Tristeza e Consolação
- A tristeza mesmo que seja por um pecado pode ser profunda.
- Ela pode torna-se realidade na vida de qualquer pessoa, mesmo de bons cristãos.
- A tristeza profunda consome a pessoa.
- Ela deve ser resistida e diminuída pelo consolo necessário e demonstração de amor da igreja.
Ao analisarmos a palavra de Deus vemos claramente como a Bíblia humaniza as pessoas. Diferente da religião, ela mostra o homem vivendo seus conflitos, sofrendo derrotas, às vezes esmagado pela dor, frustrações e decepções. Esta palavra é tão clara que não esconde as mazelas, fraquezas e até mesmo dúvidas de grandes homens de Deus. Asafe disse que Deus era bom, mas não para ele. Sl 73.1 chega a dizer que foi inútil manter-se puro vs 13.
Elias, após grande demonstração do poder de Deus diante dos profetas de Baal, deprime-se pelas ameaças de Jezabel, que nem parecia o mesmo homem ousado, intrépido e confiante do capítulo anterior, então assenta-se e pede a morte para si. 1Re 19.4.
Davi disse estar gasto e esmagado, desassossegado. Sl 38.8; no Sl 69.7 ele disse que a confusão lhe cobria o rosto. Até mesmo o nosso Cristo disse estar sentindo-se profundamente triste diante da iminência da traição e sofrimento que lhe atingiria. Mc 14.33-34. Na verdade, a Bíblia não fala de “super-cristãos”, mas, de homens tementes a Deus que, ao caminharem com Ele, descobrem que esse Deus, está mais interessado em sua transformação que em seu sucesso ou vitórias pessoais, embora em sua bondade os abençoe ricamente.
O fato é que, a tristeza quando profunda consome a pessoa drenando todas as forças e energia, muitas vezes levando a questionamentos sobre a bondade e soberania de Deus, desenvolvendo crises de incredulidade, às vezes desânimo consigo mesmo não acreditando que possa alcançar o padrão elevado que supostamente identifica em outros, potencializando ainda mais a tristeza, levando muitos a sucumbirem na fé. Nesse profundo processo de confusão mental há um exagerado senso de abandono, “estou só”, “ninguém se importa”, “Deus não me responde,” etc. Esse é um estado de espírito deprimente que deixa muitos filhos de Deus questionando o porquê de tais sentimentos, e às vezes sem uma resposta aparente. Outros isolam-se socialmente, afastando-se daqueles que poderiam ajudar, não usufruindo do poder restaurador que há no corpo de Cristo. A palavra do Senhor nos garante que o caminho de Deus é perfeito, Sl 18.30. É justamente nesse caminho que somos provados para por Ele sermos aprovados. É em meio às dificuldades que o nosso Deus arranca sentimentos e comportamentos medíocres que nos prejudicam e também àqueles que estão perto de nós. Devemos encarar a realidade de que, enquanto estivermos aqui, estamos sujeitos às fraquezas e limitações naturais que afetam todos os homens, e a tristeza é uma das mais devastadoras. Paulo, o apóstolo, disse que ela “devora”, “consome” Seja por pecados, problemas familiares ou com terceiros, crises existenciais, sempre chega numa hora inoportuna, abatendo o coração e nos colocando em abismos que achamos não poder sair. Asafe, no salmo 73, diz:
21. Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja,
22. agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.
O salmista fala de um aterrorizante conflito com Deus. Ele questionava sua soberania e bondade, justiça e fidelidade, buscava respostas para perguntas difíceis que o coração insiste em obter, mesmo sabendo que pode não haver uma resposta satisfatória. Até que, num momento, ele tem uma leitura de si mesmo;
“agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.” vs 21
A tristeza tem muitas fontes, algumas legítimas, outras ilusórias, e outras que nascem do engano de corações que desejam manipular Deus para obter o máximo de felicidade aqui e agora. Talvez por isso alguns se sintam tão magoados com Ele, embora não expressem isso abertamente. Seja como for, é preciso conhecê-lo e confiar nEle, pois é fiel. Só assim a irracionalidade desaparece para dar lugar ao amor e à paz, e assim experimentar a sua amizade mais que seus benefícios. Então, o salmista continua:
23. Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me susténs.
Agora tudo ficou claro! “Estou sempre contigo”! Tu és amigo de todas as horas, tua presença é minha maior necessidade. E continua;
25. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti.
A grande descoberta é a presença dEle e sua amizade. “Nos céus, tu és minha herança e na terra o meu maior desejo e anseio!” Já não importa tanto as coisas exteriores, se boas ou ruins, agradáveis ou não, tais coisas já não trazem mais alegrias. O Senhor ocupou todos os espaços.
26. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre.
Seja o corpo que envelhece contra nossa vontade, a doença que chega sorrateira, ou a dor persistente a castigar-nos. Até mesmo o coração a desfalecer, nos jogando na mais profunda crise e agonia quase insuportável, agora, para o salmista, o Senhor é a fortaleza do coração dele e a herança, a recompensa para sempre. Tudo o mais perdeu o significado.
28. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos. (Salmos, 73)
“Estar perto de Deus. Fiz do soberano Senhor o meu refúgio.”
A quem fizemos o nosso refúgio? Em quem confiamos e em quem nos escondemos na hora da profunda tristeza e angústia inesperada? Não podemos prever quando vai chegar o dia mau sobre nós, e dificilmente poderemos impedir completamente, mas há sempre uma saída para aqueles que fizeram do Senhor o seu refúgio e esperança. Um consolo que vem diretamente dEle e da sua igreja, por meio de irmãos amados e compreensivos usados por Deus para segurar as nossas mãos quando nos faltarem as forças.



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