O Sustento dos Obreiros

ICorintios 9:11 
Se nós semeamos entre vós verdades espirituais, seria pedir muito colhermos alguns de vossos bens materiais? 
I Corintios 9:14 Assim, o Senhor também ordenou aos que proclamam o evangelho, que igualmente vivam do evangelho. (Bíblia King James)

 

     O Novo Testamento traz um ensino claro, consistente e farto sobre o sustento de obreiros na casa de Deus. Paulo discorreu sobre o assunto de forma ampla e profunda em suas cartas, principalmente em
I Coríntios onde o apóstolo trata extensivamente do tema trazendo assim, ordem à casa de Deus, “a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade.” I Tm. 3:15
     Além de todo ensino objetivo sobre o assunto, podemos ver de forma indireta, tanto no ministério de Jesus como no dos apóstolos a forma como eram sustentados pela igreja, o que está em plena harmonia com aquilo que Deus projetou desde o início, ao estabelecer os sacerdotes e os levitas para dedicarem-se exclusivamente ao serviço da casa de Deus. Ao vocacionar aqueles homens para um serviço tão importante, que era cuidar dos interesses de Deus, Ele também se comprometeu em cuidar deles e de suas famílias, pois tal atitude faz parte do seu caráter íntegro e perfeito. Sendo assim, para entendermos o assunto devemos analisar a forma estabelecida por Ele para o sustento desses homens, de maneira que não fosse em tempo algum, acusado de alguma injustiça. Olhando por esse ponto de vista gostaria de começar lá atrás, quando o Senhor convocou homens para um serviço específico, tentando perceber quais sentimentos de cuidado Deus teve para com o sustento dos que chamou. Iniciei então pelo estabelecimento dos sacerdotes passando pelas falas que Jesus deixou e finalmente vendo o ensino de Paulo sobre esse tema.  Vejamos:

  • Deus Chama Homens Para uma Dedicação Exclusiva
     Os sacerdotes levitas receberam um chamado específico de servir e se dedicarem à casa de Deus e ao serviço sagrado. Ele queria uma dedicação integral a este serviço, o qual Ele considerava uma ministração diante dEle.
Nm. 18:3. “Farão o serviço que lhes é devido.”
Vs 4. “Ajuntar-se-ão a ti e farão todo serviço da tenda da congregação(…)”
Vs. 6.” Eu, eis, que tomei vossos irmãos os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós outros para o Senhor, para servir na tenda da congregação.”
Vs. 23.” Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e responderão por suas faltas”.
     A vocação dada pelo Senhor é uma honra aliada a uma grande responsabilidade. Não podemos negar o fato de que para Deus o ministério exige exclusividade, ou seja, homens separados especificamente para cuidar das coisas sagradas. Nem todos podem fazer este serviço, senão não haveria necessidade desta distinção. Esta escolha foge ao controle humano e está reservada única e exclusivamente à soberania de Deus. Ao chamar tais homens, Ele dá distinção aos mesmos, destacando-os dentre os demais, demonstrando a honra que Ele concede.
Números 18:6 – “E eu, eis que tenho tomado vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel(…)”
Vs.20. “Na sua terra herança nenhuma terás, e no meio deles, nenhuma parte terás; eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel.”
     Esta distinção fica clara quando Deus repreende a Eli:
I Samuel 2:27-28
…Não me manifestei, na verdade, à casa de teu pai, estando eles ainda no Egito, na casa de Faraó?
28 – E eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel por sacerdote, para oferecer sobre o meu altar, para acender o incenso, e para trazer o éfode perante mim; e dei à casa de teu pai todas as ofertas queimadas dos filhos de Israel.
     Há nestas palavras um tom de destaque dentre os demais para uma obra específica baseada em sua escolha soberana. A sua repreensão a Eli está carregada deste sentimento:
…Eu me manifestei… Eu o escolhi dentre os demais para ser o meu sacerdote…
Não podiam envolver-se com coisas desta vida. (II Tm. 2:4).

  • Uma Dedicação Exclusiva, uma Recompensa Honrosa.
     O Deus que exigiu exclusividade dos seus ministros dando-lhes uma vocação, também lhes proveu, honrosamente, os recursos necessários. Tal postura condiz com seu caráter íntegro e justo. Esta distinção vinha acompanhada de cuidado (remuneração) da parte de Deus, pois determinou que não teriam terras nem herança como os demais das outras tribos, mas receberiam a herança das ofertas do Senhor, para sustento próprio e de suas famílias. Nm. 18:20,23;Dt.10:8-9;12:12;14:27-29;18:1-2;Js. 13:14,33
Números 18:19,21,24
19 – Todas as ofertas alçadas das coisas santas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, tenho dado a ti, e a teus filhos e a tuas filhas contigo..
21 – E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.  (todos os dízimos que eram do Senhor)
Números 18:24
24 – Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
     O destaque e cuidado vêm do coração de Deus e é uma manifestação de seu comprometimento para com os seus chamados. Paulo reafirma o mesmo princípio no NT ao escrever que é Ele mesmo, Jesus, quem concede os ministérios à Igreja ( Ef. 4:11).
Os levitas se mantinham das ofertas que pertenciam a Deus conforme lemos nos textos acima. Todas elas são feitas ao Senhor, e estas foram dadas por Ele como mantimento aos sacerdotes e levitas. Desonrar os ministérios no que tange à sua remuneração é uma desonra ao próprio Deus, que se coloca como a porção e a herança deles. Nm. 18:20
Números 18:11-15,21 
11 – Também isto será teu: a oferta alçada dos seus dons com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos, e a tuas filhas contigo, as tenho dado por estatuto perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa, delas comerá.
12 – Todo o melhor do azeite, e todo o melhor do mosto e do grão, as suas primícias que derem ao SENHOR, as tenho dado a ti.
13 – Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao SENHOR, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerá.
14 – Toda a coisa consagrada em Israel será tua.
15 – Tudo que abrir a madre, e toda a carne que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu.
21 – E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.
Obs. (o vs. 21 deixa claro que as ofertas são uma remuneração pelo ministério que executavam, um pagamento pelo trabalho desenvolvido).
     Ao analisarmos somente estes textos, vemos claramente que a mesquinhez no sustento dos obreiros não vem de Deus, mas dos homens, e que, ao propôr em seu coração chamar homens para o serviço, Ele resolveu cuidar bem dos seus eleitos. O nosso Deus não quer ser visto como péssimo patrão, pois reparte o melhor do que é dEle, para cuidar dos que Ele chamou.
Dt. 18:1-5.
     Em Ml. 3:10 o Senhor diz que os dízimos eram para sustento em sua casa, ou seja, manutenção de ministérios e de necessidades pertinentes ao bom funcionamento da obra de Deus. Todos estes textos revelam que Deus teve grande preocupação com o bem estar dos que chamou, a prioridade que deu a este ponto, repartindo o que para Ele é santíssimo, as ofertas que a ele pertenciam. Ele não tratou este assunto como algo secundário ou sem importância, mas lhe deu a devida prioridade. Aqui vemos cuidado e honra. Não era um vínculo empregatício e sim uma recompensa honrosa. Ao cuidar bem dos seus obreiros Deus estava cuidando e zelando de sua obra.

  • O Que a História de Israel nos Revela?
     Sempre que o povo afastava-se do Senhor, eles desamparavam a casa de Deus, deixando de contribuir, levando os sacerdotes e levitas a afastarem-se do serviço sagrado, indo para os campos em busca do seu sustento e de suas famílias. Isto é claro em Esdras 6:15-16,18.
     A restauração trazia consigo, obrigatoriamente, a restituição dos sacerdotes e levitas para o serviço  da casa de Deus, conforme vemos no vs. 18
Esdras 6:18
18 – E puseram os sacerdotes nas suas turmas e os levitas nas suas divisões, para o ministério de Deus, em Jerusalém, conforme ao que está escrito no livro de Moisés.
     Em Neemias 13:10-12 ele contende com o povo por deixarem de contribuir, obrigando os levitas e sacerdotes a irem aos campos em busca de sustento. Sua pergunta é clara: porque se desamparou a casa de Deus? Vs. 11. Quando não há prioridade no sustento dos obreiros a casa de Deus é desamparada. Esta era uma preocupação de Neemias. Ver 10:39. No cap. 10:35-37 o povo se compromete em trazer as primícias do Senhor para sustento do sacerdote e do levita, reconhecendo assim a relevância deste serviço para o próprio Deus.
Neemias 10:35-37
35 – Que também traríamos as primícias da nossa terra, e as primícias de todos os frutos de todas as árvores, de ano em ano, à casa do SENHOR.
36 – E os primogênitos dos nossos filhos, e os do nosso gado, como está escrito na lei; e que os primogênitos do nosso gado e das nossas ovelhas traríamos à casa do nosso Deus, aos sacerdotes, que ministram na casa do nosso Deus.
37 – E que as primícias da nossa massa, as nossas ofertas alçadas, o fruto de toda a árvore, o mosto e o azeite, traríamos aos sacerdotes, às câmaras da casa do nosso Deus; e os dízimos da nossa terra aos levitas; e que os levitas receberiam os dízimos em todas as cidades, da nossa lavoura.
Podemos ver até aqui que
  • Deus escolhe alguns soberanamente para cuidar de suas coisas.
  • Destaca-os dentre os demais.
  • Responsabiliza-os.
  • Prioriza-os no sustento.
  • Remunera-os.
  • Conscientiza o seu povo desta responsabilidade.
     Fica claro também já no velho testamento que esta remuneração vem diretamente de Deus através de um povo comprometido com Ele, que, como resposta de amor a sua bondade, contribui espontaneamente ao seu Deus e à sua obra.

  • Os Ministérios São Dádivas de Deus ao Povo.
Números 18:7
6 – Eu mesmo separei os levitas do meio do povo de Israel, como um presente para vocês, dedicado ao Senhor, para fazer o serviço do tabernáculo. 7- e você e seus filhos servirão como sacerdote em tudo que se refere ao altar e o que fica para dentro da cortina. Pois o sacerdócio é o presente especial de serviço que dou a vocês…. (Bíblia Viva)
Efésios 4:11
11 – E ele mesmo deu uns para…
12 – Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;
     Assim como o sacerdócio é uma dádiva para aquele que foi chamado, é também um presente de Deus para o povo que os recebe. Ministérios comprometidos são bênçãos ofertadas ao seu povo. Nenhum homem chamado por Deus deve se sentir constrangido por viver das contribuições da igreja, pois Ele disse que este é um ofício digno e que deve ser remunerado através das ofertas que pertencem ao Senhor. O que o SENHOR repartiu a esses homens foi o melhor do que pertencia a Ele.

  • A Dignidade da Remuneração Pastoral.
     Em Mt. 10:8-10 Jesus orienta que seus obreiros, devem fazer o serviço sem se preocupar em cobrar nada. Eles não precisam brigar por salários ou viverem ansiosos quanto ao seu sustento, pois o seu serviço é digno de remuneração.
Mateus 10:8-10
8 – Curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos, expulsai os demônios; de graça recebestes, de graça dai.
9 – Não possuais ouro, nem prata, nem cobre, em vossos cintos,
10 – Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.
     Podemos ver no vs. 8 que os obreiros devem entregar-se integralmente as atribuições a eles conferidas pelo Senhor com total dedicação e empenho, pois esta é a sua vocação. (curar, limpar, ressuscitar e expulsar demônios pregando o evangelho). Já no vs. 9 fica claro que esta entrega deve ser com total despreocupação no que diz respeito ao sustento, pois o mesmo é totalmente garantido pelo Senhor. O obreiro é digno do seu salário.
     Aqui podemos ver que a atitude do filho é a mesma do pai no que diz respeito ao sustento dos que  chamou. Ele estava afirmando o seu compromisso em cuidar dos seus obreiros. Este é um serviço honroso e deve ser interpretada à luz do coração do próprio Deus, que chama, dá distinção, zela e sustenta bem os que chamou.
Digno é o obreiro do seu salário. Ele quer que os seus obreiros e a sua igreja entendam isto muito bem.

  • A segurança do Sustento Pastoral.
     Fica claro nos ensinamentos de Cristo aos apóstolos a segurança do sustento ministerial. Em Mt. 16:5-11 Jesus critica a falta de percepção dos discípulos quanto ao seu cuidado para com o serviço que eles prestavam:
Mateus 16:9-10
9 – Não compreendeis ainda, nem vos lembrais dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantas alcofas levantastes?
10 – Nem dos sete pães para quatro mil, e de quantos cestos levantastes?
     Eles não precisavam estar preocupados em não ter comprado pães, pois Ele cuidava dos seus obreiros. Estavam trabalhando com o Senhor e por isso os pães que sobejaram era para sustento dos mesmos demonstrando o cuidado e comprometimento do Senhor com os seus. Paulo entendia que o obreiro devia ser remunerado pela igreja, comendo do fruto do seu trabalho digno. I Co 9:14
I Corintios 9:14
14 – Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho.

  • Não Atando a Boca do Boi.
     O apóstolo, nos traz o entendimento que, o que o velho testamento afirma sobre não atar a boca do boi (Dt. 25:4), era uma referência sobre o cuidado de Deus com os seus obreiros nos dias de hoje, chegando a enfatizar que tal texto foi escrito por nossa causa e para o nosso cuidado.
I Corintios 9:9-10
9 – Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?
10 – Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito; porque o que lavra deve lavrar com esperança e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante.
     Não atar a boca do boi quando debulha demonstra a justiça do proprietário do animal, e isso nos fala da justiça do próprio Deus cuidando dos seus chamados. Está escrito em Provérbios 12: 10, “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.”
Debulhar é tirar as cascas, limpar, desbagoar para prover um alimento sem impurezas, selecionado criteriosamente visando uma boa nutrição. Assim está o obreiro do Senhor dedicado á sua vocação cuidando do rebanho com esperança de ser participante do fruto do seu trabalho.
     Ou seja, no velho testamento o Senhor já falava do sustento dos seus obreiros pensando nos dias atuais, segundo a interpretação apostólica.
“Ou não o diz certamente por nós? Certamente que por nós está escrito.”
Nós quem? Os ministérios na casa de Deus.
Em que época? Nos dias de hoje.

  • Uma Reinvindicação de Direitos Apostólicos.
     Em I Corintios 9 Paulo diz algo que tem claramente um tom de reivindicação de direitos:
“Não temos nós direito de comer e beber”? vs. 4
“Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?”vs 6.
Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do templo? E que os que de contínuo estão junto ao altar, participam do altar? vs.13. (uma referência ao serviço prestado no templo)
Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho. vs.14.(das ofertas do Senhor que a Ele são entregues). Entre os vs. 13 e 14 há um claro paralelo. Paulo demonstra que como foi no Antigo testamento, também deve ser hoje quanto ao princípio dos que são chamados para a obra, viverem integralmente do sustento vindo da igreja. Ele e Barnabé tinham o direito de comer e beber, e de terem suas demais necessidades custeadas pela igreja. O apóstolo está afirmando àquela igreja que não há ilegitimidade no ministro ao reivindicar o sustento seu e de sua família da igreja na qual trabalha.
     Em I Co 9:15-18 Paulo afirma não usar do direito do sustento integral daquela igreja por questões pessoais de sua consciência e de entender que era um mordomo, um despenseiro, que mesmo que jamais recebesse nenhum tipo de remuneração, sentia-se obrigado a cumprir a vocação que lhe foi dada, chegando a dizer: “Ai de mim se não pregar o evangelho!”
Todavia em II Cor 11:8-9 fica claro que o apóstolo recebia doações de outras igrejas, e que por razões pessoais ele não quis receber da igreja de Corinto. (Talvez os questionamentos acerca de sua autoridade apostólica, e constantes ataques dos falsos apóstolos o levou a adotar tal postura).
     Ele chega a afirmar ter passado privações estando a trabalhar naquela igreja e recebeu ajuda dos irmãos da macedônia para não ser pesado aos mesmos.
“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário; e quando estava presente convosco, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado.
Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado, e ainda me guardarei.” (esses irmãos não sabiam de suas necessidades ou deliberadamente recusaram-se em sustentar?)
     No entanto, vemos que sua postura em relação à igreja de corinto no que diz respeito a sua manutenção, trouxe para ele alguns sofrimentos. Parece que os irmãos de Corinto, embora fossem uma igreja abastada, mantinham uma atitude mesquinha quanto ao cuidado de seus obreiros. O apóstolo não se sentia à vontade de receber deles o sustento, tanto por conta dos falsos apóstolos como por causa dos próprios irmãos, no entanto, mantinha-se com o que vinha de outras localidades.
“Outras igrejas despojei eu para vos servir, recebendo delas salário(…).”
II Co. 11:8
     Ao receber salário de outras igrejas ele deixa claro que esse é o direito que compete aos que são chamados por Deus para este ministério.
Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?
I Co. 9:7

  • Uma Igreja Sem bons Obreiros e Confusos.
     É vergonhoso para a igreja de Corinto a mentalidade mesquinha, falta de revelação e de comprometimento com as necessidades do apóstolo. Será por este motivo que aquela igreja tinha tantos problemas doutrinários? Para uma igreja crescer bem fundamentada e estruturada, ela necessita de ministérios de tempo integral, dedicando-se a sua formação. Quando isto não acontece, abrem-se muitas lacunas, as distorções e deformações espalham-se com mais liberdade, e os ataques externos atingem mais facilmente as igrejas. Confusões e deformações doutrinárias estão estreitamente ligadas à carência de bons obreiros com tempo integral para dedicar-se à sua formação.
A carta aos coríntios está repleta de problemas de base como;
Crise de unidade. 1:10-17.
Carnalidades. Cap. 3
Dissensões. 3:3-9.
Imoralidades. Cap. 5 e 6:15-20.
Litígio entre irmãos. Cap. 6.
Mau uso da liberdade. 6:12.
Problemas matrimoniais. Cap. 7
Solteiros e seus pais desorientados. Cap. 7.
Misticismo quanto ao sacrificado ao ídolo. Cap. 8.
Idolatria. 10:7, 14.
Imoralidades. 10:8.
Murmurações. 10:10.
Glutonaria. Cap. 11.
Mau uso dos dons. Cap. 12.
Falta de entendimento sobre a ressurreição, etc..
Tantos problemas doutrinários e de relacionamentos advêm da falta de uma liderança com dedicação exclusiva, pois é difícil para os ministérios dedicarem-se à igreja às suas próprias custas.
     Obreiros bem sustentados ficam livres para cumprir esta tarefa árdua que é apascentar o rebanho do Senhor. É por razões como estas que Paulo afirma que o militante do Senhor não pode envolver-se em trabalhos seculares. II Tm. 2:4.

  • A Necessidade de Tempo Integral.
     Desde a instituição do sacerdócio vemos que Deus quer homens de tempo integral na sua obra, provendo para isso os meios necessários para o seu sustento. Fica claro que o trabalho secular deve ser evitado por aqueles que claramente foram chamados a participar deste serviço. O homem de Deus só deve lançar mão dele quando, excepcionalmente, não puder se manter através da igreja, o que foge do padrão estabelecido pelo próprio Deus. O próprio Paulo trabalhou temporariamente fazendo tendas, mas depois se dedicou exclusivamente a pregação e ao testemunho. (At. 18:1-5. Ed. Revista e atualizada)
18.1 Depois disto, deixando Paulo Atenas, partiu para Corinto.
18.2 Lá encontrou certo judeu chamado Áqüila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma. Paulo aproximou-se deles.
18.3 E, posto que eram do mesmo ofício, passou a morar com eles e ali trabalhava, pois a profissão deles era fazer tendas.
18.4 E todos os sábados discorriam na sinagoga, persuadindo tanto judeus como gregos.
18.5 Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo se entregou totalmente à palavra, testemunhando aos judeus que o Cristo é Jesus.
     É interessante observar que o modelo bíblico tanto no velho testamento como no novo é o obreiro de tempo integral. A necessidade de Paulo trabalhar está associada às circunstâncias que se encontrava e ao pioneirismo da obra que realizava, estabelecendo igrejas onde não havia e estruturando-as através da formação de obreiros. Ele chega a fazer uma avaliação bem crítica do ministério apostólico, dada às dificuldades que tinha que enfrentar na tarefa de desbravar cidades para consolidar a igreja do senhor.
I Coríntios 4:9-14
9 – Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens.
10 – Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis.
11 – Até esta presente hora sofremos fome, e sede, e estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa,
12 – E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e sofremos;
13 – Somos blasfemados, e rogamos; até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todos.
14 – Não escrevo estas coisas para vos envergonhar; mas admoesto-vos como meus filhos amados. (Vemos aqui citações de necessidades básicas como, fome e sede, frio e nudez. também observamos o destaque que ele dá à dificuldade de ter que trabalhar com as próprias mãos, aumentando ainda mais o sacrifício ministerial vs 11-12).
     Não dá para comparar estas circunstâncias com as de um obreiro em uma igreja bem estruturada ministerialmente, numa localidade onde todas estas fases iniciais foram vencidas e um povo foi ganho e fundamentado.

  • O Ministério é um trabalho… e um trabalho árduo!
     Ao ministério, é dado a conotação de um trabalho árduo e desgastante. Este conceito veio por Cristo, e mais tarde foi corroborado por Paulo.
Jesus se referia a pregação como um trabalho:
João 4:38
38 – Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.
João 5:17
17 – ”E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”
Mateus 10:10
10 – “Nem alforjes para o caminho, nem duas túnicas, nem alparcas, nem bordão; porque digno é o operário do seu alimento.”(operário em serviço)
     Este trabalho é tão sério e árduo que o galardão será dado distinguindo o tipo de serviço realizado por cada obreiro.
“Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho.”
I Co. 3:8
     O princípio do sustento no Novo Testamento segue aquele padrão estabelecido por Deus lá nos primórdios, com Deus comprometido com aqueles que Ele chamou, a fim de supri-los e honrá-los. Quem planta come do fruto, quem apascenta se alimenta do leite do rebanho. Todo aquele que apascenta sem esperança se desmotivará no seu serviço. I Co 9:7-11.
I Coríntios 9:7
7 – Quem jamais milita à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto? Ou quem apascenta o gado e não se alimenta do leite do gado?

Ir à guerra – soldado em serviço.
Plantar – lavrador em serviço.
Apascentar – pastor em serviço.
Colossenses 1:29
29 – E para isto também trabalho, combatendo segundo a sua eficácia, que opera em mim poderosamente.
     É certo que o ministério é uma vocação. Entretanto, podemos enfatizar muito esse ponto e esvaziar seu caráter de obreiro trabalhador, que atendeu ao chamado do Senhor da seara para trabalhar e receber por seu trabalho. O próprio Paulo diz que quem lavra deve lavrar com esperança. I Co 9:10. E questiona: “quem vai a guerra a sua própria custa? ICo 9:7. A forte ênfase na vocação tem levado muitas igrejas a não se comprometerem com seus obreiros, mandando-os confiar no Senhor, eximindo-se assim da responsabilidade do cuidado financeiro com os mesmos colocado por Deus sobre a ela.

  • Comprometendo-se Financeiramente com seus Obreiros.
Se nós vos semeamos as coisas espirituais, será muito que de vós recolhamos as carnais? 
I Co 9:11.
Gálatas 6:6
6 – E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui.
     Paulo afirma que os cristãos tem o dever de repartir os bens materiais que o Senhor lhes dá com os obreiros que os instrui. Tal atitude é uma semeadura com colheita certa!
Gálatas 6:8
8 – Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna.
     Parece que o apóstolo está aplicando aqui o princípio geral da semeadura e da colheita para sustento dos obreiros cristãos e motiva-nos a fazer o bem principalmente aos domésticos da fé.
Gálatas 6:9-10
9 – E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.
10 – Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
     O Semear e o fazer o bem aos domésticos da fé está intrinsecamente ligado ao que foi dito no vs 6. Garante-nos que no devido tempo colheremos frutos espirituais se perseverarmos em repartir os nossos bens com aquele que nos instrui. Paulo na carta aos filipenses ao agradecer o cuidado daqueles irmãos para com ele, deixa claro que a prosperidade de uma igreja está associada ao seu compromisso e generosidade com seus obreiros e de uns para com os outros.
O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus. Fil. 4:19. Uma igreja generosa Deus a prosperará!

  • O Cuidado de Paulo com seus Cooperadores.
     A própria atitude de Paulo para com os que cooperavam com ele era de honra e cuidado com suas necessidades:
Ti. 3:13. Cuidar de Zenas e Apolo para que nada lhes falte.
Rm. 16:1-2. Febe. Recebê-la com honra e não deixar faltar nada.
I Co. 16:10-11. Timóteo. Cuidar dele e deixa-lo tranquilo.
I Co. 16:15-16. Cuidar da família de Estéfanas.
I Co. 16:17-18. Estéfanas e Fortunato devem ser honrados pelo cuidado com as necessidades do apóstolo.
     O apostolo, que sentia as necessidades ministeriais em sua carne, entendia que os obreiros bem amparados e cuidados fariam melhor o seu trabalho, embora em seu ensino o motivo do serviço não seja o bom salário, mas o amor. No entanto, é claro na atitude do apóstolo que para ele, há um valor em se cuidar bem dos que servem no ministério.
     Podemos encerrar com as palavras do apóstolo Pedro, que nos exorta a pastorear a igreja de Deus por amor e compromisso com Aquele que nos chamou, e nunca por ganância, pois tal atitude macula o exemplo do Sumo Pastor. Todavia, não é errado lavrar com esperança de participar dos frutos. I Co. 9:10.
I Pedro 5:1-4
1 – AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar:
2 – Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
3 – Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho.
4 – E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.
Cláudio.
OBSERVAÇÕES PESSOAIS
AS OFERTAS NÃO FORAM CRIADAS PARA OS NESCESSITADOS, MAS PARA O SENHOR. E FORAM DESTINADAS PARA O SUSTENTO DOS OBREIROS E DOS NECESSITADOS
NÃO PODE HAVER IGREJA SEM MINISTÉRIOS
O MINISTÉRIO DEVE RECEBER TANTO CUIDADO E ATENÇÃO QUANTO DEUS DEU AO MESMO.
O SUSTENTO MINISTERIAL DEVE RECEBER PRIORIDADE E A IMPORTÂNCIA QUE DEUS LHE ATRIBUIU.

 

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