A Busca por Bençãos sem o Relacionamento com Deus.

Êxodo 20:19 Disseram a Moisés: — Fale-nos você, e ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos.

O homem não pode aproximar-se de Deus sem que a sua vida seja profundamente impactada. Não é possível uma relação com ele, sem que a mesma não afete todas as áreas de sua vida, desde seus comportamentos até a sua forma de pensar. Aqueles que dizem andar com Deus e não experimentam o impacto de sua santidade em seus corações, evidenciam que há algo muito errado nessa relação. Tito denuncia, em sua carta, religiosos que falam e não vivem: “Confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra.” Ti 1:16. São os que se dizem religiosos, porém o estilo de vida mostra o contrário.

Aproximar-se de Deus, nos enleva ao sublime e transcendente, ao lugar onde o humano é contrastado com o divino, o pecador com o Santo, o Deus perfeito, fazendo-se conhecer ao vil. No deserto, em Horebe, Deus se apresentou a Moisés no meio de uma sarça e esse encontro mudou a sua vida para sempre. Porém, a primeira coisa que ele ouviu de Deus, foi: “Retira as sandálias dos teus pés, porque o lugar onde estás é terra santa.” Êx 3:5. Ele não teve um encontro com os códigos religiosos de sua época nem com as divindades pagãs do Egito, mas com o criador do universo. A partir daí, ele morreria por esse Deus, não importando qual o preço nem o caminho que teria que seguir.

O apóstolo Paulo, disse: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.” 1Tim 1:15. O encontro com Cristo mudou totalmente toda a sua existência. Um homem que era orgulhoso, cruel e perseguidor da igreja, que participou da morte de muitos irmãos, reconhecendo que sua pecaminosidade era insuperável. “Eu sou o principal dos pecadores!” E na carta aos irmãos da cidade de Filipos, ele disse que perderia tudo para conhecer a Cristo. Filp 3:7-8.

O apóstolo Pedro, ao presenciar o poder de Jesus sobre a criação numa pescaria, grita convencido de que estava diante do divino: “Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador!” Lc 5:8. A história nos revela que esse homem, no dia de sua morte, pediu para ser crucificado de cabeça para baixo, por se achar indigno de morrer como o seu mestre.

O profeta Isaías, talvez em um momento devocional como tantos outros, não imaginava o que lhe aconteceria naquele dia. Ele viu a glória de Deus revelada diante de seus olhos e suas palavras mostram o impacto causado em seu coração: “Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o Senhor dos Exércitos!” Is 6:5

“Ai de mim, estou perdido, sou impuro, habito no meio de gente impura!”

Eu poderia citar centenas de casos do poder transformador desse encontro do homem com Deus, narrados pela Bíblia ou pela história, e todos nos fariam entender o mesmo. O relacionamento com Deus é o que muda as nossas vidas, e o que difere disso, não passa de mera religiosidade, podendo até conter certo grau de virtude, mas não provém de uma vida transformada.

O texto inicial nos mostra como no monte Sinai, o povo fez a escolha de se relacionar com Deus à distância. Ao verem o monte tremer devido a sua santa presença, eles pediram a Moisés que Deus não falasse diretamente com eles, traçando uma linha divisória nesse relacionamento, o que resultou num conhecimento de Deus, totalmente distorcido. Eles queriam a proteção divina, mas não queriam se envolver com ele. O resultado de tais escolhas todos conhecemos. Uma geração inteira não pode entrar na terra prometida. “Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto.” 1Co 10:5

No salmo 106, vemos uma clara distinção entre as escolhas de Moisés e a do povo que partiu do Egito. “Fez conhecidos os seus caminhos a Moisés, e os seus feitos aos filhos de Israel.” Sl 103:7.

Qualquer um pode desfrutar dos milagres e feitos de Deus, porém, conhecê-lo passa por uma escolha feita no mais íntimo do coração. Seria possível Deus se surpreender com o desejo do coração de um homem? Não sei. Mas o pedido de Moisés ao Senhor deve ter enchido o seu coração de alegria. “Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.” Êx 32:18. E foi assim que Moisés experimentou o relacionamento com Deus e os filhos de Israel, apenas os seus feitos. Sl 103:7.

Não basta só receber a graça da salvação. É preciso amar o salvador de todo o coração. Os cristãos mais frustrados e decepcionados são aqueles que baseiam o seu relacionamento com Deus nas bençãos alcançadas ou não alcançadas. Nas orações atendidas ou não. Esses, formam um exército gigantesco e engordam as fileiras dos desigrejados modernos.

Você pode estar desanimado com Deus ou com a igreja e pode ter mil razões para isso, entretanto a fé cristã nada tem a ver com bençãos, vitórias e conquistas. Esse é um falso evangelho, sedutor e enganoso que arrasta a muitos.

Deus não nos chamou para sermos felizes e realizados por termos todos os nossos desejos satisfeitos. Ele nos chamou para uma aventura incrível e transformadora pelo conhecimento de quem ele é. Aqui está a verdadeira felicidade e realização. Jesus orou e disse que a vida eterna é conhecer ao pai e ao seu filho. Jo 17:3. Busquemos de todo o nosso coração um relacionamento profundo com o nosso mestre.

Algumas perguntas:

1. Você já se perguntou a razão da sua indiferença a Deus e à sua igreja?

2. Será que o seu esfriamento não é fruto de suas escolhas pessoais?

3. Será que você não está buscando bençãos sem querer um relacionamento mais profundo com Deus?

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR. Jr 9:23-24.

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