Mágoas, Cárcere da Alma

Lucas: 17. 3. Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe. 4. Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.
Todos já tivemos que enfrentar mágoas, ressentimentos e ofensas. Pessoas ofendidas produzem muitos frutos ruins como a dor, ira, ciúmes, disputas, amarguras, ódio, inveja etc. Tais sentimentos aprisionam, quebram relacionamentos, ampliam brechas existentes que se transformam em verdadeiros abismos. Em Mt 20:20-25 vemos uma situação de disputas entre os discipulos de Cristo. Era uma guerra por reconhecimento. Queriam que Cristo declarasse quem seria o maior entre eles. Não era somente a necessidade do reconhecimento dos homens mas, do próprio Deus, cada um buscando ter um grau de importância maior diante de Cristo e diante do outro.

Assim surgem e ampliam-se as mágoas entre nós, pelo desejo maligno, aberto ou velado de achar que somos melhores, mais virtuosos e por isso merecedores de destaque diante de Deus e dos homens. O resultado foi uma rachadura em seus relacionamentos. Diz o texto: Indignaram-se contra os dois.vs 24″. Pela reação de indignação dos outros dez discipulos, percebemos que os dois verbalizaram o que sentiam enquanto os outros sentiam mas não diziam. Nada mais danoso aos relacionamentos que nossas necessidades emocionais doentias. Desejo por destaque, reconhecimento, ou por ser amado, estimado etc, leva-nos aos comportamentos mais mesquinhos e até nos portamos como vítimas, mascarando para os outros a pobreza de nossa alma, e as deformações do nosso coração. É bem mais fácil culpar os outros do que assumir nossa imaturidade emocional. Jesus nos diz algo que precisamos refletir:

Mt 7:3-5 (KJ)

3. Por que reparas tu o cisco no olho de teu irmão, mas não percebes a viga que está no teu próprio olho?

4. E como podes dizer a teu irmão: Permite-me remover o cisco do teu olho, quando há uma viga no teu?

5. Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.

De maneira bem simples, ele nos mostra como maximizamos os erros dos outros e minimizamos os nossos. O erro do outro é sempre “um crime ediondo” enquanto os meus, “um pequeno delito”. Por trás de um coração magoado pode esconder-se muitas deformações que o Senhor deseja curar e libertar. Dificilmente uma pessoa ofendida consegue perceber sua necessidade de transformação. Vê um pequeno cisco no olho do outro mas não percebe uma viga no seu. Quanta insensibilidade!
Problemas mal resolvidos no coração criam muros e bloqueios quase impenetráveis.

Provérbios: 18. 19. O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.

Muitos estão doentes física e emocionalmente, perderam a alegria o brilho, tornaram-se críticos, azedos, isolaram-se, selecionaram amizades, perderam a graça de Deus. Pais afastaram-se de seus filhos, maridos da esposa, irmãos de irmãos e amigos distanciam-se um do outro por causa das mágoas. Esses ressentimentos travam o coração. Mágoas produzem mortes. Alguns não consumaram o homicídio de fato mas, já no seu coração condenou o outro à morte. Riscou de sua vida, tornaram-se completamente indiferente. A história de Abel e Caim nos mostra aonde pode chegar um coração magoado. Ele, ao amargurar-se com Deus e sentindo inveja de seu irmão, levanta-se e tira a vida de Abel. Deus avisa-o com antecedência:

Gn 4:6-7 (Bíblia Viva)

6. O SENHOR perguntou a Caim: “Por que você está furioso e por que o seu rosto mostra ódio?
7. Se você fizer o que é certo, não será aceito? Mas se você agir mal e não obedecer, saiba que o pecado está à sua espera; ele deseja destruí-lo, mas está na sua mão o poder de dominá-lo”

Ira, semblante decaído. As mágoas produzem insensibilidade, dureza e escravidão. A raiva de Caim o deixou insensível para com Deus e para com seu irmão Abel, Gn 4.8-9. esses são frutos de um coração magoado; crítica, desonra, desrespeito e até morte. Na carta aos Efésios Paulo, o apóstolo, nos alerta a ficarmos longe das mágoas:

Ef 4:26-27,31 (KJ)

26. “Estremecei de ira, mas não pequeis”, acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha,

27. e não deis lugar ao Diabo.
31. Toda amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam eliminadas do meio de vós, bem como toda a maldade!

Nesse texto, o apóstolo admite que somos sucetiveis à raiva, ou a ira mas, nos adverte que, ao alimentarmos tais sentimentos estaremos dando lugar ao diabo e pecando contra Deus e contra o nosso irmão. Fica claro também que, guardar a ira é uma opção nossa e não algo inevitável. Ele diz: “acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha” Ef. 4:26. Para o meu próprio bem, não devo alimentar rancor no meu coração.

Em Lc 17:4 Jesus disse que mesmo que o nosso irmão peque contra nós sete vezes no dia devemos perdoá-lo. O perdão é livramento, é libertação. Quem perdoa é livre, goza de uma paz indescritível pois liberta-se dos fantasmas da alma. Aquele Que perdoa não carrega pesos na consciência pois reconhece que Deus o pai, em sua grande misericórdia perdoou todas as nossas dívidas no sacrifício de Cristo na cruz. Somente quem tem plena consciência de suas misérias pessoais não julga tão severamente o outro.

Perdoar não é sofrer de aminésia nem demonstração de fraqueza mas, um ato de grandeza pois, grande não é aquele que paga o mal com o mal. A maior demonstração de poder e força encontramos naquele que, mesmo sendo todo poderoso deixou-se subjugar por criaturas fracas e pecadoras como nós. Não há virtude quando o mais forte subjuga o mais fraco mas, quando o todo poderoso deixa-se humilhar por suas criaturas isso sim é demonstração de poder. Os que se deixam dominar pelo veneno das mágoas e ressentimentos jamais experimentarão a alegria e liberdade dos que perdoaram de coração. Esses sim são livres.
Ao abordar um assunto dessa complexidade é imprescindível reforçar o que Cristo disse para aqueles que não perdoam.

Mateus: 6. 14. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; 15. se, porém, não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai perdoará vossas ofensas.
Jesus declara a total impossibilidade de perdão da parte de Deus aos que recusam-se em perdoar seus ofensores, e ainda mais, o texto nos mostra que Deus dará o mesmo tratamento severo aos que não perdoam.
Mateus: 18. 34. E, indignado, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. 35. Assim vos fará meu Pai celestial, se de coração não perdoardes, cada um a seu irmão.
5 respostas
  1. Gabriel Aravena
    Gabriel Aravena says:

    Como muitas vezes é difícil perdoar aquele a quem se confiava? Porém o perdão é uma ordem, e que vem seguido do amor e da misericórdia para com o outro, é nós lembrarmos que tbm necessitamos do perdão e que fomos perdoados, somos perdoados e seremos perdoados.

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