Julgamentos e concepções

Lucas 10:41 Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. 42 Entretanto, pouco é necessário ou mesmo uma só coisa; Maria, pois, escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada.
Sempre que o nome de Marta é mencionado entre nós cristãos, a primeira imagem que vem à nossa mente é a de alguém inquieta, atarefada e que não prioriza as coisas espirituais. De fato, essa personagem ficou gravada em nosso subconsciente como alguém que não deve ser imitada. Entretanto, no capítulo onze do evangelho de João encontramos uma mulher de uma fé simples que demonstra intimidade e entendimento claro de quem era Jesus, num momento onde muitos duvidavam. Enquanto muitos o questionavam, ela dizia, eu creio! (Jo 11:27).
Todos nós temos a tendência de avaliar as pessoas por seus erros mais marcantes, e pior ainda, as rotulamos pelo resto de suas vidas. Parece que nos falta bondade e misericórdia para vermos que não são os erros e escorregões na caminhada que definem quem a pessoa de fato é. A empatia e o amor que desejamos que nos ofereçam quando fracassamos nem sempre é a que oferecemos aos que caíram.
Marta amava a Jesus, servia-o de todo coração a ponto de exagerar nesse quesito, (Jo 12:1-2). Ela confiava nele e cria que ele era o Cristo de Deus, (Jo 11:27). Não me parece alguém relaxada, hiperativa e insensível às coisas espirituais (Jo 11:20-22) mas, essa é a imagem mais marcante que guardamos dessa mulher, porém, a mulher apaixonada por Jesus, confiante e cheia de fé é totalmente negligenciada.
Não tenho dúvidas que Deus usa as Martas para nos ensinar lições eternas. No caso aqui, não julgar, não rotular, nem definir as pessoas pelos deslizes que ela cometeu. O Deus que nos resgatou é grande em misericórdia e sua palavra nos garante que ele não nos trata segundo os nossos pecados, (Sl 103:10), Ele, não só oferece perdão verdadeiro mas também restaura à comunhão consigo e nos ajuda a começar de novo sempre que nos arrependemos.
Nossa forma de lidar com o fracasso dos que estão perto de nós, revela o quanto precisamos de transformação e do caráter de Deus em nós. No livro de cantares de Salomão encontramos a expressão que diz que o amor é forte como a morte, Ct 8:6. Assim como a morte é definitiva na esfera humana, o amor é a força mais poderosa e irresistível do universo. Os vínculos e atitudes de amor, superam obstáculos, transpõem barreiras e sustentam relacionamentos por toda uma vida.
Somente o amor de Deus em nossos corações pode remover a insensibilidade, dureza e indiferença, nos ensinando a sermos misericordiosos, bondosos e pacientes com os fracassos alheios. Olhando para trás e lembrando de muitos que caíram e fracassaram, concluo que, um olhar amigo, uma palavra meiga, ou um silêncio compassivo teriam dado vida a muitos que não conseguiram reerguer-se devido ao ambiente de condenação e reprovação aos quais foram submetidos. Talvez, tais pessoas ainda estariam conosco sendo amadas e conduzidas a um recomeço num ambiente onde todos reconhecem suas fraquezas, pecados e limitações e se veem como fruto do grande amor e bondade de Deus dispensada a todos, sem distinção.
Como seria a história de Marta se ao invés de falhar com Cristo falhasse comigo? Onde estaria Pedro se ao invés de trair a Cristo traísse a mim ou a você? E Tomé? Como seria visto em nossas congregações? Analisando os textos bíblicos, tanto Pedro, quanto Marta e Tomé encontraram na pessoa de Jesus aceitação para continuarem até o fim. Não foram rejeitados nem rotulados por ele. Marta continuou demonstrando seu amor a Cristo através de seu serviço, Pedro foi crucificado de cabeça para baixo por se achar indigno de morrer como seu Senhor e Tomé morreu na Índia por flechadas enquanto estava orando. Vidas restauradas pelo amor, amor desse Deus que encarnou por mim que nada merecia.
Vale nesse momento refletir o quanto cooperamos com a desistência de alguns, ou fomos indiferentes aos que fracassaram e até mesmo duros demais, não dando ao outro a oportunidade de recomeçar. Nenhuma correção deve ser a aplicação da justiça do nosso próprio coração e sim a expressão da justiça de Cristo para a santificação. Se chegamos a essa conclusão, só nos resta o arrependimento e o esforço em reparar o erro que cometemos. Nunca é tarde para, com gestos de amor, restaurar aquele que não se sente mais amado e amparado. Se Jesus foi em busca de Pedro que o negou, o que devemos fazer com os que fracassaram, mas querem com arrependimento a comunhão da igreja? Que venhamos imitar o nosso amado Jesus!
João 15:13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.

2 respostas
  1. Mateus
    Mateus says:

    Lendo essa graciosa palavra…..lembro-me do livro que foi divisor de águas para mim “Em seus passos o que faria Jesus” onde vi que não podemos fazer nosso próprio julgamento, mas analisar do ponto de vista de nosso mestre o qual nos ensina tudo.

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