Antes que Seja Tarde: Despertemos do Sono
Um chamado à vigilância espiritual diante da proximidade da volta de Cristo
“E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto do que quando no princípio cremos.” (Romanos 13:11)
É possível conhecer o tempo que antecede a vinda do Senhor e, ainda assim, permanecer dormindo e indiferente?
Imagine nós, como cristãos há tanto tempo, ouvirmos do apóstolo a exortação para despertarmos do sono espiritual. Qual seria a nossa reação? Como nos sentiríamos?
Paulo dirige sua exortação àqueles que conhecem o tempo em que estão vivendo. Não se trata de um conhecimento meramente cronológico, mas de uma percepção espiritual do tempo de Deus. O termo grego utilizado aqui é kairós, que aponta para um tempo oportuno, divinamente determinado, em contraste com chronos, o tempo medido pelo calendário.
Kairós descreve o momento estabelecido por Deus dentro do fluxo da história, e, no Novo Testamento, está frequentemente relacionado à expectativa da consumação final, à proximidade da volta de Cristo. É nesse sentido que Paulo afirma: “Irmãos, o que desejo vos fazer entender é que o tempo (kairós) se abrevia sobremaneira” (1 Coríntios 7:29 KJA). Trata-se do discernimento de que caminhamos para o cumprimento pleno dos propósitos de Deus, e de que o Rei está vindo para o acerto de contas.
Entretanto, muitos não conseguem discernir o tempo do Senhor, não necessariamente por ignorância, mas por um equívoco deliberado, que despreza a vigilância. Vivem absorvidos por suas próprias demandas, ocupados com aquilo que é passageiro e, por isso, perdem a sensibilidade espiritual para perceber o agir de Deus em seu tempo.
Isso nos remete à parábola das dez virgens. Todas aguardavam a chegada do noivo, mas cinco delas não foram cuidadosas o suficiente e ficaram de fora da festa. O noivo declarou que não as conhecia. Esse é o fim daqueles que dormem e não discernem o tempo da sua vinda (Mateus 25:1–13).
A parábola termina com uma advertência que atravessa os séculos: “Vigiai, pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora” (Mateus 25:13).
Nos versículos seguintes do texto que iniciamos, o apóstolo apresenta uma lista de pecados que devem ser abandonados, algo que soa estranho quando direcionado a cristãos que conhecem o tempo da volta do Senhor.
Ele nos chama a abandonar as obras das trevas. Tudo aquilo que é pecaminoso, mundano e dissimulado em nossas vidas deve ser deixado para trás:
“Portanto, abandonemos as obras das trevas e revistamo-nos da armadura da luz.” (Romanos 13:12b – KJA)
Em seguida, ele especifica:
“Vivamos de modo decente, como em plena luz do dia, não em orgias e bebedeiras, não em imoralidade sexual e depravação, não em desavenças e invejas.” (Romanos 13:13 – KJA)
Por mais surpreendente que pareça essa exortação dirigida a cristãos, ela revela um alerta necessário: a consciência do tempo não elimina a necessidade de vigilância; ao contrário, a intensifica.
Há aqueles que professam a fé, mas vivem despreocupadamente, entregues aos prazeres e distrações deste mundo, como se a volta de Cristo não fosse uma realidade iminente.
O apóstolo Pedro segue na mesma direção ao dizer:
“Como filhos da obediência, não permitais que o mundo vos amolde às paixões que tínheis outrora, quando vivíeis na ignorância.” (1 Pedro 1:14)
E, ao recordarmos o ensino de Paulo no capítulo anterior, percebemos que essa exortação não surge de forma isolada:
“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente…” (Romanos 12:1–2 – KJA)
O chamado apostólico é claro: despertar. É necessário romper com o sono espiritual, abandonar a indiferença e viver com consciência da proximidade da volta de Cristo.
O próprio Senhor Jesus advertiu:
“Estejam de sobreaviso e vigiem, porque vocês não sabem quando será o tempo.” (Marcos 13:33)
A vigilância não é opcional, ela é uma marca daqueles que aguardam a sua vinda.
Os que discernem esse tempo vivem em oração, permanecem vigilantes, cultivam comunhão com a igreja e se comprometem com o avanço do Reino de Deus. Não permitem que as demandas deste mundo os conduzam à indiferença, pois compreenderam que o tempo é breve e a volta do Senhor é certa.
A exortação permanece: despertemos do sono. A nossa salvação está mais próxima do que quando cremos. Não há espaço para negligência, mas para uma vida intencional, atenta e consagrada.
“Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus.” (Efésios 5:15–17)
Por fim, o apóstolo aponta o único caminho seguro:
“Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não fiqueis idealizando como satisfazer os desejos da carne.” (Romanos 13:14)
Somente em um relacionamento profundo com Cristo, marcado por comunhão, dependência e submissão, é que conseguimos vencer a indiferença e escapar das contaminações deste mundo.
Que não sejamos apenas conhecedores do tempo, mas homens e mulheres despertos.
Que não apenas falemos da sua vinda, mas vivamos à luz dela.
Que o Senhor nos encontre vigilantes.




Eu me destaco como Davi. Deus não via quem ele era mas o seu coração que era verdadeiro e entregue aos pés de Jesus.