Cuidado com a negligência

Efésios 6:10 Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder. 11 Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as ciladas do diabo;

As distrações exageradas são grandes inimigas dos que servem a Deus e um perigo para a vida espiritual, pois as coisas lícitas tendem a nos parecer inofensivas, e não percebemos que as mesmas podem nos conduzir a uma vida de negligência. Trabalhar, descansar e divertir-se são coisas lícitas, mas jamais podem tornar-se um fim em si mesmas, ocupando o lugar que devemos priorizar para Cristo e sua igreja.

Não ficarão de pé os que se dizem filhos de Deus, mas vivem negligentemente sem entender que o inimigo de nossas almas anda à espreita, armando ciladas para nos derrubar e nos fazer errar o caminho, 1Pe 5:8. Os que nasceram de novo não podem jamais esquecer as disciplinas espirituais que lhes darão a musculatura necessária para completar a sua jornada. Há muitos que, no que diz respeito a sua vida pessoal, são extremamente diligentes e dedicados. Não faltam a nenhum dia no seu trabalho, buscam aperfeiçoar o conhecimento para ter uma melhor qualidade de vida, para si e sua família, não deixam de cuidar da saúde praticando exercícios físicos, entretanto, são negligentes em relação ao seu compromisso com Deus e com a igreja, colhendo resultados amargos para si e para os seus.

O apóstolo nos exorta a nos fortalecermos no Senhor através de seu grande poder e a nos revestirmos de sua armadura a fim podermos ficar firmes contra as ciladas do diabo, que diuturnamente trabalha para nos distrair, colocando outras prioridades em nossos corações e mentes. Volto a repetir que não haverá bons resultados para a vida espiritual dos negligentes, pois os frutos desse estilo de vida não podem ser escondidos. Estes, certamente cairão nas astutas ciladas do diabo. A negligência se manifesta de várias formas, como um cansaço excessivo, falta de tempo, desânimo, supervalorização do descanso ou lazer. Essas distorções de coisas lícitas são usadas como sustentação para o pecado da negligência. Outro comportamento pernicioso é o olhar microscópico sobre os erros dos irmãos, usando isso como uma justificativa para viverem isolados. Apoiar-se nas debilidades de outros para justificar a falta de compromisso é enganoso e desonesto. Quantas vezes ouvimos pessoas citarem os “erros” dos irmãos para se manterem numa vida de negligência, enganando-se a si mesmos. Não à toa o número dos “desigrejados” só aumentam.

A exortação apostólica é que sejamos fortalecidos no Senhor e tomemos a sua armadura, pois o dia mau sempre chega. Manter-se diligente passa por uma vida de dedicação à oração, meditação na palavra e submissão ao corpo de Cristo, pois é através do seu corpo que o Senhor usa irmãos preciosos para nos corrigir nos desafiando a um viver mais profundo. Que o nosso amado Jesus nos livre de vivermos negligentemente.

Tiago 1:25 Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar.

Provem e vejam que Ele é bom!

Salmos 34:8 Oh! Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele se refugia. 9 Temei o Senhor, vós os seus santos, pois nada falta aos que o temem.

O salmista nos convida a provar a bondade do Senhor. Nos chama a ir além da fé cega e infantil. Um chamado ao relacionamento maduro com Deus, firmado na sua fidelidade que é provada a nós diariamente. “Provar e ver” não é um chamado aos testes infantis de crianças mimadas que querem aprovação para seus projetos e tentam usar Deus para fins medíocres e egoístas.
Provar é experimentar sua fidelidade que nunca falha. Sua presença confortadora em meio às adversidades é a certeza de que Ele é fiel e se agrada dos que nele confiam. Provar é aceitar sua condução em nossas vidas, mesmo não entendendo todo o seu plano a nosso respeito.
É o convite ao relacionamento sedimentado no conhecimento de quem ele é. Ele é bom em qualquer circunstância. Até o imperativo para temer ao Senhor no vs 9 está baseado na sua fidelidade, pois se alguém diz que teme ao Senhor, mas não confia nele nos momentos difíceis, é porque não o conhece.

Prove! Experimente! Tenha a experiência de que o Senhor é bom, dia após dia, ano após ano, então a fé se tornará firme, madura e inabalável. Então teremos paz em qualquer circunstância, como disse o apóstolo Paulo.

Filipenses 4:11 Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. 12 Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; 13 tudo posso naquele que me fortalece.

Ele reitera que sua caminhada foi um aprendizado que o conduziu a esse nível de amadurecimento. “Porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação”. Está implícito nesta afirmação sofrimentos, angústias, desesperos e dores que não podemos imaginar. Vitórias e derrotas, sucesso, mas com certeza, grandes frustrações. Eventos envolvendo a esfera emocional e física. “Humilhação e honra, fartura e fome” são usados e permitidos por Deus como instrumentos eficazes no processo de maturação de qualquer um que decida tomar o jugo de Jesus. O cristianismo da Cruz é diametralmente oposto à religião que afaga o ego e nutre as deformações do coração do homem caído.

Queremos a glória sem a morte, a vitória sem a cruz, o amadurecimento sem cicatrizes! Tais ofertas vêm da religião, não do Deus da Bíblia. Ele nos chama para provarmos a sua fidelidade e sermos agraciados com a riqueza de sua presença. Por isso, a recompensa será para os vencedores e não para os religiosos.

Apocalipse 3:21 Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com meu Pai no seu trono.

Se não acreditarmos de todo nosso coração na promessa que o texto acima nos traz, então nosso cristianismo é retórico, uma liturgia clichê encenada em nossas reuniões, mas totalmente distante do nosso coração. Vencer e assentar-se no trono com Cristo significa participar da sua vitória final! Isso deve nos trazer esperança.

Um longo caminho nos aguarda. Uma jornada com o Senhor do universo que se fez homem e se identificou conosco para não sermos mais como meninos. Ele nos convida a provarmos e vermos que ele é bom. Estamos dispostos a ingressar nessa jornada? Ou não entendemos a dimensão deste chamamento? Queremos conhecê-lo ou buscamos facilidades? A Bíblia nos apresenta uma galeria um tanto estranha de homens e mulheres que foram considerados vencedores do ponto de vista Divino. Nessa estranha galeria encontramos alguns que “deliberadamente preferiram a tortura à possibilidade de livramento”, outros venceram aceitando escárnio, açoites, sendo algemados e aprisionados injustamente. Em sua trajetória de estranhas vitórias, foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos ao fio de espadas; andaram longe de suas casas, da família e de sua nação. Andaram sem vestimentas adequadas, necessitados, afligidos, sofrendo todo tipo de maus tratos. Do ponto de vista humano, foram derrotados, mas Deus diz que eles venceram pela fé e o mundo não merece homens dessa envergadura! HB 11:38-39. Podemos dizer que tais homens e mulheres, em circunstâncias tão adversas, provaram e descobriram que o Senhor é bom, por isso enfrentaram tantos sofrimentos. Encerro lembrando-me de uma oração de alguém que, com certeza, provou da bondade dele e descobriu que nenhuma realização ou conquista humana se compara com a comunhão e amizade daquele que é a própria vida, riqueza e sabedoria. Nele, os verdadeiros filhos encontram paz e plena satisfação, pois, como desafiou o salmista, provaram e viram que o Senhor é bom!

Habacuque 3:17 Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, 18 todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. 19 O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente

Senhor, abra meus olhos!

“Então, parando Jesus, chamou-os e perguntou: Que quereis que eu vos faça? Responderam: Senhor, que se nos abram os olhos. Condoído, Jesus tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista e o foram seguindo”. MT 20:32-34.

Descobertas de um homem cego.

Na escuridão de minha alma, minha mente não para, questionando o destino que me foi dado.

Há tantas perguntas sem respostas, e desejo tanto ver. Não há cores em minha existência, só escuridão.

Ouço as vozes e sinto o vento, o calor do sol, os pingos da chuva, mas não consigo ver.

Não sei como é o rosto de minha mãe, nem o semblante de meu pai, os imagino por seus comportamentos e nada mais.

Na escuridão da minha vida, há mais pessoas que sentem pena do que as que oferecem uma verdadeira amizade. Não tenho amigos! Não consigo ver.

Por quê? Essa pergunta me atormenta. O que fiz? Não encontro respostas. Há um Deus? Por que ele permitiu condição tão sofrível a um ser humano se todos insistem que ele é bom?

Não consigo ver e estou condenado à mendicância, a constantes favores, a me tornar um peso, e isso me atormenta.

Oscilo entre a esperança e a revolta; não consigo ver.

Ouço murmúrios que Deus se fez homem e anda entre nós, então penso: como pode alguém ser tão cruel a ponto de criar tais histórias?

Esquecidos somos! Deus não se lembra de nós. Que grande ilusão!

De repente, algo acontece! Boatos de um homem que anda por toda parte fazendo o bem. Como é mesmo que o chamam? Jesus, o nazareno! Ah, se eu o encontrasse! Talvez respostas me desse ou mesmo um milagre me restauraria a esperança.

Mas quem olharia para um cego, pobre, maltrapilho?

Esperem, que barulho é esse?

Ouço vozes ao longe, alvoroço, agitação e alguém diz que ele está passando bem aqui, tão perto, tão próximo, tão real!

Me surpreendo gritando: Senhor! Filho de Davi, tem compaixão de mim! Grito com força, com choro e com fé. Não sabia mais o que era ter fé.

Então percebi sua forte presença diante de mim. Divina, sagrada e sublime! E mesmo cego, tive certeza de que seus olhos pesaram sobre mim.

Eu, que em todos esses anos, não enxergava, agora descubro uma cegueira muito mais dolorosa e aguda. A cegueira da minha alma, o vazio do meu coração, a mediocridade das minhas conclusões.

Tu nunca estiveste ausente, nem tão pouco foste indiferente comigo. Fui eu que fechei os olhos para não te ver. Quão tolo fui!

Tua pergunta tão óbvia: “que queres que eu te faça?” Se enche de sentido, pois vieste para curar a cegueira da minha alma, iluminar meu coração antes mesmo de abrir meus olhos.

Então grito: Senhor, que eu veja! Cura minha visão e ilumina o meu coração! Amém.

João 9:39 Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos.

Apegando-se aos marcos.

O mundo está cheio de marcas e marcos de tristeza. Cruzes, lápides, pedras. Monumentos que se revestem de significados para pessoas que enfrentaram perdas, na esperança de transcender, vencer sua mortalidade, exorcizar as tristezas, mantendo vivos entes amados, pessoas que não deixamos partir. Lugares, músicas que trazem à memória um saudosismo doído, fazendo apertar o peito com o abraço forte da saudade.

Mesmo que alguns carreguem a esperança eterna, não deixam de ser confrontados com perguntas sem respostas diante da ruptura tão definitiva da morte. Algumas vezes de forma tão inesperada e, em outras, até mesmo injustamente. Marta, ao deparar-se com a morte de seu irmão Lázaro, protesta para Jesus: “Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido”. João 11:21.

Quem está pronto para isto? As lágrimas surgem, no silêncio do olhar perdido no vazio, extravasando a dor que dilacera o peito, tentando achar consolo para o coração que se recusa a consolar-se.

Por que pessoas tão amadas têm que nos deixar? Quem pode suportar a ausência de um pai ou uma mãe que se foi? Um filho que jamais deveria preceder seus progenitores, um amigo ou um irmão. O amor da vida, a alma gêmea que desnorteia o coração de quem ama, se vai impiedosamente sem explicação! 

Diante desse inquilino indesejado, hospedado em cada um de nós desde o nascimento, todos tombaremos sem chances de resistir, deixando no peito dos que nos amam, um lugar vazio que jamais será preenchido plenamente. O que nos resta são marcos, que nos darão a sensação de que, alguém que partiu está por perto, em nossas melhores lembranças, amenizando a dor da ausência que nunca será curada totalmente.

Sejam jarros de flores sobre pedras frias e indiferentes, seja um livro, um ambiente, um lugar, uma fotografia. O cheiro marcante de um perfume ou aquela música que nos faz chorar com doces recordações dos que já não estão mais conosco, os marcos nos mantêm conectados com os que nos deixaram e, de certo modo, eles os mantêm vivos em nossas melhores recordações.

João 11:25 Então Jesus declarou: — Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. 26 E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente. Você crê nisso?