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Legalismo (parte 3) Um Culto a Si Mesmo

O Culto a Si Mesmo
Mateus, 23:3-7 (bíblia Viva).
“Obedeçam ao que eles dizem, mas não sigam o exemplo deles. Porque eles não fazem o que mandam vocês fazerem.
Exigem de vocês coisas pesadas, mas eles mesmos não estão dispostos a ajudá-los, nem ao menos a levantar um dedo para carregar esses fardos.
“Tudo o que fazem é para se mostrar. Eles se fingem de santos, levam afixados aos braços extensas orações com versículos das Escrituras e alongam as barras dos seus mantos.
E como gostam de tomar os principais lugares nos banquetes e os assentos mais importantes na sinagoga!
Como apreciam a consideração que se presta a eles nas praças e serem chamados de ‘mestre’!”

Nos vs. 6 e 7 Jesus mostra-nos a essência do legalismo. Culto a si mesmo, ser apreciado pelos homens e visibilidade. Nenhum quebrantamento, humildade ou rendição. Um culto exterior totalmente desprovido de vida, porém, encharcado de justiça própria. É compreensível a aversão que Jesus tinha à religião e como isto culminou num crescente antagonismo a sua pessoa, levando-os a buscarem a sua morte. Ele não tinha como sobreviver em meio àqueles religiosos, ao atacar tão duramente aquela instituição humana, que usava o nome de Deus para aprisionar os homens na mediocridade. O ataque, não era à lei de Deus e sim a homens que, em nome de Deus, deturparam a sua lei.

A religião que nasce no coração dos homens cristaliza comportamentos e ideias, formata padrões para as mais variadas esferas da vida das pessoas, entretanto, mantém os homens totalmente desprovidos de graça. São como aquela bela figueira que Cristo amaldiçoou, cheia de folhas, mas desprovida de frutos.

E, avistando uma figueira perto do caminho, dirigiu-se a ela, e não achou nela senão folhas. E disse-lhe: nunca mais nasça fruto de ti! E a figueira secou imediatamente. Mt. 21:19
Quando a figueira está cheia de folhas, demonstra ter frutos, pois essa é a ordem, primeiro as folhas, depois os frutos, mas só havia folhas. Assim, nós podemos parecer frondosos, atraentes, bonitos, mas sem vida, sem graça, sem Jesus.
Há muitos que, em nome de Deus, tentam controlar as pessoas, desde a forma de vestir até as preferências pessoais como gostos, vontades, jeito de ser, etc. Roubam mentes e escravizam famílias inteiras. Personalizam seus seguidores fazendo de si a referência a ser imitada e não a pessoa de Cristo Jesus. Esses, estabelecem um clima de vigilância que alimenta a dissimulação, levando seus seguidores a não experimentarem a verdadeira liberdade que vem de Cristo

Tamanha barbárie, é cometida por pessoas influentes na igreja, homens de boa conversa, capacidade intelectual e de persuasão. Usam os mais variados artifícios para escravizar, desde a intimidação, ênfase exagerada na liberdade, serviço intenso a seus seguidores e até mesmo distorção da palavra de Deus. E, quão covarde é tornar as pessoas reféns através do serviço ou de quaisquer outros artifícios!
Na carta endereçada aos irmãos da cidade de colossos, o apóstolo Paulo adverte-os a não se deixarem escravizar por regras humanas e sem sentido.
Colossenses 2:8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;
Paulo, está vacinando os irmãos para que não se tornem presas desses legalistas. Eles precisavam discernir suas filosofias e sutilezas. Seus argumentos inteligentes e sutis que não encontravam suporte na palavra de Deus. Homens que se sustentavam em ideias humanas e em conceitos religiosos que não produziam verdadeira mudança.
O espírito legalista traz consigo um policiamento hipócrita, pois nunca transformou ninguém em filho de Deus, antes deformou a muitos. Paulo, que era oriundo do judaísmo e mais especificamente da seita dos fariseus, entendia o mal que aquela religiosidade produzia, por isso não teme em chamar de “vã sutileza,” “filosofia,” “doutrinas de homens”, e “rudimentos do mundo.” Cl 2:8
Quando Adão pecou, a primeira coisa que fez foi criar sua própria religião, ao apanhar folhas de figueira para apresentar-se diante de Deus. Um culto que nasceu no coração do homem, tentando agradá-lo do seu próprio jeito, Gn. 3:6-7. Deus os cobriu com peles de animais, mostrando que a forma de cultuar deve ser como Deus quer e não como o homem, quer, Gn 3:21, O legalismo está adornado com uma liturgia bonita e práticas religiosas cheias de boas intenções, mas não passam de vã sutileza, filosofias, doutrinas de homens e rudimentos do mundo. Cl. 2:8
“Os fariseus, porém, saindo dali, tomaram conselho contra ele, para o matarem.” Mt 12:14
“tomaram Conselho para o matarem.” Deus se fez homem na pessoa de Jesus. Esse é o fato mais marcante em todo o universo. Em Jesus encontramos a essência do amor, e nele entendemos o sentido pleno do termo, “religião”, que no latim significa “religare,” e, foi isto que Cristo fez, reconciliando os homens com Deus. Foi o próprio Deus quem nos reconciliou consigo mesmo. A vida da igreja emana dele, o culto, a adoração, a qualidade da vida dos seus filhos, a liberdade, e sem ele, tudo não passa daquilo que o homem inventou.
2 Co 5:19 Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
A religião mesquinha e nominal, de homens que criam regras e nunca descobriram o verdadeiro sentido do amor de Deus, só produz assassinos impiedosos que matam em nome de sua fé. Esses, jamais provaram a liberdade do Espírito, pois, amam a simetria da letra sem entender a sua essência. Criam regras, subjugam, perseguem, criticam e buscam aniquilar aqueles que não andam segundo seus modelos doentios.
Jesus disse em sua repreensão aos fariseus que, o caminho da grandeza é o da auto-humilhação, e que, grande é quem serve, pois foi esse princípio que norteou o seu Relacionamento com os homens. Fl. 2:5-8; MC.10:45.
Mateus: 23
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.