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Pensar Com Moderação: A Chave Para Usar os Dons de Deus

Romanos 12:3 Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

A recepção dos dons de Deus traz consigo não apenas poder, mas também uma grande responsabilidade: a de manter uma visão equilibrada de si mesmo. O orgulho e a imaturidade são desvios perigosos, capazes de distorcer essa percepção. Uma vez que as capacitações do Espírito colocam, naturalmente, o indivíduo em evidência, torna-se crucial a vigilância contra a tentação de se sentir superior. É nesse contexto que a palavra preventiva de Paulo ressoa, alertando contra a autoexaltação que mina a unidade da igreja, semeando desprezo e divisões.

Esse é um dos fatores que mais geraram divisões e destruição na igreja. Homens que, ao receberem dons de Deus, já não se submetem a ninguém, e, ao final, produzem muitos prejuízos na igreja de Cristo. Paulo, aborda aqui, não a capacidade, mas a motivação e maturidade dos que recebem capacitações da parte de Deus na igreja.

É preciso humildade, para não pensarmos que temos mais do que o Senhor nos repartiu. Ter uma avaliação honesta e madura de nós mesmos, entendendo que somos parte de uma grande engrenagem com funções específicas e limitadas, entendendo que ninguém tem todos os dons e capacitações. Por esse motivo, ele escreve: “Porque assim como num só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função, assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros.” (Romanos 12:4-5).

Essa ênfase do apóstolo traz consigo um profundo ensinamento de humildade e maturidade para os obreiros do Senhor. Não devemos querer nenhum protagonismo, pois não estamos em nenhum projeto pessoal, e, além disso, não sou eu que produzo o dom, apenas recebo da parte de Deus para usá-lo para o bem de toda a igreja. Ele toma a analogia do corpo humano para ilustrar a importância da diversidade dos dons distribuídos na igreja.

O pé não é mais importante que a mão, nem os olhos mais importantes que a boca. Assim, é também no corpo de Cristo. São diferentes dons, porém todos devem cooperar de igual modo para a edificação, tendo cuidado para que nenhum membro do corpo, saia da sintonia de seu funcionamento, gerando assim, uma anomalia e perturbando o bom funcionamento do mesmo. A preocupação do apóstolo no versículo que iniciamos é com a motivação interior e a compreensão que devemos ter com o nosso foro íntimo no uso dos dons. Ele nos convida a fazermos avaliações honestas de nós mesmos e não sermos enganados pelo nosso coração, achando que somos maiores ou melhores que os outros irmãos.

Essa compreensão nos ajudará a termos cuidado no falar, agir ou até mesmo, nos calar para que o corpo de Cristo cresça em harmonia e maturidade. Devemos ter consciência que o que temos é apenas uma medida de graça e não toda a graça. Em última análise, a exortação de Paulo em Romanos 12:3 nos apela para um caminhar contínuo de maturidade no exercício dos dons que Deus graciosamente concede à sua igreja. Não basta receber a capacitação do Espírito; é imperativo que essa manifestação divina seja acompanhada de uma avaliação honesta de nós mesmos, despojada de orgulho e infantilidade. A verdadeira evidência de um dom genuíno reside não apenas em sua operação, mas na humildade e na moderação com que é exercido.

Quando cada membro do Corpo de Cristo compreende a sua medida e a sua função, reconhecendo a interdependência vital com os demais, a ordem floresce naturalmente na igreja. O protagonismo individual cede lugar à sinfonia do serviço coletivo, onde a glória não reside no talento isolado, mas na edificação mútua. A maturidade no uso dos dons, portanto, é um antídoto poderoso contra a confusão e as divisões, pavimentando o caminho para um corpo saudável, unido e eficaz no cumprimento da sua missão. Que cada um de nós busque essa maturidade, para que os dons de Deus não sejam causa de desordem, mas instrumentos de graça e edificação na igreja de Cristo.