Consolados para Consolar

Uma reflexão pastoral sobre sofrimento, maturidade e serviço

2 Coríntios 1:3–4

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação, que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.”

Tudo o que o Senhor faz e permite que passemos no serviço a Ele tem como objetivo nos amadurecer e nos conduzir ao crescimento. Tornar-nos semelhantes a Jesus é a grande obra que Deus está realizando em nós. Ele deseja que aprendamos a sua humildade, sua paciência, sua capacidade de perdoar e de amar os outros a ponto de estarmos dispostos a dar a própria vida.

Cada ferida cicatrizada, e até mesmo aquelas que ainda permanecem abertas faz parte de um processo muito maior que, ao final, nos aprovará ou reprovará, pois Deus julga as motivações do nosso coração, e não simplesmente o quanto trabalhamos para Ele.

Paulo reconhece que o Deus de toda consolação permite tristezas e frustrações para que adquiramos a capacidade de socorrer os que sofrem. Há perigos em uma sensibilidade desgovernada: homens sensíveis demais tendem a expressar mais a própria personalidade do que o caráter de Cristo. Com facilidade confundem sua dor e sua indignação com a do próprio Deus e acabam intimidando o rebanho e os companheiros de ministério. Muitas vezes não percebem que o Senhor está justamente os aperfeiçoando por meio de sofrimentos, frustrações e decepções.

A fala do apóstolo revela a percepção que ele adquiriu acerca dos processos pessoais e íntimos que o Senhor opera na vida dos obreiros da casa de Deus. Paulo compreendeu que Deus estava trabalhando em seu interior, removendo durezas do coração e ajustando sensibilidades exageradas, para que ele se tornasse uma bênção mais madura em sua obra.

As consolações do Senhor não nos são dadas para que nos tornemos mimados, endurecidos ou indiferentes, como somos tentados a ficar diante das dores e feridas causadas por irmãos que cuidamos, por injustiças sofridas ou por situações difíceis com companheiros de ministério que nos magoaram. Paulo é claro: Deus nos consola para que possamos consolar outros.

Há um ditado que diz que, quando o mar está calmo, qualquer um pode segurar o leme; mas as ondas bravias exigem homens experimentados para suportar a dureza da tempestade. Líderes amadurecidos prosseguem apesar das cicatrizes. Caminham cheios de amor, desejosos de cumprir o chamado e agradar ao seu Senhor.

Sem dúvida, é maravilhoso contemplar o que Deus faz por meio de nós na vida de muitos irmãos. Contudo, não podemos deixar de discernir o que Ele está fazendo em nós, para que, a cada dia, venhamos a refletir mais fielmente quem Ele é.

Que, assim como o apóstolo, possamos, em meio aos sofrimentos, transbordar em amor e serviço, frutos diretos da obra de Deus em nosso interior.

2 Coríntios 2:4

“Porque lhes escrevi no meio de muitos sofrimentos e angústia de coração, com muitas lágrimas, não para que vocês ficassem tristes, mas para que soubessem do amor que tenho por vocês.”

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta