Tristeza e Consolação

2 Coríntios 2:7 De maneira que, pelo contrário, deveis antes perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja devorado por excessiva tristeza.

Qualquer pessoa pode ser tomada por grande tristeza. As causas podem ser as mais diversas, desde pecados, desilusões, sensação de incapacidade, frustrações, etc. O fato é que este sentimento acompanha o homem desde os primórdios. Quando lemos os salmos, percebemos como grandes homens de Deus descreveram quadros de profunda tristeza e confusão mental. Paulo, o apóstolo, orienta a igreja de Corinto a receber e consolar um irmão que pecou para que o mesmo não seja “devorado por excessiva tristeza.” Há uma clara preocupação do apóstolo com a saúde emocional do arrependido. Aqui podemos observar que:

  • A tristeza, mesmo que seja por um pecado, pode ser profunda.
  • Ela pode tornar-se realidade na vida de qualquer pessoa, mesmo de bons cristãos.
  • A tristeza profunda consome a pessoa.
  • Ela deve ser resistida e diminuída pelo consolo necessário e demonstração de amor da igreja.

Ao analisarmos a palavra de Deus, vemos claramente como a Bíblia humaniza as pessoas, diferentemente da religião, ela mostra o homem vivendo seus conflitos, sofrendo derrotas, às vezes esmagado pela dor, frustrações e decepções. Esta palavra é tão clara que não esconde as mazelas, fraquezas e até mesmo dúvidas de grandes homens de Deus. Asafe disse que Deus era bom, mas não para ele. Sl 73.1 chega a dizer que foi inútil manter-se puro vs 13.

Elias, após grande demonstração do poder de Deus diante dos profetas de Baal, deprime-se pelas ameaças de Jezabel, que nem parecia o mesmo homem ousado, intrépido e confiante do capítulo anterior, então assenta-se e pede a morte para si. 1Re 19:4.

Davi disse estar gasto e esmagado, desassossegado. Sl 38.8; no Sl 69.7, ele disse que a confusão lhe cobria o rosto. Até mesmo o nosso Cristo disse estar sentindo-se profundamente triste diante da iminência da traição e sofrimento que lhe atingiria. MC 14.33-34. Na verdade, a Bíblia não fala de “super cristãos,” mas de homens tementes a Deus que, ao caminharem com Ele, descobrem que esse Deus está mais interessado em sua transformação que em seu sucesso ou vitórias pessoais, embora em sua bondade os abençoem ricamente.

O fato é que, a tristeza quando profunda, consome a pessoa drenando todas as forças e energia. Muitas vezes, levando a questionamentos sobre a bondade e soberania de Deus, desenvolvendo crises de incredulidade. Às vezes, desânimo consigo mesmo não acreditando que alcance o padrão elevado que supostamente identificam em outros, potencializando ainda mais a tristeza, levando muitos a sucumbirem na fé. Nesse profundo processo de confusão mental há um exagerado senso de abandono, “estou só, ninguém se importa, Deus não me responde” etc. Esse é um estado de espírito deprimente que deixa muitos filhos de Deus questionando o porquê de tais sentimentos, e às vezes sem uma resposta aparente. Outros isolam-se socialmente, afastando-se daqueles que poderiam ajudar, não usufruindo do poder restaurador que há no corpo de Cristo. A palavra do Senhor nos garante que o caminho de Deus é perfeito. 18.30. É justamente nesse caminho que somos provados para por Ele sermos aprovados. É em meio às dificuldades, que Deus arranca os sentimentos e comportamentos medíocres que nos prejudicam e também àqueles que estão perto de nós. Devemos encarar a realidade de que, enquanto estivermos aqui, estamos sujeitos às fraquezas e limitações naturais que afetam todos os homens, e a tristeza é uma das mais devastadoras. Paulo, o apóstolo, disse que ela devora e consome, Seja por pecados, problemas familiares ou com terceiros, crises existenciais, ela sempre chega numa hora inoportuna, abatendo o coração e nos colocando em abismos que achamos não poder sair. Asafe, no salmo 73, diz:

21. Quando o meu coração estava amargurado e no íntimo eu sentia inveja,

22. agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.

O salmista fala de um aterrorizante conflito com Deus. Ele questionava sua soberania e bondade, justiça e fidelidade, buscava respostas para perguntas difíceis que o coração insiste em obter, mesmo sabendo que pode não haver uma resposta satisfatória. Até que, num momento, ele tem uma leitura de si;

“agi como insensato e ignorante; minha atitude para contigo era a de um animal irracional.” vs 21

A tristeza tem muitas fontes, algumas legítimas, outras ilusórias, e outras que nascem do engano de corações que desejam manipular Deus para obter o máximo de felicidade aqui e agora. Talvez por isso alguns se sintam tão magoados com Ele, embora não expressem isso abertamente. Seja como for, é preciso conhecê-lo e nele confiar, pois ele é fiel. Só assim a irracionalidade desaparece para dar lugar ao amor e à paz, e assim experimentar a sua amizade mais que seus benefícios. Então, o salmista continua:

23. Contudo, sempre estou contigo; tomas a minha mão direita e me sustém.

 Agora tudo ficou claro! “Estou sempre contigo,” Tu és amigo de todas as horas, tua presença é minha maior necessidade. E continua;

25. A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti.

A grande descoberta é a presença dEle e sua amizade. “Nos céus, tu és minha herança e na terra o meu maior desejo e anseio”! Já não importa tanto as coisas exteriores, se boas ou ruins, agradáveis ou não, tais coisas já não trazem mais alegrias. O Senhor ocupou todos os espaços.

26. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre.

Seja o corpo que envelhece contra nossa vontade, a doença que chega sorrateira, ou a dor persistente a castigar-nos. Até mesmo o coração a desfalecer, nos jogando na mais profunda crise e agonia quase insuportável, agora, para o salmista, o Senhor é a fortaleza do coração dele e a herança, a recompensa para sempre. Tudo o mais perdeu o significado.

28. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos.

Estar perto de Deus. Fiz do soberano Senhor o meu refúgio.”

A quem fizemos o nosso refúgio? Em quem confiamos e em quem nos escondemos na hora da profunda tristeza e angústia inesperada? Não podemos prever quando chegará o dia mau sobre nós, e dificilmente poderemos impedir completamente, mas há sempre uma saída para aqueles que fizeram do Senhor o seu refúgio e esperança. Um consolo que vem diretamente Dele e da sua igreja, por meio de irmãos amados e compreensivos usados por Deus para segurar as nossas mãos quando nos faltarem as forças. Bendito seja o nosso amado Senhor, que sempre nos consola!

2 Coríntios 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; 4 Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus.

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