Por Que Continuamos Caindo? Antes de resistir ao diabo, precisamos nos submeter a Deus.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Limpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo, purificai o coração.” (Tiago 4:7-8)

Tiago não começa sua exortação falando sobre resistência ao diabo, mas sobre submissão a Deus. Entender o significado dessa colocação é fundamental. Ao longo do capítulo, o apóstolo confronta pecados como o orgulho, os desejos egoístas, a amizade com o mundo e a resistência à graça de Deus.

Muitos de nós desejam triunfar sobre as tentações e vencer as investidas do inimigo sem primeiro lidar com a insubmissão e os conflitos que ainda habitam em nosso coração. Contudo, a resistência espiritual só pode ser exercida adequadamente quando há uma rendição total ao Senhor. Não há vitória sobre Satanás onde ainda existe resistência à vontade de Deus. Por esse motivo Tiago inicia sua exortação dizendo: “Sujeitai-vos, pois, a Deus.”

Submeter-se ao Senhor envolve a renúncia diária de nossas vontades orgulhosas. Quando decidimos nos sujeitar a Deus e nos render incondicionalmente à sua vontade, deixamos de viver divididos entre o que ele quer e o que nós queremos. Sua vontade soberana passa a ser a nossa busca constante e o nosso maior prazer.

Talvez muitas das tentações e fraquezas que nos perseguem insistentemente sejam resultado de nossa resistência em nos submetermos completamente ao Senhor. Jesus é o nosso modelo de total submissão ao Pai. Ele disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.” (João 6:38). Aqui vemos mais que um sentimento; vemos uma vontade inteiramente comprometida.

Quanto mais lutamos para preservar nossos próprios interesses, mais vulneráveis nos tornamos. A falta de rendição enfraquece nossa vigilância espiritual e nos torna mais suscetíveis às investidas do inimigo. Por isso Tiago declara: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.”

Quando resistimos à submissão total ao Senhor, perdemos clareza quanto ao propósito para o qual fomos chamados. Sem a sua direção, tornamo-nos semelhantes a ovelhas sem pastor, caminhando segundo nossos próprios impulsos e sujeitos às influências deste mundo. Jesus vivia com plena consciência de sua missão e declarou: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4:34). Sua vida estava completamente alinhada aos propósitos do Pai.

A falta de rendição também produz instabilidade espiritual. Quando mantemos áreas da vida sob nosso próprio controle, passamos a oscilar entre confiança e medo, obediência e resistência, fé e dúvida. Tiago já havia advertido sobre esse perigo ao afirmar que o homem de ânimo dobre é instável em todos os seus caminhos (Tiago 1:6-8). Um coração que não se entrega plenamente ao Senhor dificilmente encontra firmeza e constância em sua caminhada espiritual.

Além disso, quando não nos submetemos plenamente ao Senhor, corremos o risco de nos conformar aos valores deste século. Tiago é enfático ao afirmar que a amizade do mundo é inimizade contra Deus (Tiago 4:4). O problema não está em nos relacionarmos com pessoas não convertidas, pois fomos chamados para ser luz em meio às trevas e anunciar-lhes o evangelho. O perigo surge quando passamos a absorver os mesmos valores, conceitos e prioridades do sistema deste mundo. Quando isso acontece, nossa comunhão com Deus enfraquece e nossa capacidade de resistir às tentações diminui. O próprio Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores, pois amará a um e aborrecerá o outro (Mateus 6:24).

A resistência à vontade de Deus também afeta nosso discernimento espiritual. Quanto mais nos afastamos da presença do Senhor, menos sensíveis nos tornamos à voz do Espírito Santo. Perdemos a capacidade de discernir com clareza entre o que agrada e o que desagrada a Deus. Paulo ensina que as coisas espirituais se discernem espiritualmente e que aqueles que possuem a mente de Cristo são capazes de julgar corretamente todas as coisas (1 Coríntios 2:14-16). Sem essa sensibilidade espiritual, facilmente caímos em armadilhas que poderiam ser evitadas.

Outro reflexo evidente da falta de submissão é o enfraquecimento da vida devocional. A oração torna-se superficial, a leitura da Palavra perde a prioridade e a comunhão com Deus é substituída por uma religiosidade mecânica. Entretanto, é justamente na Palavra e na oração que encontramos força para enfrentar as batalhas espirituais. Paulo exorta os cristãos a tomarem a espada do Espírito, que é a Palavra de Deus, e a perseverarem em oração em todo tempo (Efésios 6:17-18). Não existe vida cristã vitoriosa sem uma profunda dependência desses meios de graça.

A falta de rendição também afeta nossos relacionamentos com o corpo de Cristo. Quando nos afastamos da comunhão dos irmãos, deixamos de receber o encorajamento, a exortação e a edificação que Deus concede por meio da igreja. A caminhada cristã nunca foi planejada para ser solitária, mas para ser vivida em comunhão e cuidado mútuo.

No fundo, todos esses problemas possuem uma mesma raiz: um coração dividido entre a vontade de Deus e a própria vontade. A submissão bíblica não consiste apenas em abandonar determinados pecados, mas em alinhar nossos desejos aos desejos do Senhor. Quanto mais nos rendemos a ele, mais fortalecidos nos tornamos para resistir às tentações e permanecer firmes.

Mas a submissão bíblica não termina na renúncia. Deus não nos chama apenas a abandonar o pecado, mas a nos aproximarmos dele. Por isso Tiago prossegue dizendo: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” O Senhor não permanece distante daqueles que o buscam sinceramente. Toda rendição genuína nos conduz a uma comunhão mais profunda com Deus. Aquele que se aproxima do Senhor encontra graça, direção, consolo e força para permanecer fiel.

Talvez o maior inimigo de nossa vida espiritual não seja a intensidade das tentações e provações que enfrentamos, mas a resistência que ainda oferecemos à vontade de Deus. O caminho da vitória não começa quando aprendemos novas estratégias de combate espiritual, mas quando nos rendemos completamente ao Senhor. Quanto mais próximos estamos de Deus, mais longe ficamos daquilo que tenta nos afastar dele.

Por isso, a exortação de Tiago continua tão necessária para os nossos dias: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós.” Aquele que se aproxima de Deus jamais o encontrará indiferente, pois o próprio Senhor prometeu receber aqueles que o buscam de todo o coração.

“Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração.” (Jeremias 29:13)

0 respostas

Deixe uma resposta

Want to join the discussion?
Feel free to contribute!

Deixe uma resposta