Buscando Uma Comunhão Profunda Com Cristo

“Jesus ensinava todos os dias no templo, mas à noite, saía e ia pousar no monte chamado das Oliveiras. E todo o povo madrugava para ir ter com Ele no templo, a fim de ouvi-Lo. (Lucas 21:37-38). Este versículo nos revela a sede do povo por ouvir as palavras de Jesus. Havia algo de especial e transformador em Suas palavras que fazia com que as pessoas madrugassem para estar na Sua presença. Essa atitude nos desafia a refletir sobre o nosso próprio relacionamento com Cristo e a importância de buscar uma intimidade genuína com Ele.

A Busca Pela Comunhão
Benditos são os momentos que passamos na presença do nosso Amado Jesus, quando antecipamos o raiar do dia para estar com Ele. O salmista disse: “Os meus olhos antecipam-se às vigílias noturnas, para que eu medite nas Tuas palavras.” (Salmos 119:148). O costume de buscar ao Senhor de madrugada reflete um coração ansioso por comunhão com Ele. Em meio às demandas da vida, nossos corações podem se sobrecarregar, levando-nos a acordar já preocupados com os afazeres do dia. Problemas para resolver, desejos a realizar, e assim, passamos a viver num verdadeiro deserto espiritual, distantes da fonte que é o nosso Mestre.

Jesus, Uma Fonte a Jorrar Para a Vida Eterna

Jesus ensinava todos os dias, e todos os dias o povo madrugava para continuar ouvindo Sua mensagem. Eles encontraram nEle a fonte de descanso, o alimento para suas almas sedentas, sendo consolados e recebendo direções para suas vidas vazias. Jesus disse à mulher samaritana: “Quem beber desta água voltará a ter sede, mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (João 4:13-14). Esta afirmação de Jesus revela que Ele oferece muito mais do que água para saciar a sede física; Ele oferece saciedade de coração e plenitude de vida, algo que não pode ser encontrado na esfera humana, independentemente das realizações e conquistas.

Buscando Plenitude em Fontes Duvidosas

É da natureza humana buscar plenitude de vida nas conquistas e realizações terrenas. Embora essas nos tragam algum tipo de satisfação, jamais abrirão em nossos corações fontes a jorrar para a vida eterna. O salmista Davi expressa sua profunda sede por Deus, ao clamar: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo. Quando irei e me apresentarei diante da face de Deus?” (Salmo 42:2). Este anseio é a expressão de uma necessidade de conhecer a Deus mais profundamente.

Homens Que Nos Desafiaram ao Relacionamento Com Deus

A Bíblia está repleta de personagens que, ao entrarem em contato mais íntimo com Deus, foram tomados por uma sede de conhecê-Lo mais profundamente, ao ponto de renunciarem a tudo para mergulhar nessa experiência.

Paulo. Abriu mão de tudo para conhecer a Cristo

O apóstolo Paulo, por exemplo, considerava tudo como perda pela experiência de conhecer a Cristo: “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Na verdade, considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dEle perdi todas as coisas e as considero como lixo, para ganhar a Cristo” (Filipenses 3:7-8, NAA).

Essas afirmações nos levam a refletir sobre o nível de profundidade do nosso relacionamento pessoal com Deus. Temos sido desafiados em nossos corações a não viver um relacionamento superficial com Ele, pois Deus deseja se relacionar conosco de maneira que nos enriqueça com Sua presença.

Moisés. Desejou a intimidade com Deus

Um exemplo significativo é o de Moisés, revelado em seu diálogo com Deus no livro de Êxodo, onde ele expressa um profundo desejo de conhecer mais a Deus: “Agora, se alcancei favor diante de ti, peço que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e obtenha favor diante de ti; e lembra-te que esta nação é teu povo. Então Moisés disse: — Peço que me mostres a tua glória.” (Êxodo 33:13,18). À medida que o relacionamento com Deus se aprofunda, cresce o desejo de conhecê-Lo mais.

Desejar as Bençãos ou o Abençoador?

Enquanto alguns se fascinam com as bênçãos, outros são tomados de fascínio pelo Doador das bênçãos.
O Salmo 103 nos mostra uma distinção clara no nível de relacionamento com Deus que cada um que saiu do Egito experimentou: “Manifestou os seus caminhos a Moisés e os seus feitos aos filhos de Israel.” (Salmo 103:7). Aos filhos de Israel, foram manifestos os feitos de Deus; a Moisés, os Seus caminhos. É possível se contentar com a satisfação de ver sinais e prodígios, mas Moisés buscou uma experiência mais profunda no relacionamento com Deus.

A vida eterna é conhecer Jesus

Ninguém conseguirá renunciar a tudo apenas por obrigação de obedecer. O que dá sentido à vida do cristão é experimentar um profundo relacionamento com Deus, conhecendo Seu amor, misericórdia e sabedoria. São experiências nesse nível que nos levam a uma paixão cada vez mais profunda por Ele. Jesus afirmou em uma de Suas mais longas orações que a vida eterna é conhecer ao Pai e ao Filho (João 17:3). O apóstolo João começa sua primeira epístola falando da experiência de ver, ouvir e tocar no Verbo da vida (1 João 1:1-3).

Jesus, a fonte de toda a riqueza e sabedoria

Muitos que experimentaram milagres abandonaram Jesus, mas aqueles que experimentaram um relacionamento íntimo com Ele renunciaram a tudo por Ele.
Na carta aos Colossenses, o apóstolo Paulo faz uma afirmação profunda a respeito de Jesus: “Para conhecimento do mistério de Deus — Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.” (Colossenses 2:2-3). Somente por revelação do Espírito Santo podemos compreender a riqueza que há em nosso amado Jesus. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Com esse entendimento, o filho de Deus renunciaria a qualquer coisa para conhecê-Lo, sejam honras, reconhecimento, glórias humanas ou riquezas. Tudo perde o valor diante da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, o Senhor. “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo.” (Filipenses 3:8).

Conclusão
Jesus é o mesmo que se reuniu com aquele povo há dois mil anos. Nossas demandas e preocupações atualmente podem ser diferentes, mas as necessidades mais profundas dos nossos corações são as mesmas que afligiam o povo da época de Jesus. Será que temos madrugado para estar aos Seus pés, ouvindo Seus ensinos por meio da oração e meditação em Sua palavra? A nossa sede tem nos feito madrugar para estar em Sua presença?
Que, como Maria, saibamos escolher a melhor parte, pois essa jamais nos será tirada. “Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.” (Lucas 10:41-42).
Desafie-se a buscar uma vida de intimidade genuína com Jesus. Permita que Ele seja a fonte de satisfação para seu coração e a razão pela qual você madruga, não por obrigação, mas pelo desejo profundo de conhecê-Lo e estar em Sua presença.

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