há dúvidas que a primeira vítima do faccioso será sua própria família, implodida pelo espírito crítico e envenenada pela ilusão da superioridade espiritual. E então, os que derem ouvidos ao canto da sereia dos facciosos serão arrastados para o abismo do juízo divino como aconteceu com Datã, Coré e Abirão. Êx 16:31-33. Em mais de trinta anos servindo ao Senhor, jamais vi homens com esse espírito terminarem bem. Lamentavelmente, tais homens não sucumbem sozinhos, pois o orgulhoso e faccioso é eficiente em contaminar corações desavisados ou amargurados, causando prejuízos ao reino de Deus e destruindo muitas vidas.
O fim dos que se exaltam e se têm em alta conta será a humilhação e vergonha, pois o arrogante está em linha de colisão com Deus e não entende que, para ser grande no reino de Deus, deve aprender a ser servo de todos e, para ser o primeiro, deve aprender a buscar o último lugar. Se o crescimento do meu irmão não me alegra, mas me incomoda, algo precisa ser corrigido dentro de mim. Guardemos o nosso coração de todo sentimento que não se alinha com o sentimento de Cristo Jesus. Fl 2:5-8.

Mateus, 23

  1. Porém, o maior dentre vós seja vosso servo.