Vamos Enfeitar a Cruz?
Vamos enfeitar a cruz? Vamos aparar suas arestas, arredondar suas quinas e polir suas farpas! Façamos da mensagem da cruz uma história linda de ser contada sem nenhum compromisso com o seu significado. Uma cruz que não convide à morte do eu, que não esmague o ego e que seja complacente com aqueles que gostam das glórias humanas!
Vamos centralizar músicos e cantores de tal maneira que a igreja já não saiba adorar sem eles. Cantar e cantar em nossos cultos para que as pessoas tenham uma sensação momentânea de alegria, algo que lhes toque a alma, mas não lhes regenere o espírito. E, não estou contra a vida de adoração da igreja. Essa ideia nada inocente alçou cantores ególatras acima dos profetas e dos pregadores da palavra de Deus. Esses dominaram o culto, tornando-se protagonistas, deformando o modelo bíblico de adoração congregacional, onde todos devem ser adoradores, sem exceção, afinados ou não!
Enfeitemos a cruz com pregadores descolados e modernos que não falam de pecado nem bradam por arrependimento. Pregadores que bajulam pecadores com mensagens de autoajuda para elevar a autoestima. Vamos parar de fazer culto para glória de Deus e façamos cultos para agradar e entreter jovens, crianças e adolescentes. Cultos voltados para satisfazer as necessidades humanas e não para revelar a glória e santidade de Deus. E, antes que me condenem, acho que muitos confundem boa intenção com a expressão da vontade de Deus. Caim, que o diga! Quanta boa intenção! Vamos encher nossas reuniões das ideias dos coaches e deixar os profetas de lado.
Enfeitemos a Cruz convencendo os pais e mães cristãos de que é responsabilidade da igreja salvar seus filhos, que seu único trabalho é obrigá-los a ir a reuniões. Que seus filhos precisam de mais programações religiosas, mais entretenimento e não de uma profunda experiência com Deus, e ele cobrará certamente a omissão e transferência de responsabilidade de muitos que assim agiram.
Vamos enfeitar a cruz tratando como cristãos atores que nunca nasceram de novo, cantores que roubam a glória de Deus, bandas gospel com roupas esquisitas, moldando uma geração de jovens, levando-os a se apaixonarem por um estilo de vida vazio e não pela pessoa de Jesus. Esses, inovaram na liturgia, mas extinguiram o Espírito com encontros cada vez mais atraentes e músicas bem elaboradas. Os cultos estão mais festivos, com reuniões no escuro, canhões de luz e cortinas de fumaça numa medíocre imitação da presença de Deus! Porém, ninguém clama como Isaías: “Ai de mim! Estou perdido! Is 6:1-5.” Não passa de uma falsificação da presença de Deus! Saem dessas reuniões mais eufóricos e não compungidos.
Vamos enfeitar a cruz? Adorná-la com o verniz da autoestima do homem. Nada dessa mensagem de morte, renúncia, pecado, expiação, não! O homem moderno está carente, precisando de mais consolo, mais afago em seu ego.
A cruz de Cristo é definitiva demais, não dá escolhas ao homem caído, não negocia com o pecador, mas o conduz direto para a morte.
Vamos enfeitar a cruz exagerando a graça a ponto das pessoas acreditarem que o amor de Deus é incondicional, não necessitando de mudança de vida, nem de aborrecer a si mesmo como disse jesus.( Lc 14:26). Afinal, Deus é amor e quer a felicidade do homem!
Mas, deixando as ironias de lado, precisamos refletir para onde esse evangelho centralizado nas necessidades humanas e não na vontade de Deus irá nos conduzir. Não tenho dúvidas que essa distorção da obra da cruz resultará num cristianismo sem poder e totalmente incapaz de produzir vida. Quando o apóstolo Paulo disse que a palavra da cruz é loucura para os que perecem, está implícito nessa afirmação que a verdadeira pregação da cruz trará confronto, incômodo e desconforto ao homem que vive segundo seu próprio coração. 1Co 1:18.
Podemos enfeitar a Cruz das mais belas cores, adorná-la com as mais engenhosas filosofias para tentar agradar os homens e, no final, sermos julgados por Deus por cedermos à tentação de apresentar um evangelho mais palatável, mais “inclusivo” usando o substantivo em alta no momento. Não escaparemos ao mesmo julgamento do apóstolo feito a alguns irmãos na carta aos gálatas que tentavam agradar os homens para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.
Gálatas 6: 12. Todos os que querem mostrar boa aparência na carne, esses vos obrigam a circuncidar-vos, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.
O poder do Cristianismo se encontra em seu repúdio ao comportamento dos homens decaídos e não em sua aceitação do mesmo. A verdade da cruz se revela em suas contradições. O testemunho da igreja é mais eficaz quando declara em lugar de explicar, pois o evangelho é dirigido à fé, não à razão.
A. W. Tozer. Esse cristão incrível!




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