Diótrefes, “O Pastor”
3 João: 1. 9. Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de ter entre eles a primazia, não nos recebe. 10. Pelo que, se eu aí for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, ele não somente deixa de receber os irmãos, mas aos que os querem receber ele proíbe de o fazerem e ainda os exclui da igreja.
Diótrefes insiste em ter a primazia. Ele desconfia de seus companheiros, pois se acha mais virtuoso. Ele, lá no íntimo, considera-os como uma ameaça à obra, pois não “enxergam como ele”. Então, não perde a oportunidade de criticá-los. Falar das fraquezas, erros e defeitos dos companheiros de ministério tornou-se algo prazeroso, por precisar sabotar, descredibilizar, maximizar falhas, e até mesmo distorcer as virtudes. Se o companheiro traz uma boa palavra, ele sempre tem uma observação que ressalte algo negativo, pois os erros e fraquezas deles precisam estar à frente das virtudes, e tais observações são feitas em tom de espiritualidade. Diótrefes acha-se mais importante, o reconhecimento para ele é algo terapêutico, enxerga-se especial, agraciado por Deus. De fato, convenceu-se de que é iluminado, preferido, a ponto de se sentir dono dos irmãos, da igreja, e, no fundo, que nada de bom pode acontecer ali sem sua avaliação, participação, muito menos sem o seu aval. Às vezes, suas críticas são sutis. Suas observações pertinentes e até verdadeiras são usadas com malícia, deslealdade, objetivos escusos. Ele deseja para si mais reconhecimento, pois, no fundo considera-se melhor que seus companheiros. Diótrefes está envenenado, narcotizado, enganado por satanás, seduzido pelo ego. Devido às suas necessidades emocionais, tornou-se um perigo para a obra de Deus, desconstruindo, trazendo confusão, desestabilizando.
Esta breve passagem das escrituras serve-nos de alerta. Nós, pastores e líderes que trabalhamos juntos, precisamos ter cuidado. Diótrefes está em mim, em você! Corre nas nossas veias, está enraizado até a medula dos nossos ossos! Ele não morreu no primeiro século, mas, perpetua-se através de nós, seduzindo, desconstruindo, sabotando.
O desejo de ser reconhecido pode destruir o relacionamento entre companheiros de ministério, trazer confusão e até mesmo destruição à obra de Deus. O ministério não pode ser um lugar de empoderamento, uma plataforma de projeção pessoal ou autoexaltação. Todo pastor e líder na casa de Deus é atacado por satanás nessa área. Ele é especialista em convencer o homem do que ele não é, fazendo-o pensar que seus talentos e dons vêm de si e não de Deus. Paulo diz: 1Coríntios: 4. 7. “Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?”
Não é o nosso talento pessoal. Satanás sabe que os que estão envenenados não caem sozinhos, na maioria das vezes, levam muitos consigo. É possível ter acontecido mais destruição e deformações na igreja provocadas por aqueles que estavam em posição de autoridade do que por perseguições ou ações de irmãos menos influentes, se considerarmos o mau uso da posição para influenciar, persuadir ou manipular. As divisões, que geralmente são conduzidas por aqueles que estão em posição de autoridade, trazem muita dor e sofrimento ao rebanho. Se conseguíssemos mensurar o tamanho da destruição provocada pelos falsos ensinos promovidos por esses homens, conduzindo muitos à perdição ou deformação, veríamos o quão danoso e perigoso é o espírito de Diótrefes na igreja do Senhor.
Esse espírito deve ser banido, resistido, odiado! Deus estabeleceu na sua igreja o ministério plural porque nenhum pastor tem tudo em si mesmo. Os ministérios se completam e enriquecem a igreja, pois cada pastor ou líder alcança uma área que o outro não tem condições de alcançar, cooperando assim com a edificação do corpo de Cristo. A única maneira de resistir ao espírito de Diótrefes é entender Jesus. Sua auto-humilhação, seu autoesvaziamento e sua total repugnância às glórias humanas. Ele disse de si mesmo que era manso e humilde de coração, e que, ao aprendermos isso, encontraríamos descanso para as nossas almas. Quando um pastor ou líder na igreja depara-se com o caráter de Jesus e por Ele é confrontado, cessam-se as guerras, disputas e manobras para a projeção pessoal. Somente um silencioso desejo de que Ele cresça, seja visto e torne-se o centro na casa de Deus. Aí o espírito de Diótrefes é esmagado, quando homens trabalhando juntos alegram-se com o crescimento dos outros, por estarem tomados pelos sentimentos de Cristo Jesus.
João: 3. 29. Aquele que tem a noiva é o noivo; mas o amigo do noivo, que está presente e o ouve, regozija-se muito com a voz do noivo. Assim, pois, este meu gozo está completo. 30. É necessário que ele cresça e que eu diminua.




Deus é muito bom! Continue dando graça para edificar muitos outros!!!